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Archive for novembro \30\UTC 2008

1492

conquista

Vinte anos da vida de Colombo, desde quando se convenceu de que o mundo era redondo, passando pelo empenho em conseguir apoio financeiro da Coroa Espanhola para sua expedição, o descobrimento em si da América, o desastroso comportamento que os europeus tiveram com os habitantes do Novo Mundo (um deles corta a mão de um índio pq não havia conseguido ouro, com o que os índios se rebelam, matando vários espanhóis) e a luta de Colombo para colonizar um continente que ele descobriu por acaso, além de sua decadência na velhice (morreu sem reconhecimento, porque preferiram engrandecer Americo Vespucio, já que Colombo prometera riqueza e ouro e não levou nada disso).

CONTEXTO 

A viagem de Cristóvão Colombo, que acreditava ser possível atingir “el levante por el poniente”, ou seja, o Oriente navegando para o Ocidente, é o cenário épico desse filme de Ridley Scott.
A odisséia de Colombo está presente no filme através do cotidiano desgastante, dos motins da tripulação e de toda incerteza que cercava uma expedição daquela época quanto ao rumo e ao prosseguimento da viagem.
Sem apoio financeiro de Portugal, a maior potência da época, Colombo dirigiu-se à Espanha e associou-se aos irmãos Pinzon, recebendo ainda uma ajuda dos reis católicos Fernando de Aragão e Isabel de Castela. Com uma nau (Santa Maria) e duas caravelas (Pinta e Nina), o navegador de origem controversa (genovês ou catalão) partiu do porto de Palos em 3 de agosto de 1492 fazendo escala nas ilhas Canárias para reparo de uma das embarcações. Em 12 de outubro do mesmo ano avistou a ilha de Guanani (atual São Salvador). Sem duvidar que estava no Oriente, realizou ainda mais quatro viagens, tentando encontrar os mercados indianos.
O filme focaliza também espírito vanguardista de Colombo, suas negociações com a coroa espanhola e a tentativa de estabelecer colônias na América, retratando até a velhice, aquele que é considerado um dos navegantes mais ousados de sua época.

CONTEXTO HISTÓRICO

A viagem de Cristóvão Colombo insere-se no cenário da expansão ultramarina liderada por Portugal e Espanha entre os séculos XV e XVI, constituindo-se em um dos principais acontecimentos na passagem da Idade Média para Idade Moderna. Assim, para compreende-la, é necessário inseri-la no quadro das transformações por que passou a Europa na Baixa Idade Média (século XII ao XV), durante transição do feudalismo para o capitalismo comercial. O desenvolvimento do comércio monetário associado à projeção da burguesia, que aliada ao rei, irá promover a formação dos Estados Nacionais, são as principais transformações estruturais para consolidação do Antigo Regime europeu.
Nesse contexto a expansão marítima européia visava atingir as Índias (terra das valiosas especiarias), para atender as necessidades de ampliação dos mercados europeus afetados pela crise do século XIV (“guerra, peste e fome”), bem como, para eliminar o monopólio comercial italiano no Oriente. Com a conquista de Constantinopla pelos turcos em 1453, os preços das especiarias orientais elevaram-se bruscamente, o que incentivou ainda mais a busca de um novo caminho marítimo para as Índias.

O nome da América é uma homenagem ao mercador e navegador italiano Américo Vespúcio, primeiro a constatar que as recém-descobertas terras do Novo Mundo constituíam um continente e não parte da Ásia.

Após a “descoberta” do Brasil feita por Pedro Álvares Cabral em 1500, o rei de Portugal, D. Manuel I decide averiguar quais as riquezas existentes naquele imenso território tão bem relatado por Pero Vaz de Caminha, participante da expedição cabralina.

Porém, Américo Vespúcio contribuiu significativamente com preciosos registros, realizados por meio de sua primeira viagem ao Brasil, comandada por Gonçalo Coelho que partiu de Lisboa em 10 de maio de 1501. Com isto, a Coroa portuguesa pode ter notícias pioneiras sobre o contato de Cabral e também sobre seus direitos sobre terras brasileiras.

Vespúcio partiu de Lisboa em 13 de maio de 1501 sob o comando de Gonçalo Dias. A frota navegou rumo às ilhas Canárias. Parando em Bezeguiche (atual Dacar, Senegal), próximo a Cabo Verde, encontrou com o navio de Diogo Dias e com a caravela Nossa Senhora Anunciada, que aguardava o resto da esquadra de Cabral.

Nesse encontro, Vespúcio pode colher preciosas informações com Gaspar da Gama e teve a certeza de que estavam falando sobre um novo continente. Em agosto de 1501, as três caravelas da esquadra de Gonçalo Coelho ancoram na Praia de Marcos, litoral do atual Rio Grande do Norte. O contato com os nativos não foi amistoso e os viajantes puderam ver um dos marujos ser devorado pelos índios.

Gonçalo Coelho achou melhor zarpar do local, contornando o litoral do Brasil rumo ao sul. Munidos de um calendário Litúrgico, começaram a batizar os lugares onde atracavam, com nome de santos do respectivo dia. Como exemplo, em 1 de novembro de 1501 à baía, denominada Baia de Todos os Santos. Em 1 de janeiro de 1502 os tripulantes deparam-se com o que pensavam ser a foz de um rio, batizando o local com o nome de Rio de Janeiro.

De volta a Lisboa em 1502, Vespúcio escreveu a Lorenzo de Médici e falou das árvores (inclusive do pau-brasil), dos frutos saborosos, dos animais e dos habitantes de “corpo bem feito” do novo mundo.

No ano seguinte uma nova expedição foi formada, com Gonçalo Coelho novamente no comando. Em 10 de agosto a frota avistou um arquipélago (Fernando de Noronha) e Gonçalo Coelho, atingindo alguns recifes, naufragou. Pediu então a Vespúcio que procurasse um porto e o aguardasse. Após oito dias, Vespúcio descobriu que os outros navios o tinham abandonado. Com seus companheiros, prosseguiu a viagem e construiu uma feitoria (provavelmente em Cabo Frio), recolhendo pau-brasil para levar a Portugal.

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RENASCIMENTO

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Introdução

Durante os séculos XV e XVI intensificou-se, na Europa, a produção artística e científica. Esse período ficou conhecido como Renascimento ou Renascença.

 
Contexto Histórico

As conquistas marítimas e o contato mercantil com a Ásia ampliaram o comércio e a diversificação dos produtos de consumo na Europa a partir do século XV. Com o aumento do comércio, principalmente com o Oriente, muitos comerciantes europeus fizeram riquezas e acumularam fortunas. Com isso, eles dispunham de condições financeiras para investir na produção artística de escultores, pintores, músicos, arquitetos, escritores, etc.

Os  governantes europeus e o clero passaram a dar proteção e ajuda financeira aos artistas e intelectuais da época. Essa ajuda, conhecida como mecenato, tinha por objetivo fazer com que esses mecenas (governantes e burgueses) se tornassem mais populares entre as populações das regiões onde atuavam. Neste período, era muito comum as famílias nobres encomendarem  pinturas (retratos) e esculturas junto aos artistas.

Foi na Península Itálica que o comércio mais se desenvolveu neste período, dando origem a uma grande quantidade de locais de produção artística. Cidades como, por exemplo, Veneza, Florença e Gênova tiveram um expressivo movimento artístico e intelectual. Por este motivo, a Itália passou a ser conhecida como o berço do Renascimento.

Características Principais:

– Valorização da cultura greco-romana. Para os artistas da época renascentista, os gregos e romanos possuíam uma visão completa e humana da natureza, ao contrário dos homens medievais;

– As qualidades mais valorizadas no ser humano passaram a ser a inteligência, o conhecimento e o dom artístico;

– Enquanto na Idade Média a vida do homem devia estar centrada em Deus ( teocentrismo ), nos séculos XV e XVI o homem passa a ser o principal personagem (antropocentrismo);

– A razão e a natureza passam a ser valorizadas com grande intensidade. O homem renascentista, principalmente os cientistas, passam a utilizar métodos experimentais e de observação da natureza e universo.

Durante os séculos XIV e XV, as cidades italianas como, por exemplo, Gênova, Veneza e Florença, passaram a acumular grandes riquezas provenientes do comércio. Estes ricos comerciantes, conhecidos como mecenas,  começaram a investir nas artes, aumentando assim o desenvolvimento artístico e cultural. Por isso, a Itália é conhecida como o berço do Renascentismo.  Porém, este movimento cultural não se limitou à Península Itálica. Espalhou-se para outros países europeus como, por exemplo, Inglaterra, Espanha, Portugal, França e Países Baixos.  

Principais representantes do Renascimento Italiano e suas principais obras:

– Giotto di Bondone (1266-1337) – pintor e arquiteto italiano. Um dos percursores do Renascimento. Obras principais: O Beijo de Judas, A Lamentação e Julgamento Final.

– Michelangelo Buonarroti (1475-1564)- destacou-se em arquitetura, pintura e escultura.Obras principais: Davi, Pietá, Moisés, pinturas da Capela Sistina (Juízo Final é a mais conhecida).

– Rafael Sanzio (1483-1520) – pintou várias madonas (representações da Virgem Maria com o menino Jesus).

– Leonardo da Vinci (1452-1519)- pintor, escultor, cientista, engenheiro, físico, escritor, etc. Obras principais: Mona Lisa, Última Ceia.

– Sandro Botticelli – (1445-1510)- pintor italiano, abordou temas mitológicos e religiosos. Obras principais: O nascimento de Vênus e Primavera.

Renascimento Científico

Na área científica podemos mencionar a importância dos estudos de astronomia do polonês Nicolau Copérnico. Este defendeu a revolucionária idéia do heliocentrismo (teoria que defendia que o Sol estava no centro do sistema solar). Copérnico também estudou os movimentos das estrelas.

Nesta mesma área, o italiano Galileu Galilei desenvolveu instrumentos ópticos, além de construir telescópios para aprimorar o estudo celeste. Este cientista também defendeu a idéia de que a Terra girava em torno do Sol. Este motivo fez com que Galilei fosse perseguido, preso e condenado pela Inquisição da Igreja Católica, que considerava esta idéia como sendo uma heresia. Galileu teve que desmentir suas idéias para fugir da fogueira

Miguel Ângelo di Lodovico Buonarroti Simoni, nasceu na cidade de Capresse, Itália, no dia 6 de março de 1475. Porém, o artista passou parte de sua infância e adolescência na cidade de Florença.
Como grande parte dos pintores e escultores da época, Michelangelo começou a carreira artística sendo aprendiz de um grande mestre das artes. Seu mestre, que lhe ensinou as técnicas artísticas, foi Domenico Girlandaio. Após observar o talento do jovem aprendiz, Girlandaio encaminhou-o para a cidade de Florença, para aprender com Lorenzo de Médici. Na Escola de Lorenzo de Medici, Michelangelo permaneceu por 2 anos (1490 a 1492). Em Florença, recebeu influências artísticas de vários pintores, escultores e intelectuais da época, já que a cidade era um grande centro de produção cultural.

Foi morar em 1492 na cidade italiana de Bolonha, logo após a morte de Lorenzo. Ficou nesta cidade por 4 anos, já que em 1496 recebeu um convite do cardeal San Giorgio para morar em Roma. San Giorgio tinha ficado admirado com a escultura em mármore Cupido, que havia comprado do artista. Nesta época, criou duas importantes obras, com grande influência da cultura greco-romana: Pietá e Baco. Ao retornar para a cidade de Florença, em 1501, cria duas outras obras importantes: Davi (veja imagem acima) e a pintura a Sagrada Família.

No ano de 1503, o artista recebeu um novo convite vindo de Roma, de Júlio II. Foi convocado para fazer o túmulo papal, obra que nunca terminou, pois constantemente era interrompido por outros chamados e tarefas. Entre os anos de 1508 e 1512 pintou o teto da Capela Sistina no Vaticano, sendo por isso comissionado por Leão X (veja abaixo a definição de mecenas). Neste período também trabalhou na reconstrução do interior da Igreja de São Lourenço em Florença.

Entre os anos de 1534 e 1541, trabalhou na pintura O Último Julgamento, na janela do altar da capela Sistina. Em 1547 foi indicado como o arquiteto oficial da Basílica de São Pedro no Vaticano.

Morreu em 18 de fevereiro de 1564, aos 89 anos de idade na cidade de Roma. Até os dias de hoje é considerados um dos mais talentosos artistas plásticos de todos os tempos, junto com outros de sua época como, por exemplo, Leonardo da Vinci, Rafael Sanzio, Donatello e Giotto di Bondone.

* Mecenas = pessoas ricas e poderosas da época que investiam nas artes como forma de conseguir reconhecimento e status perante a sociedade. Geralmente eram príncipes, burgueses, bispos, condes e duques. Foram importantes para o desenvolvimento das artes plásticas e da literatura na época do Renascimento Cultural, pois injetaram capital nesta área. A burguesia, classe social em ascensão e que lucrava muito com seu trabalho voltado para o comércio, viu no mecenato uma forma de alcançar o status da nobreza.

Relação das principais obras de Michelangelo:

Afrescos do teto da Capela Sistina

A criação de Adão

Julgamento Final

Martírio de São Pedro

Conversão de São Paulo

Cúpula da Basílica de São Pedro

Esculturas: Davi, Leda, Moisés e Pietá

Retratos da família Médici

Livro de poesias : Coletânea de Rimas

A Madona dos degraus (relevo)

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JOANA D’ARC

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Movida por uma fé inquebrantável, Joana d’Arc contribuiu de forma decisiva para mudar o rumo da guerra dos cem anos, entre a França e a Inglaterra.

Joana d’Arc nasceu em Domrémy, na região francesa do Barrois, em 6 de janeiro de 1412. Filha de camponeses, desde pequena distinguiu-se por sua índole piedosa e devota. Aos 13 anos, declarou que podia ouvir a voz de Deus, que a exortava a ser boa e a cumprir os deveres cristãos. A mesma voz ordenou-lhe depois que libertasse a cidade de Orléans do jugo inglês. Afirmou ainda ter visto o arcanjo são Miguel, além de santa Catarina e santa Margarida, cujas vozes ouvia.

Quando as lutas entre franceses e ingleses se aproximaram do Barrois, Joana d’Arc não retardou por mais tempo o cumprimento das ordens sobrenaturais. Partiu de sua aldeia e obteve de Robert de Baudricourt, capitão da guarnição de Vaucouleurs, uma escolta para guiá-la até Chinon, onde se achava o rei da França, Carlos VII, então escarnecido como “rei de Bourges” em alusão às reduzidas proporções de seus domínios.

O país estava quase todo em mãos dos ingleses. Os borgonheses, seus aliados, com a cumplicidade de Isabel da Baviera, entregaram a nação ao domínio britânico, pelo Tratado de Troyes. Inspirada por extraordinário patriotismo, Joana comunicou ao rei a insólita missão que recebera de Deus. Nesse encontro, em março de 1428, assombrou a todos pela segurança com que se dirigiu ao rei, que lhe entregou o comando de um pequeno exército para socorrer Orléans, então sitiada pelos ingleses. No caminho, a atitude heróica da humilde camponesa atraiu adesões para as tropas que comandava.

Chegando a Orléans, Joana intimou o inimigo a render-se. O entusiasmo dos combatentes franceses, fortalecido pela estranha figura da aldeã-soldado, fez com que os ingleses levantassem o sítio da cidade. O feito glorioso de Joana d’Arc, pelo qual foi cognominada a Virgem de Orléans, aumentou seu prestígio, mesmo entre os soldados inimigos, e alimentou a crença em seu poder sobrenatural. A coragem da heroína realizou efetivamente o milagre de erguer o espírito abatido da França. Um sopro cívico perpassou pela nação. Joana d’Arc, porém, ambicionava nova missão: levar o rei Carlos VII para ser sagrado na catedral de Reims, como era tradição na realeza francesa, o que ocorreu em 17 de julho de 1429. Na tentativa que se seguiu da retomada de Paris, a heroína foi ferida, o que contribuiu para aumentar o patriotismo de seus conterrâneos.

No ataque que empreendeu a Compiègne, em maio de 1430, Joana foi aprisionada pelos borgonheses. Em lugar de executá-la sumariamente, como poderiam ter feito, preferiram planejar uma forma de privá-la da auréola de santa por meio da condenação por um tribunal espiritual. No jogo de interesses políticos que envolveu sua figura de heroína, Joana d’Arc não encontrou apoio por parte do rei.

Em junho, o bispo Pierre Cauchon surgiu no acampamento de João de Luxemburgo, onde se encontrava a prisioneira, e conseguiu que ela fosse vendida aos ingleses. Ambicioso, desejando obter o bispado de Rouen, então vago, Cauchon faria tudo para agradar aos donos do poder. Sem direito a defensor, confinada numa prisão laica e guardada por carcereiros ingleses, Joana d’Arc foi submetida por Cauchon a um processo por heresia, mas enfrentou os juízes com grande serenidade, como revela o texto do processo.

Para transformar a pena de morte em prisão perpétua, assinou uma abjuração em que prometia, entre outras coisas, não mais vestir roupas masculinas, como forma de demonstrar sua subordinação à igreja. Dias depois, por vontade própria ou por imposição dos carcereiros ingleses, voltou a envergar roupas masculinas. Condenada à fogueira por heresia, foi supliciada publicamente na praça do Mercado Vermelho, em Rouen, em 30 de maio de 1431. Seu sacrifício despertou novas energias no povo francês, que finalmente expulsou os ingleses de Calais. Joana d’Arc foi canonizada em 1920 pelo papa Bento V.

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HENRIQUE V

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Com a morte do rei Henrique IV, seu filho assume o trono da Inglaterra como Henrique V ((9 de Agosto, 1387 – 31 de Agosto, 1422).  Após conseguir pacificar os conflitos internos, o novo monarca dedica-se à política externa, com ênfase para sua pretensão de conquistar a coroa da França.  Tal pretensão baseia-se no fato dele ser bisneto de Eduardo III, o rei que julgou ser o legítimo herdeiro do trono francês, após a morte de Carlos IV e que, não o conseguindo, deu início à famosa guerra dos cem anos que lhe valeu a conquista de cerca de 1/3 do território francês.

Com base em seus argumentos, Henrique V envia um emissário à França reivindicando vários ducados, sem êxito.  Diante da negativa francesa, ele prepara um pequeno exército para invadir aquele país.  Os franceses, entretanto, estão a par de todos os seus movimentos, graças ao fato de contar com a traição de três homens importantes e próximos de Henrique V:  Ricardo, Conde de Cambridge; Sir Thomas Grey, Cavaleiro de Northumberland; e Henrique, Lorde Scroop de Masham.  O acordo estabelecido entre os franceses e os traidores previa a morte de Henrique V antes que ele embarcasse para a França.  Às vésperas de sua partida, entretanto, o rei descobre os traidores e os condena à morte por alta traição.

Ao desembarcar na França, Henrique V enfrenta os franceses em Harfleur, sem maior resistência.  A seguir, envia um embaixador à presença do rei Carlos VI, dando-lhe um ultimato.  Este não o aceita e providencia para que os duques de Berri, da Bretanha, de Brabante e de Orleáns partam imediatamente, assim como, o príncipe Delfim.  Em seguida, envia Montjoy, seu arauto, ao encontro de Henrique V, exigindo que este pague pelos prejuízos causados em Harfleur e deixe o território francês de imediato.  Paralelamente, pede a seus príncipes que detenham o monarca inglês e que o levem preso numa carroça até Rouen.

Enquanto isso, Henrique V atravessa o rio Somme e, ao descobrir que um de seus homens havia roubado uma igreja francesa, o pune com a morte por enforcamento.  A seguir, ordena que, durante sua marcha pela França, nada seja extorquido dos povoados e que nenhum francês seja menosprezado ou injuriado.

A noite que antecede a grande batalha entre os dois exércitos é extremamente tensa para os ingleses, pois estes sabem que a superioridade do inimigo é da ordem de 5 franceses para cada inglês.  Num longo discurso para seus homens, Henrique V apela para a bravura e o patriotismo deles, além de convencê-los que estão lutando por uma causa justa.

Ao amanhecer o dia, ocorre a esperada batalha de Azincourt.  Tendo em seus arqueiros seu ponto mais forte, centenas de flechas são simultaneamente e sucessivamente disparadas pelos soldados ingleses, enquanto a cavalaria francesa tenta alcançá-los, resultando em enormes baixas para estes.  Os que conseguem alcançá-los, iniciam uma luta corpo-a-corpo.  Ao final do embate, as tropas lideradas por Henrique V saem vitoriosas, registrando uma perda de apenas 25 homens contra 10.000 mortos franceses, dos quais 126 príncipes.

Seguem-se meses de negociações e, ao final, as exigências de Henrique V são aceitas  e ele é declarado herdeiro do trono da França, pelo tratado de Troyes.  Em seguida, casa-se com sua prima, filha de Carlos VI, a princesa Catarina de Valois.  O casal segue para Londres, onde ela se torna rainha consorte do rei da Inglaterra.

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O NOME DA ROSA

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 História

Em 1327 William de Baskerville (Sean Connery), um monge franciscano, e Adso von Melk (Christian Slater), um noviço que o acompanha, chegam a um remoto mosteiro no norte da Itália. William de Baskerville pretende participar de um conclave para decidir se a Igreja deve doar parte de suas riquezas, mas a atenção é desviada por vários assassinatos que acontecem no mosteiro. William de Baskerville começa a investigar o caso, que se mostra bastante intrincando, além dos mais religiosos acreditarem que é obra do Demônio. William de Baskerville não partilha desta opinião, mas antes que ele conclua as investigações Bernardo Gui (F. Murray Abraham), o Grão-Inquisidor, chega no local e está pronto para torturar qualquer suspeito de heresia que tenha cometido assassinatos em nome do Diabo. Considerando que ele não gosta de Baskerville, ele é inclinado a colocá-lo no topo da lista dos que são diabolicamente influenciados. Esta batalha, junto com uma guerra ideológica entre franciscanos e dominicanos, é travada enquanto o motivo dos assassinatos é lentamente solucionado.

 

As vítimas aparecem sempre com os dedos e a língua roxos. O mosteiro guarda uma imensa biblioteca, onde poucos monges tem acesso às publicações sacras e profanas. A chegada de um monge franciscano irá mostrar o verdadeiro motivo dos crimes, resultando na instalação do tribunal da santa inquisição.

 

INTRODUÇÃO

A Baixa Idade Média (século XI ao XV) é marcada pela desintegração do feudalismo e formação do capitalismo na Europa Ocidental. Ocorrem assim, nesse período, transformações na esfera econômica (crescimento do comércio monetário), social (projeção da burguesia e sua aliança com o rei), política (formação das monarquias nacionais representadas pelos reis absolutistas) e até religiosas, que culminarão com o cisma do ocidente, através do protestantismo iniciado por Martinho Lutero na Alemanha em 1517.

Culturalmente, destaca-se o movimento renascentista que surgiu em Florença no século XIV e se propagou pela Itália e Europa, entre os séculos XV e XVI. O renascimento, enquanto movimento cultural, resgatou da antigüidade greco-romana os valores antropocêntricos e racionais, que adaptados ao período, entraram em choque com o teocentrismo e dogmatismo medievais sustentados pela Igreja.

No filme, o monge franciscano representa o intelectual renascentista, que com uma postura humanista e racional, consegue desvendar a verdade por trás dos crimes cometidos no mosteiro.

 

 

Trata-se da Baixa Idade Média. Lá se retoma o pensamento de Santo Agostinho (354-430), um dos últimos filósofos antigos e o primeiro dos medievais, que fará a mediação da filosofia grega e do pensamento do início do cristianismo com a cultura ocidental que dará origem à filosofia medieval, a partir da interpretação de Platão e o neoplatonismo do cristianismo. As teses de Agostinho nos ajudarão a entender o que se passa na biblioteca secreta do mosteiro em que se situa o filme.

 Neste tratado, Santo Agostinho estabelece precisamente que os cristãos podem e devem tomar da filosofia grega pagã tudo aquilo que for importante e útil para o desenvolvimento da doutrina cristã, desde que seja compatível com a fé. Isto vai constituir o critério para a relação entre o cristianismo (teologia e doutrina cristã) e a filosofia e a ciência dos antigos. Por isso é que a biblioteca tem que ser secreta, porque ela inclui obras que não estão devidamente interpretadas no contexto do cristianismo medieval. O acesso à biblioteca é restrito, porque há ali um saber que é ainda estritamente pagão (especialmente os textos de Aristóteles), e que pode ameaçar a doutrina cristã. Como diz ao final Jorge de Burgos, o velho bibliotecário, acerca do texto de Aristóteles – a comédia pode fazer com que as pessoas percam o temor a Deus e, portanto, faz desmoronar todo esse mundo.

 Disputa de Filosofia – Entre os séculos XII e XIII temos o surgimento da escolástica, que constitui o contexto filosófico-teológico das disputas que se dão na abadia em que se situa O Nome da Rosa. A escolástica significa literalmente “o saber da escola”, ou seja, um saber que se estrutura em torno de teses básicas e de um método básico que é compartilhado pelos principais pensadores da época.

 A influência desse saber corresponde ao pensamento de Aristóteles, trazido pelos árabes (mulçumanos), que traduziram muitas de suas obras para o latim. Essas obras continham saberes filosóficos e científicos da Antigüidade que despertariam imediatamente interesses pelas inovações científicas decorrentes. 

 Pensamento Aristotélico – O saber técnico-científico do mundo europeu era nesta época extremamente restrito e a contribuição dos árabes será fundamental para este desenvolvimento pelos conhecimentos de que dispunham de matemática, de ciências (física, química, astronomia, medicina) e de filosofia. O pensamento agora (Aristotélico) será marcado pelo empirismo e materialismo.

 O pensamento dominante, que queria continuar dominante, impedia que o conhecimento fosse acessível a quem quer que seja, salvo os escolhidos. No O nome da Rosa, a biblioteca era um labirinto e quem conseguia chegar no final era morto. Só alguns tinham acesso. É uma alegoria do Umberto Eco, que tem a ver com o pensamento dominante da Idade Média, dominado pela igreja. A informação restrita a alguns poucos representava dominação e poder. Era a idade das trevas, em que se deixava na ignorância todos os outros.

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MARCO POLO

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1278 – Designado a acompanhar dois padres numa missão para converter a corte de Kublai Khan (Brian Dennis) para Cristandade, o italiano
Marco Polo (Ian Somerhalder) é abandonado nas montanhas quando os padres, que duvidam muito da existência da China, voltam para o rio. Polo segue corajosamente em direção ao fabuloso País, onde ele é aceito como emissário dentro da corte de Kublai Khan (Brian Dennehy). Isolado no outro lado do mundo, Polo, acompanhado por seu servo, Pedro (B.D. Wong), avança como um nobre Mongol por 20 extraordinários anos. O que ele leva consigo ao Ocidente é uma crônica que mudou a história para sempre.
Depois da morte da rainha, que era sua protetora, recebe a missão de tentar conquistar o khan da Persia. Com a morte de Khubai Khan, começa a ser perseguido, perde a invasão e volta para a Italia. Reencontra seu pai e seu tio.
Lá chegando em 1295, Marco Polo comandou uma tropa na guerra contra Génova, acabando por ser feito prisioneiro. Durante o cativeiro, ditou as suas aventuras de viagem a um prisioneiro, Rusticiano de Pisa
Na última cena (assim como na 1ª) aparece em uma cama, moribundo, tentando convencer a todos de que a China existe.
…..
Marco Pólo nasceu na cidade italiana de Veneza, num período em que os europeus tinham pouco, ou praticamente nenhum, conhecimento sobre os povos e a cultura da China e do restante do leste da Ásia. Sobre a China, eles já tinham ouvido falar que existia, mas nada sabiam sobre a Ásia, além daquilo que era dito sobre Gêngis Khan e suas Hordas Mongóis ou o que haviam aprendido por meio de relatos de comerciantes que haviam viajado para a Turquia ou ao Oriente Médio.
Em meio à década de 1260, o pai e o tio de Marco, Niccolò Pólo e Maffeo Pólo, respectivamente, concluíram que a melhor forma de conhecer a China era, justamente, ir até lá. Depois de uma longa e difícil jornada, eles foram recebidos na corte de Kublai Khan (1215-1294), o imperador mongol da China, que, até então, nunca tinha conhecido um europeu em pessoa. Kublai Khan estava muito empenhado em ouvir o que eles tinham a falar e lhes disse que pedissem ao papa para enviar missionários com a finalidade de ensinar o Cristianismo e também para espalhar conhecimento sobre arte e literatura européias. Quando os irmãos voltaram para casa em 1269, seus amigos de Veneza não conseguiram compreender a grandiosidade que havia sido aquela viagem à China.
Em 1271, eles resolveram voltar. E dessa vez levaram Marco, o filho adolescente de Niccolò. Kublai Khan gostou tanto do jovem e o fez embaixador geral, enviando-o em várias missões dentro da China como no Tibet e em Burma. Por isso, Marco Pólo acabou conhecendo mais da Ásia do que qualquer outro europeu até aquele momento. Com seu pai e tio, ele permaneceu na China por cerca de dezessete anos, aprendendo línguas e idiomas asiáticos e levantando muitas informações sobre seus diversos povos.
Quando, em 1295, os pólo retornaram a Veneza, mais uma vez eles foram recebidos com ceticismo. Mas, depois de mostrarem o que haviam aprendido na China, seus amigos venezianos ficaram impressionados e os ousados viajantes passaram a receber várias homenagens e honras. Muitas coisas que eles trouxeram da China eram realmente inusitadas e nunca nada semelhante havia sido visto antes em toda a Europa. Uma delas, embora não haja provas suficientes que confirme esse fato, é o famoso espaguete, que fez fama como sendo um típico prato italiano.
Não é à toa que As Viagens de Marco Pólo é considerado o mais influente livro de viagens da história. Com uma riqueza de detalhes impressionante, ele trouxe aos europeus da Idade Média o primeiro contato com o mundo exótico da China e de outros países asiáticos.
Devido às dificuldades da viagem por terra, o comércio entre a Europa e o leste do Oriente desenvolveu-se lentamente. Mas o caminho se abriu depois que Marco Pólo publicou os detalhes de uma rota perfeitamente possível. Suas viagens e descobertas expandiram os horizontes da Europa além do que a maioria das pessoas poderia imaginar. Aliás, as viagens de Cristóvão Colombo, dois séculos depois, também foram inspiradas pelo desejo de encontrar uma rota mais curta e mais fácil para as riquezas da China.
 

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CRUZADA

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Chama-se cruzada a qualquer um dos movimentos militares, de caráter parcialmente cristão, que partiram da Europa Ocidental e cujo objetivo era colocar a Terra Santa (nome pelo qual os cristãos denominavam a Palestina) e a cidade de Jerusalém sob a soberania dos cristãos. Estes movimentos estenderam-se entre os séculos XI e XIII, época em que a Palestina estava sob controle dos turcos muçulmanos.

 Ano 1184 – Fazia cem anos que os católicos tinham retomando Jerusalém.

Balian (Orlando Bloom) é um jovem ferreiro francês, que guarda luto pela morte de sua esposa e filho. Ele recebe a visita de Godfrey de Ibelin (Liam Neeson), seu pai, que é também um conceituado barão do rei de Jerusalém e dedica sua vida a manter a paz na Terra Santa.

Balian decide se dedicar também à esta meta, mas após a morte de Godfrey ele herda terras e um título de nobreza em Jerusalém. Determinado a manter seu juramento, Balian decide permanecer no local e servir a um rei amaldiçoado pela lepra. Paralelamente ele se apaixona pela princesa Sibylla (Eva Green), a irmã do rei, casada com um nobre que quer ser o novo rei.

Com a morte do rei, esse nobre ganha o trono e declara guerra aos muçulmanos. Os franceses perdem a batalha. Saladino diz que se se renderem, ele deixa que todos vão embora e Balian concorda.

Na última cena, o rei da Inglaterra, Ricardo Coração de Leão, aparece chamando-o para uma nova cruzada para retomar Jerusalém. Diz-se que, depois de uma luta de 3 anos, ele e Saladino entram em trégua.

 

“Cruzada” foi um fracasso nos EUA e sucesso relativo no resto do mundo simplesmente porque é a história de uma derrota, conta como os cristãos perderam Jerusalém no século 12. Ou seja, é uma vitória dos árabes mulçumanos, o que não é exatamente aquilo que os americanos ou mesmo os católicos estão muito dispostos a apoiar.

Para completar o “problema”, quem estrela o filme é Orlando Bloom, ator extremamente limitado, que, desde “O Senhor dos Anéis”, é tido como galã. O inglesinho é franzino, fala tudo no mesmo tom roço, sem altos ou baixos, nem qualquer expressão épica. É um grande zero no meio do filme, que, por ser dirigido por Ridley Scott, é muito bem produzido, com um impecável visual, até mesmo nos efeitos especiais.

A cidade de Jerusalém antiga é extremamente bem reproduzida assim como é de bom gosto toda a reprodução de época no Marrocos. A fotografia mantém o padrão de qualidade, tudo esplêndido e espetacular.

Mas há outras razões por que o filme não deve estourar. Pela própria temática, ele é violento (o que deve afastar o público feminino) com sangue espirrando ocasionalmente. E o roteiro, em vez de construir a história com um romance em primeiro plano, gira em torno da luta por Jerusalém e a Terra Santa.

A heroína, feita por Eva Green, mal registra. O que mais incomoda é que tudo é narrado por um ponto de vista atual, moderno. Não mostra as coisas como aconteciam no século 12, e sim por uma perspectiva contemporânea, como se fosse um discurso para ajudar o processo de paz no Oriente Médio. Ou seja, prega a paz e faz o elogio da liderança.

O roteiro original de William Monahan foi feito e aprovado quando o projeto anterior do diretor (“Trípoli”) teve de ser cancelado. Mas a sensação que se tem é que se trata de uma aula de história com os dados confusos.

É verdade que nunca houve um grande filme sobre as cruzadas nem mesmo sobre os cavaleiros, um conceito que se firmaria depois do século 12. Os melhores foram sátiras como “O Incrível Exército de Brancaleone”, de Mario Monicelli, ou “Em Busca do Cálice Sagrado”, do grupo Monty Python.

O script mistura fatos reais com outros inteiramente fictícios. Balian de Ibelin (Bloom), que comandou a defesa de Jerusalém, existiu realmente, mas não teve romance com a rainha. Realmente houve o sultão Saladin (que é grande herói mulçumano e mostrado sob um ponto de vista muito positivo) e o rei que sofria de lepra, uma figura que poderia ser forte, mas o ator não deixa garnde impressão, já que não se vê seu rosto.

Mas o ferreiro francês viúvo que é reconhecido como filho de um nobre que está partindo para uma cruzada é fictício. Não que seja ruim de seguir, simplesmente não é empolgante porque o ator não ajuda e os melhores aparecem e somem logo (Liam Neeson faz o pai que morre, e Jeremy Irons sai logo de cena). Ou seja, este não é ainda o filme definitivo sobre as cruzadas, um tema difícil e distante, que não vai provocar arrepios de emoção nos adolescentes.

O filme tem boas cenas de batalha, mas deixa muita coisa no ar, como o destino do novo rei que Saladim não quer matar, e tem resoluções que não fazem sentido. Enfim, não é um novo “Gladiador”, muito simplesmente porque não encontraram o novo Russell Crowe. E fizeram o roteiro errado.

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