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SALVADOR DALI

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  SALVADOR DALI (1904-1989) nasceu em 11 de maio de 1904, na cidade catalã de Figueras (Espanha), região que foi também uma espécie de pano de fundo para grande parte de sua obra. Tornou-se uma figura popular com aqueles bigodes enormes. Era artista e showman na divulgação da própria obra. Filho de um prestigioso tabelião, estudo escola pública (Colégio Salle).

Começou a estudar desenho quando tinha 13 anos. Em 1919 participa de uma exposição de pintura. Em 1922 obtém o reconhecimento da Associação Catalã de Arte e no mesmo ano matricula-se na Escola de Belas Artes de Madrid, onde fica até 1926 conhecendo Frederico Garcia Lorca.

Vinha de uma família sólida de classe média. Era rodeado por amigos ricos e cultos que incentivavam Dali e mantinham bem informado sobre os desenvolvimentos no mundo das artes.

 Foi estudar pintura em Madri (1921-1926) quando já possuía boa bagagem artística. Foi nessa época que fez amizade com o poeta Lorca. Sua primeira exposição individual aconteceu em 1925, na Galeria Dalmau (Barcelona). Foi chamado em 1927 para o serviço militar, cumprindo-o no Castelo de Sant Ferran (Figueres).

É cada vez mais atraído para o Surrealismo a partir de 1.929, e influenciada pelas teorias de Sigmund Freud. Casou-se com Gala Eluard que fora antes sua amante, que além de ser a musa inspiradora, foi uma grande colaboradora e organizadora de seus afazeres. Mas foi ela também que sua ganância incentivou Dalí a banalisar a sua arte.

Em 1938, fiel ao mesmo tipo de pintura, modificou sua orientação temática até chegar a quase mesmo mistricismo.

Sua melhor produção é considerada a que ocorreu entre os anos 29-39.Dalí pintou suas obras mais famosas. As pinturas desenvolviam interpretações e associações irracionais, dependendo do ponto de vista, de acordo com o método crítico-paranóico por ele criado. Conferiu à sua obra sempre uma aparência acadêmica com impecável precisão fotográfica. No final da década de 1930, Dalí estava começando a ser reconhecido nos Estados Unidos, onde as atitudes face às novidades artísticas eram menos conservadoras do que na Europa.

O início da Segunda Guerra Mundial e a vitória dos alemães sobre a França, em 1940, levaram Dalía fugir para os EUA, onde ficou oito anos.  A América também despertou seu lado exibicionista, tornou-se uma super-celebridade. Em 1962 cria grandes pinturas como a “Batalha de Tetuán”.Recebe em 1964 a Cruz de Isabel a Católica e un ano depois; realiza una grande exposição em Tókio. Em 1973 é inaugurado o Museu Dali.

Os últimos anos de Salvador Dalí foram obscurecidos por um distanciamento de Gala, que morreu em 1982. No mundo das artes crescia a preocupação com a quantidade de obras falsas que lhe eram atribuídas a Dalí.

O próprio Dali sabia de sua parcial culpa, pois que muitas vezes chegou a assinar centenas de folhas em branco que seriam obviamente usadas de forma ilícita. Em 1986 sofreu graves queimaduras por causa de um incêndio ocorrido em seu quarto.

A partir de então vive prostrado em uma cama na torre do Museu de Figueres. Faleceu em 20 de janeiro de 1989, anos 84 anos de idade. Seu corpo embalsamado está enterrado em uma tumba sob a cúpula do Museu de Figueres (Espanha).

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O MUNDO DE SOFIA

 

O objetivo principal deste livro não é, segundo o nosso ponto de vista, relatar ao leitor a evolução da filosofia ao longo do tempo, mas sim fazer com que este não seja tão indiferente àquilo que o rodeia. Isto é conseguido através das respostas dos grandes filósofos às questões que sempre afligiram o mundo.

“A capacidade de nos surpreendermos é a única coisa de que precisamos para nos tornarmos bons filósofos (…) E agora tens que te decidir, Sofia: és uma criança que ainda não se habituou ao mundo? Ou és uma filósofa que pode jurar que isso nunca lhe acontecerá?… Não quero que tu pertenças à categoria dos apáticos e dos indiferentes. Quero que vivas a tua vida de forma consciente.”

“Quem és tu?”, “De onde vem o mundo?”, “Haverá uma vontade e um sentido por detrás daquilo que acontece?”, estas são algumas das perguntas colocadas a Sofia durante aquilo que irá ser um verdadeiro “curso de filosofia”. Este curso foi oferecido a Sofia por uma pessoa que ela não conhecia mas que acabou por se tornar rapidamente num grande amigo. Através dele, Sofia viaja até 600 a.c., onde encontra os primeiros filósofos, e a partir daí segue o rumo da história dos homens e o evoluir da mentalidade e do pensar filosófico. É por meio do seu professor de filosofia que Sofia conhece Sócrates, Aristóteles, Descartes, Spinoza, Kant, Hegel, Marx, Freud, entre muitos outros.

Mas a história de Sofia e Alberto (o seu professor) não fica por aqui. Ao mesmo tempo que se vai desenvolvendo o seu curso de filosofia, as duas personagens vão-se apercebendo da existência de outra realidade para além daquela em que vivem.

É uma história composta de muitas outras, que nos faz pensar se não seremos também nós apenas personagens duma história que um dia alguém escreveu. É nesta perspectiva que o autor faz aparecer na mesma realidade que Sofia personagens como o Capuchinho Vermelho, Aladino ou o João Ratão, todas elas criadas um dia por alguém que lhes era superior e que lhes restringia a existência a uma simples história infantil. Depois de criadas, todas elas são obrigadas a viver num plano de existência paralelo. O mesmo aconteceu a Sofia e Alberto, que no fundo não passam de duas personagens duma aventura na filosofia.

A HISTÓRIA

Sofia era uma menina de quase quinze anos que morava com sua mãe pois o trabalho de seu pai o deixava ausente boa parte do tempo.

Certo dia, quando vinha da escola, encontrou dois pequenos envelopes brancos, não simultaneamente. Em cada um havia uma indagação e elas levaram Sofia a refletir sobre a vida e a origem do mundo. Também recebeu um cartão-postal que deveria ser entregue a uma pessoa que ela nem conhecia e cujo nome era Hilde.

Sofia recorreu a um esconderijo no jardim de sua casa para pensar e refletir sobre as perguntas. Para ela, ele representava um mundo à parte, um paraíso particular, como o jardim do Éden mencionado na Bíblia.

A CABANA DO MAJOR

Depois de ler sobre Platão, Sofia permaneceu em seu esconderijo refletindo sobre as idéias deste filósofo. Era um dia de Domingo e ainda estava bastante cedo. Então, ela resolveu ir floresta adentro a fim de encontrar seu professor de filosofia, cujo nome era Alberto Knox.

 

Sofia seguiu a trilha que cortava a floresta e, pouco tempo depois, viu um lago e do outro lado, uma cabana. Ela o atravessou usando um barco a remo. Quando chegou à casa, bateu na porta e, como ninguém respondeu, resolveu entrar.

Sofia entrou numa sala grande e concluiu que alguém morava ali, pois havia resquícios de fumaça num velho fogão à lenha. Viu uma máquina de escrever, alguns livros, dois quadros na parede (Berkeley e Bjerkely) e um grande espelho com moldura de latão entre outras coisas. Encontrou também uma tigela com restos de comida o que significava que quem ali residia possuía um animal. Quando foi ao quarto viu dois cobertores e sobre eles pêlos amarelos. Então, deduziu que na cabana moravam Alberto e seu cachorro Hermes.

Quando voltou à sala, Sofia foi olhar o espelho e viu que sua imagem piscava os olhos para ela. Ela se assustou com aquilo. Também ouviu latidos distantes que significava que seu professor já estava a caminho de casa.

Antes de sair, Sofia viu uma carteira sobre a cômoda que ficava abaixo do espelho. Ela a abriu e viu, dentre outras coisas, uma carteira de estudante de Hilde Knag. Sofia se assombrou. Quando ia saindo, viu um envelope com seu nome sobre a mesa e, involuntariamente, o pegou e correu. Porém, um problema lhe esperava: o barco estava no meio do lago. Então, para retornar à sua casa, ela teve que dar a volta pela floresta.

No caminho, abriu o envelope que pegara, leu o seu conteúdo e achou que tinha alguma coisa a ver com o próximo filósofo, Aristóteles. Ao chegar à casa eram quase onze horas da manhã. Encontrou sua mãe preocupada e lhe explicou que tinha ido dar uma volta na floresta, falou da cabana, o barco e o estranho espelho. Sua mãe então lhe disse que o lugar onde ela havia ido era conhecido pelo nome de “cabana do major” porque há muitos anos tinha vivido lá um velho major.

Depois disso, Sofia foi para o seu quarto e lá pensou sobre tudo que tinha passado. Ficou receosa por haver entrado na casa de seu professor e então resolveu escrever-lhe uma carta pedindo desculpas.

OS CARTÕES-POSTAIS

Passados alguns dias sem que Sofia nada recebesse do seu professor de filosofia e como ela estaria livre a partir da quinta-feira devido a um feriado, aceitou o convite de sua amiga Jorunn para acampar e escolheu, intencionalmente, um lugar próximo à cabana do major, pois ela pretendia ir lá novamente.

Chegando ao local, armaram a barraca e depois de organizarem tudo, fizeram um lanche. Sofia perguntou se Jorunn já tinha ouvido falar da cabana e convenceu a amiga a ir até lá. Depois de uma caminhada, avistaram o lago e a casa que parecia estar abandonada. Utilizaram o barco para irem para o outro lado e, desta vez, Sofia teve todo o cuidado de puxá-lo.

Quando entraram na casa estava muito escuro, mas Sofia tinha trazido fósforo e acendeu uma vela que lá havia. Então, chamou Jorunn para ver o espelho e lhe disse que era um espelho mágico. Nesse momento, Jorunn descobriu alguma coisa no chão da sala. Eram cartões-postais. Todos vinham do Líbano e estavam endereçados a Hilde Knag. Sofia teve um certo receio, pois seu nome poderia estar mencionado nos cartões (Jorunn não sabia sobre o filósofo nem sobre outros cartões que Sofia recebera ) mas começou a lê-los com a amiga.

Eles falavam do aniversário de quinze anos de Hilde e sobre um misterioso presente que ela receberia. No entanto, no último cartão estavam mencionados os nomes de Sofia e Jorunn. Elas ficaram assustadas. Além disso, ainda havia um detalhe: era dezesseis de maio de mil novecentos e noventa e o cartão indicava a mesma data. Como aquilo era possível? Sofia disse que tinha algo a ver com o espelho mágico e Jorunn achou absurdo , mas não havia outra explicação. Ela ainda mostrou à amiga os dois quadros na parede — Berkeley e Bjerkely. A vela já estava quase no fim. Jorunn queria ir embora e Sofia a seguiu mas, antes disso, resolveu levar o espelho consigo. As duas voltaram para o acampamento caladas.

Na manhã seguinte, após tomarem café, conversaram sobre os cartões-postais e caminharam de volta para casa. No outro dia, pela manhã, Sofia foi até seu esconderijo e encontrou outro envelope amarelo. Imediatamente começou a ler.

A CARTOLA

Neste capítulo, Sofia recebe um grande envelope amarelo com a inscrição: Curso de filosofia. Maneje com cuidado e vai lê-lo no esconderijo.

O seu conteúdo diz que as pessoas têm preferências por diversos tipos de assuntos: umas gostam de esporte, outras curtem observar os astros. Porém existem questões que deveriam interessar a todos como, por exemplo, saber quem somos e de onde viemos. Essas e muitas outras têm sido pensadas e discutidas há muito tempo e as explanações para elas variam de acordo com o contexto histórico.

Os filósofos buscam verdades e por mais difícil que seja encontrá-las nunca se deve desistir ou pensar que não existam.

Hoje em dia também devemos procurar nossas respostas e é importante conhecermos o que foi dito em outras épocas para que possamos formar uma opinião própria.

O professor de filosofia também faz referência a um truque mágico onde um coelhinho branco é tirado de uma cartola preta. Assim, ele quer passar para Sofia a idéia de que também fazemos parte de um grande mistério e nos comparar ao coelho com a diferença de que, ao contrário deste, temos consciência de estarmos participando de um enigma e procuramos explicações para isso.

No mesmo dia, Sofia recebe um outro envelope amarelo. Primeiramente, o professor faz uma citação: “a única coisa de que precisamos para nos tornarmos bons filósofos é a capacidade de nos admirarmos com as coisas”. Depois diz que os bebês possuem esta capacidade mas, à medida que crescem, vão perdendo-a. Deste modo, compara um filósofo a uma criança: tanto um quanto o outro ainda não se acostumaram com o mundo e não pretendem se acomodar com as coisas

OS MITOS

Mais um dia e continua o curso. Agora Sofia lerá sobre a visão mitológica do mundo.

A filosofia surgiu por volta de 600 a.C. na Grécia. Antes dela, as explanações para as coisas eram resultantes dos mitos que são histórias de deuses.

Os mitos surgiram da necessidade do homem justificar fenômenos como o crescimento das plantas, as chuvas, os trovões, etc. Tudo que ocorria aqui na Terra estava intimamente ligado ao que acontecia no mundo dos deuses. Dessa maneira, secas, epidemias e outras coisas ruins eram reflexo de que as forças do mal triunfavam sobre as do bem e o inverso ocorria quando havia fartura e riqueza.

Por volta de 700 a.C. Homero e Hesíodo registraram por escrito boa parte da mitologia grega. Isso foi importante, pois agora era possível questioná-la. Xenófanes foi um filósofo crítico em relação aos mitos pelo fato de seus representantes terem sido criados à imagem e semelhança das pessoas.

Nessa mesma época começaram a surgir as cidades-Estados na Grécia e em outras regiões e como o sistema era escravista, os homens livres podiam participar mais dos eventos políticos, culturais, etc. Com isto, houve uma evolução no modo de pensar e às explicações pelos mitos seguiram-se “explicações naturais para os processos da natureza”.

OS FILÓSOFOS DA NATUREZA

A denominação “filósofos da natureza” é dada aos primeiros pensadores gregos por estes se interessarem pelos processos naturais. Eles partiram do pressuposto de que sempre existiu alguma coisa e, vendo as transformações que ocorriam no meio ambiente, indagavam-se como aquilo era possível. Então, acreditavam que havia uma substância básica que subjazia a todas essas transformações.

Esses filósofos também tentaram descobrir leis eternas a partir da observação dos fatos, desconsiderando as explanações mitológicas. Assim, a filosofia se libertava da religião e os primeiros indícios de uma forma científica de pensar começavam a aparecer.

Falaremos de alguns pensadores desta época. Comecemos por Tales, Anaximandro e Anaxímenes, três filósofos de Mileto.

Tales achava que a água era um elemento de fundamental importância. Dela tudo se originava e a ela tudo retornava.

Anaximandro não pensou como Tales. A seu ver, a Terra era um entre vários mundos surgidos de alguma coisa, sendo que tudo se dissolveria nessa “alguma coisa” que ele denominava de infinito.

Anaxímenes (c. 550-526 a.C.) cria que o ar era a substância básica de todas as coisas. A água seria a condensação do ar e o fogo, o ar rarefeito. Pensava ainda que se comprimisse mais ainda a água, esta se tornaria terra.

Nada pode surgir do nada

Para Parmênides, nada podia vir do nada e nada que existisse poderia se transformar em outra coisa. Era extremamente racionalista e não confiava nos sentidos. Não acreditava nem quando via, embora soubesse que a natureza se transformava.

Tudo flui

Heráclito pensou que a principal característica da natureza eram suas constantes transformações. Ele confiava nos sentidos.

Sobre ele, podemos falar ainda que acreditava que o mundo estava impregnado de constantes opostos: guerra e paz, saúde e doença, bem mal e que reconhecia haver uma espécie de razão universal dirigente de todos os fenômenos naturais.

Quatro elementos básicos

Para acabar com o impasse a que a filosofia se encontrava, Empédocles (c. 494-434 a.C.) fez uma síntese do modo de pensar de Heráclito e Parmênides e com isso chegou a uma evolução do pensamento.

Empédocles acreditava na existência de mais de uma substância primordial. Para ser mais exato, havia quatro elementos básicos: terra, ar fogo e água e tudo existente era produto da junção disso, em proporções diferentes. Achava também que o amor e a disputa eram duas forças que atuavam na natureza. O amor une e a disputa separa as coisas.

Um pouco de tudo em tudo

Anaxágoras (c.500-428 a.C.) declarava que as coisas eram constituídas por pequenas partículas invisíveis a olho nu. Estas podiam se dividir, mas mesmo na pequena parte existia o todo. Ele denominava estas partes minúsculas de sementes ou gérmens. Também imaginou uma força superior, a inteligência, responsável pela criação das coisas.

Anaxágoras foi o primeiro filósofo de Atenas, mas foi expulso da cidade acusado de ateísmo. Interessava-se por astronomia, explicou que a Lua não possuía luz própria e como surgiram os eclipses.

DEMÓCRITO

Demócrito (c. 460-370 a.C.) foi o último filósofo da natureza. Ele imaginou a constituição das coisas por partículas indivisíveis, minúsculas, eternas e imutáveis e as chamou de átomos. Estes, a seu ver, possuíam vários formatos, se diferenciavam entre si e podiam ser reaproveitados. Por exemplo, quando um animal morresse seus átomos participariam da constituição de outros corpos.

Era justamente por isso que o Lego era o brinquedo mais genial do mundo. Ele podia ser utilizado para a construção de vários objetos, ficando a cargo da imaginação das pessoas. Era resistente e “eterno”, pois em qualquer época, crianças se interessavam por este tipo de entertenimento.

Com os conhecimentos atuais, sabe-se que Demócrito estava certo em grande parte de sua teoria, mas errou ao falar que os átomos são indivisíveis.

Demócrito foi um filósofo que valorizou a razão e as coisas materiais. Não acreditava em forças que intervissem nos processos naturais. Achava também que sua teoria atômica explicava nossas percepções sensoriais e que a consciência e a alma também se constituíam de átomos. Ele não cria numa alma imortal.

O DESTINO

Uma das características dos antigos gregos era o fato de eles serem fatalistas, isto é, acreditar que tudo que vai acontecer já está pré-destinado. Para eles, as doenças eram vistas como um castigo de Deus.

Achavam também que os deuses podiam curar as pessoas, bastando para isso que lhes fosse feito o sacrifício apropriado.

SÓCRATES

Sofia recebeu a carta do seu professor de filosofia que pedia desculpas por recusar o convite de ir até a sua casa conhecê-la pessoalmente. Nela estava seu nome: Alberto Knox. No entanto, ele a presenteou com uma echarpe de seda. Quando olhou o verso da carta, viu algumas perguntas e passou algum tempo refletindo sobre elas. Ela estava em seu esconderijo. Num dado instante, percebeu que alguém vinha da floresta. Passados alguns instantes, entrou em seu local secreto um grande cão labrador com um envelope amarelo na boca. Então, ela descobriu que ele o mensageiro de seu professor. A nova carta falava da filosofia em Atenas e de Sócrates.

Sócrates

Na cidade de Atenas primeiramente surgiram os sofistas – homens que criaram uma crítica social . Eles discutiam sobre o que era natural e o que não era, ou seja, o que era criado pela sociedade. Sócrates foi contemporâneo dos sofistas. Ele também se ocupava das pessoas e de suas vidas, levando-as a refletirem por si mesmas sobre coisas como os costumes, o bem e o mal.

Mas ele diferia dos sofistas por não se considerar um sábio, não cobrava por seus ensinamentos e tinha a convicção de que nada sabia. Reconhecia que havia muita coisa além do que podia entender e vivia atormentado em busca do conhecimento. Sócrates ousou mostrar as pessoas que elas sabiam muito pouco. Para ele o importante era encontrar um alicerce seguro para os conhecimentos. Ele era um racionalista convicto. Em 399 a.C. foi acusado de corromper a juventude e de não reconhecer a existência dos deuses. Foi julgado, considerado culpado e condenado à morte.

PLATÃO

Platão (427-347 a.C.) foi discípulo de Sócrates e o acompanhou em sua condenação. Publicou um discurso em defesa de seu mestre onde revelava o que ele havia dito ao júri. Além disso, escreveu uma coletânia de cartas e mais de trinta diálogos filosóficos e fundou sua própria escola de filosofia, que recebeu o nome de Academia, porque se localizava num bosque denominado Academos, herói legendário grego.

O projeto filosófico de Platão é baseado no seu interesse pelo que é eterno e imutável tanto no que se refere à natureza, quanto à moral e à sociedade. Platão acreditava numa realidade autônoma por trás do mundo dos sentidos a qual denominou de mundo das idéias que, a seu ver, continha as coisas primordiais e imagens padrão referentes a tudo existente.

Para ele, todas as coisas que existiam eram efêmeras como uma bolha de sabão e, deste modo, nada podia ser verdadeiramente conhecido. O que se percebe e o que se sente nos dá opiniões incertas e só é possível possuir conhecimento seguro sobre algo através da razão.

Platão acreditava na dualidade humana: o homem possui um corpo (que flui) e uma alma imortal (a morada da razão). Ele também achava que a alma já existia antes de vir habitar nosso corpo (ela ficava no mundo das idéias) e que quando passava a habitá-lo, esquecia-se das idéias perfeitas. Também pensava que a alma desejava se libertar do homem e isso propiciava um anseio, uma saudade, que chamou de Eros (amor).

Platão dividiu o corpo humano em três partes: cabeça (razão), peito(vontade) e baixo-ventre (desejo ou prazer) e achava que quando elas agiam como um todo tinha-se o homem íntegro, que atingiu a temperança. Imaginava um Estado-modelo dirigido por filosófos e o constituía como o ser humano onde a cabeça seria os governantes; o peito (defesa), os sentinelas; e o baixo-ventre, os trabalhadores. Era extremamente racionalista e cria que tanto homens quanto mulheres possuíam capacidade de governar, desde que estas tivessem a mesma formação daqueles.

ARISTÓTELES

Aristóteles (384-322 a.C.) foi aluno da Academia de Platão. Era natural da Macedônia e filho de um médico famoso. Seu projeto filosófico está no interesse da natureza viva. Ele foi o último grande filósofo grego e também o primeiro grande biólogo da Europa. Utilizava-se da razão e também dos sentidos em seus estudos. Criou uma linguagem técnica usada ainda hoje pela ciência e formulou sua própria filosofia natural.

Aristóteles discordava em alguns pontos de Platão. Não acreditava que existisse um mundo das idéias abrangedor de tudo existente; achava que a realidade está no que percebemos e sentimos com os sentidos, que todas as nossas idéias e pensamentos tinham entrado em nossa consciência através do que víamos e ouvíamos e que o homem possuía uma razão inata, mas não idéias inatas.

Para Atistóteles, tudo na natureza possuía a probabilidade de se concretizar numa realidade que lhe fosse inerente. Assim, uma pedra de granito poderia se transformar numa estátua desde que um escultor se dispusesse a escupi-la. Da mesma forma, de um ovo de galinha jamais poderia nascer um ganso, pois essa característica não lhe é inerente.

Aristóteles acreditava que na natureza havia uma relação de causa e efeito e também acreditava na causa da finalidade. Deste modo, não queria saber apenas o porquê das coisas, mas também a intenção, o propósito e a finalidade que estavam por trás delas. Para ele, quando reconhecemos as coisas, as ordenamos em diferentes grupos ou categorias e tudo na natureza pertence a grupos e subgrupos. Ele foi um organizador e um homem extremamente meticuloso. Também fundou a ciência da lógica.

Aristóteles dividia as coisas em inanimadas (precisavam de agentes externos para se transformar) e criaturas vivas (possuem dentro de si a potencialidade de transformação). Achava que o homem estava acima de plantas e animais porque, além de crescer e de se alimentar, de possuir sentimentos e capacidade de locomoção, tinha a razão. Também acreditava numa força impulsora ou Deus (a causa primordial de todas as coisas).

Sobre a ética, Aristóteles pregava a moderação para que se pudesse ter uma vida equilibrada e harmônica. Achava que a felicidade real era a integração de três fatores: prazer, ser cidadão livre e responsável e viver como pesquisador e filósofo. Cria também que devemos ser corajosos e generosos, sem aumentar ou diminuir a dosagem desses dois itens. Aristóteles chamava o homem de ser político. Citava formas de governo consideradas boas como a monarquia, a aristocracia e a democracia. Acreditava que sem a sociedade ao nosso redor não éramos pessoas no verdadeiro sentido do termo.

Para ele, a mulher era “um homem incompleto”. Pensava que todas as características da criança já estavam presentes no sêmen do pai. Sendo assim, o homem daria a forma e a mulher, a substância. Essa visão distorcida predominou durante toda a Idade Média

HELENISMO

O final do séc. IV a.C. até por volta de 400 d.C. marcou um longo período que é conhecido por helenismo, ou seja, a predominância da cultura grega nos três grandes reinos helênicos: Macedônia, Síria e Egito. Alexandre foi uma figura importante nesta época, pois ele conseguiu a derradeira e decisiva vitória sobre os persas e também uniu o Egito e todo o Oriente, até a Índia, à civilização grega. A partir de 50 a.C. Roma, que tinha sido província da cultura grega, assumiu o predomínio militar e começou o período romano também conhecido como final da Antigüidade.

O helenismo foi marcado pelo rompimento de fronteiras entre países e culturas. Quanto à religião houve uma espécie de sincretismo; na ciência, a mistura de diferentes experiências culturais; e a filosofia dos pré-socráticos e de Sócrates, Platão e Aristóteles serviu como fonte de inspiração para diferentes correntes filosóficas as quais veremos algumas agora.

Os Cínicos

A filosofia cínica foi fundada em Atenas por Antístenes (discípulo de Sócrates) por volta de 400 a.C. Os cínicos diziam que a felicidade podia ser alcançada por todos, pois ela não consistia em luxúria, poder político ou boa saúde e sim em se libertar disto tudo. Achavam que as pessoas não deviam se preocupar com o sofrimento (próprio ou alheio) nem com a morte. O principal representante desta corrente filosófica foi Diógenes (discípulo de Antístenes).

Os Estóicos

A filosofia estóica surgiu em Atenas por volta de 300 a.C. e seu fundador foi Zenão, originário da ilha de Chipre. Os estóicos consideravam as pessoas como parte de uma mesma razão universal e isto levou à idéia de um direito universalmente válido, inclusive para os escravos. Eram monistas (negavam a oposição entre espírito e matéria) e cosmopolitas. Interessavam-se pela convivência em sociedade, por política e acreditavam que os processos naturais (morte, por exemplo) eram regidos pelas leis da natureza e por isso o homem deveria aceitar deu destino. O imperador romano Marco Aurélio (121-180), o filósofo e político Cícero (106-43 a.C.) e Sêneca (4 a.C.-65 d.C.) foram alguns que seguiram o estoicismo.

Os Epicureus

Aristipo foi aluno de Sócrates. Ele desenvolveu uma filosofia cujo objetivo era obter para a vida, através dos sentidos, o máximo possível de satisfação afastando toda e qualquer forma de sofrimento. Por volta de 300 a.C. Epicuro (341-270 a.C.) fundou em Atenas a escola dos epicureus que desenvolveu mais ainda a ética do prazer de Aristipo e a combinou com a teoria atômica de Demócrito. Epicuro ensinava que o resultado prazeroso de uma ação devia ser ponderado, por causa dos efeitos colaterais. Achava também que o prazer a longo prazo possibilitava mais satisfação ao homem. Ele se utilizava da teoria de Demócrito contra a religião e superstição. Os epicureus quase não se interessavam pela política e sociedade e sua palavra de ordem era “Viver o momento”.

O Neoplatonismo

O neoplatonismo foi a mais importante corrente filosófica da Antigüidade. Ela foi inspirada em Platão. O neoplatônico mais importante foi Plotino (c. 205-270). Ele via o mundo como algo dividido entre dois pólos: numa extremidade estava a luz divina, Uno ou Deus. Na outra reinavam as trevas absolutas. A seu ver, a luz do Uno iluminava a alma, ao passo que a matéria eram as trevas. O neoplatonismo exerceu forte influência sobre a teologia cristã.

O Misticismo

Uma experiência mística significa experimentar a sensação de fundir sua alma com Deus. É que o “eu” que conhecemos não é nosso “eu” verdadeiro e os místicos procuravam conhecer um “eu” maior que pode possuir várias denominações: Deus, espírito cósmico, universo, etc. No entanto, para chegar a esse estado de plenitude, é preciso passar por um caminho de purificação e iluminação através de uma vida simples. Encontra-se tendências místicas nas maiorias religiões do mundo. Na mística ocidental ( judaísmo, cristianismo e islamismo ), o místico diz que seu encontro é com um Deus pessoal. Na oriental ( hinduísmo, budismo e religião chinesa ) o que se afirma é que há uma fusão total com deus, que é o espírito cósmico. É importante notar que essas correntes místicas já existiam muito antes de Platão e que pessoas de nossa época têm relatado experiências místicas como uma forma de experimentar o mundo sob a perspectiva da eternidade.

CÍRCULOS CULTURAIS

Os indo-europeus

A denominação indo-europeus é dada a todos os países e culturas nos quais são faladas as línguas indo-européias . Os indo-europeus primitivos viveram há mais ou menos quatro mil anos nas proximidades dos mares Negro e Cáspio. De lá, espalharam-se por diversos lugares: Irã, Índia, Grécia, Itália, Espanha, Inglaterra, França, Escandinávia, Leste Europeu e Rússia, formando o círculo cultural indo-europeu. Dentre outras coisas, pode-se dizer que sua cultura era marcada pelo politeísmo, a visão era o principal sentido para eles e acreditavam que a história era cíclica. As duas grandes religiões orientais – hinduísmo e budismo – são de origem indo-européia. O mesmo vale para a filosofia grega. Nessas religiões, enfatiza-se a presença de Deus em tudo (panteísmo). Outro ponto importante é a crença de que o homem pode chegar a uma unidade com Deus por meio do conhecimento religioso. No Oriente, a passividade e a vida reclusa são vistas como ideais religiosos e em muitas culturas indo-européias acredita-se na metempsicose ou transmigração da alma.

Os semitas

Os semitas pertencem a um círculo cultural completamente diferente, com uma língua completamente diferente também. Eles são originários da península da arábia e também se expandiram para extensas e diferentes partes do mundo. As três religiões ocidentais – judaísmo, o cristianismo e o islamismo – têm base semita. De modo geral, o que se pode dizer dos semitas é que eram monoteístas, possuíam uma visão linear da história, a audição desempenhava papel preponderante e proibiam a representação pictórica. Quanto à história, é interessante saber que, para eles, ela começou com a criação do mundo por Deus e Este tinha o poder de intervir em seu curso. Em relação às imagens, ainda são proibidas no judaísmo e no islamismo, mas no cristianismo são permitidas devido à influência do mundo greco-romano.

Israel

Agora vamos examinar o pano de fundo judeu do cristianismo. A história é a seguinte: houve a criação do mundo e a rebelação do homem contra Deus (Adão e Eva) e a partir de então, a morte passou a existir na Terra. A desobediência do homem a Deus atravessa toda a história contada na Bíblia. No Gênesis há a menção do pacto feito entre Deus e Abraão e seus descendentes que exigia a obediência rigorosa aos mandamentos de Deus. Esse pacto foi mais tarde renovado com a entrega das Tábuas da Lei a Moisés no monte Sinai. Naquela época, os israelitas viviam havia muito tempo como escravos no Egito, mas foram libertados e levados de volta a Israel onde se formou dois reinos – Israel (ao Norte) e Judá (ao Sul) – que foram assolados por guerras, e por todos os séculos que se seguiram até o nascimento de Jesus Cristo, os judeus continuaram sob dominação estrangeira. O povo judeu não entendia o motivo de tanta desgraça e atribuía isso ao castigo de Deus sobre Israel devido à sua desobediência. Então começaram a surgir profecias sobre o Juízo Final e também sobre a vinda de um “príncipe da paz” que iria restaurar o antigo reino de Davi e assegurar ao povo um futuro feliz. Esse messias viria para restituir a Israel a sua grandeza e fundar um “Reino de Deus”.

Jesus

No contexto de toda essa efervescência nasceu Jesus Cristo. Naquela época, o povo imaginava o messias como um líder político, militar e religioso. Outros, duzentos anos antes do nascimento de Jesus, diziam que o messias seria o libertador de todo o mundo. Mas Jesus apareceu com pregações diferentes das que vigoravam e admitia publicamente não ser um comandante militar ou político. E mais, dizia que o Reino de Deus era o amor ao próximo e aos inimigos. Ele não considerava indigno conversar com prostitutas, funcionários corruptos e inimigos políticos do povo e achava que estes seriam vistos por Deus como pessoas justas bastando para isso que se voltassem para Ele e Lhe pedisse perdão. Jesus acreditava que nós mesmos não podíamos nos redimir de nossos pecados e que nenhuma pessoa era reta aos olhos de Deus. Ele foi um ser humano extraordinário. Soube usar de forma genial a língua de seu tempo e deu a conceitos antigos um sentido novo, extremamente ampliado. Tudo isto acrescentado a sua mensagem radical de redenção dos homens ameaçava tantos interesses e posições de poder que ele acabou sendo crucificado. Para o cristianismo, Jesus foi o único homem justo que viveu e o único que sofreu e morreu por todos os homens.

Paulo

Alguns dias depois da crucificação e enterro de Jesus, começaram a surgir boatos sobre sua ressurreição. Pode-se dizer que a Igreja cristã começou naquela manhã de Páscoa. Paulo disse: “Pois se Cristo não ressuscitou, então todo nosso sermão é vão; é vã toda a vossa crença”. A partir de então todas as pessoas podiam ter esperança na “ressurreição da carne”. Os primeiros cristãos começaram a espalhar a “boa-nova” da redenção pela fé em Cristo. Poucos anos depois da morte de Jesus, o fariseu Paulo se converteu ao cristianismo e suas viagens missionárias pelo mundo greco-romano transformaram o cristianismo numa religião universal. Quando esteve em Atenas, ele fez um discurso do Areópago que falava do Deus que os atenienses desconheciam e isso provocou um choque entre a filosofia grega e a doutrina da redenção cristã. Apesar de tudo, Paulo encontrou nessa cultura um sólido apoio, ao chamar atenção para o fato de que a busca por Deus estava dentro de todos os homens. Em Atos dos Apóstolos está escrito que depois de seu discurso, foi vítima de zombaria por parte de algumas pessoas, quando estas o ouviram dizer que Cristo havia ressuscitado dos mortos. Mas também houve os que se interessaram pelo assunto. Depois, Paulo prosseguiu em sua tarefa missionária e passadas algumas décadas da morte de Cristo já existiam comunidades cristãs em todas as cidades gregas e romanas mais importantes.

O Credo

Paulo não foi importante para o cristianismo apenas por suas pregações missionárias. Dentro das comunidades cristãs, sua influência era muito grande pois as pessoas também queriam uma orientação espiritual. Pelo fato de o cristianismo não ser a única religião nova daquela época, a Igreja precisava definir claramente a doutrina cristã, a fim de estabelecer seus limites em relação às demais religiões e evitar uma cisão interna. Surgiram assim as primeiras profissões de fé, os primeiros credos que resumiam os princípios ou os dogmas cristãos mais importantes como o que dizia que Jesus havia sido Deus e homem ao mesmo tempo e de forma plena e que realmente tinha padecido na cruz.

IDADE MÉDIA

Sofia recebeu um telefonema de Alberto dizendo que de agora em diante não haveria mais cartas. Ele marcou um encontro para lhe falar sobre a Idade Média. Disse que o pai de Hilde já estava fechando o cerco e que precisavam batalhar juntos. Sofia não entendeu nada. Eles se encontraram numa igreja antiga construída na época medieval. Era de madrugada. Quando Sofia chegou lá ficou a espera de seu professor. Passados alguns instantes ele entrou vestido de monge e começou a falar sobre a Idade Média.

Dentre outras coisas disse que na Idade Média se formou uma unidade cultural cristã sólida. Havia uma contradição entre Deus e razão. Essa problemática foi tratada por dois importantes filósofos desta época: Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino.

O primeiro dividiu o mundo entre bem e mal, mesclou sua concepção filosófica com a de Platão e a do cristianismo (“cristianizou Platão”); achava que o mal era a ausência de Deus e que a “boa vontade era obra de Deus”.

O segundo foi o filósofo quem “cristianizou Aristóteles”. Atribui-se-lhe o mérito de ter conseguido fazer uma síntese da fé e do conhecimento. Achava que existiam dois caminhos para se chegar a Deus: a revelação cristã e a razão e os sentidos. Acreditava que Deus havia se revelado ao homem através da Bíblia e da razão.

RENASCIMENTO

Na noite seguinte Sofia teve um sonho com Hilde. Ao acordar, achou uma corrente de ouro com uma cruz. No seu verso estavam grafadas três letras: HMK, as iniciais de Hilde. No outro dia, Domingo, Sofia viu Hermes no jardim de sua casa e foi até ele que a conduziu para um casarão onde encontrou um cartão destinado a Hilde com a data antecipada. Lá, encontrou também Alberto. Então ele lhe deu explicações sobre o Renascimento.

Entende-se por Renascimento um período de apogeu cultural que fez nascer de novo a arte e a cultura da Antigüidade. Neste período, o homem voltou a ocupar o centro de todas as coisas (antropocentrismo) ao contrário do que ocorria na Idade Média (teocentrismo). Por isso fala-se do humanismo do renascimento. A Igreja aos poucos foi perdendo seu poder e monopólio no que se refere à transmissão do conhecimento. A moda naquela época era tornar o ser humano algo grandioso e valioso.

O humanismo do renascimento foi muito marcado pelo individualismo. A nova visão do homem centrava-se no interesse pela anatomia e nas representações dos nus humanos. O homem, a partir desta concepção, não existia apenas para servir a Deus, mas a ele próprio. Vale ressaltar que no Renascimento desenvolveu-se um novo método científico – o princípio vigente era o da investigação da natureza mediante a observação e a experimentação – método empírico.

BARROCO

Durante alguns dias, Sofia não teve notícias de Alberto. Numa conversa com sua mãe, disse que queria uma festa em seu aniversário. Ela continuou recebendo os cartões-postais mandados pelo pai de Hilde. A cada dia percebia que estava diante de um enigma. Então, foi novamente ver Alberto. Quando chegou a sua casa ele lhe disse que queria falar-lhe sobre o séc. XVII, ou seja, sobre a época conhecida por barroco.

A designação barroco tem sua origem numa palavra que significa “pérola irregular.” Na arte do barroco houve a valorização das formas opulentas, cheias de contrastes. Em muitos aspectos, o barroco foi marcado pela vaidade e pela irracionalidade. Do ponto de vista político, o séc. XVII foi uma época de contrastes: de um lado guerras e de outro o surgimento de potências na Europa como a França. No aspecto social, a principal característica foram as diferenças de classes. A arquitetura trazia formas sobrecarregadas de ornamentos que ocultavam as linhas da estrutura. Um correlato disso na política seriam os assassinatos, as intrigas e as conspirações. Dentre os principais representantes desta época destacam-se: William Shakespeare, o poeta dramático espanhol, Calderón de la Barca e Ludvig Holdberg (já trazia traços do Iluminismo).

DESCARTES

René Descartes nasceu em 1596. Ele foi uma pessoa que se dedicou muito a viagens pela Europa e pode-se dizer que foi o fundador da filosofia dos novos tempos e o primeiro grande construtor de um sistema filosófico que foi seguido por Spinoza e Leibniz, Locke e Berkeley, Hume e Kant.

Sistema filosófico é uma filosofia de base cujo objetivo é encontrar respostas para as questões filosóficas mais importantes. Uma coisa que ocupou a atenção de Descartes foi a relação, entre corpo e alma.

Sua obra mais importante é Discurso do método, onde explica, entre outras coisas, que não se deve considerar nada como verdadeiro. Ele queria aplicar o método matemático à reflexão da filosofia e provar as verdades filosóficas como se prova um princípio de matemática, ou seja, empregando a razão. Em seu raciocínio, Descartes objetiva chegar a um conhecimento seguro sobre a natureza da vida e afirma que para tanto deve-se partir da dúvida.

Ele achava importante descartar primeiro todo o conhecimento constituído antes dele, para só então começar a trabalhar em seu projeto filosófico. Achava também que não devíamos confiar em nossos sentidos. Era, portanto, racionalista. Uma das conclusões a que chegou foi a de que a única coisa sobre a qual se podia ter certeza era a de que duvidava de tudo. Acreditava na existência de Deus como algo tão evidente quanto o fato de que alguém que pensa era um ser, um Eu presente.

Achava que o homem era um ser dual: tanto pensa como ocupa lugar no espaço. Descartes morreu aos 54 anos, mas mesmo após sua morte continuou a ser uma figura de grande importância para a filosofia. Ele foi um homem à frente de seu tempo.

SPINOZA

Baruch Spinoza foi um filósofo holandês que recebeu influências de Descartes. Ele pertencia à comunidade judaica de Amsterdã, mas foi excomungado por heresia. Contestava o fato de que cada palavra da Bíblia fosse inspirada por Deus e dizia que quando a lemos temos que fazê-lo com uma postura crítica. Com essa forma de pensar, foi sendo isolado por todos, até por sua família. Seu sustento provinha do polimento de lentes e isso tem um significado simbólico, pois a tarefa de um filósofo é justamente ajudar as pessoas a ver a vida de um modo novo. Em sua filosofia é fundamental enxergar as coisas sobre a perspectiva da eternidade.

Spinoza era panteísta, ou seja, achava que Deus estava presente em tudo que existia. Em relação à ética, ele a entendia como a doutrina de como deve-se viver para ter uma boa vida. Também era racionalista e pretendeu mostrar que a vida do homem é governada pelas leis da natureza. Achava que o homem tinha que se libertar de seus sentimentos e sensações para só então encontrar a paz e ser feliz. Ele era monista (acreditava somente numa natureza material, física). Spinoza considerava Deus, ou as leis da natureza, a causa interna de tudo o que acontecia. Ele tinha uma visão determinista. Ele defendeu de forma enérgica a liberdade de expressão e a tolerância religiosa.

LOCKE

Passaram-se duas semanas sem que Sofia tivesse contato com Alberto, mas quando vinha da escola encontrou Hermes no jardim de sua casa e o acompanhou até a residência de seu professor. Quando lá chegou, relembrou com ele o que tinham discutido na última vez em que estiveram juntos. Então começaram com o estudo sobre Locke, um filósofo da experiência ou empírico. Antes, porém, falaram do racionalismo e de seus principais representantes no séc. XVII que foram o francês Descartes, o holandês Spinoza e o alemão Leibniz. Um empírico deriva todo o seu conhecimento daquilo que lhe dizem os sentidos. A formulação clássica de uma postura empírica vem de Aristóteles. Locke repetiu as palavras deste filósofo, mas o destinatário de sua crítica foi Descartes. John Locke (1632-1704) foi o primeiro filósofo empírico inglês. Seu livro mais importante chama-se Um ensaio sobre o entendimento humano. Nele, Locke tentava explicar duas questões: em primeiro lugar, de onde o homem retirava seus pensamentos e suas noções; em segundo, se podíamos confiar no que nossos sentidos nos dizem.

Locke acreditava que todos os nossos pensamentos e nossas noções nada mais eram do que um reflexo daquilo que um dia já sentimos ou percebemos através de nossos sentidos. Antes de sentirmos qualquer coisa nossa mente era como uma tábula rasa, uma lousa vazia. Ele estabeleceu a diferença entre aquilo que se chama de qualidades sensoriais primárias e secundárias. Por qualidades sensoriais primárias Locke entendia a extensão, peso, forma, movimento e número das coisas. As secundárias eram as que não reproduziam as características verdadeiras das coisas e sim o efeito que essas características exteriores exerciam sobre os nossos sentidos. Locke chamou a atenção para o conhecimento intuitivo ou demonstrativo. Ele acreditava que certas diretrizes éticas valiam para todos e que era inerente à razão humana saber da existência de um Deus.

HUME

David Hume viveu de 1711 a 1776. Sua filosofia é considerada até hoje como a mais importante filosofia empírica. Ele achava que lhe cabia a tarefa de eliminar todos os conceitos obscuros e os raciocínios intricados criados até então. Hume queria retornar à forma original pela qual o homem experimentava o mundo. Constatou que o homem possuía impressões de um lado, e idéias, de outro e atentou para o fato de que tanto uma quanto outra poderiam ser ou simples ou complexas.

Ele se preocupou com o fato de às vezes formarmos idéias e noções complexas, para as quais não há correspondentes complexos na realidade material. Era dessa forma que surgiam as concepções falsas sobre as coisas. Ele estudou cada noção, cada idéia, a fim de verificar se sua composição encontrava correlato na realidade. Ele achava que uma noção complexa precisava ser decomposta em noções menores.

Era assim que pretendia chegar a um método científico de análise das idéias do homem. No âmbito da ética e da moral, Hume se opôs ao pensamento racionalista. Os racionalistas consideravam uma qualidade inata da razão humana o fato de ela poder distinguir entre o certo e o errado. Hume, porém, não acreditava que a razão determinasse as ações e pensamentos de uma pessoa.

BERKELEY

George Berkeley (1685-1753) foi um bispo irlandês. Ele cria que a filosofia e a ciência de seu tempo constituíam uma ameaça para a visão cristã do mundo. Além disso, achava que o materialismo, cada vez mais consistente e difundido, colocava em risco a crença cristã de que Deus criou e mantém vivo tudo existente na natureza.

Ao mesmo tempo, porém, Berkeley foi um dos mais coerentes representantes do empirismo. Ele dizia que tudo que existia era só o que percebíamos e que aquilo que percebíamos não era matéria ou substância. Acreditava também que todas as idéias tinham uma causa fora da consciência, mas que esta causa não era de natureza material e sim de natureza espiritual.

Segundo Berkeley, portanto, a alma podia ser a causa das próprias idéias, mas só outra vontade, só outro espírito podia ser a causa das idéias que formavam o mundo material. Ele dizia que tudo vinha do espírito “onipotente por meio do qual tudo existia”.

Afirmava que tudo que víamos e sentíamos era um efeito da força de Deus, pois Ele estava presente no fundo de nossa consciência e era a causa de toda a multiplicidade de idéias e sensações a que estávamos constantemente sujeitos. Este espírito, no qual tudo existia era o Deus cristão.

BJERKELY

Hilde Knag acordou na mansarda da antiga casa do capitão, nas proximidades de Lillesand. Levantou-se e foi até a janela. Eram 15 de junho de 1990, o dia de seu aniversário de quinze anos. Então, lembrou-se de que seu pai estaria de volta do Líbano em uma semana. Na janela, ela observou o jardim, o ancoradouro e a casa de barcos pintada de vermelho. Olhou para o lago e se recordou de que uma vez caíra nele quando tinha seis ou sete anos por tentar atravessá-lo sozinha no barco. Hilde tinha cabelos loiros e levemente ondulados e olhos verdes. Quando olhou para o criado-mudo viu que sobre ele havia um grande pacote, embrulhado num papel de presente e deduziu que era o presente de seu pai. Havia muitas folhas datilografadas e na primeira página estava o título O MUNDO DE SOFIA. Hilde acomodou-se na sua cama e começou a ler. Teve um susto quando leu que Sofia recebera cartões-postais do Líbano, endereçados a ela. Em vez de colocar os cartões dentro do pacote seu pai tinha escrito a mensagem de “feliz aniversário” dentro do próprio presente. Então, continuou a ler e não conseguia mais parar. A parte em que Sofia achou a cabana chamou bastante a atenção de Hilde principalmente no tocante ao espelho, pois ele realmente existia em sua casa. A cada capítulo lido, Hilde tinha a convicção de que Sofia não era apenas uma personagem fictícia e que talvez ela existisse.

ILUMINISMO

O iluminismo foi um movimento que caracterizou o pensamento europeu do século XVIII, baseado na crença do poder da razão e do progresso, na liberdade de pensamento e na emancipação política.Eles começaram a reimplantar o racionalismo em sua revolução. A maioria dos filósofos do Iluminismo tinham uma crença inabalável na razão humana. A nova ciência natural deixava claro que tudo na natureza era racional. De certa forma, os filósofos iluministas consideravam sua tarefa criar um alicerce para a moral, a ética e a religião que estivesse em sintonia com a razão imutável do homem. Todos esses fatores contribuíram para a formação do pensamento do iluminismo francês.

Muitos dos filósofos do iluminismo francês tinham visitado a Inglaterra, que em certo sentido era mais liberal do que a França. A ciência natural inglesa encantou esses filósofos franceses. De volta a sua pátria, a França, eles começaram pouco a pouco a se rebelar contra o autoritarismo vigente e não tardou muito a se voltarem também contra o poder da Igreja, do rei e da aristocracia.

Os filósofos desta época diziam que só quando a razão e o conhecimento se difundissem era que a humanidade faria grandes progressos. A natureza para eles era quase a mesma coisa que a razão e por isso enfatizavam um retorno de homem a ela.

Falavam também que a religião deveria estar em consonância com a razão natural do homem. O iluminismo foi o alicerce para a Revolução Francesa de 1789.

KANT

Immanuel Kant nasceu em Königsberg, uma cidade da Prússia Oriental, em 1724. Ele conheceu muitos filósofos racionalistas e empíricos. Achava que tanto os sentidos quanto a razão eram muito importantes para a experiência do mundo e concordava com Hume e com os empíricos quanto ao fato de que todos os conhecimentos deviam-se às impressões dos sentidos.

Mas, e nesse ponto ele concordava com os racionalistas, a razão também continha pressupostos importantes para o modo como o mundo era percebido. Kant explicava que o espaço e o tempo pertenciam à condição humana sendo propriedades da consciência, e não atributos do mundo físico. Ele afirmava que a consciência se adaptava às coisas e vice-versa acreditava que a lei da causalidade era o elemento componente da razão humana e que era eterna e absoluta, simplesmente porque a razão humana considerava tudo o que acontecia dentro de uma relação de causa e efeito.

Ele atentou para o fato de haver limites bem claros para o que o homem podia saber e achava que o ser humano jamais poderia chegar a um conhecimento seguro a respeito da existência de Deus, de que o universo era ou não infinito, etc.

Outro pensamento de Kant era o de que a razão operava fora dos limites daquilo que os seres humanos poderiam compreender. Existiam dois elementos que contribuíam para o conhecimento do mundo: a experiência e a razão. Achava que o material para o conhecimento era dado através dos sentidos que se adaptava, por assim dizer, às características da razão.

ROMANTISMO

O Romantismo começou na Alemanha, em fins do século XVIII, como uma reação à parcialidade do culto à razão apregoado pelo iluminismo e durou até meados do século passado. Suas palavras de ordem eram: sentimento, imaginação, experiência e anseio. No Romantismo, o indivíduo encontrava caminho livre para fazer sua interpretação e professava uma glorificação quase irrestrita do “eu”.

Os românticos acreditavam que só a arte era capaz de aproximar alguém do indizível. Alguns levaram essa reflexão às últimas conseqüências e chegaram a comparar o artista com Deus. Costumava-se dizer que o artista possuía uma espécie de imaginação criadora do mundo e em seu êxtase artístico seria capaz de experimentar um estado em que as fronteiras entre sonho e realidade desapareceriam.

Os românticos sentiam-se atraídos pela noite, pelo crepúsculo, por antigas ruínas e pelo sobrenatural. Interessavam-se muito pelo que se chama de lado oculto da vida: o obscuro, o misterioso, o místico. O Romantismo foi sobretudo um fenômeno urbano. Precisamente na primeira metade do século passado, a cultura urbana vivia um período de apogeu em muitas regiões da Europa. Dizia-se que, para o artista a ociosidade era o ideal e a indolência, a primeira virtude do romântico e que era seu dever viver a vida, ou imaginar-se distante dela.

Uma das características mais importantes deste período era o amor pela natureza e por sua mística. O Romantismo também foi uma reação à visão do mundo mecanicista do iluminismo. Isto significa que a natureza voltou a ser vista como um todo, como uma unidade.

Devido ao fato de o Romantismo ter trazido consigo uma reorientação em tantos setores, costuma-se distingui-lo de duas formas: Romantismo Universal e o Nacional. No primeiro, os românticos se preocupavam com a natureza, a alma do mundo e com o gênio artístico. No segundo, eles interessavam-se sobretudo pela história do povo, sua língua e também pela cultura popular.

KIERKEGAARD

Kierkegaard nasceu em Copenhague em 1813. Ele se opôs intensamente aos pensamentos de Hegel, o próximo filósofo a ser estudado, e disse que a filosofia da unidade dos românticos e o historicismo de Hegel tinham tirado do indivíduo a responsabilidade pela sua própria vida.

Para Kierkegaard, mais importante do que a busca de uma verdade era a busca por verdades que são importantes para a vida de cada indivíduo. Ele dizia também que a verdade era subjetiva não no sentido de que era totalmente indiferente o que pensamos ou aquilo em que acreditamos, mas que as verdades realmente importantes eram pessoais. Kierkegaard achava que havia três possibilidades diferentes de existência e as denominou de estágio estético, estágio ético e estágio religioso. Quem vive no estágio estético vive o momento e visa sempre o prazer.

O estágio ético, é marcado pela seriedade e por decisões consistentes, tomadas segundo padrões morais. Quem vive no estágio religioso prefere a fé ao prazer estético e aos mandamentos da razão. Para Kierkegaard, o estágio religioso era o cristianismo.

HEGEL

Georg Wilhelm Friedrich Hegel nasceu em 1770, em Stuttgart. Ele reuniu e desenvolveu quase todos os pensamentos surgidos entre os românticos. Hegel também empregou o conceito espírito do mundo, mas lhe atribuiu um sentido diferente do de outros românticos. Quando falava de espírito ou razão do mundo, ele estava se referindo à soma de todas as manifestações humanas. Ele dizia que a verdade era basicamente subjetiva e contestava a possibilidade de haver uma verdade acima ou além da razão humana.

Achava também que as bases do conhecimento mudavam de geração para geração e, por conseqüência, não existiam verdades eternas. Ele dizia que a razão era algo dinâmico e que fora do processo histórico não existia qualquer critério capaz de decidir sobre o que era mais verdadeiro e o que era mais racional. Acreditava que quando se refletia sobre o conceito de “ser” não tinha como deixar de lado a reflexão da noção oposta, ou seja, o “não ser” e que a tensão entre esses dois conceitos era resolvida pela idéia de transformar-se.

Hegel atribuiu uma importância enorme àquilo que chamou de forças objetivas: a família e o Estado. Ele achava que o indivíduo era a parte orgânica de uma comunidade e que a razão ou o espírito do mundo só se tornavam possíveis na interação das pessoas e dizia também que o Estado era mais que o cidadão isolado e mais que a soma de todos os cidadãos. Hegel achava impossível desligar-se da sociedade por assim dizer.

Para ele, quem dava as costas à sociedade na qual vivia e preferia encontrar-se a si mesmo era um louco. Ele falava que não era o indivíduo que encontrava a si mesmo, mas o espírito do mundo e tentou mostrar que este retorna a si em três estágios: em primeiro lugar, o espírito do mundo se conscientiza de si mesmo no indivíduo (chama-se de razão subjetiva); depois, atinge um nível mais elevado de consciência na família, na sociedade e no Estado, (chama-se de razão objetiva); e enfim atinge a forma mais elevada de autoconhecimento na razão absoluta.

E esta razão absoluta eram a arte, a religião e a filosofia, sendo esta última a mais elevada da razão. Só na filosofia era que o espírito do mundo se encontraria. Desse ponto de vista, a filosofia podia ser considerada o espelho do espírito do mundo.

MARX

Marx foi um filósofo materialista e seu pensamento tinha um objetivo prático e político. Foi também um historiador, sociólogo e economista. Ele achava que eram as condições materiais de vida numa sociedade que determinavam o pensamento e a consciência e que tais condições eram decisivas também para a evolução da história. Nesse sentido, Marx dizia que não eram os pressupostos espirituais numa sociedade que levavam a modificações materiais, mas exatamente o oposto: as condições materiais determinavam, em última instância, também as condições espirituais. Além disso, achava que as forças econômicas eram as principais responsáveis pela mudança em todos os outros setores e, conseqüentemente, pelos rumos do curso da história. Para Marx, as condições materiais sustentavam todos os pensamentos e idéias de uma sociedade sendo esta composta por três camadas: embaixo de tudo estavam as condições naturais de produção que compreendiam os recursos naturais; a próxima camada era formada pelas forças de produção de uma sociedade, que não era só a força de trabalho do próprio homem, mas também os tipos de equipamentos, ferramentas e máquinas, os chamados meios de produção; a terceira trata das relações de posse e da divisão do trabalho, chamada de relações de produção de uma sociedade. Para ele, o modo de produção determinava se relações políticas e ideológicas podiam existir. Marx falava que toda a história era a história das lutas de classes. Pensava a respeito do trabalho humano falando que quando o homem labutava, ele interferia na natureza e deixava nela suas marcas e vice-versa. Marx foi a pessoa que deu grande impulso ao comunismo. Ele atacava fortemente o sistema capitalista que vigorava em todo mundo e achava que seu modo de produção era contraditório. Para ele, o capitalismo era um sistema econômico autodestrutivo, sobretudo porque lhe faltava um controle racional. Ele considerava o capitalismo progressivo, isto é, algo que aponta para o futuro, mas só porque via nele um estágio a caminho do comunismo. Segundo Marx, quando o capitalismo caísse e o proletariado tomasse o poder, haveria o surgimento de uma nova sociedade de classes, na qual o proletariado subjulgaria à força a burguesia. Esta fase de transição Marx chamou de ditadura do proletariado. Depois disso a ditadura do proletariado daria lugar a uma sociedade sem classes, o comunismo e esta seria uma sociedade na qual os meios de produção pertenceriam a todos. Em tal estágio, cada um trabalharia de acordo com sua capacidade e ganharia de acordo com suas necessidades.

DARWIN

Darwin foi um cientista que, mais do que qualquer outro em tempos mais modernos, questionou e colocou em dúvida a visão bíblica sobre o lugar do homem na criação. Ele achava que precisava se libertar da doutrina cristã sobre o surgimento do homem e dos animais, vigente em sua época. Darwin nasceu em 1809 na cidade de Shrewsbury. Em um de seus livros publicados, Origem das espécies, defendeu duas teorias ou idéias principais: em primeiro lugar dizia que todas as espécies de plantas e animais existentes descendiam de formas mais primitivas, que viveram em tempos passados. Ele pressupôs, portanto, uma evolução biológica. Em segundo, Darwin explicou que esta evolução se devia à seleção natural. Um dos argumentos propostos por ele para a evolução biológica era o fato de existir depósitos de fósseis estratificados em diferentes formações rochosas. Outro argumento era a distribuição geográfica das espécies vivas (ele havia visto com seus próprios olhos que as diferentes espécies de animais de uma região distinguiam-se umas das outras por detalhes mínimos). Darwin não acreditava que as espécies eram imutáveis, só que lhe faltava uma explicação convincente para o modo como se processava a evolução. O que ele tinha era um argumento para a suposição de que todos os animais da Terra possuíam um ancestral comum: a evolução dos embriões dos mamíferos, mas continuava sem explicar como se processava a evolução para as diferentes espécies. Enfim chegou a uma conclusão: a responsável era a seleção natural na luta pela vida, ou seja, quem melhor se adaptava ao meio ambiente, sobrevivia e podia garantir a continuidade de sua espécie. “As constantes variações entre indivíduos de uma mesma espécie e as elevadas taxas de nascimento constituem a matéria-prima para a evolução da vida na Terra. A seleção natural na luta pela sobrevivência é o mecanismo, a força propulsora que está por trás desta evolução. A seleção natural é responsável pela sobrevivência dos mais fortes, ou dos que melhor se adaptam ao seu meio”.

FREUD

Freud nasceu em 1856 e estudou medicina na Universidade de Viena. Ele achava que sempre havia uma tensão entre o homem e o seu meio. Para ser mais exato, um conflito entre o próprio homem e aquilo que o seu meio exigia dele. Ele descobriu o universo dos impulsos que regiam a vida do ser humano. Com freqüência, impulsos irracionais determinavam os pensamentos, os sonhos e as ações das pessoas.

Tais impulsos irracionais eram capazes de trazer à luz instintos e necessidades que estavam profundamente enraizados no interior dos indivíduos. Freud chegara a conclusão da existência de uma sexualidade infantil por meio de sua prática como psicoterapeuta.

Ele também constatou que muitas formas de distúrbios psíquicos eram devido a conflitos ocorridos na infância. Após um longo período de experiência com pacientes, concluiu que a consciência seria mais ou menos como a ponta de um iceberg que se elevava para além da superfície da água.

Sob a superfície ou sob o limiar da consciência, estava o subconsciente ou inconsciente. A expressão inconsciente significava, para Freud, tudo o que reprimimos.

NOSSO PRÓPRIO TEMPO

Hilde estava gostando bastante do presente que ganhara de seu pai e não parava a leitura por nada. Esquecia-se até de comer. Ela refletia sobre tudo que lia e sempre chegava a conclusões que às vezes nem entendia. Então voltou a ler. Sofia estava voltando para casa e no meio do caminho lhe aconteceram coisas estranhas. Quando chegou a sua casa, passaram alguns instantes até que sua mãe retornasse também. As duas foram limpar o jardim para a festa de Sofia. Na manhã seguinte, Alberto ligou e marcou um encontro no “Café Pierre” para falar sobre o existencialismo.

O existencialismo tem como ponto de partida única e exclusivamente o homem. Vale ressaltar que todos os filósofos existencialistas eram cristãos. Jean-Paul Sartre foi um de seus principais representantes. Ele ainda fez um comentário sobre a revolução tecnológica por que o mundo passava.

Depois dessa explicação, foram até uma biblioteca que ficava ali perto e Alberto deu de presente a Sofia um livro.

A FESTA NO JARDIM

Hilde já estava quase no final do livro. Ela sentia que tinha aprendido muita coisa desde que começara a ler O Mundo de Sofia. Ela prosseguiu com a leitura.

Sofia pegou um ônibus para voltar par casa e por coincidência sua mãe estava nele. Quando chegaram ao seu destino, desceram e passaram o resto do dia organizando e terminando os preparativos para a festa. Entre os que viriam, estava Alberto. Os convidados começaram a chegar. Vieram Jorunn e seus pais e alguns colegas do colégio onde Sofia estudava. Todos estavam ansiosos pela chegada do já comentado professor de filosofia de Sofia. Então ele chegou e fez um discurso que contava tudo que estava ocorrendo. Falou sobre Hilde e seu pai e que tudo que estava acontecendo e a existência de todos que estavam ali não passava de uma brincadeira inventada para divertir Hilde no dia de seu aniversário. Os pais de Jorunn acharam aquilo absurdo e a mãe de Sofia não estava entendendo nada. Então Sofia contou-lhes que teria que ir embora com Alberto. Sua mãe, mesmo triste, aceitou e os dois sumiram pela floresta.

A GRANDE EXPLOSÃO

Hilde escutava atentamente seu pai falar sobre o universo. Sofia e Alberto também estavam ali, ouvindo tudo. Seu pai lhe falou sobre a origem do universo, a teoria do Big Bang, que foi uma grande explosão cósmica ocorrida há bilhões de anos atrás, sobre astronomia, gravidade, inércia e falou que na noite de Ano Novo antes dele viajar para o Líbano foi que decidira escrever-lhe o livro de filosofia. Hilde estava encantada.

Enquanto isso, Alberto e Sofia, que estavam perto do lago, foram até o barco e o soltaram. Hilde não entendeu e então se lembraram do episódio do livro em que Sofia toma emprestado o bote de seu professor e resolveram nadar juntos até o barco.

DEUS, UM DELÍRIO

 

ATEU – nega a existência de Deus
AGNÓSTICO – alega a impossibilidade de provar a existência de Deus.
 
VOCÊ É TÃO FUNDAMENTALISTA QUANTO AQUELES QUE CRITICA.
 

A citação de Kurt Wise na página 366 diz tudo: “[...] se todas as evidências do universo se voltarem contra o criacionismo, serei o primeiro a admiti-las, mas continuarei sendo criacionista, porque é isso que a Palavra de Deus parece indicar. Essa é minha posição”. A diferença entre esse tipo de compro¬misso apaixonado com os fundamentos bíblicos e o compromisso igualmente apaixonado de um verdadeiro cientista com as evidências é tão grande que é impossível exagerá-la. O fundamentalista Kurt Wise declara que todas as evidências do universo não o fariam mudar de opinião. O verdadeiro cientista, por mais apaixonadamente que “acredite” na evolução, sabe exatamente o que é necessário para fazê-lo mudar de opinião: evidências. Como disse J. B. S. Haldane, quando questionado sobre que tipo de evidência poderia contradizer a evolução: “Fósseis de coelho no Pré-cambriano”. Cunho aqui minha própria versão contrária ao manifesto de Kurt Wise: “Se todas as evidências do universo se voltarem a favor do criacionismo, serei o primeiro a admiti-las, e mudarei de opinião imediatamente. Na atual situação, porém, todas as evidências disponíveis (e há uma quantidade enorme delas) sustentam a evolução. É por esse motivo, e apenas por esse motivo, que defendo a evolução com uma paixão comparável à paixão daqueles que a atacam. Minha paixão baseia-se nas evidências. A deles, que ignora as evidências, é verdadeiramente fundamentalista”.
SOU ATEU, MAS AS PESSOAS PRECISAM DA RELIGIÃO
 

É óbvio que há exceções, mas suspeito que para muitas pessoas o principal motivo de se agarrarem à religião não seja o fato de ela oferecer consolo, e sim o de elas terem sido iludidas por nosso sistema educacional e não se darem conta de que podem não acreditar. Decerto é assim para a maioria das pessoas que acham que são criacionistas. Simplesmente não ensinaram direito a elas a impressionante alternativa de Darwin. É provável que o mesmo aconteça com o mito depreciativo de que as pessoas “precisam” da religião
Prefiro dizer que acredito nas pessoas, e as pessoas, quando incentivadas a pensar por si sós sobre toda a informação disponível hoje em dia, com muita freqüência acabam
não acreditando em Deus, e vivem uma vida realizada — uma vida livre de verdade.

 
Prefácio

Eu não sabia que podia.
 

Há muita gente por aí que foi criada dentro de uma ou outra religião e ou está infeliz com ela, ou não acredita nela; pessoas que sentem um vago desejo de abandonar a religião de seus pais e que gostariam de poder fazê-lo, mas simplesmente não percebem que deixar a religião é uma opção.
 

Imagine, junto com John Lennon, um mundo sem religião. Imagine o mundo sem ataques suicidas, sem o 11/9, sem o 7/7 londrino, sem as Cruzadas, sem caça às bruxas, sem a Conspiração da Pólvora, sem a partição da índia, sem as guerras entre israelenses e palestinos, sem massacres sérvios/croatas/muçulmanos, sem a perseguição de judeus como “assassinos de Cristo”, sem os “problemas” da Irlanda do Norte, sem “assassinatos em nome da honra”, sem evangélicos televisivos de terno brilhante e cabelo bufante tirando dinheiro dos ingênuos (“Deus quer que você doe até doer”). Imagine o mundo sem o Talibã para explodir estátuas antigas, sem decapitações públicas de blasfemos, sem o açoite da pele feminina pelo crime de ter se mostrado em um centímetro. Aliás, meu colega Desmond Morris me informa que a magnífica canção de John Lennon às vezes é executada nos Estados Unidos com a frase “and no religion too” expurgada. Uma versão chegou à afronta de trocá-la por “and one religion too”.

Uma pesquisa da Gallup realizada em 1999 perguntou aos americanos se eles votariam em uma pessoa qualificada que fosse mulher (95% votariam), católica (94% votariam), judia (92%), negra (92%), mórmon (79%), homossexual (79%) ou ateia (49%).
 

“Quando uma pessoa sofre de um delírio, isso se chama insanidade. Quando muitas pessoas sofrem de um delírio, isso se chama Religião”.
 

1. Um descrente profundamente religioso
 

Uma das declarações mais citadas de Einstein é “Sem a religião, a ciência é capenga; sem a ciência, a religião é cega”. Mas Einstein também disse:
 

É claro que era mentira o que você leu sobre minhas convicções religiosas, uma mentira que está sendo sistematicamente repetida. Não acredito num Deus pessoal e nunca neguei isso, e sim o manifestei claramente. Se há algo em mim que possa ser chamado de religioso, é a admiração ilimitada pela estrutura do mundo, do modo como nossa ciência é capaz de revelar.
Seguem algumas outras citações de Einstein, para dar um gostinho da religião einsteiniana:
Sou um descrente profundamente religioso. Isso é, de certa forma, um novo tipo de religião. Jamais imputei à natureza um propósito ou um objetivo, nem nada que possa ser entendido como antropomórfico. O que vejo na natureza é uma estrutura magnífica que só compreendemos de modo muito imperfeito, e que não tem como não encher uma pessoa racional de um sentimento de humildade. É um sentimento genuinamente religioso, que não tem nada a ver com misticismo. A idéia de um Deus pessoal me é bastante estranha, e me parece até ingênua.

Refresquemos nossa memória sobre a terminologia. Um teísta acredita numa inteligência sobrenatural que, além de sua obra principal, a de criar o universo, ainda está presente para supervisionar e influenciar o destino subseqüente de sua criação inicial.
 

Um deísta também acredita numa inteligência sobrenatural, mas uma inteligência cujas ações limitaram-se a estabelecer as leis que governam o universo. O Deus deísta nunca intervém.
 

Deixe-me resumir a religião einsteiniana em mais uma citação do próprio Einstein: “Ter a sensação de que por trás de tudo que pode ser vivido há alguma coisa que nossa mente não consegue captar, e cujas belezas e sublimidade só nos atingem indiretamente, na forma de um débil reflexo, isso é religiosidade.
Depois, e certamente não tem interesse específico nas questões humanas. Os panteístas não acreditam num Deus sobrenatural, mas usam a palavra Deus como sinônimo não sobrenatural para a natureza, ou para o universo, ou para a ordem que governa seu funcionamento.
A religião [...] tem determinadas idéias em seu cerne que denominamos sagradas, santas, algo assim. O que isso significa é: “Essa é uma idéia ou uma noção sobre a qual você não, pode falar mal; simplesmente não pode. Por que não? Porque não, e pronto!”. Se alguém vota em um partido com o qual você não concorda, você pode discutir sobre isso quanto quiser; todo mundo terá um argumento, mas ninguém vai se sentir ofendido. Se alguém acha que os impostos devem subir ou baixar, você pode ter uma discussão sobre isso. Mas, se alguém disser: “Não posso apertar o interruptor da luz no sábado”, você diz: “Eu respeito isso”.
 

Estamos acostumados a não questionar idéias religiosas, mas é muito interessante como Richard causa furor quando o faz! Todo mundo fica absolutamente louco, porque não se pode falar dessas coisas. Mas, quando se analisa racionalmente, não há nenhuma razão para que essas idéias não estejam tão sujeitas a debate quanto quaisquer outras, exceto o fato de que, de alguma forma, concordamos entre nós que elas não devem estar.
 

2. A Hipótese de que Deus Existe
 
A religião de uma era é o entretenimento literário da seguinte.

POLITEÍSMO

Não está claro por que a passagem do politeísmo para o monoteísmo deva ser encarada como um aperfeiçoamento progressivo evidente.

O monoteísmo está por sua vez fadado a subtrair mais um deus e se transformar em ateísmo.

Não há portanto nada que tenha sido criado, nada que tenha sido sujeitado a outro na Trindade: nem há nada que tenha sido acrescentado corno se uma vez não tivesse existido, mas entrado depois: portanto o Pai jamais esteve sem o Filho, nem o Filho sem o Espírito Santo: e essa mesma Trindade é imutável e inalterável para sempre.

Ralph Waldo Emerson O Deus do Antigo Testamento é talvez o personagem mais desagradável da ficção: ciumento, e com orgulho; controlador mesquinho, injusto e intransigente; genocida étnico e vingativo, sedento de sangue; perseguidor misógino, homofóbico, racista, infanticida, filicida, pestilento, megalomaníaco, sadomasoquista, malévolo. Aqueles que são acostumados desde a infância ao jeitão dele podem ficar dessensibilizados com o terror que sentem.
Como se isso não estivesse suficientemente claro, a Encyclopedia cita o teólogo do século m são Gregório, o Milagreiro: Não há portanto nada que tenha sido criado, nada que tenha sido sujeitado a outro na Trindade: nem há nada que tenha sido acrescentado corno se uma vez não tivesse existido, mas entrado depois: portanto o Pai jamais esteve sem o Filho, nem o Filho sem o Espírito Santo: e essa mesma Trindade é imutável e inalterável para sempre. Quaisquer que tenham sido os milagres que deram a são Gregório seu apelido, não eram milagres de lucidez.

MONOTEÍSMO

A mais antiga das três religiões abraâmicas, e a clara ancestral das outras duas, é o judaísmo: originalmente um culto tribal a um Deus único e desagradável, que tinha uma obsessão mórbida por restrições sexuais, pelo cheiro de carne queimada, por sua superioridade em relação aos deuses rivais e pelo exclusivismo de sua tribo desértica escolhida. Durante a ocupação romana da Palestina, o cristianismo foi fundado por Paulo de Tarso como uma seita do judaísmo menos intransigentemente monoteísta e menos exclusivista, que olhou além dos judeus e para o resto do mundo. Vários séculos depois, Maomé e seus seguidores retomaram o monoteísmo inflexível do original judaico, mas não seu exclusivismo, e fundaram o islamismo a partir de um novo livro sagrado, o Corão, ou Qur’an, acrescentando uma forte ideologia de conquista militar à disseminação da fé. O cristianismo também foi disseminado pela espada, primeiro nas mãos romanas, quando o imperador Constantino o elevou de culto excêntrico a religião oficial, depois nas dos cruzados e depois nas dos conquistadores e outros invasores e colonizadores europeus, com acompanha-mento missionário.

Deus abraâmico: Ele não criou apenas o universo; ele é um Deus pessoal que vive dentro dele, ou talvez fora dele (o que quer que isso signifique), possuidor das qualidades humanas desagradáveis às quais aludi.

O Deus deísta é um físico que encerra toda a física, o alfa e ômega dos matemáticos, a apoteose dos projetistas; um hiperengenheiro que estabeleceu as leis e as constantes do universo, ajustou-as com uma precisão e uma antevisão extraordinárias, detonou o que hoje chamamos de big bang, aposentou-se e ninguém nunca mais soube dele.

SECULARISMO, OS PAIS FUNDADORES E A RELIGIÃO DOS ESTADOS UNIDOS
A declaração de Jefferson a seguir é indistinguível do que hoje chamaríamos de agnosticismo:

Falar de existências imateriais é falar de nadas. Dizer que a alma, os anjos e deus são imateriais é dizer que eles são nadas, ou que não existe deus, nem anjos, nem alma. Não consigo pensar de outra maneira [...] sem mergulhar no abismo insondável dos sonhos e fantasmas. Satisfaço-me e fico suficientemente ocupado com as coisas que existem, sem me atormentar com as coisas que podem até existir, mas das quais não tenho provas.

Eu me divirto com a estratégia, quando me perguntam se sou ateu, de lembrar que o autor da pergunta também é ateu no que diz respeito a Zeus, Apoio, Amon Ra, Mithra, Baal, Thor, Wotan, o Bezerro de Ouro e o Monstro de Espaguete Voador. Eu só fui um deus além.

O GRANDE EXPERIMENTO DA PRECE

Os pacientes foram divididos, de forma estritamente aleatória, em um grupo experimental (que recebeu preces) e um grupo controle (que não recebeu preces). Nem os pacientes, nem os médicos ou enfermeiros, nem os autores do experimento podiam saber quais pacientes estavam recebendo orações e quais eram do grupo controle. Aqueles que faziam as preces experimentais tinham de saber o nome dos indivíduos por quem estavam rezando — do contrário, como saber se estavam rezando por eles, e não por outras pessoas? Mas tomou-se o cuidado de contar aos que faziam as preces apenas o primeiro nome da pessoa e a primeira letra do sobrenome. Aparentemente, isso seria suficiente para fazer com que Deus escolhesse o leito certo no hospital.

O grupo l recebeu preces, mas não sabia disso. O grupo 2 (o grupo controle) não recebeu preces e não sabia disso. O grupo 3 recebeu preces e sabia que estava recebendo. A comparação entre os grupos l e 2 testa a eficácia das preces intercessórias. O grupo 3 testa os possíveis efeitos psicossomáticos de saber que se está sendo alvo de preces.

Não houve diferença entre os pacientes que foram alvo de preces e os que não foram. Que surpresa. Houve diferença entre aqueles que sabiam que estavam recebendo precs e aqueles que não sabiam se estavam ou não estavam; mas ela foi para a direção errada. Aqueles que sabiam ser beneficiários de preces sofreram um número significativamente maior de complicações do que aqueles que não sabiam. Estaria Deus contra-atacando, para mostrar sua desaprovação pela estranha empreitada? Parece mais provável que os pacientes que sabiam que estavam sendo alvo de preces tenham sofrido um estresse adicional em conseqüência disso: “ansiedade de desempenho”, nas palavras dos autores da experiência.
3. Argumentos para a existência de Deus

Graças a Darwin, já não é verdade dizer que as coisas só podem parecer projetadas se tiverem sido projetadas. A evolução pela seleção natural produz um excelente simulacro de design.

Temos nomes para as pessoas que têm muitas crenças para as quais não há justificativa racional. Quando suas crenças são extremamente comuns, nós as chamamos de “religiosas”; nos outros casos, elas provavelmente serão chamadas de “loucas”, “psicóticas” ou “delirantes” [...] Claramente, a sanidade está nos números. E, mesmo assim, é apenas um acidente da história o fato de ser considerado normal em nossa sociedade acreditar que o Criador do universo é capaz de ouvir nossos pensamentos, enquanto é uma demonstração de doença mental acreditar que ele está se comunicando com você fazendo a chuva bater em código Morse na janela de seu quarto. Assim, se as pessoas religiosas não são generaliza-damente loucas, suas principais crenças absolutamente o são.

“Chegará o dia em que a geração mística de Jesus, pelo Ser Supremo como pai, no ventre de uma virgem, será categorizada junto com a fábula da geração de Minerva no cérebro de Júpiter”.

As pessoas mais instruídas têm uma tendência menor a ser religiosas.
Mas por que, então, estamos tão dispostos a aceitar a idéia de que o que é imprescindível fazer, se se quiser agradar a Deus, é acreditar nele? O que há de tão especial em acreditar? Não é igualmente provável que Deus recompense a bondade, ou a generosidade, ou a humildade? Ou a sinceridade? E se Deus for um cientista que considera a busca honesta pela verdade a virtude suprema? Deus valorizaria mais uma crença fingida e desonesta (ou mesmo uma crença honesta) que o ceticismo honesto?

A SELEÇÃO NATURAL COMO CONSCIENTIZADORA

O que é que faz a seleção natural ser bem-sucedida como solução para o problema da improbabilidade, para o qual o acaso e o design fracassam já de saída? A resposta é que a seleção natural é um processo cumulativo, que divide o problema da improbabilidade em partículas pequenas. Cada uma das partículas é ligeiramente improvável, mas não definitivamente.

A ADORAÇÃO DAS LACUNAS
Se uma aparente lacuna é encontrada, assume-se que Deus, por padrão, deve preenchê-la.

Um dos efeitos verdadeiramente negativos da religião é que ela nos ensina que é uma virtude satisfazer-se com o não-entendimento.

 

PERCY FAWCETT

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O Coronel Percy Harrison Fawcett (1867 – 1925) foi um famoso arqueólogo e explorador britânico que desapareceu ao organizar uma expedição para procurar por uma civilização perdida na Serra do Roncador, Brasil.

Fawcett nasceu em 1867 na cidade de Devon, Inglaterra. Em 1886 entrou para a Royal Artillery e acabou escalado para trabalhar no Ceilão (hoje Sri Lanka), onde conheceu sua esposa Nina. Depois trabalhou como agente secreto britânico na África e aprendeu técnicas de sobrevivência na selva. Fawcett era também um agente do serviço secreto inglês. No  Ceilão tomou contato com os sábios que decodificaram a estatueta que lhe fora presenteada pelo escritor H. Rider Haggard. Era também amigo do escritor Arthur Conan Doyle, que mais tarde utilizaram suas histórias como base para escreverem a obra “Terra Perdida”.  Suas histórias também serviram de inspiração supostamente para a criação de aventuras envolvendo o personagem Indiana Jones.

A primeira expedição de Fawcett na América do Sul ocorreu em 1906 quando ele viajou ao Brasil para mapear a amazônia em um trabalho organizado pela Royal Geographical Society. Ele atravessou a selva, chegando em La Paz, na Bolívia em junho desse mesmo ano.

Fawcett realizou sete expedições entre 1906 e 1924. Ele tinha a habilidade de conquistar os povos que habitavam os locais explorados dando-lhes presentes. Ele retornou a Inglaterra para servir ao exército britânico durante a Primeira Guerra Mundial, mas logo após o fim da guerra retornou ao Brasil para estudar a fauna e arqueologia local.

Em 1925 convidou seu filho mais velho, Jack Fawcett, para acompanhá-lo em uma missão em busca de uma cidade perdida, a qual ele tinha chamado de “Z”. Após tomar conhecimentos de lendas antigas e estudar registros históricos, Fawcett estava convencido que essa cidade realmente existia e se situava em algum lugar do estado do Mato Grosso, mais precisamente na Serra do Roncador. Curiosamente antes de partir ele deixou uma nota dizendo que, caso não retornasse, nenhuma expedição deveria ser organizada para resgatá-lo.O seu último registro se deu em 29 de maio de 1925, quando Fawcett telegrafou uma mensagem a sua esposa dizendo que estava prestes a entrar em um território inexplorado acompanhado somente de seu filho e um amigo de Jack, chamado Raleigh Rimmell. Eles então partiram para atravessar a região do Alto Xingú, e nunca mais voltaram.

Em 1927, um casal que passeava de carro por uma estrada de terra diz ter encontrado um homem barbudo e grisalho, muito cansado, que parecia confuso e dizia chamar-se Fawcett. O casal foi embora e só um tempo depois soube que esse homem era um explorador famoso e mundialmente procurado.

Muitos presumiram que eles foram mortos pelos índios selvagens locais. Porém não se sabe o que aconteceu. Os índios Kalapalos foram os últimos a relatar terem visto o trio. Não se sabe se foram realmente assassinados, se sucumbiram a alguma doença ou se foram atacados por algum animal selvagem.
Durante as décadas seguintes, foram organizadas várias expedições de resgate, porém nenhuma obteve resultado positivo. Tudo o que conseguiram foram coletar histórias dos nativos. Alguns disseram que eles foram mortos por indígenas hostis ou que animais selvagens os atacaram. Ouviram também algumas versões mais fantásticas dentre as quais destacam-se a história de que Fawcett teria perdido sua memória e estaria vivendo como chefe de uma tribo de canibais ou de que eles realmente encontraram a cidade perdida, mas foram impedidos de retornar para manter o segredo da existência de tal local.

Ao todo, cerca de 100 exploradores morreram tentando procurar pelos membros da expedição de Fawcett. Três expedições de resgate também desapareceram na mesma região, que continua praticamente inexplorada até os dias atuais.

Em 1952, seis anos depois do primeiro contato com os índios Kalapalo, os índios confidenciaram a história dos exploradores que haviam sido mortos muitos anos antes quando passavam na região. A narrativa levava a crer que os exploradores eram Percy Harrison Fawcett, Jack Fawcett e Raleigh Rimmell. O Cel. Fawcett teria advertido crianças da aldeia que, por sua curiosidade, ficavam perto de seu acampamento tocando nos objetos pessoais dos exploradores. A conduta do coronel, no entanto, não teria agradado os pais das crianças resolvendo, assim, responder àquela conduta ofensiva do visitante. Jack e Rimell teriam sido flechados e descartados no rio. O Cel. Fawcett teria sido morto com golpes de borduna e enterrado numa cova raza rente a uma árvore.

 
Orlando Villas Bôas junto a dois índios Kalapalo com a suposta ossada do Coronel Fawcett.Diante desta declaração, Cláudio e Orlando Villas Bôas localizaram o local onde teria sido morto o explorador inglês. Lá foram achados ossos humanos e objetos pessoais evidentemente de nossa sociedade como: faca, botões e pequenos objetos metálicos. Teria, assim, terminado o mistério do desaparecimento do explorador inglês. A ossada passou por inúmeros testes, no Brasil e Inglaterra, mas não se chegou a uma conclusão satisfatória. Atualmente, os ossos achados em 1952 pelos Villas Bôas encontram-se no Instituto Médico Legal da Universidade de São Paulo. Foi realizado o exame de DNA mitocondrial mas a família Fawcett se recusa a submeter-se a este exame.

Em 1996 os índios da tribo Kalapalo capturaram uma expedição que visava solucionar o mistério e somente os liberaram após eles declararem desistência.

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Gente que escreve sobre ciência de maneira compreensível merece uma mesura. Não é fácil tratar de geologia, física, química e biologia – pra ficar apenas nas matérias que estudamos na escola – de um jeito atraente e interessante. Na maioria das vezes, ou fica didático e besta ou fica teórico e cabeça demais. Daí a vantagem de Bill Bryson não ser cientista, e sim um escritor e jornalista muito curioso.

 

Este seu livro surgiu de uma pergunta aparentemente prosaica: por que os oceanos são salgados? Para respondê-la, Bryson começou a pesquisar e ler sobre a origem do mundo, o universo, a vida e uma série de outros temas sobre os quais, para nossa sorte, ele tratou em uma linguagem que ficou no meio termo ideal entre o didático e o cabeça. Fala da idade da Terra e dos seres humanos, dá uma idéia da imensidão do universo (admito: foi só com este livro que eu pude ter noção da vastidão em que estamos imersos) e trata de geologia em termos curiosos (acho que só eu não sabia que o parque Yellowstone, nos Estados Unidos, fica em cima de um vulcão extinto). Deixa-se Uma breve história de quase tudo querendo saber muito mais sobre quase tudo. Pena que poucos consigam escrever a respeito de maneira tão agradável.

 

Uma pesquisa digna de um mamute, anos de investigação e como resultado… O Big Bang, os dinossauros, o aquecimento global, geologia, Einstein, os Curies, a teoria da evolução, a gasolina com chumbo, a teoria atómica, os quarks, os vulcões, os cromossomas, o carbono, os organismos edicarianos, a descontinuidade de Moho, o ADN, o Charles Darwin e um zilião de outras coisas. Em linguagem não demasiado científica, sempre clara e com as devidas anotações, o leitor é conduzido, por este autor extremamente divertido e bem informado, numa viagem através do tempo e do espaço, cujo prato forte é também revelar-nos algumas ironias do desenvolvimento científico. Esta é verdadeiramente uma obra que nos dá a sensação de ter o mundo na palma da mão.

 

Poucas vezes paramos para pensar em quão curioso é o mundo que nos rodeia. A vida que levamos não nos deixa tempo para chorar e lamentar, quanto mais duvidar de nossas origens. A ciência exige estranhos companheiros e tortuosos caminhos, mas termina por encontrar razão na busca pela verdade. Ao menos, quase sempre. Na obra de Bill Bryson “Uma Breve História de Quase Tudo”, iniciamos uma viagem desde o mais íntimo de nossa existência até as perguntas mais ambiciosas; desde a célula até o sol; desde o DNA até os vulcões. Nesse percurso, vamos deparando com as conquistas humanas no caminho estreito do conhecimento. Na obra aparecem diversos personagens nem todos conhecidos, mas cuja intervenção foi fundamental para que os protagonistas alcançassem suas metas. E só o reconhecimento da importância desses personagens já merece a leitura. O mais assombroso é descobrir que temos aprendido na história, freqüentemente, diversas distorções sobre Darwin, Parkinson e mesmo Newton, e como o descobrimento é fruto da mais pequena casualidade. Ver como o azar tem interferido na história dos hominídeos, é muito instrutivo e esclarecedor. O interesse que também desperta o trabalho de Bill Bryson quando aborda matérias não muito amigáveis é de um mérito enorme, e desperta a máxima curiosidade ao explicar a mitose celular ou o contabilizar de átomos no universo. Relata ainda as vicissitudes do homem ao colocar uma idade no planeta em que vivemos.

RELIGIÕES

 

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JUDAÍSMO
A história dos judeus, livros sagrados, símbolos e rituais da religião judaica , festas religiosas

Introdução 

O judaísmo é considerado a primeira religião monoteísta a aparecer na história. Tem como crença principal a existência de apenas um Deus. Para os judeus, Deus fez um acordo com os hebreus, fazendo com que eles se tornassem o povo escolhido e prometendo-lhes a terra prometida.
Atualmente a fé judaica é praticada em várias regiões do mundo, porém é no estado de Israel que se concentra um grande número de praticantes.

Conhecendo a história do povo judeu 

De acordo com a Bíblia, por volta de 1800 AC, Abraão recebeu uma sinal de Deus para abandonar o politeísmo e para viver na região de Canaã (atual Israel). Seu neto Jacó (que depois tem seu nome mudado para Israel) tem 12 filhos, que dão origem a 12 tribos que formavam o povo judeu. Por volta de 1700 AC, o povo judeu migra para o Egito, porém são escravizados pelos faraós por aproximadamente 400 anos. A libertação do povo judeu ocorre por volta de 1300 AC. A fuga do Egito foi comandada por Moisés, que recebe as tábuas dos Dez Mandamentos no monte Sinai. Durante 40 anos ficam peregrinando pelo deserto, até receber um sinal de Deus para voltarem para a terra prometida, Canaã.

Jerusalém (hoje capital de Israel) é transformada num centro religioso pelo rei Davi. Após o reinado de Salomão, filho de Davi, as tribos dividem-se em dois reinos : Reino de Israel e Reino de Judá. Neste momento de separação, aparece a crença da vinda de um messias que iria juntar o povo de Israel e restaurar o poder de Deus sobre o mundo. 
Em 721 começa a diáspora judaica com a invasão babilônica. O imperador da Babilônia, após invadir o reino de Israel, destrói o templo de Jerusalém e deporta grande parte da população judaica.

No século I, os romanos invadem a Palestina e destroem o templo de Jerusalém. No século seguinte, destroem a cidade de Jerusalém, provocando a segunda diáspora judaica. Após estes episódios, os judeus espalham-se pelo mundo, mantendo a cultura e a religião. Em 1948, o povo judeu retoma o caráter de unidade após a criação do estado de Israel.

Os livros sagrados dos judeus 

A Torá ou Pentateuco, de acordo com os judeus, é considerado o livro sagrado que foi revelado diretamente por Deus. Fazem parte da Torá : Gênesis, o Êxodo, o Levítico, os Números e o Deuteronômio. O Talmude é o livro que reúne muitas tradições orais e é dividido em quatro livros: Mishnah, Targumin, Midrashim e Comentários. 

Rituais e símbolos judaicos 

Os cultos judaicos são realizados num templo chamado de sinagoga e são comandados por um sacerdote conhecido por rabino. O símbolo sagrado do judaísmo é o memorá, candelabro com sete braços.

Entre os rituais, podemos citar a circuncisão dos meninos ( aos 13 dias de vida ) e o Bar Mitzvah que representa a iniciação na vida adulta para os meninos e a Bat Mitzvah para as meninas ( aos 12 anos de idade ).
Os homens judeus usam a kippa, pequena touca, que representa o respeito a Deus no momento das orações.
Nas sinagogas, existe uma arca, que representa a ligação entre Deus e o Povo Judeu. Nesta arca são guardados os pergaminhos sagrados da Torá.

As Festas Judaicas 

As datas das festas religiosas dos judeus são móveis, pois seguem um calendário lunisolar. As principais são as seguintes:
Purim – os judeus comemoram a salvação de um massacre elaborado pelo rei persa Assucro. 
Páscoa ( Pessach ) – comemora-se a libertação da escravidão do povo judeu no Egito, em 1300 AC. 
Shavuót - celebra a revelação da Torá ao povo de Israel, por volta de 1300 a.C.
Rosh Hashaná – é comemorado o  Ano-Novo judaico.
Yom Kipur – considerado o dia do perdão. Os judeus fazem jejum por 25 horas seguidas para purificar o espírito.
Sucót -  refere-se a peregrinação de 40 anos pelo deserto, após a libertação do cativeiro do Egito. 
Chanucá – comemora-se o fim do domínio assírio e a restauração do tempo de Jerusalém. 
Simchat Torá – celebra a entrega dos Dez Mandamentos a Moisés.

 

CRISTIANISMO
A doutrina cristã, A história do Messias Jesus Cristo, O livro Sagrado (a Bíblia), expansão, 
festas religiosas, Os Dez Mandamentos

Introdução

A religião cristã surgiu na região da atual Palestina no século I. Essa região estava sob domínio do Império Romano neste período. Criada por Jesus, espalhou-se rapidamente pelos quatro cantos do mundo, se transformando atualmente na religião mais difundida.
Jesus foi perseguido pelo Império Romano, a pedido do imperador Otávio Augusto, pois defendia idéias muito contrárias aos interesses vigentes. Defendia a paz, a harmonia, o respeito um único Deus, o amor entre os homens e era contrário à escravidão. Enquanto isso, os interesses do império eram totalmente contrários. Os cristãos foram muito perseguidos durante o Império Romano e, para continuarem com a prática religiosa, usavam as catacumbas para encontros e realização de cultos.

Doutrina Cristã
De acordo com a fé cristã, Deus mandou ao mundo seu filho para ser o salvador (Messias) dos homens. Este seria o responsável por divulgar a palavra de Deus entre os homens. Foi perseguido, porém deu sua vida pelos homens. Ressuscitou e foi para o céu. Ofereceu a possibilidade da salvação e da vida eterna após a morte a todos aqueles que acreditam em Deus e seguem seus mandamentos.
A principal mensagem da religião cristã é a importância do amor divino sobre todas as coisas. Para os cristãos Deus é uma trindade formada por : pai (Deus), filho (Jesus) e o Espírito Santo.

O Messias ( Salvador )
Jesus nasceu na cidade de Belém, na região da Judéia. Sua família era muito simples e humilde. Por volta dos 30 anos de idade começa a difundir as idéias do cristianismo na região onde vivia. Desperta a atenção do imperador romano Julio César , que temia o aparecimento de um novo líder numa das regiões dominadas pelo Império Romano.
Em suas peregrinações, começa a realizar milagres e reúne discípulos e apóstolos por onde passa. Perseguido e preso pelos soldados romanos, foi condenado a morte por não reconhecer a autoridade divina do imperador. Aos 33 anos, morreu na cruz e foi sepultado. Ressuscitou no terceiro dia e apareceu aos discípulos dando a eles a missão de continuar os ensinamentos.

Difusão do cristianismo
Os ideais de Jesus espalharam-se rapidamente pela Ásia, Europa e África, principalmente entre a população mais carente, pois eram mensagens de paz, amor e respeito. Os apóstolos se encarregaram de tal tarefa.
A religião fez tantos seguidores que no ano de 313, da nossa era, o imperador Constantino concedeu liberdade de culto. No ano de 392, o cristianismo é transformado na religião oficial do Império Romano.
Na época das grandes navegações (séculos XV e XVI), a religião chega até a América através dos padres jesuítas, cuja missão era catequizar os indígenas.   

A Bíblia
O livro sagrado dos cristãos pode ser dividido em duas partes: Antigo e Novo Testamento. A primeira parte conta a criação do mundo, a história, as tradições judaicas, as leis, a vida dos profetas e a vinda do Messias. No Novo Testamento, escrito após a morte de Jesus,  fala sobre a vida do Messias, principalmente. 

Principais festas religiosas
Natal : celebra o nascimento de Jesus Cristo (comemorado todo 25 de dezembro).
Páscoa : celebra a ressurreição de Cristo.
Pentecostes : celebra os 50 dias após a Páscoa e recorda a descida e a unção do Espírito Santo aos apóstolos.

Os Dez Mandamentos
De acordo com o cristianismo, Moisés recebeu Deus duas tábuas de pedra onde continham os Dez Mandamentos:

1. Não terás outros deuses diante de mim.
2. Não farás para ti imagem de escultura, não te curvarás a elas, nem as servirás.
3. Não pronunciarás o nome do Senhor teu Deus em vão.
4. Lembra-te do dia do sábado para o santificar. Seis dias trabalharás, mas o sétimo dia é o sábado do seu Senhor teu Deus, não farás nenhuma obra.
5. Honra o teu pai e tua mãe.
6. Não matarás.
7. Não adulterarás.
8. Não furtarás.
9. Não dirás falso testemunho, não mentirás.
10. Não cobiçarás a mulher do próximo, nem a sua casa e seus bens.

Atualmente, encontramos três principais ramos do cristianismo: catolicismo, protestantismo e Igreja Ortodoxa.

 

ISLAMISMO
Maomé , História da religião islâmica, doutrinas , Alcorão, Expansão do Império Islâmico, preceitos religiosos, 
Festas e lugares sagrados , Divisões do Islamismo
, império árabe.

 

Introdução

A religião muçulmana tem crescido nos últimos anos (atualmente é a segunda maior do mundo) e está presente em todos os continentes. Porém, a maior parte de seguidores do islamismo encontra-se nos países árabes do Oriente Médio e do norte da África. A religião muçulmana é monoteísta, ou seja, tem apenas um Deus: Alá.
Criada pelo profeta Maomé, a doutrina muçulmana encontra-se no livro sagrado, o Alcorão ou Corão. Foi fundada na região da atual Arábia Saudita.

Vida do profeta Maomé

Muhammad (Maomé) nasceu na cidade de Meca no ano de 570. Filho de uma família de comerciantes, passou parte da juventude viajando com os pais e conhecendo diferentes culturas e religiões. Aos 40 anos de idade, de acordo com a tradição, recebeu a visita do anjo Gabriel que lhe transmitiu a existência de um único Deus. A partir deste momento, começa sua fase de pregação da doutrina monoteísta, porém encontra grande resistência e oposição. As tribos árabes seguiam até então uma religião politeísta, com a existência de vários deuses tribais.
Maomé começou a ser perseguido e teve que emigrar para a cidade de Medina no ano de 622. Este acontecimento é conhecido como Hégira e marca o início do calendário muçulmano.
Em Medina, Maomé é bem acolhido e reconhecido como líder religioso. Consegue unificar e estabelecer a paz entre as tribos árabes e implanta a religião monoteísta. Ao retornar para Meca, consegue implantar a religião muçulmana que passa a ser aceita e começa a se expandir pela península Arábica.
Reconhecido como líder religioso e profeta, faleceu no ano de 632. Porém, a religião continuou crescendo após sua morte.

Livros Sagrados e doutrinas religiosas

O Alcorão ou Corão é um livro sagrado que reúne as revelações que o profeta Maomé recebeu do anjo Gabriel. Este livro é dividido em 114 capítulos (suras). Entre tantos ensinamentos contidos, destacam-se: onipotência de Deus (Alá), importância de praticar a bondade, generosidade e justiça no relacionamento social. O Alcorão também registra tradições religiosas, passagens do Antigo Testamento judaico e cristão.
Os muçulmanos acreditam na vida após a morte e no Juízo Final, com a ressurreição de todos os mortos.
A outra fonte religiosa dos muçulmanos é a Suna que reúne os dizeres e feitos do profeta Maomé. 

Preceitos religiosos

A Sharia define as práticas de vida dos muçulmanos, com relação ao comportamento, atitudes e alimentação. De acordo com a Sharia, todo muçulmano deve seguir cinco princípios:

- Aceitar Deus como único e Muhammad (Maomé) como seu profeta;
- Dar esmola (Zakat) de no mínimo 2,5% de seus rendimentos para os necessitados;
- Fazer a peregrinação à cidade de Meca pelo menos uma vez na vida, desde que para isso possua recursos;
- Realização diária das orações;
- Jejuar no mês de Ramadã com objetivo de desenvolver a paciência e a reflexão.

Locais sagrados

Para os muçulmanos, existem três locais sagrados: A cidade de Meca, onde fica a pedra negra, também conhecida como Caaba. A cidade de Medina, local onde Maomé construiu a primeira Mesquita (templo religioso dos muçulmanos). A cidade de Jerusalém, cidade onde o profeta subiu ao céu e foi ao paraíso para encontrar com Moises e Jesus.

Divisões do Islamismo

Os seguidores da religião muçulmana se dividem em dois grupos principais : sunitas e xiitas. Aproximadamente 85% dos muçulmanos do mundo fazem parte do grupo sunita. De acordo com os sunitas, a autoridade espiritual pertence a toda comunidade. Os xiitas também possuem sua própria interpretação da Sharia.

 

BUDISMO
História das religiões, ensinamentos budistas, filosofia, surgimento na Índia Antiga

 

Origem do budismo 

O budismo não é só uma religião, mas também um sistema ético e filosófico, originário da região da Índia. Foi criado por Sidarta Gautama (563? – 483 a.C.?), também conhecido como Buda. Este criou o budismo por volta do século VI a.C. Ele é considerado pelos seguidores da religião como sendo um guia espiritual e não um deus. Desta forma, os seguidores podem seguir normalmente outras religiões e não apenas o budismo.

O início do budismo está ligado ao hinduísmo, religião na qual Buda é considerado a encarnação ou avatar de Vishnu. Esta religião teve seu crescimento interrompido na Índia a partir do século VII, com o avanço do islamismo e com a formação do grande império árabe. Mesmo assim, os ensinamentos cresceram e se espalharam pela Ásia. Em cada cultura foi adaptado, ganhando características próprias em cada região. 

Os ensinamentos, a filosofia e os princípios

Os ensinamentos do budismo têm como estrutura a idéia de que o ser humano está condenado a reencarnar infinitamente após a morte e passar sempre pelos sofrimentos do mundo material. O que a pessoa fez durante a vida será considerado na próxima vida e assim sucessivamente. Esta idéia é conhecida como carma. Ao enfrentar os sofrimentos da vida, o espírito pode atingir o estado de nirvana (pureza espiritual) e chegar ao fim das reencarnações.
Para os seguidores, ocorre também a reencarnação em animais. Desta forma, muitos seguidores adotam uma dieta vegetariana.

A filosofia é baseada em verdades: a existência está relacionada a dor, a origem da dor é a falta de conhecimentos e os desejos materiais. Portanto, para superar a dor deve-se antes livrar-se da dor e da ignorância. Para livrar-se da dor, o homem tem oito caminhos a percorrer: compreensão correta, pensamento correto, palavra, ação, modo de vida, esforço, atenção e meditação. De todos os caminhos apresentados, a meditação é considerado o mais importante para atingir o estado de nirvana. 

A filosofia budista também define cinco comportamentos morais a seguir:  não maltratar os seres vivos, pois eles são reencarnações do espírito, não roubar, ter uma conduta sexual respeitosa, não mentir, não caluniar ou difamar, evitar qualquer tipo de drogas ou estimulantes.  Seguindo estes preceitos básicos, o ser humano conseguirá evoluir e melhorará o carma de uma vida seguinte.

 

 

HINDUÍSMO
A religião hindu, a história do hinduísmo, deuses hindus, mitologia hindu, princípios e países praticantes,
 cultura védica, sistema de castas, karma, os brâmanes, história da religião

 

 

O que é o hinduísmo 

Principal religião da Índia, o Hinduísmo é um tipo de união de crenças com estilos de vida. Sua cultura religiosa é a união de tradições étnicas. Atualmente é a terceira maior religião do mundo em número de seguidores. Tem origem em aproximadamente 3000 a.C na antiga cultura Védica.

O Hinduísmo da forma que o conhecemos hoje é a união de diferentes manifestações culturais e religiosas. Além da Índia, tem um grande número de seguidores em países como, por exemplo, Nepal, Bangladesh, Paquistão, Sri Lanka e Indonésia.

Crenças 

Aqueles que seguem o Hinduísmo devem respeitar as coisas antigas e a tradição; acreditar nos livros sagrados; acreditar em Deus; persistir no sistema das castas (determina o status de cada pessoa na sociedade); ter conhecimento da importância dos ritos; confiar nos guias espirituais e, ainda, acreditar na existência de encarnações anteriores. 

O nascimento de uma pessoa dentro de uma casta é resultado do karma produzido em vidas passadas. Somente os brâmanes, pertencentes as castas “superiores” podem realizar os rituais religiosos hindus e assumir posições de autoridade dentro dos templos.

Divindades 

Os hindus são politeístas (acreditam em vários deuses). São os principais: Brahma (representa a força criadora do Universo); Ganesh (deus da sabedoria e sorte); Matsya (aquele que salvou a espécie humana da destruição); Sarasvati (deusa das artes e da música); Shiva (deus supremo, criador da Ioga), Vishnu (responsável pela manutenção do Universo). 

 CONFLITO     ISRAEL   X   PALESTINA

 

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A área correspondente à Palestina até 1948 encontra-se hoje dividida em três partes: uma parte integra o Estado de Israel; duas outras (a Faixa de Gaza e a Cisjordânia), de maioria árabe-palestina, deveriam integrar um estado palestiniano-árabe a ser criado – de acordo com a lei internacional. Todavia, em 1967, a Faixa de Gaza e a Cisjordânia foram ocupadas militarmente por Israel, após a Guerra dos Seis Dias.

Há alguns anos, porções dispersas dessas duas áreas passaram a ser administradas pela Autoridade Palestiniana, mas, devido aos inúmeros ataques terroristas que sofre, Israel mantém o controlo das fronteiras e está atualmente a construir um muro de separação que, na prática, anexa porções significativas da Cisjordânia ocidental ao seu território.

A população palestina dispersa pelos países árabes ou em campos de refugiados, situados nos territórios ocupados por Israel, é estimada em 4.000.000 de pessoas.

FADAS NO DIVÃ

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 As narrativas populares européias não eram destinadas especificamente às crianças. A função das narrativas  poderia ser apenas a de ajudar os habitantes de aldeias camponesas a atravessar as longas noites de inverno. Sua matéria? Os perigos do mundo, a crueldade, a morte, a fome, a violência dos homens e da natureza. Os contos populares pré-modernos talvez fizessem pouco mais do que nomear os medos presentes no coração de todos, adultos e crianças, que se reuniam em volta do fogo.

 
As modernas versões dos contos de fada datam do século XIX. São tributárias da criação da família nuclear e da invenção da infância tal como a conhecemos hoje. Isto implicou em:
-1: a progressiva exclusão dos pequenos do mundo do trabalho, na medida em que a Revolução Industrial criou espaços de produção separados do espaço familiar 
-2: os ideais iluministas e os novos códigos civis trazidos pelas revoluções burguesas passaram a reconhecer as crianças como sujeitos, com direito a proteções legais 

 
Assim, a infantilização das narrativas tradicionais, transformadas nos atuais “contos de fadas”, é concomitante à criação de um mundo próprio da criança e ao reconhecimento de uma “psicologia infantil”, da qual mais tarde a psicanálise viria a se destacar radicalmente.

 
Na primeira parte do livro, os autores analisam contos infantis que contemplam o medo da agressividade sexual dos pais incestuosos, assim como da rejeição inconsciente de algumas mães por suas crias. O tema das madrastas invejosas e más – em Branca de Neve e Cinderela, por exemplo – interessa às crianças porque nomeiam indiretamente a rivalidade das mães em relação a suas filhas, que o mito da perfeição do amor materno obriga a recalcar. A sobrevivência de diversas histórias de abandono das crianças por mães/madrastas egoístas, na linha de João e Maria e Pequeno Polegar, indica que as crianças querem saber dos limites e da ambivalência do amor materno. A sobrevivência de uma das histórias infantis mais populares, a saga do pobre patinho feio expulso da convivência com os irmãos bem nascidos, indica que toda criança conhece a experiência de sentir-se uma “estranha no ninho”. Histórias de crianças que saem ou são expulsas de suas casas, ou que perdem o rumo de volta depois de um passeio mais ousado e se deparam com perigos inimagináveis, funcionam como antecipações que lhes permitem dominar o medo do “mundo cruel” que, mais dia, menos dia, terão de enfrentar. Nestas incursões pelo mundo proibido longe da proteção familiar, os melhores conselhos – como os do Grilo Falante, da história de Pinóquio – existem para não ser obedecidos. De todas estas, penso que a solução mais feliz e menos moralista é a de Peter Pan, menino que fugiu de casa exatamente para perpetuar a utopia da infância, associada à liberdade quase sem limites que a fantasia permite. Como observam os autores, em Peter Pan, ao contrário da história de Pinóquio, o mundo da fantasia não é um desvio errado em relação às normas do mundo adulto: ele indica que a ilha da utopia onde as crianças nunca crescem, não tem nenhuma semelhança com o paraíso bíblico: o prazer de habitá-la está ligado ao gozo do perigo, do medo e da aventura. Não interessa às crianças a fantasia de um paraíso pacificado, sem conflitos. Elas desejam o medo, o prazer do mistério e do desafio, aos quais respondem com a máxima potência de suas fantasias de onipotência.

 
Ao analisar a história de Pinóquio percebe-se que a paternidade é o sonho de fazer de alguém a marionete de nossos próprios sonhos. E acrescentam que, da posição de filhos, “somos o delicado equilíbrio entre não encarnar o que se espera de nós, e (viver) levando em conta exatamente isso”. Nesta balança precária, o adulto não pode
vencer: sua vitória implicaria “na morte imaginária da criança, pois esta sente que só existe enquanto sua palavra valer”.

 
O exemplo do Mágico de Oz é retomado com muita sensibilidade pelos autores, segundo os quais a falta de magia do mago é o ponto mais mágico da história (ou do filme), pois indica que o pai não é tão poderoso quanto se esperava. Basta que seja “um homem bom, mas um mau mágico”, de modo a que a criança seja obrigada a resolver sozinha os problemas que a vida lhe apresenta. Neste sentido também, as aventuras infantis que terminam com uma volta para casa não são tão conservadoras como podem parecer.
No entanto a viagem de iniciação necessária para que toda criança conquiste o mundo à sua maneira, nem sempre leva para muito longe de casa. A análise da saga contemporânea de Harry Potter revela, segundo os autores, o papel da escola como espaço de transição da infância para a adolescência – ou como o lugar onde é possível viver este período quase impossível da vida, a chamada pré-adolescência.

 
Por que histórias como essa sobreviveram? O que faz com que alguns contos de fadas permaneçam e outros pereçam? O que revelam sobre nós as partes eliminadas e as que subsistem?

 H I S T Ó R I A S        C L Á S S I C A S

1 – EM BUSCA DE UM LUGAR

O PATINHO FEIO

A trama sintetiza duas fantasias: uma dos pais que temem que o filho seja trocado por outro; outra dos filhos de descobrirem-se adotivos. Ambas evocam uma certa verdade: somos todos adotivos. Mesmo que sejamos nascidos da mesma mãe que nos alimentará e educará, não temos garantia do sentimento. O vínculo que existia na gestação entre feto e mãe precisa ser renegociado. O ventre materno é estufado de ideal, os filhos crescem e, mesmo que se tornem belos cisnes, ficam sempre com o sentimento de que lhes falta algo para preencher o que a mãe esperava.

DUMBO

O drama do elefantinho centra-se no fato de que ele se vê privado da proteção materna. A diferença aqui está na consagração do amor materno. No patinho feio a felicidade está em encontrar uma tribo e ter uma existência autônoma; para Dumbo, o final feliz está em preencher as expectativas do ideal materno e ser algo grandioso.

CACHINHOS DOURADOS

Talvez indique a situação do filho caçula, que já encontra uma família pronta e não sabe onde de encaixar, ou do filho mais velho, cujo lugar foi usurpado pelo recém nascido.
Serve também para todos os descontentamentos infantis, que muitas vezes sentem como vindo de fora o que estão vivendo por dentro.

2 – EXPULSOS DO PARAÍSO

JOÃO E MARIA

Crescem traz ganhos, mas também traz perdas, o que faz com que a independência conquistada pelo filho seja vivida como abandono por parte dos pais.
O trabalho de Maria retrata a perda da passividade do bebê, quando os pais incentivam os filhos a caminhar, pegar sozinhos os objetos, pedir o que querem e eles sentem como rejeição.
João fica no papel passivo, se recusando a comer. Fechar a boca é a primeira rebeldia.
Os dois irmãos se prestam para representar duas formas do crescimento: a troca da passividade pela atividade e a separação entre o desejo da mãe que quer alimentar e a vontade de comer do filho.

3 – UM LOBO NO CAMINHO

CHAPEUZINHO VERMELHO

Depois de comer um pouco de carne e beber do sangue da avó, Chapeuzinho Vermelho atendeu ao convite do lobo:

- Tire a roupa, minha filha, e venha para a cama comigo.

O striptease da menina é lento e completo. Passa pelo avental, pelo corpete e pelas meias. Ela joga cada peça no fogo porque o lobo lhe assegura que não precisará mais delas. Deitada com ele, a garota tem uma súbita vontade de urinar (manifestação de excitação sexual para a criança). O animal manda que faça na cama mesmo. Chapeuzinho recusa-se. O lobo permite então que ela vá, mas a amarra ao pé da cama com um cordão. Chapeuzinho consegue escapar e corre o mais rápido possível para casa.

Para nosso espanto, este conto recolhido na França por Charles Perrault da tradição oral camponesa do século XVII, termina bruscamente aqui. O corajoso caçador, que viria matar o lobo e resgatar com vida a pobre Chapeuzinho Vermelho e sua querida avó, não existe nesta versão. Não existe um final feliz, nem uma moral da história. Seu objetivo original, afirma Robert Darnton, não era o de prevenir as crianças a respeito dos perigos da desobediência aos pais (na versão moderna do conto, Chapeuzinho escolhe o caminho oposto ao recomendado por sua mãe), ma sim mostrar a curiosidade infantil sobre o sexo.

Na análise de um adulto, através das associaçõe, temos acesso a um numeroso acervo de fantasias eróticas infantis. Nela podemos constatar o caráter sexualizado que a criança percebe nos vínculos amorosos familiares ou através de um livro, ou uma cena na TV.

Assim, fica difícil imaginar que a atitude de Chapeuzinho seja inocente. É mais um jogo de sedução: a menina não sabe que jogo está sendo jogado, mas é inegável seu interesse em participar. Por outro lado, se não fosse a intenção erótica, o lobo a teria comido logo de cara, como fez com a avó.

Entre a tantas interpretações possiveis, pode-se pensar que ea seja alusiva ao potencial de sedução contido nas relações com os adultos. Sendo assim, é natural que estes, vividos até então como protetores, revelem seu lado obscuro: alguém que segue sendo o mesmo, mas que mostra sua face selvagem. Uma prova de que o papai bonzinho que se tem em casa pode tornar-se uma figura ameaçdora e temivel. Ao mesmo tempo, os pais exercem fascínio e as meninas usarão as armas femininas de sedução para conquistar a atenção do pai. É por isso que desobedecem à mãe e se deixam cativas pelo diálogos com o pai.

OS TRÊS PORQUINHOS

Vence aquele que mlhor souber prever e se proteger, que construiu a casa de tijolos. Dá conta da necessidade de proteger a criança dian te de perigos que ela ainda não decodifica bem, mas desconfia que deve aprender a evitar.

A história possui também um aspecto e fábula moral, mostrando que a perseverança vence, que o mundo não é só brincar, que o trabalho árduo é recompensador e que crescer é sae cuidar de si.

4 – A MÃE POSSESSIVA

RAPUNZEL

Tanto o desejo incontinente da mãe em comer quanto a clausura da filha tem a mesma origem: a mãe possessiva, que vê o crescimento como abandono. O pecado aqui não é ser mais sedutora que a mãe, mas o de incluir alguém mais numa relação que deveria ser completa.
Talvez os desejos orais da grávidas sejam um último apelo dessas mulheres que, estando prestes a tornarem-se mães, terão que ceder o lugar de filho para se bebê, seria o último “mamãe eu quero mamar”.
Para as tranças há dois significados: cortá-las é cortar o vínculo entre mãe e filho,o cordão umbilical; são também um corte no corpo de rapunzel, a marca que fará estar longe da mãe e capacitá-la para amar e ter filhos.

 5 – O DESPERTAR DE UMA MULHER

BRANCA DE NEVE

O espelho mágico deveria ser o homem com quem a madrasta se casou e que só deveria ter olhos para ela, mas que se dá conta de que a filha também cresceu. Este é o início da separação entre mãe e filha.

A mãe é fonte de identificações para a filha para que aprenda sobre os atrativos femininos. Mas esse ensino também é acompanhado de rivalidade e inveja da mãe. Talvez essa seja a origem da agressividade latente e rivaldade sutil na relação entre as mulheres.

A BELA ADORMECIDA

Inicialmente os Contos de Fadas eram escritos para adultos, muitos dos textos transmitidos hoje para as crianças tinha um cunho sexual forte. Em uma das primeiras interpretações de A Bela Adormecida, o príncipe abusa sexualmente da princesa em seu sono, depois parte deixando-a grávida.

As gotas de sangue derramadas na roca dão início a efeito de um feitiço que representa a irreversibilidade das transformações próprias da puberdade. Não se determina o crescimento dos seios, dos pelos pubianos, a menstruação.

Por mais amoroso que seja o vínculo familiar, quando o filho começa a amar, se instala um estranhamento com seus pais. Quando isso ocorre, os pais não se reconhecem mais nos filhos e, não raro, acusam o parceiro amoroso deste pelas modificações.Temos aqui a morte do filho como possessão.

6 – A MÃE, A MADRASTA E A MADRINHA

CINDERELA

Essa história deixa os leitores com simpatia pela filha que não é a preferida dos pais. Onde houver irmãos haverá desigualdade ou suposição de que existe. Normalmente a preferência da mãe será sobre o filho menos independente, menos rebelde.

As fadas são personagens destinados a preservar o lado bom da mãe, ou seja, a mãe da primeira infância.

Quando a filha busca seu príncipe, é comum que considere a mãe boa como uma memória saudosa, enquanto a que está em casa será uma madrasta maléfica.

Subjetivamente, a mulher do pai não é a mesma pessoa que a mãe. A mãe é aquela que supostamente se completa com os filhos, que tem neles sua prioridade. A mulher do pai tem uma história de amor a viver, que exige tempo e dedicação, é aquela para quem o casamento está em primeiro lugar. A madrinha é a representante do efeito benéfico das lembranças de uma infância onde houve um vínculo amoroso com a mãe. Sendo assim, toda mãe tenderá a ser mãe, madrasta e madrinha ao mesmo tempo.

A inveja da mãe é tão importante quanto o desejo do pai, eles sinalizam que em casa a filha já pode ser considerada uma mulher, ou pelo menos um bom prótotipo. É com esses elementos que uma jovem se autoriza a cativar outro olhares.

Cinderela será qualquer mulher que, na intimidade, se  disponha a brincar de esconde-esconde nos encontros amorosos e deixar em seu rastro um fetiche como isca para o homem que quer seduzir.

7 – PAI OGRO, FILHO LADRÃO

JOÃO E O PÉ DE FEIJÃO

João, ao vender a vaca, negocia a versão nutridora da mãe.  A troca resultante é: ele entrega aquela que lhe dava leite, mas secou, e recebe umas sementes cuja magia é o crescimento.

Ver os filhos crescerem é contemporâneo de se ver decrescer e, no fim dessa história, a tendência natural é que o pai de alguma forma morra enquanto o filho o sobrevive e desfruta do tesouro de viver. A morte do ogro, depois que o menino obteve o que quis dele, mostra que não há lugar para os dois sobre a terra, algum precisa ser devorado ou eliminado.

A transmissão da herança imaterial  é uma doação ativa dos pais. Se os filhos recebessem passivamente os benefícios, não se possibilitaria com que um filho escolhesse, mesmo que de forma inconsciente, quais aspectos da identidade de seus pais adotaria para si. Além disso, o que os pais terminam legando não necessariamente é o tipo de coisa que cabe em sermões e ideais. É nas atitudes que eles vão se espelhar. Por mais que os pais se mostrem satisfeitos com o que conquistaram na vida, é o que lhes falta,  o sonho não realizado, que vai fazê-los seguir a caminhada.

8 -  QUEM AMA O FEIO, BONITO LHE PARECE

A BELA E A FERA

Embora seja também uma alusão aos casamentos arranjados, que tinham que ser enfrentados pelas mulheres de antigamente, diz também sobre o amor que precisa transcender as aparências animalescas para acontecer.

9 – AS METAMORFOSES

A PEQUENA SEREIA

É um manifesto sobre a impossibilidade de rompimento de determinadas barreiras, sejam culturais, raciais ou familiares.

H I S T Ó R I A S   C O N T E M P Ô R A N E A S

1 – UM POR TODOS E TODOS POR UM

A TURMA DA MÔNICA

Cebolinha – como qq menino busca a supremacia.

Mônica  – é o filho no pleo exercício do sentimento de realeza.

Cascão – é o fóbico

Magali – encarna um poder e uma vingança: a de fazer com que a mãe, que sempre insiste para que o filho coma, agora não dê conta de tanto apetite.

2 – ERRAR É HUMANO

PINOCHIO

É uma história sobre a dificuldade de transmitir a sabedora acumulada pela experiência dos pais aos filhos. Não se aprende fora da experiência, embora os adultos insistam na importância de sus ensinamentos.

Errar é humano, mas insistir nos erros é burrice. Ficaria melhor assim: É próprio do ser humano insistir nos mesmos erros.

Somos o delicado equilírio entre não ecarnar o que esperam de nós, mas levando em conta exatamente isso.

3 – CRESCER OU NÃO CRESCER

PETER PAN

Ele não se recusa a crescer apenas porque ser criança é bom, ele se recusa a desemprenhar todos os papéis que os adultos esperam dele.

4 – O PAI ILUSIONISTA

O MÁGICO DE OZ

Enquanto Doroty e seus amigos buscam as soluções milagrosas do Mágico, percebem que o poder está dentro de si. Descobrem que dos defeitos podem nascer as melhores qualidades.

5 – UMA ESCOLA MÁGICA

HARRY POTTER

Livro 1 – Pedra Filosofal

É neste livro que a aventura começa, o primeiro capítulo leva-nos ao ínicio da série onde Harry bébé de 1 ano é entregue aos tios, únicos familiares que tem vivo. Ao longo dos capítulos seguintes vê-se a atitude que os tios têm para com Harry, maltratam-no, obrigam-no a dormir numa dispensa por baixo das escadas, castigam-no, entre outros.
Harry já se tinha habituado aquela vida, mas algo veio mudar isso. De repente os tios começaram a receber cartas endereçadas a Harry, choviam de todo o lado, quase como por magia.
É então que os tios fogem para uma pequena cabana em alto mar e que são visitados por um gigante chamado Hagrid, é Hagrid que diz a Harry que ele é um feiticeiro muito famoso pois matou o Aquele Cujo o Nome não Deve ser Pronunciado (Voldemort, ou Voldy para os amigos). Harry fica chocado com aquele anúncio visto que os tios nunca lhe contaram nada sobre o seu passado, pensava que os pais tinha morrido num acidente de automóvel.
Harry ingressa na escola de magia e feitiçaria de Hogwarts, que é dirigida por Albus Dumbledore. Conhece diversos amigos, faz inimigos, tem problemas com professores (Snape, snape). E é no final do ano que descobre o mistério da Peda Filosofal, que se encontra na escola. Harry tenta salvar a pedra de um feiticeiro negro que estava a ser controlado por Voldemort. Harry consegue e saí vitorioso bem como os seus amigos Hermione e Ron Weasley.

Livro 2 – Camara dos segredos

Neste livro tudo corre mal a Harry, estava em pleno Verão a passar férias com os tios, o primo Duddley e a sua coruja quando é raptado pelos gémeos Weasley, Fred e George e pelo irmão mais novo da família e seu grande amigo Rony. Antes de isso acontecer Harry é advertido a não ir para Hogwarts esse ano por um elfo doméstico, muito paranoico, que avisa Harry para não ir para Hogwarts se não morrerá.
Harry passa o resto das férias de Verão na Toca, casa dos Weasley e fica chocado com a vida que eles levam, sempre rodeados de magia. Harry e os Weasley vão juntos apanhar o comboio para Hogwarts mas a passagem secreta não se abre para Harry e Ron, decidem então chegar lá de carro voador, só que quase na chegada o carro têm um problema e vai bater contra uma árvore. Quando chegam são reeprendidos por Snape e este tira pontos á sua equipa os Gryffindor.
Ao longo desse ano Harry vai odiando cada vez mais o seu inimigo principal a seguir a Voldermot, Draco Malfoy, esse jovem rebelde de cabelo loiro que se alia a Snape para fazer a vida de Harry um inferno. Nesse ano a escola tem a oportunidade de ter um novo professor que organiza duelos entre alunos e ensina alguns golpes de combate, que ele próprio não sabe utilizar. Um desses golpes que vai ser muito útil a Harry é o Expelliarmus.
Durante esse ano vários alunos aparecem petrificados e a escola está a beira de fechar, é quando Harry descobre o que se passa: a camara dos segredos fora outra vez aberta.
Harry combate contra a gigante cobra, amiga de Tom Riddle (a.k.a Voldemort) que se apoderou através de um diário da mente de Ginny Weasle, irmã mais nova de Ron.
No final do livro Dobby elfo doméstico dos Malfoys é liberto por Harry ficando assim em liberdade.

Livro 3 – O Prisioneiro de Azkaban

Este é o meu livro preferido, apenas o 6º o pode superar na minha opinião.
Mais uma vez o Verão de Harry é muito atribulado, o Ministério da Magia em conjunto com o Ministério dos Muggles (não mágicos) lança um comunicado dizendo que um prisioneiro de alto risco fugiu de Azkaban (prisão guardada por Dementores seres que sugam almas, são chatos). Chama-se Sirius Black, e apenas se sabe que matou dezenas de pessoas e que foi o primeiro a fugir de Azkaban, especula-se que seja o braço direito de Voldemort.
Nesse livro Harry volta a fugir de casa, embora tenha sido avisado para não o fazer, é transportado por uma camioneta mágica até ao Caldeirão Escoante, pub mágico que dá acesso a uma avenida mágica que os Muggles desconhecem. É recebido pelo Ministro da Magia que o espera, Harry é avisado mais uma vez sobre Sirius Black e passa os últimos dias de férias ali hospedado, enquanto isso faz as suas compras e depois junta-se aos Weasley’s.
Neste livro Harry tem um novo professor de Defesa contra a Magia Negra, chama-se Lupin e é um óptimo professor embora Malfoy não morra de amores por ele. No decorrer do ano a defesa da escola é reforçada, sendo esta guardada por Dementores. É nessa altura que Sirius entra na escola indo á torra dos Gryffindor só que é dado o alerta antes de ele conseguir “matar” Harry Potter.
No final do livro Harry salva Sirius que se revela seu padrinho e inocente, sendo o rato de Ron o pequeno Peter o culpado. Tanto Sirius como Peter são Animagus, podem transformar-se em animais. Lupin revela-se lobisomem e Sirius luta contra ele pela vida do seu afilhado e dos amigos inseparáveis de Potter.

Livro 4 – Cálice de Fogo

Mais um Verão em grande para Harry, desta vez ele assiste á final do mundo de Quiditch (desporto dos feiticeiros, praticado em cima de uma vassoura), na companhia dos seus amigos Ron e Hermione e dos restantes Weasleys. Depois da final existem grandes problemas causados por Devordadores da Morte (seguidores do Voldemort) que se juntaram (depois de terem bebido uns copos) e fizeram uma “festa”. A marca negra (símbolo deles) é lançada no ar, não era vista á mais de uma década.
Nesse ano realiza-se em Hogwarts o torneio dos feiticeiros, reune 3 escolas que competem pela taça, neste torneio serão 4 participantes visto que o Cálice de Fogo foi manipulado por um elemento das trevas e incluiu lá o nome de Harry. Ron zanga-se com Harry por este não lhe ter dito que ía participar, e era zanga-se com Ron por este não acreditar na sua inocência.
No final do ano Harry e Cedric Gregory vão ganhar ambos a taça, e quando agarram nela são transportados para um cemitério onde estão os restos mortais do pai de Voldemort. É nesse cemitério que Voldy renasce e trava um duelo com Harry a frente dos seus seguidores. Para felicidade de Harry ocorre um encantamento que une as duas varinhas (que foram compostas pela mesma pena de fénix) e que possiblita a Harry a fuga. Cedric morreu durante a estadia no cemitério e Harry conseguiu transportar o corpo dele de volta.
Quando chega a Hogwarts, Harry dá o alerta e nem quer acreditar, apenas Dumbledore, Sirius e alguns professores, bem como os seus amigos acreditaram nele.

Livro 5 – A ordem de Fénix

No ínicio da história Harry encontra-se sozinho, não recebe novidades do mundo exterior, nada surge de novo nos jornais de feiticeiros, nenhuma informação sobre Voldemort, e os amigos Ron e Hermione também não lhe enviam cartas.
Mas lá para o final do Verão Harry vai ser acompanhado por elementos da ordem de Fénix, até ao Quartel General da ordem. A ordem é um cojunto de feiticeiros que lutam contra o Voldemort, composta por Lupin, os pais e irmãos de Ron, Moddy o Olho Louco, entre outros. Neste livro Harry é julgado em tribunal por uso de magia na presença de Muggles, magia essa usada para salvar o seu primo de Dementores.
Durante o ano todo Harry é tido como um impostor e aldrabão, mas consegue com alguns alunos criar o Exército de Dumbledore, para lutar contra a Umbridge, professora malevola que faz Harry passar por diversos castigos.
No final do livro e durante os exames Harry sonha que Sirius está no poder de Voldemort e reune os amigos e voa até ao Min. da Magia para salvar Sirius. Afinal era apenas uma emboscada e Voldemort queria que os seus seguidores obrigassem Harry a pegar na premonição feita para ele e para Voldemort, pela professora de Artes Advinhatórias. A profecia parte, e rebenta um combate entre ordem de fénix e devoradores na morte, nessa luta Sirius acaba por morrer ás mãos da sua prima Bellatrix.
Também assistimos ao combate em pleno átrio do Ministério entre Voldemort e Dumbledore, acaba num empate quando se materializam os Aurores do Ministério, Voldemort desaparece.

Livro 6 – Principe Misterioso

Neste livro o Ministério da Magia já acredita que Voldemort está vivo e Harry é tido como um heroí nacional que pode salvar todos do Voldermot, Harry rejeita esse papel e entra em conflito como o novo ministro Ruffus.
Durante este livro Harry tem aulas particulares com Dumbledore onde vê os pensamentos deste sobre Voldemort, e a suposição de este ter criado Horcruxers. A única forma de matar Voldemort será destruir os Horcruxers, pedaços da alma do mesmo (são 7 embora alguns já estejam destruídos).
Harry apaixona-se por Ginny Weasley, e namora com ela embora Ron não goste lá muito disso.
No final do livro Malfoy consegue fazer com que os Devoradores da Morte entrem em Hogwarts e mais uma vez ocorre uma guerra entre os Devoradores e a Ordem, baixas desta guerra: Dumbledore.
Dumbledore é morto por Snape, personagem mais odiada de todos os tempos. E depois foge sendo perseguido por Harry que não o consegue apanhar.

Livro 7 – Harry Potter e os Talismãs da Morte

Neste livro assiste-se a uma guerra aberta entre Ordem de Fénix (enfraquecida) contra os Devoradores da morte. Harry é transportado por todos os da Ordem para o casamento de Bill e Fleur, a viagem é atribulada sendo atacados por Voldemort em pessoa mais os seus lacaios, Fred e Moddy Olho Louco morrem.
O casamento é também atacado, visto que o Ministério da Magia caiu e Harry e os amigos são obrigados a fugir.
Sozinhos procuram destruir todos os Horcruxers, dirigem-se a Hogwarts quando apenas faltam dois (ah antes disto o Ron chaetou-se com eles, foram apanhados pelos Devoradores, coisa pouca).
Conseguem destruir um, enquanto isso existe guerra aberta em Hogwarts, Devoradores da morte vs Exército de Dumbledore mais Ordem de Fénix.
Snape é morto por Voldemort, e revela-se afinal o bom da fita, quando Harry entra nas suas memórias e percebe que a morte de Dumbledore foi encenação.
Harry finge-se de morto quando Voldemort o tenta matar e o transporta para o castelo anunciado o fim da guerra. Neville Longbottom, matou o último talismã a cobra, e a guerra desencadeou-se outra vez.
Harry lá aparece lança um Expelliarmus e mata o Voldemort (foram precisas mais de 500 páginas para em 1 se resolver tudo, tristeza).
Este foi o livro que eu menos gostei, se fosse eu a escrever o final seria diferente, aliás muita coisa era diferente. Mas a mulher é milionária e eu não por isso parabéns para ela por esta saga fantástica que eu apesar de criticar o último adorei tudo e pronto.

6 – AS CRIANÇAS-ADULTOS

PEANUTS

Um elenco de pequenos neuróticos.

MAFALDA

É uma menina petulante, uma fonte inesgotável de perguntas sem respostas. Sem ser seu objetivo, cria constrangimento para seus pais com questionamentos inusitados e agudas observações sobre o mundo.

 

”Os contos retratam dramas íntimos de forma metafórica. O mundo mudou, mas tornar-se homem ou mulher, crescer e enfrentar a morte ainda são nossos problemas”

ÉPOCA – Por que Cinderela deu tanto trabalho a vocês?
Diana -
É uma história simples, mas que condensa níveis de significações. Pensar o fetichismo é incontornável, afinal ela é lembrada por seu pé delicado. Embora seja uma história ”de mulherzinha”, ela também é a chave para entendermos a erótica masculina: faz parte do desejo dos homens apegar-se a um traço, uma cor de cabelo, um pé bonito, um par de seios. Além disso, é uma princesa que tem seu lado ‘’sujo” de borralheira e sua aparência deslumbrante no baile. Sabe ser princesa e ”vagabunda”, como bem cabe ao jogo erótico. É ainda mestre no jogo da sedução, uma mascarada que encanta e foge. Sem falar nas rivalidades fraternas e na dupla face da mãe: a fada madrinha e a madrasta. Por isso agrada a tantos, mas foi um osso explicá-la.

”Contos como ‘Bicho Peludo’ foram esquecidos por seu conteúdo incestuoso. Há versões de ‘Pele-de-Asno’ em que o pai que quer casar com a filha virou tio”

ÉPOCA – Um exemplo de um conto de fadas que mudou para ser aceito…
Diana -
No fim do século XVII, Perrault contou uma Bela Adormecida que é deixada em seu castelo enfeitiçado com a criadagem, mas sem a companhia de seus pais, que devem se resignar com isso. O príncipe que a desperta se torna seu amante por dois anos. Só a assume após a morte do rei. Porém, do lado de fora do castelo da Bela, quem a espera é a sogra, uma ogra que tenta comer a nora e os dois netinhos, nascidos nos anos de concubinato. Pouco mais de um século depois, os irmãos Grimm construíram a versão que Disney consagrou: a família adormece toda junta, os pais não são superados dessa forma tão radical, o príncipe a desperta com um beijo e vivem felizes para sempre. Como se vê, faltam as partes mais picantes. A história fica mais adequada para o uso da família idealizada, na qual se faz de conta diante das crianças que o sexo não existe e a morte e a violência são ocultas ou amenizadas.

NO MUNDO DAS FADAS Mário se identificava com o Patinho Feio. Diana, com a Branca de Neve

ÉPOCA – Uma das transformações mais evidentes é a da mãe má que vira madrasta.Por que se torna necessária uma mãe idealizada?
Mário -
A família moderna é fruto de um grande investimento de educadores e moralistas. A Mãe – assim, com maiúscula – é uma invenção recente, iniciada em meados do século XVIII. Ela é representada como um ser maravilhoso, pura bondade, rainha do lar. Essa posição tem a vantagem de fazer parecer que nossa forma de organização social, a família nuclear, é algo da ordem natural. Os vínculos se originariam no dom de procriação feminino e se perpetuariam do lado de fora do ventre, com aconchego e dedicação. Nessa versão idealizada, a mãe nunca quer o mal e sempre aponta o melhor caminho para os filhos. O problema não é que tenham inventado semelhante anjo, mas que existam muitos seres humanos com filhos que se julgam assim: sem falhas, sem maldade, puro amor. Dessas santas é melhor manter distância, pois tanta pureza só pode ser mantida à custa de ignorar – e atuar – os impulsos e sentimentos mais inconfessáveis. Logo, todo cuidado é pouco com essa mãe. É claro que o mundo das fadas acompanhou o processo.

ÉPOCA – O que as histórias contemporâneas dizem sobre nós?
Mário -
O que o resto das produções culturais dizem. Estamos nos tornando mais individualistas, portanto com uma necessidade maior de diferenciar nosso destino do destino dos outros. Como já não há lugares prontos, é mais trabalhoso para cada um construir o seu. Harry Potter e sua orfandade é um bom exemplo disso. Todos somos como órfãos, pois não há muitas garantias do lugar que ocupamos, não sabemos bem o que significa a origem familiar que temos e, mesmo quando ela se impõe, preferimos fazer da vida uma versão pessoal. Precisamos sentir que estamos fundando o próprio destino. Como Peter Pan, gostaríamos de ser sempre jovens, como Pinóquio, gostaríamos de levar uma vida sem tantos fardos, de não pagar um preço tão alto por nossa estada no mundo. Como Dorothy, do Mágico de Oz, adoraríamos seguir acreditando que existe um pai que possa nos guiar neste mundo confuso. Além disso, gostaríamos de que o mundo fosse seguro como o é para o Ursinho Pooh. A questão é que todos eles têm suas expectativas frustradas: Potter tem de aprender muita coisa e está longe de ser um herói auto-suficiente, Pan não cresce, mas vai perder os amigos para a vida adulta, Pinóquio se resigna a estudar e trabalhar, enquanto Pooh tem suas ingenuidades expostas pelo dono, que o chama de ”velho urso bobinho”. Na verdade, as histórias infantis atuais não são muito alentadoras. Ao contrário dos contos de fada, elas não querem que as crianças se iludam muito com o que as espera adiante. São mágicas, mas também muito realistas…

QUANDO NIETZSCHE CHOROU

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QUANDO NIETZSCHE CHOROU

No último quartel do séc.XIX em Veneza, no café Sorrento, tem lugar um encontro entre o médico austríaco, Josef Breuer e a insinuante jovem russa Lou Salomé, que promoveu uma série de outros encontros entre aquele e Friederich Nietzsche.

Explicadas as motivações tecidas à volta de um triângulo amoroso entre si, Paul Reé e Nietzsche, e porque a humanidade não poderia arriscar-se a perder o seu mais promitente filósofo, Lou materializa a primeira entrevista deste com Breuer, por intermédio do amigo comum Overbeck, com vista à descoberta da origem do mal, que vinha atacando o filósofo, o qual, é mantido na ignorância desta sua diligência, por aquela saber o que este pensa das ajudas desinteressadas.

Horas de intensa observação deram a conhecer a Breuer a personalidade obstinada e orgulhosa de Nietzsche. Como tratar alguém que recusa ajuda? Porque recusa?

Gorado o acordo para o tratamento, despediram-se friamente. Mas uma recaída do filósofo retoma o contato com Breuer que lhe ouve, meio fora de si pela dor, um inesperado mas inconsciente pedido de ajuda. Aberta a brecha, Breuer avança, decidido a fazer Nietzsche dobrar-se às suas tentativas de penetração na sua, até então, inviolável psique.

Mantinha-se, no entanto, inexpugnável o filósofo a quaisquer intromissões na sua fortaleza interior. Sucedem-se diálogos de prospecção psíquica, tão duros como inteligentes que os conduzem a um acordo peculiar.

Acordam um tratamento recíproco. Breuer, autor da iniciativa, aceita como clínico tentar debelar as enxaquecas de Nietzsche, e este como médico da mente, aceita tratar Breuer.

Homem realizado na sociedade vienense, pela excelência da sua ciência e do seu profissionalismo, Breuer conquistou a fama pela descoberta da importância do ouvido interno para o equilíbrio.

Tendo aplicado o mesmerismo a Bertha, uma jovem lindíssima, sua paciente, com uma grave histeria, criou problemas pelo tempo passado junto da doente, que fizeram nascer em Mathilde, sua esposa, ciúmes inconvenientes. A passar dos quarenta anos, Breuer pergunta-se se era aquilo por que tinha lutado.

Um sonho que recorrentemente o perseguia, e de que já havia falado com o seu amigo Freud, curioso destas fitas cerebrais, piora a situação pelo que poderia significar.

Mas com Bertha afastada da sua vida Breuer sente começar a descer para um subterrâneo desconhecido.

A argúcia argumentativa de Nietzsche lhe pisa a estrutura familiar laboriosamente construída. E confronta-o, sem piedade, com a paternidade das escolhas assumidas. Então compreende!

Não havia sido Breuer a escolher o seu caminho. Sempre na esteira dos outros. A carreira, os amigos, o bem-estar, a mulher tinham-no moldado aos seus interesses. A sua genuinidade dormia sob o anestésico da sociedade. Sentiu um ferrão a rasgar o tórax. As escolhas não tinham sido suas. Foram eles que lhe apontaram os caminhos. E de repente tudo se desmorona.

Nietzsche médico das almas, cruel cirurgião da mente desperta-lhe a força da idiossincracia própria de um ser irrepetível e único, pelo que começa a sentir-se como o caçador caçado.

Equipado com as armas necessárias à superação de si, Nietzsche encaminha Breuer para um exercício de auto consciência, o qual, induzido por hipnose pelo seu amigo Freud, consegue figurar Bertha, na intimidade com um outro clínico, dessacralizando assim momentos considerados como possíveis unicamente consigo. Imagina-se, então, profundamente ridículo. A catarse funcionou. Breuer recuperou-se e tornando-se naquilo que é assumiu-se como autor do seu futuro. Viu-se separado de sua mulher e descobre-se, ao retornar da hipnose, apaixonada por ela e contente com a vida em comum.

Sorridente, afirma-se curado para desgosto de Nietzsche que assim perde mais um amigo.

Nietzsche, a maior parte do ano doente, acossado por doenças do foro psiquiátrico acompanhadas de graves manifestações somáticas, era um homem deprimido. A atravessar desertos de solidão. Uma solidão altiva, desejada, própria dos fortes. A sua imaginação febril, afetada pelo rompimento com Wagner, ficou fundamente abalada com as notícias da irmã Elizabeth sobre o que Lou fazia correr sobre ele na sociedade. A traição de novo a corroer-lhe as entranhas. Está condenado a viver só com o seu mal. Longe do mundo e dos homens.

Breuer sarado tinha de se ir embora. É quando se apercebe da íntima tristeza com que Nietzsche saudou a sua cura, e lembrando-se do pedido de ajuda, resolve fazer xeque mate ao mal do, agora, seu amigo. Sempre vencido nos diálogos mantidos com ele,não podia dispersar esta oportunidade única. Tal mostra de fragilidade seria a salvação dele. E sua também. Como clínico. Como amigo.

Se consigo Bertha foi a um tempo a origem da sua angústia, não teve dúvidas em eleger Lou Salomé como uma das grandes causadoras dos pesadelos, insônias e aflições de Nietzsche. Que finalmente se abre e denuncia um coração dilacerado, ao saber que aquela havia produzido, com ele Breuer, o mesmo comportamento insinuantemente provocador tal como, com ele, Nietzsche, que se julgava, no recesso do seu individualismo, senhor absoluto dos mimos de Lou Salomé.

Chamando então a si Freud e toda a sua ciência, a par de tudo o que com o filósofo aprendera, Breuer, impiedoso, liberta-o da solidão auto imposta, como sobrevivência num mundo imperfeito. Com a certeza e segurança da amizade entretecida na cumplicidade da dor, diluída pelo abraço que acede ao humano, demasiado humano. E que se torna menos mau sempre que um homem chora.

 
Foi com incrível rapidez que devorei esse exemplar, o que pode ser facilmente explicável em algumas colocações. O que falar de um livro que trata de um possível começo da psicanálise de forma séria e profunda? O que dizer de uma clarificação da personalidade de um dos mais cativantes e solitários filósofos do fim do século XIX? E o que dizer de um possível embate psicológico entre o Dr. Breuer (verdadeiramente um dos pais da psicanálise) e o poderoso e reservado Fiederich Nietzsche?

Sem criar estruturas narrativas complexas e diferentes esse livro faz o básico com incrível capacidade o que já é louvável por si só.

É com total cuidado que ele propõe possíveis diálogos entre os protagonistas, que existindo na vida real nunca se encontraram de fato. Refletem o peso de uma pesquisa cuidadosa de como eram, se comportavam e provavelmente agiam os personagens. Aplicando enxertos de cartas que realmente foram trocadas entre algumas pessoas como o grande compositor Wagner e a poderosa Lou Salomé, ele dá mais densidade e desconfiança da veracidade dos fatos, essa que só vamos descobrir ao ler os seus comentários no fim do livro.

NIETZSCHE

                                                   450pxFriedrich_Nietzsche_drawn_by_Hans_Olde

                                                                                    
Friedrich Nietzsche nasceu numa família luterana em 1844, sendo destinado a ser pastor como seu pai, que morreu jovem em 1849 aos 36 anos, junto com seu avô (também pastor luterano). Entretanto, Nietzsche perde a fé durante sua adolescência, e os seus estudos de filologia (ciência que estuda uma língua, literatura, cultura ou civilização sob uma visão histórica, a partir de documentos escritos) afastam-no da tentação teológica. Durante os seus estudos na universidade de Leipzig, a leitura de Schopenhauer e seu ateísmo (O Mundo como Vontade e Representação, 1818) vai constituir as premissas da sua vocação filosófica. Aluno brilhante, dotado de sólida formação clássica, Nietzsche é nomeado aos 25 anos professor de Filologia na universidade de Basiléia. Desenvolve durante dez anos a sua acuidade filosófica no contato com pensamento grego antigo – com predileção para os Pré-socráticos, em especial para Heráclito. Durante os seus anos de ensino, torna-se amigo de Richard Wagner. Em 1870, compromete-se como voluntário (enfermeiro) na guerra franco-prussiana. A experiência da violência e o sofrimento chocam-no profundamente.
 
Em 1879 seu estado de saúde obriga-o a deixar o posto de professor. Sua voz, inaudível, afasta os alunos. Começa então uma vida errante em busca de um clima favorável tanto para sua saúde como para seu pensamento.

Em 1882, ele encontra Paul Rée e Lou Andreas-Salomé, a quem pede em casamento. Ela recusa, após ter-lhe feito esperar sentimentos recíprocos. No mesmo ano, começa a escrever o Assim Falou Zaratustra. Nietzsche não cessa de escrever com um ritmo crescente. Este período termina brutalmente em 1889 com uma “crise de loucura” que, durando até à sua morte, coloca-o sob a tutela da sua mãe e sua irmã. No início desta loucura, Nietzsche encarna alternativamente as figuras míticas de Dionísio e Cristo, expressa em bizarras cartas, afundando depois em um silêncio quase completo até a sua morte. Uma lenda dizia que contraiu sífilis. Estudos recentes se inclinam antes para um câncer do cérebro, que eventualmente pode ter origem sifilítica.

 

Tentou explicar o insucesso de sua literatura, chegando a conclusão de que nascera póstumo, para os leitores do porvir. O sucesso de Nietzsche, entretanto, sobreveio quando um professor dinamarquês leu a sua obra Assim Falou Zaratustra e, por conseguinte, tratou de difundi-la, em 1888.

 O Dionisíaco e o Socrático
A filosofia ter-se-ia proposto como tarefa “julgar a vida”, opondo a ela valores pretensamente superiores, mediando-a por eles, impondo-lhes limites, condenando-a. Em lugar do filósofo-legislador, isto é, crítico de todos os valores estabelecidos e criador de novos, surgiu o filósofo metafísico. Essa degeneração, afirma Nietzsche, apareceu claramente com Sócrates, que “inventou” a metafísica, diz Nietzsche, fazendo da vida aquilo que deve ser julgado, medido, limitado, em nome de valores “superiores” como o Divino, o Verdadeiro, o Belo, o Bem. 

 
Obra

Os estudiosos em Nietzsche classificam a sua obra como uma crítica aos valores ocidentais, da tradição cristã e platônica. A sua proposta era o resgate de um super-homem criador, que ficasse além do bem e do mal.

Nietzsche considera o Cristianismo e o Budismo como “as duas religiões da decadência”,embora ele afirme haver uma grande diferença nessas duas concepções. O budismo para Nietzsche “é cem vezes mais realista que o cristianismo” (O anticristo). Se auto-entitula ateu.

Ele fez a filosofia virar algo perigoso. Os pensamentos de Nietzsche nos aconselham a viver perigosamente, pois Deus está definitivamente morto. Entre outras, Nietzsche nos recomenda a vitória como único remédio para nossas angústias.

Para ele, não há verdade a respeito das coisas, somente diferentes interpretações possíveis da realidade, e por isso tudo passa a ser possível. Cabe a cada um dos homens interpretar estas sugestões de interpretações. Nietzsche considera o homem do destino como aquele que é capaz de contradizer o que está estabelecido, e através desta atitude acredita ter algo de novo a anunciar,contradiz o espiritualismo e proclama a morte de Deus.

O autor acaba por superar o niilismo ( doutrina filosófica e política que nega, dentre outras coisas, toda subordinação ao estado, à igreja e à família. Baseia-se no pessimismo, na negação da ordem social estabelecida) ao desligar-se da idéia de que a existência seria uma fonte de sofrimento para o homem, como queria o cristianismo.

Friederich Nietzsche quis ser o grande “desmascarador” de todos os preconceitos e ilusões do gênero humano, aquele que ousa olhar, sem temor, aquilo que se esconde por trás de valores universalmente aceitos, por trás dos ideais que serviram de base para a civilização e nortearam o rumo dos acontecimentos históricos.

O homem libertado de qualquer vínculo, senhor de si mesmo e dos outros, o homem desprezador de qualquer verdade estabelecida ou por estabelecer e apto a se exprimir a vida, em todos os seus atos – era este não apenas o ideal apontado por Nietzsche para o futuro, mas a realidade que ele mesmo tentava personificar.

A figura de Nietzsche foi particularmente promovida na Alemanha Nazi, tendo sua irmã, simpatizante do regime hitleriano, fomentado esta associação. Em A minha luta, Hitler descreve-se como a encarnação do super-homem. A propaganda nazi colocava os soldados alemães na posição desse super-homem e o livro “Assim Falou Zaratustra” era dado a ler aos soldados na frente de batalha, para motivar o exército. Isto também já acontecera na Primeira Guerra . Todavia, Nietzsche era contra o movimento anti-semita.

Na sua obra vemos críticas bastante negativas a Kant, Wagner, Sócrates, Platão, Aristóteles, Martinho Lutero, à metafísica, ao utilitarismo, anti-semitismo, socialismo, anarquismo, fatalismo, teologia, cristianismo, budismo, à concepção de Deus, ao pessimismo, estoicismo, ao iluminismo e à democracia.

Suas Principais Obras Foram:
A Origem da Tragédia,
Humano demasiado humano,
Para Além do bem e do mal,
Assim falou Zaratustra,
A Genealogia da Moral,
O Crepúsculo dos Ídolos, e outros.

- nossa linha de pensamento nasceu com Sócrates – e Platão. Antes havia o pensamento grego arcaico, que era livre e colocava o homem submisso ao mundo, ao universo, ao que não se conhece; havia então várias interpretações e não uma só verdade. A partir de Sócrates é que se tentou criar uma verdade para nossas vidas e uma superioridade do homem sobre tudo. Hoje somos vítimas disso, tentando sempre alcançar essa superioridade que achamos que temos e viver segundo essa verdade que foi criada e da qual não conseguimos desviar e pensar diferente
- o que não me mata, me fortalece.
- o pior inimigo da verdade não são as mentiras, mas as convicções
- jamais alguém fez algo totalmente pelos outros, todas as ações são auto-dirigidas, todo amor é amor próprio
- torna-te quem tu és
- o cristianismo é o platonismo para o povo (pegou-se o que era um pensamento e transformou-se em religião: essa vida é ruim, o que vem depois é que é bom)
- a idéia de futuro tira o homem da vida
- o idealista tenta mudar o mundo através de sua teoria pré-concebida
- super-homem é o homem que se supera, que se inventa no presente ( e não fica buscando a razão ou a culpa das coisas na religião, no passado, no futuro ou em outras pessoas)
- Nietzsche tem muita influência de Schopenhauer (o que indiretamente lhe dá influência do budismo)
- a idéia de culpa é judaico-cristã

 
Seu estilo é aforismático, escrito em trechos concisos, muitas vezes de uma só página, e dos quais são pinçadas máximas. Muitas de suas frases se tornaram famosas, sendo repetidas nos mais diversos contextos, gerando muitas distorções e confusões. Algumas delas:

“Deus está morto. Viva Perigosamente. Qual o melhor remédio? – Vitória!”.
“Há homens que já nascem póstumos.”
“O Evangelho morreu na cruz.”
“A diferença fundamental entre as duas religiões da decadência: o budismo não promete, mas assegura. O cristianismo promete tudo, mas não cumpre nada.”
“Quando se coloca o centro de gravidade da vida não na vida mas no “além” – no nada -, tira-se da vida o seu centro de gravidade.”
“Para ler o Novo Testamento é conveniente calçar luvas. Diante de tanta sujeira, tal atitude é necessária.”
“O cristianismo foi, até o momento, a maior desgraça da humanidade, por ter desprezado o Corpo.”
“A fé é querer ignorar tudo aquilo que é verdade.”
“As convicções são cárceres.”
“As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras.”
“Até os mais corajosos raramente têm a coragem para aquilo que realmente sabem.”
“Aquilo que não me destrói fortalece-me”
“Sem música, a vida seria um erro.”
“E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música.”
“A moralidade é o instinto do rebanho no indivíduo.”
“O idealista é incorrigível: se é expulso do seu céu, faz um ideal do seu inferno.”
“Em qualquer lugar onde encontro uma criatura viva, encontro desejo de poder.”
“Um político divide os seres humanos em duas classes: instrumentos e inimigos.”
“Quanto mais me elevo, menor eu pareço aos olhos de quem não sabe voar.”
“Se minhas loucuras tivessem explicaçoes, não seriam loucuras.”
“O Homem evolui dos macacos? é existem macacos!”
“Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal.”
“Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura.”
“Torna-te quem tu és!”
“O padre está mentindo.”
“Deus está morto mas o seu cadáver permanece insepulto.”

 

 

JOSEF BREUER
                                                             

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Médico e fisiologista austríaco, a quem se atribui a fundação da psicanálise.
O caso de Anna O.
Breuer descobriu, em 1880, que ele havia aliviado os sintomas de depressão e hipocondria (histeria) de uma paciente, Bertha Pappenheim, 21 anos, depois de induzi-la a recordar experiências traumatizantes sofridas por ela na infância. Para isso Breuer fez uso da hipnose e de um método novo, a terapia de conversa.

Por dois anos, o caso de Bertha fascinou Breuer e, a partir de certo momento, a própria Bertha o seduziu. Assim, além de inventar a terapia de conversa, Breuer descobriu também o principal problema desse método: os fenômenos que depois Sigmund Freud chamaria Transferência e Contra-transferência.

Breuer submeteu-a a hipnose e ela relatou casos de sua infância, essa recordação fazia que se sentisse bem após o transe hipnótico.

Após estimular a paciente a conversar sem rodeios, aos poucos ficou claro para Breuer que a hipnose poderia ser dispensada, caso o médico conduzisse a conversa habilmente, no sentido de provocar as recordações mais difíceis de serem trazidas à consciência. Aos poucos entendeu que os sintomas eram conexões simbólicas com recordações dolorosas – relacionadas à morte de seu pai – as quais ela revelou durante a terapia.

O interesse de Breuer por Bertha despertou a atenção de sua esposa e a crise matrimonial que isto deflagrou levou Breuer a interromper o relacionamento. Bertha então forçou um encontro íntimo por meio de um artifício: enviou um chamado ao terapeuta dizendo-se grávida e em estado de parto. Breuer atendeu ao falso apelo, mas com a decisão de se afastar dela definitivamente. No dia seguinte embarcou com sua mulher para uma viagem destinada a recondicionar o clima de afeição em sua vida conjugal.

 
Breuer e Freud
Dessa experiência Breuer concluiu que os sintomas neuróticos resultam de processos inconscientes e desaparecem quando esses processos se tornam conscientes. Chamou a esse processo Catarse. Breuer não quis continuar a prática terapêutica que havia descoberto nem publicou de imediato os resultados do tratamento de Bertha, porém ensinou seu método a Sigmund Freud. Quando Freud começou a usar o método de Breuer, ambos discutiam os casos dos pacientes de Freud, as técnicas e os resultados do tratamento. Em 1893 ambos publicaram em conjunto um artigo sobre o método desenvolvido, e dois anos depois fizeram o livro que marcou o início da teoria psicanalítica, ”Estudos sobre a histeria”. Esse livro é geralmente considerado o marco inicial da psicanálise, mas valeu a Breuer muitas críticas que o magoaram, feitas pelos colegas no meio médico vienense.

A parceria entre os dois analistas foi interrompida, devido a Breuer não aceitar o ponto de vista de Freud quanto a recordações infantis de sedução. Freud acreditava que as suas pacientes tinham sido realmente seduzidas quando crianças. Só mais tarde Freud reconheceu que Breuer estava certo ao contestar, quando dissera que essas memórias eram fantasias infantis. Os médicos chamados “Breuerianos,” continuaram a utilizar as técnicas originais de catarse desenvolvidas por Breuer sem adotar as modificações introduzidas por Freud.

 
SIGMUND FREUD

                                                      

                                                           Sigmund Freud   

 

Considerado o pai da psicanálise. Estudou medicina na Universidade de Viena e desde cedo se especializou em neurologia. Seus estudos foram os pioneiros acerca do inconsciente humano e suas motivações. Ele, durante muito tempo (de fins do século passado até início do nosso século), trabalhou na elaboração da psicanálise.

 

A Metodologia Freudiana
    A psicanálise é um método de tratamento para perturbações ou distúrbios nervosos ou psíquicos, ou seja, provenientes da psique; bastante diferente da hipnose ou do método catártico. A terapêutica pela catarse hipnótica deu excelentes resultados, não obstante as inevitáveis relações que se estabeleciam entre médico e paciente. Posteriores investigações levaram Freud a modificar essa técnica, substituindo a hipnose por um método de livre associação de idéias (psicanálise).

    O método psicanalítico de Sigmund Freud, consistia em estabelecer relações entre tudo aquilo que o paciente lhe mostrava, desde conversas, comentários feitos por ele, até os mais diversos sinais dados do inconsciente.

    O psicanalista deveria “quebrar” os vínculos, os tratos que fazemos ao nos comunicarmos uns com os outros. Ele não poderia ficar sentado ouvindo e compreendendo apenas aquilo que o seu paciente queria dizer conscientemente, mas perceber as entrelinhas daquilo que ele o diz. É o que se chama de quebra do acordo consensual. Há uma ruptura de campo, pois o analista não se restringe somente aos assuntos específicos, e sim ao todo, ao sentido geral.

    Freud sempre achou que existia um certo conflito entre os impulsos humanos e as regras que regem a sociedade. Muitas vezes, impulsos irracionais determinam nossos pensamentos, nossas ações e até mesmo nossos sonhos. Estes impulsos são capazes de trazer à tona necessidades básicas do ser humano que foram reprimidas, como por exemplo, o instinto sexual. Freud vai mostrar que estas necessidades vêm à tona disfarçadas de várias maneiras, e nós muitas vezes nem vamos ter consciência desses desejos, de tão reprimidos que estão.

    Freud ainda supõe, contrariando aqueles que dizem que a sexualidade só surge no início da puberdade, que existe uma sexualidade infantil, o que era um absurdo para a época. E muitos de nossos desejos sexuais foram reprimidos quando éramos crianças. Estes desejos e instintos, sensibilidade sensitiva que todos nós temos, são a parte inconsciente de nossa mente chamada id. É onde armazenamos tudo o que foi reprimido, todas as nossas necessidades insatisfeitas. “Princípio do prazer” é esta parte que existe em cada um de nós. Mas existe uma função reguladora deste “princípio do prazer”, que atua como uma censura ante aos nossos desejos, que é chamada de ego. Precisamos desta função reguladora para nos adaptarmos ao meio em que vivemos. Nós mesmos começamos a reprimir nossos próprios desejos, já que percebemos que não vamos poder realizar tudo o que quisermos. Vivemos em uma sociedade que é regida por leis morais, as quais tomamos consciência desde pequenos, quando somos educados. A consciência do que podemos ou não fazer, segundo as regras da sociedade em que vivemos é a parte da nossa mente denominada superego (princípio da realidade). O ego, vai se apresentar como o regulador entre o id e o superego, para que possamos conciliar nossos desejos com o que podemos moralmente fazer. O paciente neurótico nada mais é do que uma pessoa que despende energia demais na tentativa de banir de seu consciente tudo aquilo que o incomoda (reprimir), por ser moralmente inaceitável.

    A psicanálise se apoia sobre três pilares: a censura, o conteúdo psíquico dos instintos sexuais e o mecanismo de transferência. A censura é representada pelo superego, que inibe os instintos inconscientes para que eles não sejam exteriorizados. Nem sempre isso ocorre, pode ser que eles burlem a censura, por um processo de disfarce, manifestando-se assim com sintomas neuróticos. Existem diversas formas de exteriorizarmos nossos instintos inconscientes: os atos falhos, que podem revelar os segredos mais íntimos e os sonhos. Os atos falhos são ações inconscientes que estão em nosso cotidiano; são coisas que dizemos ou fazemos que um dia tínhamos reprimido. Por exemplo: certo dia, um bispo foi visitar a família de um pastor, que era pai de umas meninas adoráveis e muito comportadas.

Os instintos sexuais são os mais reprimidos , visto que a religião e a moral da sociedade concorrem para isso. Mas, é aí que o mecanismo de censura torna-se mais falho, permitindo assim que apareçam sintomas neuróticos. Explicando a sua teoria da sexualidade, Freud afirma que há sinais desta logo no início da vida extra uterina, constituindo a libido.

    A libido envolve do nascimento à puberdade, períodos de gradativa diferenciação sexual. A primeira fase é chamada de período inicial, onde a libido está direcionada para o próprio corpo, oral e analmente. A segunda fase, o período edipiano, que se caracteriza por uma fixação libidinal passageira entre os 4 e os 5 anos, também conhecida como “complexo de Édipo”, pelo qual a libido, já dirigida aos objetos do mundo exterior, fixa a sua atenção no genitor do sexo oposto, num sentido evidentemente incestuoso. Por fim o período de latência, iniciado logo após a fase edipiana, só irá terminar com a puberdade, quando então a libido toma direção sexual definida.

    Esses períodos ou fases são essenciais ao desenvolvimento do indivíduo, se ele as resolver bem será sadio, porém qualquer problema que porventura ele tiver em superá-las, certamente iniciará um processo de neurose.

    Último dos pilares da psicanálise, a transferência, é também uma arma, um trunfo usado pelos psicanalistas para ajudar no tratamento do paciente. Naturalmente, o paciente irá transferir para o analista as suas pulsões, positivas ou negativas, criando vínculos entre eles. O tratamento psicológico deve, então, ser entendido como uma reeducação do adulto, ou seja, uma correção de sua educação enquanto criança.

    Assim, Freud desenvolveu um método de tratamento que se pode igualar a uma “arqueologia da alma”, onde o psicanalista busca trazer à luz as experiências traumáticas passadas que provocaram os distúrbios psíquicos do paciente, fazendo com que assim, ele encontre a cura.

RICHARD WAGNER

Notabilizou-se pela criação da tetralogia “O anel dos Nibelungos”.
 
Wagner acreditava na criação de uma música nacional que, baseada nos mitos de origem do povo alemão e na criação da identidade coletiva, fosse capaz de educar e formar um novo homem, uma nova sociedade. Abertamente anti-semita, denunciou a “judaização” da arte moderna, conclamando por uma “guerra de libertação”. Talvez por isso tenha sido o compositor preferido de Hitler.

Influenciado pela filosofia de Schopenhauer, escreveu “Tristão e Isolda”(1857-59), inspirado no seu perdido amor por Mathilde, que causou sua separação de sua esposa Minna.

MEMÓRIAS DE UMA GUEIXA

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O romance é contado como se fosse o relato de Chiyo ao biógrafo, em primeira pessoa, desde a época em que era menina, filha de pescador que andava suja e descalça quando foi enviada a Kioto com a irmã mais velha. Por causa da cor dos olhos teve a sorte de ser aceita num okiya, enquanto a irmã foi entregue a um prostíbulo. A partir daí o autor conta a trajetória da garota até ela tornar-se uma das gueixas mais populares, superando a sua mestra Mameha e sua nêmesis Hatsumomo, adotando o nome Saiyuri. Outro enredo dentro da trajetória de Saiyuri conta a história de amor entre a gueixa e o presidente de uma indústria, que atravessou décadas.

            Sayuri morava na casa bêbada, com sua irmã e seus pais idosos.
            Um peixeiro rico da cidade, percebendo a morte iminente de sua mãe e a pobreza em que viviam, combina com seu pai a venda das filhas para um okiya para futuramente tornarem-se gueixas.
            Quando lá chegam, as donas, que as tratavam muito mal, só ficam com Sayuri, sua irmã acaba virando prostituta.
           A menina passa a ter aulas de artes para futuramente tornar-se aprendiz de gueixa.
           Um dia as irmãs se reencontram e combinam de fugir.
           Hatsumoto se encontrava com um rapaz, em um dos quartos da casa e Sayuri os encontra um dia por acaso. Ela fica brava e monta uma armadilha, dizendo que havia roubado seu broche e colocando dinheiro em seus bolsos e falando que ela pretendia fugir. Sayuri, por sua vez, conta do encontro amoroso. A mama confere a excitação de Hatsumoto e a proíbe de ver o rapaz, além de bater muito em Sayuri.
           Mais à noite a menina tenta fugir pelo telhado e cai. Como punição, ela deixa de ter aulas de artes e passará a ser uma simples criada.
           Abóbora, que era da mesma idade de Sayuri, passa a ter o status de irmã mais nova e vai seguir todos os passos de Hatsumoto.
           Um dia chega ao okiya Mameha (uma gueixa rival cujo kimono havia sido destruído por Hatsumoto) e pede para ser a irmã mais velha de Sayuri. Passam a ir juntas a todos os eventos. Em um deles encontram o presidente e Nobu, que logo se interesse pela novata.
           Hasumoto começa a tentar difamar a menina, perseguindo-as a todos os lugares.
           Chega o momento do misuage de Sayuri. Mameha prepara um plano para elevar seu preço. Simula um corte na perna para ela conheça um médico, além de fazer a oferta, entregando um bolinho (erótico) a Nobu. Porém, de uma hora pra outra o médico fica agressivo. Depois elas descobrem que é porque Hatsumoto havia lhe contado uma mentira de que a novata não seria mais virgem. Conseguindo tirar de Abóbora os fatos, esclarecem tudo. O maior lance é do Dr Carangueijo e ela bate o recorde de todas as outras gueixas. Isso abre os olhos de mama para ela.
 A partir de então resolve adotá-la. Ela passa a ocupar o lugar de Hatsumoto e Abóbora e as duas vão para seu quarto menor.
            Tempos depois passam a procurar por um danna. Acabam aceitando o General. Nobu fica ofendidíssimo, pois estava apaixonado por ela e a queria.
            Um dia, Hatsumoto encontra seu diário e a ameaça. Sayuri vai até seu quarto, encontra o broche que ela a havia ameaçado de roubar e toma o diário de volta. Conta tudo à mama, que expulsa Hatsumoto do okiya.
           Vem a guerra e os soldados fecham todos os okiyas. Nobu, apesar de tudo, consegue um abrigo para Sayuri. Seu danna já não estava mais com ela. Passa momentos muito difíceis.
           Anos depois, Nobu vai buscá-la e ela novamente se torna gueixa. Ela reecontra Abóbora e a convida para o evento da noite. Nobu lhe dá a entender que logo vai se tornar seu danna. Sayuri então planeja transar com um dos convidados e pedir a Abóbora que chame Nobu até o local para flagrá-la, só assim ele desistiria dela. Porém, quem Abóbora leva é o Presidente.
            Sayuri fica atordoada e pergunta por que ela havia feito aquilo. Abóbora diz que foi para se vingar pelo dia em que ela deixou de ser a adotada do okiya para dar lugar à Sayuri.
            Dias depois Nobu marca encontro com a menina. Ela, desesperada, pensa que ele nada ficara sabendo e que a informaria de que seria seu danna a partir de então. Porém, quem chega no local é o Presidente. Ele lhe diz que quando a flagrou, percebeu que seu destino não era com Nobu. Contou a ele o que tinha visto, que ficou furioso e disse nunca mais querer vê-la. Foi quando então ele decidiu procurá-la e declarar-se. Contou-lhe que fora ele que pedira a Mameha para torná-la gueixa, que sempre fora apaixonado por ela mas não podia dizer nada porque devia muito a seu amigo Nobu e sabia que ele estava apaixonado.
           Como o Presidente era casada mas só havia tido filhas, queria casar uma delas e fazer de seu genro seu sucessor nas empresas. Porém, Sayuri tinha tido um filho seu. O genro, imaginando que mais tarde poderia perder a sucessão para esse filho, desistiu de se casar.
            Como o Presidente e Sayuri viajavam bastante para os EUA, ela lhe deu a sugestão de permanecer morando lá, definitivamente, e abrir uma casa de chá. Assim, o caminho ficaria livre para seu genro. E assim, passou a ter uma casa de bastante sucesso em Nova Iorque.

- Os kimonos são decotados atrás para mostrar o pescoço, que para eles é como o bumbum para nós. Um trecho do pescoço é deixado propositalmente à mostra da maquiagem. Um truque que garante que efeito de sensualidade máxima aos olhos nipônicos
- O cabelo é repartido ao meio dando um formato de pêssego, que com um pedacinho de laço vermelho aparecendo, se tornava bem erótico.
- A única parte do corpo que mostram é o pulso, que ao oferecer o chá, acaba por se tornar bastante sensual
- A palavra gueixa significa artista. Elas não são prostitutas, mas também não são santas. Podemos compará-las àquelas mulheres que tem um namorado ou marido bem mais velho, somente para sustentá-las e dar vida boa. Não deixa de ser uma forma de se prostituir, mas não é escancarado. Assim, elas vendiam a virgindade (misuage), tinham um danna com quem deveriam transar se essa fosse a vontade dele, nadavam nuas à noite em uma piscina lotada de gueixas e homens e, eventualmente, poderiam transar com um ou outro por dinheiro.
- Lavam o cabelo uma vez por semana, pela dificuldade e sofrimento do penteado. Dormem com um aparador para a cabeça para não desarrumar os cabelos. Têm uma pessoa só para vesti-las, de tão complicado que é colocar o kimono.
- Calçam um altíssimo par de guetás (sandálias de madeira), em forma de trapézio, de 20 centímetros de altura. Devido ao formato, a área da sandália que toca o chão acaba sendo a metade da do pé, o que certamente obriga a maiko-san a um exercício constante de equilíbrio naqueles tronquinhos.
-  No início do século, havia cerca de 80 mil gueixas no Japão. Hoje, estima-se que sejam apenas dois mil. Ironicamente, a influência do Ocidente (que tanto fascínio tem pelas gueixas) é apontada como uma das causas do crescente desinteresse dos japoneses pelas suas antigas tradições.
- A  gueixa que deu a entrevista ao autor o está processando porque diz que haviam combinado de ele nunca revelar seu nome e só publicar a história depois de sua morte e de todos os homens citados. Porém, ele a cita nos agradecimentos. Ela diz também que ele não contou a verdadeira história e deu a entender que eram prostitutas. Ela lançou um livro contanto sua versão: Minha vida como gueixa.
- As gueixas não ciceroneiam apenas homens. Não é comum, mas há casos de famílias que as contratam para entreter crianças, ou como no meu caso, uma parente que veio de muito longe. Patrocinar a educação de uma gueixa é algo que confere status de “protetor das artes” entre os japoneses. Os que o fazem são constantemente cumprimentados com grande respeito, e vistas como pessoas ricas e cultas.

 

**A única característica da arte Kabuki, e talvez a mais significativa na conservação do invulgar espírito Kabuki é o fato de que não utiliza, absolutamente, qualquer atriz. Todos os papéis femininos são representados por elementos masculinos conhecidos como “onnagata”. Como foi mencionado acima, os atores do drama Kabuki, em seu estado primitivo, eram principalmente mulheres, e a maioria dos espectadores naquela época estava realmente mais interessada na beleza das atrizes do que nas suas representações no palco. Com a crescente popularidade do Kabuki, muitas das atrizes começaram a despertar atenção indevida dos admiradores masculinos. As autoridades compreenderam que tal situação acabaria com uma séria desmoralização do público e em 1629 foi oficialmente proibida a apresentação de mulheres em palcos teatrais.
           O filme é bem fiel.
           Muda a cena em que Hatsumoto lê o diário de Sayuri, o leva para seu quarto e Sayuri vai atrás, a ameaça e o consegue de volta. No filme ela encontra o lenço do presidente e põe fogo no okiya.
           O livro acaba com ela em Nova Iorque. O filme acaba quando o Presidente se declara, após flagrá-la com o Ministro.

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Editora JBC lança o livro Minha vida como gueixa – A Verdadeira História de Mineko Iwasaki, a gueixa mais famosa do Japão
“As gueixas não são prostitutas. Não vendem seu corpo, mas sua arte.” Esse é o principal recado que Mineko Iwasaki, a gueixa mais famosa do Japão, dá ao mundo. Sentindo-se ofendida pelo modo como seu universo foi retratado em Memórias de uma Gueixa, primeiramente no livro e agora com o filme, ela resolveu ir aos tribunais norte-americanos processar Arthur Golden, autor da história, por difamação, quebra de contrato e violação de direitos autorais. E mais: resolveu dar sua própria versão para os fatos, escrevendo como realmente vive uma gueixa. O resultado é “Minha vida como gueixa – a verdadeira história de Mineko Iwasaki”, pela Editora JBC. Além do texto rico em descrições detalhadas, o livro traz várias fotos históricas do universo das gueixas.

Tudo começou quando Arthur Golden pediu entrevistas a Iwasaki para escrever seu livro. Ela topou revelar um pedaço do misterioso e inacessível mundo das gueixas, com a condição de não ter a identidade revelada. Um menção ao seu primeiro nome nas páginas de agradecimento e as distorções de seu depoimento, no entanto, levaram Iwasaki a decidir contar sua própria história.

“Em três séculos de história das gueixas, jamais uma mulher veio a público contar detalhes de sua vida. Nós somos compelidas por regras implícitas a não fazê-lo em hipótese alguma”, conta Iwasaki, que foi muito criticada no Japão por revelar o universo das gueixas e sua intrincada relação com a elite da sociedade japonesa.

Em “Minha vida como uma gueixa”, Iwasaki revela desde o rigoroso treinamento das gueixas – que, no seu caso, incluiu até a sua adoção por um estabelecimento comercial, o que a tirou de sua família aos 3 anos -, até elas decidirem se aposentar. Durante sua carreira, Mineko conviveu com os homens mais ricos e poderosos do Japão e também personalidades mundiais como a rainha Elizabeth, o príncipe Charles, o diretor de cinema Elia Kazan, entre muitos outros nomes famosos que ela entreteu nas noites de Kyoto.

Mais que a biografia de uma gueixa, este livro é uma verdadeira aula sobre a cultura japonesa.

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GUEIXA

O recente sucesso do romance best seller “Memórias de uma Gueixa” de Arthur Golden e do filme baseado no livro causou muitos pedidos em nosso site por informações a respeito do assunto. Cristiane A. Sato, consultora do CULTURA JAPONESA, apresenta a seguir uma introdução a um dos aspectos mais fascinantes da sociedade japonesa: a gueixa.

GUEIXA, MUSA DO MUNDO FLUTUANTE

Muito se fala e se discute, principalmente no ocidente, sobre a figura e o papel da gueixa na sociedade japonesa. Na prática, poucos ocidentais, e mesmo japoneses, têm efetivamente contato com uma gueixa. Em público, elas só aparecem em poucas ocasiões, como no Jidai Matsuri (Festival das Eras), e na temporada de danças tradicionais Kamogawa Odori (Danças do Rio Kamo) que ocorrem em outubro, em Kyoto. Fora tais ocasiões, alguns sortudos turistas conseguem vê-las andando pelas ruas, nas raras ocasiões em que elas saem para ter aulas de dança, shamisen (cítara de três cordas tradicional) ou ikebana (arranjo floral), ou a caminho de um restaurante para entreter algum empresário ansioso em impressionar seus convidados. Ser servido ou entretido por uma gueixa, mesmo entre os japoneses, é privilégio de poucos.

Em 1904, o compositor italiano Giacomo Puccini criou a ópera “Madame Butterfly”. Inspirada num caso verídico, a ópera conta a trágica história de uma gueixa que se apaixona por um oficial americano em missão no Japão. Acreditando ser esposa de Pinkerton, ela tem um filho mestiço e passa a sofrer o preconceito dos japoneses. Ele é chamado de volta aos Estados Unidos, e acreditando nos democráticos valores com que seu amado descrevia o ocidente, Cho-cho aguarda seu regresso ao Japão na esperança de ir viver com ele e seu filho na América. Mas Pinkerton volta casado com uma americana e deixa Cho-cho, que acaba se matando. Até hoje extremamente popular, “Madame Butterfly” não apenas tornou Cho-cho a gueixa ficcional mais famosa do mundo, como também serviu de inspiração para filmes e outra peça de sucesso.

A ficção e diferenças culturais fizeram com que a idéia que o ocidente tem das gueixas seja distorcida, pouco correspondendo com a realidade. Muitos, principalmente os incultos, acham que uma gueixa nada mais é do que uma exótica prostituta de luxo – algo que choca os japoneses, que as consideram refinadas guardiãs das artes tradicionais. Para os japoneses, achar ou tratar uma gueixa como se ela fosse uma mera garota de programa é uma atitude que revela não só falta de critério, mas de cultura e “berço” de quem assim age. Na sociedade japonesa, a gueixa é objeto de admiração e respeito. Elas dão status aos lugares que vão e às pessoas com quem se relacionam – um status que é mais ligado à tradição que à moda.

Entender o que é, ou o que faz uma gueixa ser uma gueixa, é difícil para os que pouco conhecem o Japão, a história, a cultura e a sociedade do país. A existência da gueixa só pode ser compreendida no contexto japonês, assim como ela é produto do que o Japão foi e é.

DEFININDO O ESPAÇO DA GUEIXA

Em 1779, a gueixa foi reconhecida como praticante de uma profissão distinta da prostituição e foi criado o kenban, um tipo de cartório específico para registrar gueixas e fiscalizar o cumprimento das regras que a partir de então passaram a reger a profissão. Apenas gueixas registradas no kenban eram reconhecidas e tinham autorização para trabalhar. Algumas regras que as gueixas passaram a ter que seguir eram parecidas com as das prostitutas, como a obrigatoriedade de viver nas okiyas (casas de gueixas). Mas outras as diferenciaram das prostitutas. É importante observar que as prostitutas tinham prioridade em relação às gueixas na sociedade japonesa da época, pois a função e situação delas já estava definida há tempos. Assim, muitas das regras do kenban visavam limitar o que as gueixas podiam fazer.

Como artista, a gueixa tem a obrigatoriedade de ser versada em música, dança, canto e literatura – a prostituta não. A prostituta vestia-se com os quimonos mais brilhantes, estampados e extravagantes que tivesse – a gueixa foi proibida de usar tais quimonos e obrigada a ter um visual mais discreto. As prostitutas usavam até uma dúzia de kanzashis (grandes espetos decorativos para o cabelo, considerados jóias) e até três pentes de casco de tartaruga na cabeça – a gueixa foi limitada a três kanzashis e um pente. As gueixas foram proibidas de usar o obi amarrado na frente, que se tornou característico das prostitutas (como a prostituta vestia-se e despia-se várias vezes ao dia, era mais rápido e prático amarrar o obi na frente do que atrás). E as gueixas foram proibidas de dormir com os clientes das prostitutas.

Se uma prostituta acusasse uma gueixa de roubar seu cliente, o kenban fazia uma investigação, e se a gueixa fosse considerada culpada, ela podia ser suspensa ou expulsa da profissão. Para evitar que uma gueixa fugisse da casa de gueixas, ou caísse na tentação de dormir com um cliente das prostitutas, elas foram obrigadas a andar com a escolta de um homem de confiança da responsável pela okiya onde ela vivia.

As restrições do kenban moldaram não só a aparência, mas o que efetivamente a gueixa se tornou e é atualmente. Para ter condição de artista, as gueixas passaram a dedicar enorme tempo ao estudo e treinamento em artes, e passaram a ser valorizadas e remuneradas como entertainers. Proibidas de ter a aparência rica mas aperuada das prostitutas, as gueixas tornaram-se mestras da elegância, da beleza discreta e da sensualidade insinuada. Atrair os homens era, como ainda é, básico para elas formarem uma clientela, mas sexo não era, como ainda não é, a finalidade pela qual os japoneses contratavam uma gueixa – para isso existem as prostitutas. Diferentemente das prostitutas, gueixas podiam se recusar a ter sexo com um cliente, mas não se podia evitar que gueixas tivessem relacionamentos sexuais com seus próprios clientes (desde que não fosse cliente de uma prostituta, tudo bem). Com o tempo, a figura do homem de escolta foi substituída pelo camareiro – um profissional especializado em vestir gueixas.

Por volta de 1780 ainda haviam otoko-geisha, embora as mulheres fossem esmagadora maioria na profissão. No início do século XIX, gueixa era invariavelmente uma mulher.

GUEIXAS CHEGAM À MESA

Tocar, cantar, dançar e contar histórias para entreter os comensais num banquete. Essa era a principal atividade exercida pelas gueixas. Sentar-se à mesa e fazer companhia para os homens era algo que só as prostitutas faziam – mesmo porque elas queriam garantir que seus clientes quisessem sua companhia após o jantar. Mas aos poucos, os próprios clientes passaram a pedir que as gueixas também se sentassem à mesa. Educadas e cultas, as gueixas tornavam a conversação mais agradável e o tempo fluía mais rápido. Com as gueixas, os clientes conseguiam um tipo de relacionamento que não conseguiam ter com suas esposas, ou mesmo com as prostitutas. E nem sempre os homens que íam aos banquetes queriam fazer sexo depois de comer. Percebendo que muitos queriam apenas distrair-se, ou quando muito flertar, as gueixas descobriram seu público.

Para formar clientela própria, as gueixas passaram a evitar os bordéis e concentraram suas atividades em restaurantes e casas de chá, ou abriam suas próprias casas de chá. Por volta de 1840, uma gueixa chamada Haizen decidiu aprender um pequeno ofício que era executado até então somente por homens: servir saquê à mesa. Haizen passou fazer o mesmo, bem como fazer companhia à mesa aos convivas. Ela rapidamente tornou-se a gueixa mais requisitada de Kyoto e todas passaram a fazer o mesmo. Desde então, as gueixas vêm desempenhando o papel de anfitriãs em banquetes, servindo bebidas e conversando com as pessoas, além de dançar, cantar, contar histórias e fazer jogos de salão.

PRESTÍGIO E INFORTÚNIOS

As gueixas tornaram-se símbolo de uma invejável independência, que as demais mulheres no Japão de então não tinham. A partir da Restauração Meiji elas passaram a desfrutar de prestígio, tendo contato com os políticos mais influentes e os empresários mais bem-sucedidos, e de um estilo de vida glamuroso. O que elas usavam virava moda e eram imitadas por outras mulheres – o que fez com que os quimonos continuassem sendo usados pelas mulheres por mais tempo que os homens, que rapidamente adotaram o vestuário ocidental.

Gueixas viviam com luxo, freqüentavam festas, não faziam trabalhos domésticos nem cozinhavam, dedicavam-se à dança e à música, podiam ter vida sexual e não precisavam se casar. Aliás, o karyukai, o mundo da gueixa, era, como é até hoje, um mundo dominado pelas mulheres numa sociedade machista. Gueixas eram as “supermodels” da época. Tarõ Katsura, Primeiro-ministro do Japão de 1908 a 1911, assumiu uma gueixa, Okoi, como amante. O oligarca Kido Kõin casou-se com uma gueixa de Gion, Ikumatsu. Outro importante membro do governo foi mais além: o Ministro das Relações Exteriores, Barão Mutsu, casou-se duas vezes, e em ambas com gueixas. Ter uma gueixa como amante ou esposa tornou-se símbolo de status.

Se ter um rico e influente japonês como danna(“patrono”, amante de uma gueixa) ou marido assegurava à gueixa uma vida de conforto e prestígio, há entre as gueixas a idéia de que unir-se a um estrangeiro dá no oposto, podendo até terminar em tragédia. Tal crença é baseada na vida de algumas gueixas, que tornaram-se famosas por suas tristes histórias. A mais conhecida é a de Okichi, gueixa designada pelo xogunato para servir Townsend Harris, primeiro diplomata americano enviado ao Japão em 1856. Aparentemente ocorreu que Harris levou Okichi para sua casa em Shimoda, e com isso a gueixa entendeu que Harris a assumira como esposa, conforme os costumes japoneses da época. Harris, entretanto, sendo ocidental, sempre considerou Okichi uma mera cortesã, e mesmo tendo vivido anos com ela, sequer a mencionou em seus diários. Em 1862, Harris demitiu-se de seu posto e voltou para os Estados Unidos, abandonando Okichi, que cometeu suicídio. Até hoje, as gueixas de Shimoda prestam homenagem a Okichi, visitando seu túmulo. A história de Harris e Okichi inspirou Puccini a criar a ópera “Madame Butterfly”, e teve uma versão romanceada numa produção de Hollywood em 1958, “O Bárbaro e a Gueixa”, com John Wayne no papel de Harris.                          

BONS ANOS E TEMPOS DIFÍCEIS

Nas décadas de 1920 e 1930, o Japão passou por um período de grande prosperidade econômica. Políticos, industriais, banqueiros, empresários e a ascendente classe dos militares de alta patente tornaram-se assíduos e generosos clientes de gueixas, formando uma elite vista pela sociedade japonesa como mecenas das artes. O status que a gueixa tinha e dava aos clientes inspirava muitas mulheres a seguir a profissão, embora poucas efetivamente conseguissem entrar para o reservado mundo do karyukai. Mesmo assim, em 1920, haviam 80 mil gueixas registradas ainda nos moldes do kenban no Japão. Foi o auge da população de gueixas no país.

A demanda por gueixas era tão alta, que gerou práticas perversas. Casas de gueixas administradas por okaasans (“mães”, modo pelo qual as gueixas mais velhas administradoras das casas são chamadas)  gananciosas e interesseiras, tornaram-se senzalas douradas para meninas e adolescentes. Sempre lembradas do enorme investimento que representavam para a okiya, como se tivessem assinado uma dívida pelo resto da vida, as maikos eram exploradas pelas okaasans, que para sugar ao máximo seus ricos clientes criaram os chamados “leilões de virgindade”. Quando uma maiko chegava aos 16 anos, a okaasan contatava seus clientes e lhes oferecia a gueixa pela melhor oferta. Pouco interessava se a jovem concordava ou não com a transação, e fugir de nada adiantava. A deserção de uma gueixa era vista pela sociedade como um ato de traição à okiya – até os pais das gueixas as delatavam ou as mandavam de volta. Sabe-se que nos anos 30 a virgindade de uma maiko chegou ao valor recorde de 850 mil dólares. Mesmo criticados pela imprensa, por reduzir a nobre profissão da gueixa à condição da mera prostituição, os “leilões de virgindade” continuaram sendo cínicamente praticados até a 2ª Guerra Mundial. Com a ocupação americana, tal prática passou a ser considerada abusiva, e as okaasans, temendo o fechamento de suas casas, imediatamente aboliram os ditos “leilões”.

Se durante a Era Meiji as gueixas estavam na vanguarda da moda japonesa, a partir da década de 20 elas passaram a sofrer concorrência com o constante aumento da ocidentalização dos costumes no país. Em plena Era do Jazz e das melindrosas, bares à ocidental tornaram-se extremamente populares pelo Japão e surgiram as jokyûs (garotas de cafés): moças que vestiam kimonos de uso cotidiano com aventais ou à ocidental, e que serviam de garçonetes e de acompanhantes para os clientes – as precursoras das atuais “bar hostesses”. Para se distinguir das jokyûs, as gueixas decidiram não se “modernizar”, e assumiram definitivamente o papel de praticantes do tradicional. Desde então, modismos ocidentalizados passaram a ser desprezados pelas gueixas. A imagem de personificações da tradição fez a atividade das gueixas prosperar nas décadas de 20 e 30, período em que o nacionalismo exacerbado foi extremamente alimentado pelo governo no Japão, e tudo aquilo que representava “tradição” era valorizado.

Nos anos 40, à medida em que o Japão mergulhava na 2ª Guerra e aumentava a escassez de produtos básicos e alimentos, as gueixas continuavam com seu trabalho e estilo de vida glamuroso – as okiyas mais prósperas eram justo as que tinham como clientes empresários ligados ao governo e membros dos altos escalões militares. Isto certamente contrastava com a austeridade e os sacrifícios impostos ao resto da população civil, conclamada ao esforço de guerra “pela pátria e pelo Imperador”. De súbito, em 1944, o governo determinou o fechamento de casas de chá e de bares, e proibiu as gueixas de trabalhar como gueixas. Todas as mulheres – inclusive as gueixas – tiveram que ir trabalhar nas fábricas pelo esforço de guerra. Esta situação durou até outubro de 1945, quando o governo de ocupação americano autorizou a reabertura das casas de gueixas.

O período do governo de ocupação americano (1945 – 1952) trouxe uma série de novos desafios para a gueixa. A derrota na guerra causou, além da falência das instituições, a falência de boa parte dos clientes das gueixas. Uma nova clientela teve de ser conquistada, e elas procuraram os oficiais americanos. Se antes as gueixas desprezavam tudo que representava o ocidente, agora elas procuravam aprender inglês e músicas americanas. O choque de culturas foi inevitável, e chegou a ser objeto de filmes produzidos em Hollywood nos anos 50, como “A Casa de Chá do Luar de Agosto”. Mas o problema maior ocorreu entre os soldados e militares de baixa patente. Ao saber que gueixas compareciam às recepções e jantares dos oficiais, sem presenciar ou entender o que as gueixas exatamente faziam em tais ocasiões, soldados americanos passaram a achar que “gueixa” significava “prostituta” em japonês, e quando saíam à procura de mulheres – que nada mais eram que moças comuns famintas tentando sobreviver no caos do pós-guerra – perguntavam se elas eram uma “guíxa” (a pronúncia que usavam para “geisha“). Como normalmente a resposta era um aceno afirmativo com a cabeça, os soldados passaram a acreditar que as garotas que arranjavam eram “guíxas”, e com isso tornou-se popular no ocidente a idéia de que gueixas eram simples prostitutas com aparência exótica.

Embora o governo de ocupação tivesse promulgado uma nova Constituição para o Japão em 1947, os americanos mantiveram em vigor as antigas regras da prostituição legalizada, com bordéis oficiais para os soldados. Embora tais estabelecimentos nada tivessem a ver com as okiyas e as casas de chá, os soldados logo as apelidaram de “guíxa houses”. A prostituição no Japão deixou de ser legalizada em 1952, ao final do governo de ocupação. A atividade da gueixa quase se extinguiu neste período difícil, mas sobreviveu. Sua imagem, entretanto, foi manchada pelo choque cultural. Se no passado as prostitutas no Japão se esforçaram para não ser confundidas com as gueixas, desde o período da ocupação as prostitutas passaram a querer ser confundidas com gueixas.

Uma nova fase de prosperidade se iniciou no Japão a partir de 1953, que culminou na atual condição de 2ª maior economia do mundo. Cultivando tradições, a gueixa se permitiu algumas modernidades, como falar inglês e entreter estrangeiros. E para desfazer a equivocada imagem que o ocidente tinha das gueixas, o governo passou a chamá-las para ciceronear e entreter personalidades estrangeiras em visitas oficiais ao Japão, como a Rainha Elizabeth II e o Príncipe Charles da Inglaterra, o Rei Hussein e a Rainha Aliya da Jordânia e o Presidente Gerald Ford – o primeiro presidente americano a visitar o Japão após a 2ª Guerra.

A GUEIXA MODERNA

Ser uma gueixa é mais do que uma mera profissão. É um estilo de vida que exige total e absoluta dedicação. É aceitar acima de tudo que será uma vida de servidão, que eventualmente terá grandes recompensas. Como tudo no Japão, ser gueixa é também um caminho a ser percorrido pelo resto da vida.

Há poucas décadas atrás, era comum meninas de 8 a 14 anos serem adotadas por okiyas – até mesmo vendidas pelas famílias às casas, prática que foi proibida após a 2ª Guerra. Uma lei determinando que o segundo grau completo é requisito obrigatório para os que se candidatam a uma profissão no Japão, fez com que as casas de gueixa passassem a aceitar meninas só a partir dos 17 anos de idade. Se por um lado pegar crianças para treinar como gueixas tem o benefício de dispor de mais tempo para uma educação mais cuidadosa, por outro lado é óbvio que uma criança não tem como escolher se aquilo que ela está sendo educada para fazer é aquilo que ela efetivamente quer fazer pelo resto da vida. Com tantas oportunidades que existem para a mulher na moderna sociedade japonesa, a deserção de gueixas de okiyas que investiram em seu treinamento e sustento tornou-se relativamente freqüente. Cada gueixa que deserta deixa um prejuízo considerável para a casa que a recebeu (calcula-se que o valor mínimo gasto com a educação e quiminos de uma gueixa é de 500 mil dólares). Jovens um pouco mais maduras, que decidem tornar-se gueixas por opção, tornaram-se mais interessantes para as casas.

O treinamento básico de uma jovem gueixa dura no mínimo 5 anos. As jovens gueixas aprendizes são chamadas maiko (mulher da dança). Enquanto aprendizes elas dedicarão seus dias a aulas de dança, canto, música, literatura, e na prática de uma etiqueta que mudará seus modos, gestos, até a linguagem corporal, para alcançar o padrão de elegância que se espera de uma gueixa. À noite, ela irá a festas e banquetes para entreter os convidados e observar atentamente as gueixas experientes, para aprender como agir e se portar vendo o exemplo delas. A esta prática dá-se o nome de minarai (aprender vendo). Em média, paga-se de 500 a mil dólares por hora por gueixa, sendo que nunca uma gueixa vai sozinha. Quando se “contrata uma gueixa”, contrata-se no mínimo duas.

Ter namorados ou relacionamento sexual com clientes nesta fase está fora de questão. No passado, em tempos em que as gueixas eram virtuais escravas da casa, houve até a iniciação sexual de maikos através de “leilões de virgindade”, praticados por okaasans tiranas e gananciosas. Tal prática foi abolida após a 2ª Guerra. Hoje, com direitos garantidos e várias opções de carreira profissional para as mulheres, nenhuma gueixa pode ser obrigada a permanecer numa okiya ou numa atividade contra sua vontade. Para evitar prejuízos com uma desistência e garantir a continuidade de suas okiyas, as atuais okaasans procuram tratar bem suas maikos e geikos. Sinal dos tempos.

Duas cerimônias marcam a passagem de gueixa adolescente para gueixa mulher. Por volta dos 18 anos ocorre a cerimônia do mizu-age (subida das águas), no qual uma maiko muda de penteado 5 vezes e, se quiser, perde a virgindade com um de seus clientes. Trata-se de um rito de passagem pelo qual a jovem gueixa passa a ser reconhecida como mulher, e ela passa a receber tanto propostas de casamento de clientes (sendo que ao se casar ela deixa de ser gueixa), como propostas para tornar-se amante de um deles (caso no qual ela pode tornar-se independente da casa à qual pertence mas continuar trabalhando como gueixa). Ser virgem aos 18 anos em tempos como os de hoje, nos quais adolescentes de 15 têm mais experiência no assunto que as maikos, é algo que deixa admirados os que têm na mente a idéia estereotipada da gueixa como uma expert no “Kama Sutra”.

Quando suas habilidades já são consideradas suficientemente maduras, a jovem gueixa ganha o status de geiko (mulher da arte), o que atualmente ocorre entre 20 e 23 anos de idade. Enquanto maiko, a gueixa usa quimonos com cauda e obi largo em cascata nas costas, sempre com colarinho estampado ou colorido, maquiagem ultra-branca e o grande penteado com pente de casco de tartaruga, flores e pingentes metálicos. Ao se tornar uma geiko, ela passa a usar colarinho branco, quimonos mais discretos e penteados mais simples, ganhando uma aparência mais adulta e mais elegante. A cerimônia na qual uma gueixa aprendiz passa a ser considerada uma gueixa experiente chama-se erikae (mudança de colarinho). Isso também implica em novas responsabilidades para a geiko em relação à okiya, bem como manter-se um exemplo para as demais gueixas e auxiliar as mais jovens em seu aprendizado. As aulas de literatura, etiqueta, música, canto, dança e arranjo floral, entretanto, continuam até os 40 anos de idade. Atualmente, aulas de inglês também fazem parte do currículo.

Esta foi uma breve descrição de como são formadas as gueixas mais refinadas e caras do Japão, como as das casas de gueixas de Gion e Pontochõ em Kyoto, e de Akasaka em Tóquio. Existem também as onsen geisha (gueixas de termas), que apesar do nome são prostitutas que adotam só a aparência e se valem da fama das gueixas. São falsas gueixas que se apresentam durante o dia em teatros baratos nas cidades turísticas onde há termas, e fazem de programas com turistas à noite sua principal fonte de renda. Usam perucas e quimonos teatrais, bons o suficiente para iludir os que nunca viram uma gueixa de verdade (que são muitos, mesmo entre os japoneses), mas nada possuem da postura e das maneiras elegantes características da verdadeira gueixa. Não se pode esperar de uma onsen geisha, portanto, a capacidade de guardar segredos ou de ser discreta, como fazem as verdadeiras gueixas.

Que o diga o ex-Primeiro-ministro Sõsuke Unõ. Em junho de 1989, ao alcançar o posto máximo que um político pode almejar na carreira no Japão, Unõ tornou-se centro de um escândalo quando sua amante gueixa foi à mídia para revelar o caso e acusá-lo de avareza e arrogância. Tamanha foi a repercussão negativa, que Unõ teve que se demitir após somente dois meses no cargo. Por ter quebrado a regra nº 1 das gueixas – o voto de segredo – a comunidade das gueixas entendeu que a amante de Unõ sequer fosse uma gueixa. Quando muito, uma prostituta que se passava por gueixa. Gueixa ou não, o caso Unõ demonstrou que houve uma grande mudança de valores sociais no Japão, pois a relação extra-conjugal de um político com uma gueixa, algo que há muito tempo era aceito com naturalidade, deixou de sê-lo. As esposas japonesas, que hoje são também eleitoras, deixaram de ser tão complacentes e tolerantes com as amantes de seus maridos. A opinião pública masculina, por sua vez, achou que Unõ errou ao querer ter uma amante gueixa sem ter condições financeiras para tanto, ou seja, queria aparentar um status que não tinha condições de manter.  

FUTURO INCERTO

Gueixas podem se casar, mas ao se casar deixam de ser gueixas. É comum elas se casarem com filhos ou netos de seus clientes – os próprios clientes normalmente se propõem a arranjar tais uniões. Mas via de regra, o marido japonês prefere que sua esposa não trabalhe fora, dedicando-se exclusivamente ao lar. Para uma mulher criada para dançar, tocar música, e acostumada a um estilo de vida de festas e quimonos caros, o papel de esposa confinada em casa é difícil de assimilar. Por isso, ao invés do casamento, muitas gueixas preferem permanecer solteiras e viver na okiya, dedicando-se ao karyukai até a morte. Ou, com sorte, arranjar um bom e rico danna.

Danna em japonês significa “patrono”, mas no meio das gueixas designa um cliente que decide assumir uma gueixa como amante exclusiva. Normalmente os clientes de gueixas costumam ser bem mais velhos que elas – na meia-idade ou já na terceira idade, pois é em tal faixa etária que os homens alcançam o sucesso pessoal e financeiro. Quando um deles quer que uma determinada gueixa seja sua amante, ele deve negociar isso com a okaasan. Além de uma quantia a título de compensação à okiya pela educação e hospedagem da gueixa (algo que envolve algumas dezenas de milhares de dólares), a okaasan faz algumas exigências pela gueixa, para garantir que ela tenha um padrão de vida condizente com o que está acostumada, como uma casa ou apartamento próprio e uma mesada. Se o danna concordar com as exigências, e a gueixa aceitá-lo e estiver satisfeita com as condições, a gueixa torna-se independente. Mamika, famosa e refinada gueixa de Gion nos anos 90, revelou em entrevista para um documentário da tevê norte-americana que além de um confortável apartamento em Kyoto e uma mesada de 8 mil dólares, seu danna ainda lhe deu um título de sócia de um exclusivo clube de golfe e permitiu que ela continuasse atuando como gueixa. Mas quem é o seu danna, ela não revelou e nem deu pistas.

Manter segredo sobre seu danna e fidelidade a ele são considerados deveres da gueixa. Se ela faltar com tais deveres, a comunidade a isolará, o que tornará impossível que ela continue trabalhando como gueixa. Há, obviamente, muitas vantagens em ter um danna, mas o lado obscuro disso é que a gueixa pode ficar para sempre presa a alguém que não ama.

Talvez esteja neste ponto o valor da gueixa, e o que fará ela sobreviver: a raridade, a exclusividade, e a personificação daquilo que há de belo na alma do Japão. Dificuldades existem, mas certamente há futuro para a tradição da gueixa.

PARA SABER MAIS SOBRE GUEIXAS

O site Cultura Japonesa recomenda o livro GEISHA, de Liza Dalby. Em 1975, quando era estudante de antropologia, Dalby conseguiu o que nenhuma outra ocidental conseguiu até hoje: foi aceita como aprendiz em uma das mais tradicionais casas de gueixas de Pontochõ, um dos também tradicionais bairros de gueixas de Kyoto. Durante um ano, ela viveu entre gueixas como uma gueixa, para conhecer a fundo e compreender um mundo do qual o segredo é parte do estilo de vida.

Outro ótimo livro é MinhVida como Gueixa, de Mineko Iwasaki. A autora, ainda criança foi adotada pela renomada e tradicional casa de gueixas Iwasaki do bairro de Gion em Kyoto, e educada para ser a atatori – a gueixa herdeira e sucessora da casa. Rebatizada de Mineko Iwasaki, nos anos 70 ela alcançou fama e reconhecimento como a mais talentosa gueixa de sua geração, chocando a comunidade ao decidir aposentar-se no auge da carreira, aos 29 anos, para ter sua própria vida. Memórias de uma gueixa da vida real, Iwasaki escreveu esta auto-biografia em 2002.

A CASA DAS SETE MULHERES

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As sete mulheres que intitulam a obra seriam irmã, mulher, filhas e sobrinhas de Bento Gonçalves. Não há um fidelidade aos fatos históricos, por isto é ficção baseada em fatos históricos, mas há uma busca em demonstrar como era a realidade das mulheres em meados do século XIX, nos confins meridionais do Brasil, e ainda por cima, em meio a uma guerra que durou 10 anos.

A história se passa no Brasil do século XIX, tendo como cenário o Rio Grande do Sul. Narra a vida de sete mulheres da família de Bento Gonçalves, general e chefe da Revolução Farroupilha: sua mulher, Caetana; as irmãs Ana Joaquina e Maria; a filha Perpétua; e as sobrinhas Manuela, Rosário e Mariana. Bento pretendia a república, a abolição da escravatura e a independência do Rio Grande do Sul, e enquanto isso, as sete corajosas e determinadas mulheres ficavam confinadas numa estância no interior do Rio Grande do Sul, enquanto seus homens participavam da guerra, entre 1835 e 1845. Coragem e desbravamento não faltaram a elas.

 

Dona Ana – foi a primeira a perder o marido, que voltou para casa com a perna gangrenada e não resistiu.

Dona Maria foi a segunda, que soube da morte do marido em batalha.

Dona Antonia, ao final, acolheu a sobrinha Mariana, que engravidou de um peão (que teve a mão amputada em batalha) e morou com ele em sua fazenda, já que sua mãe Maria não aceitou a situação.

Rosário, enloqueceu amando um fantasma que pensava que lhe aparecia sempre que o chamava. A família a mandou para um convento para que se recuperasse. Depois de um tempo se matou cravando uma espada antiga do peito (espada essa que não existia no convento !!!)

Manuela, já que não pode ter seu Giuseppe Garibaldi, viveu solteira em seus últimos dias, de volta à casa, na companhia da mãe Maria e do pai Bento.

Perpétua viveu feliz com seu marido Inacio e os dois filhos.

Bento Gonçalves, depois de quase 10 anos de guerra (1835/1845), voltou para casa, derrotado, e morreu dois anos depois, de problemas no pulmão.

Giuseppe Garibaldi e sua Anita desistiram da guerra um pouco antes do final e foram para o Uruguai. Posteriormente voltou para a Itália.

Ator  ↓ Personagem  ↓
Thiago Lacerda Giuseppe Garibaldi
Giovanna Antonelli Anita Garibaldi
Luis Mello Bento Manuel
Werner Schünemann Bento Gonçalves
Eliane Giardini Dona Caetana
Daniela Escobar Perpétua
Bete Mendes Dona Ana
Nivea Maria Dona Maria
Camila Morgado Manuela
Mariana Ximenes Rosário
Samara Felippo Mariana

 

A Revolução Farroupilha (1835-1845) – Rio Grande do Sul

     A revolução Farroupilha, também chamada de Guerra dos Farrapos, explodiu no Rio Grande do Sul e foi a mais longa revolta brasileira. Durou dez anos (1835 a 1845).
     Os problemas econômicos dos classes dominantes estão entre as principais causas da Revolução Farroupilha.
     O Rio Grande do Sul tinha uma economia baseada na criação de gado e vivia, sobretudo, da produção do charque (carne seca). O charque era vendido nas diversas províncias brasileiras (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e na região nordeste), pois era muito utilizado na alimentação dos escravos.
     Os produtores gaúchos, donos de imensas estâncias (fazendas de gado), reclamavam duramente do governo do império contra a concorrência que sofria do Uruguai e da Argentina, países que também produziam e vendiam charque para as províncias brasileiras. Como as impostos de importação eram baixos, os produtos importados pelo Uruguai e da Argentina chegaram a custar menos que a carne do Rio Grande do Sul. A concorrência estava arruinando a economia gaúcha.      Os poderosos estancieiros gaúchos queriam que o governo do império protegesse a pecuária do Rio Grande e dificultasse a entrada do charque argentino e uruguaio no Brasil. 
     Essa mesma elite de grandes estancieiros também brigava com o governo do império por uma maior liberdade administrativa para o Rio Grande do Sul. 
      Entre os principais líderes do farroupilhas destacaram-se Bento Gonçalves, Davi Canabarro e José Garibaldi. 
  
      Em 1835, Bento Gonçalves comandou as tropas farroupilhas que dominaram Porto Alegre, capital da província. O governo do império reagiu energicamente, mas não teve forças suficientes para derrubar os farroupilhas. A rebelião expandiu-se e, em 1836, fudou a República Rio Grandense, também chamada República de Piratini.
     O momento máximo da expansão do movimento farroupilha deu-se em 1839, com a conquista de Santa Catarina e a fundação da República Juliana, sob o comando de Davi Canabarro e Garibaldi.
     A revolução Farroupilha só foi contida a partir de 1842, por meio da ação militar de Luís Alves de Lima e Silva, futuro duque de Caxias. Além da ação militar, Caxias procurou entrar em acordo com os líderes farroupilhas.
     No dia 1º. De março de 1845, já durante o Segundo Reinado, celebrou-se o acordo de paz entre as tropas imperiais (comandadas por Caxias) e as forças farroupilhas.       O acordo de paz assegurava vantagens básicas exigidas pelos poderosos fazendeiros gaúchos. O direito de propriedade era garantido. Os revoltosos não seriam punidos e receberiam a anistia (perdão) do império. Além disso, os soldados e oficiais do exército farroupilha seriam incorporados ao exército imperial, ocupando postos militares equivalentes. Os escravos fugitivos que lutavam ao lado dos farroupilhas teriam o direito á liberdade. Esta medida,entretanto, beneficiou pouco mais que uma centena de negros(a maioria tinha morrido durante as lutas). 

Bento Gonçalves

Em 1829, pelos serviços prestados na campanha de 1825-1828 e que terminou com a independência do Uruguai, D. Pedro I nomeou Bento Gonçalves coronel de estado-maior, confiando-lhe o comando do 4° Regimento de Cavalaria.

Em 1832 Bento foi indicado para um dos postos de maior influência que havia na província, o de comandante da Guarda Nacional do Rio Grande do Sul. Isto lhe dava uma posição estratégica, que soube utilizar quando da Revolução Farroupilha: sob seu comando estavam todos os corpos da Guarda Nacional.

Exerceu o comando das tropas revolucionárias da Revolução Farroupilha até  1836, quando foi preso em combate. Mas, além do apoio farroupilha, Bento contava com o da Maçonaria, de que fazia parte. Essa organização iria lhe facilitar a fuga da prisão, em setembro de 1837. Fingindo que ia tomar um banho de mar, Bento começou a nadar em frente ao forte até que, aproveitando um descuido de seus guardas, fugiu – a nado – em direção a um barco que estava à sua espera.

Em novembro ele regressou ao Rio Grande, quando tomou posse do cargo para o qual havia sido eleito de presidente da República do Rio Grande. Imediatamente, passou a presidência ao seu vice, José Mariano de Mattos, para poder comandar o exército farroupilha.

A partir de então, sua vida seriam os combates e campanhas, embora se mantivesse como presidente. Em 1843, entretanto, resolveu renunciar ao cargo, desgostoso com as divergências que começavam a surgir entre os farrapos. Passou a presidência a José Gomes de Vasconcelos Jardim, e o comando do exército a David Canabarro, assumindo apenas um comando de tropas.

As divisões entre os revolucionários terminaram por resultar em um desagradável episódio. Informado que Onofre Pires, um outro líder farrapo e seu primo, fazia-lhe acusações, dizendo inclusive que era ladrão, Bento o desafiou para um duelo, no início de 1844. Onofre Pires foi ferido, e morreu dias depois devido a uma gangrena.

Embora tenha iniciado as negociações de paz com Caxias, em agosto de 1844, Bento não iria concluí-las. O clima de divisão entre os farrapos continuava, e ele foi afastado das negociações pelo grupo que se lhe opunha. Desligou-se, então, definitivamente da vida pública. Passou os dois anos seguintes em sua estância, onde morreu de pleurisia.

 

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