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Archive for janeiro \30\UTC 2009

CRIMES DO SÉCULO 20

Dos homicídios de john F. Kennedy e de John Lennon, ao bombardeio do edifício federal na cidade de Oklahoma, este DVD mostra os detalhes de alguns dos crimes mais brutais e mais chocantes do Século XX, inlcuindo casos não-resolvidos como o Rapto do bebê de Lindberg. Hitórias que chocaram o mundo como. Charles Manson e O.J. Simpson, junto com muitos outros crimes brutais. Um arquivo impressionante.

1 – SERIAL KILLERS / ASSASSINATOS

HITLER

AL CAPONE – ordenou mais de 200 mortes Morreu em 1947 do coração.

JOHN WAYNE GACY – estuprou e estrangulou mais de 36 gays/meninos em 6 anos, enterrando-os no porão. Outros corpos no porão da casa de sua mãe. Foi morto na cadeira elétrica.

JIM JONES – 913 pessoas envenenadas com valium e cianeto na Guiana. Ele usava moças e, ocasionalmente, rapazes para satisfazê-lo sexualmente. Tentou fugir e foi morto a tiros.

EED GEIN – convenceu um amigo a ajudá-lo a saquear sepulturas de mulheres. A primeira vítims viva era uma vendedora de uma loja. Quando uma outra vítima foi assassinada e chegaram até ele, todo o horror veio à tona. O corpo da mulher estava pendurado, estripado e sem cabeça. Um coração estava sobre o fogão pronto para ser comido. Crânios esvaziados serviam de copo. Havia órgãos humanos na geladeira. Órgãos sexuais recortados estavam guardados em uma caixa. Nove máscaras feitas de rostos estavam lá. Corpetes e meias feitos de pele humana, que ele usava eventualmente.  Após sua prisão, um homem quis transformar a fazenda em um museu de horrores, mas tempos depois ela pegou fogo. Um dos bombeiros, que não teve pressa em apagar o fogo, era o filho da vítima que foi encontrada ( por ele) pendurada. Morreu de velhice em 1984, em um manicômio. Segundo as enfermeiras, parecia um homenzinho inofensivo.

2 – GANGSTERS

MAFIOSOS

3 – NÃO SOUCIONADOS

O BEBÊ DOS LINDBERGH

TORSO KILLER

A DÁLIA NEGRA

MARILYN SHEPPARD

4 – INSANIDADE

O FILHO DE SAM – funcionário dos correios. Atirava em moças morenas de cabelos compridos e também casais. Escrevia cartas perturbadas à polícia. Foi declarado demente, pois dizia ouvir vozes de cachorros que eram demônios e ele o executor.

ALBERT DESALVO – Fingia ser um caça talentos, abordando moças em bares e universidades. Primeiro foi preso por estupros. Depois que saiu da prisão começou a matar. Cometeu mais de 300 estupros.

NATHAN LEOPOLD JR  e LOEB – parceiros em crimes e no homossexualismo

TED BUNDY – estuprava e matava jovens morenas e de cabelos partidos ao meio.

MCVEIGH  e NICHOLS

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LIXO EXTRAORDINÁRIO

O documentário conta a trajetória do projeto Lixo Extraordinário do artista plástico Vik Muniz realizado no maior lixão de céu aberto do mundo. O projeto tem como objetivo criar imagens dos catadores de materiais recicláveis com o próprio material, o projeto foi realizado no ano 2007 e foi feito no Rio de Janeiro.

Vik Muniz deixa Nova York e vai para o Rio de Janeiro onde conhece Tião Santos presidente da Associação de Catadores do local. Vik teve inicialmente a impressão de que os catadores eram felizes com seu trabalho, porém após os conhecer melhor percebeu que essa não era a realidade.

O artista se aprofunda em sete histórias onde faz questão que as pessoas que estão sendo retratadas nos quadros sejam as mesmas que estão produzindo esta obra, ou seja, os quadros estão sendo criados, feitos por esses catadores de lixo.

O quadro, por exemplo, de Irma, uma senhora que cozinhava para aqueles catadores de lixo e que se sentia verdadeiramente bem por cozinhar para aquelas pessoas naquele local independente das condições do clima.

Um dos personagens também retratados foi de Zumbi um homem que pegava os livros jogados no aterro e tinha o sonho de criar uma biblioteca.

O filme é realmente uma obra arte, que faz mudar todo conceito lixo reciclável. O filme abrange em geral a história de todas essas pessoas que sabem o que fazem e que tem consciência do que são e que não tem vergonha em dizer que são catadores, porque na verdade cada um deles tentam de alguma maneira sair daquela situação, para poderem ter melhor condições de vida.

Graças a Vik Muniz essas pessoas conseguem através da arte mostrar o que acontece nesse aterro e conseguem transformar suas vidas e acrescentar conhecimento cultural. O filme é interessante por mostrar trabalhos (catadores) que se tornam invisíveis pela sociedade ou que a própria sociedade exclui mostrar como o lixo pode sim ser reaproveitado e se tornar arte.

O filme consegue despertar nessas pessoas que trabalham no aterro o sonho de poderem ser melhores, de continuar a luta e de que podem sim participar de algo tão grandioso que foi esse filme.

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OCEANOS

 

Aproximadamente três quartos da superfície da Terra são cobertos por água, e o filme explora as histórias e mistérios que neles se escondem. Os diretores Jacques Perrin e Jacques Cluzaud mergulharam fundo nas águas que sustentam a vida da humanidade no planeta, explorando o esplendor e as duras realidades das estranhas e maravilhosas criaturas que moram no mar. Filmado com a mais avançada tecnologia de captação de imagens subaquáticas, “Oceanos” oferece uma perspectiva surpreendente, em um filme encantador para todas as idades.

Filmado nos quatro cantos do mundo. Nadar a dez nós ao lado de um cardume de atuns caçando, acompanhar os golfinhos, nadar com o grande tubarão branco… O filme Oceanos é sentir-se um peixe entre os peixes.

A realização de Oceanos necessitou de quatro anos de filmagens em mais de cinqüentas localizações diferentes. A equipe percorreu os oceanos do mundo, das ilhas Cocos, no litoral do Costa Rica, a Ilha de Coburg no norte do Arctique, e a Ilha Fernandina no Oeste do arquipélago dos Galapagos.

Algumas especies que aparecem: tipo jacaré, tipo tartaruga/caranguejo, golfinhos, aguas-vivas, mergulhão, balé dos cardumes, arraias, polvo, leão-marinho, baleia, tubarão, carangueijo, ouriços, estrelas, moreias, lagostas, tartarugas, peixe pedra, cobras, pinguins, focas, urso polar, etc.

Há sempre uma câmera postada, tanto dentro, quanto fora da água, permitindo visualizar a façanha dos pássaros para conseguir sua comida. O que dá a medida da logística requerida para a realização do documentário, que explora as profundezas do mar com uma riqueza talvez nunca vista antes.

Há inúmeros espécimes exóticos de criaturas marinhas, caso do polvo Blanket Octopus – que abre uma membrana que parece um cobertor para defender-se de inimigos -, a lesma-do-mar Spanish Dancer e inúmeras águas-vivas luminosas.

No caso de espécies conhecidas, como as baleias, o encanto do filme está em sua proximidade destes gigantescos animais, permitindo avaliar a extensão de seu esforço para cruzar os mares em busca de alimento e a complexidade da relação entre mãe e filho.

Da mesma forma, é assustador presenciar o ‘encontro’ entre um solitário mergulhador e um enorme tubarão, que termina sem incidentes, apesar de o tubarão dar uma dentada na prancheta do pesquisador.

Assim, é possível sentir-se ao lado dos golfinhos enquanto pulam sem parar da água, em trajetos longos pelo mar, em que disputam cardumes imensos com gaivotas e outras aves marinhas – aliás, o mergulho vertiginoso destes pássaros é um dos pontos altos do filme.

Sem pretender idealizar demais a visão da vida selvagem, “Oceanos” mostra-se realista ao documentar também o esforço cotidiano da sobrevivência e a necessidade de algumas espécies devorarem as outras – caso dos pássaros que caçam as tartaruguinhas recém-nascidas de uma praia, das quais às vezes apenas uma consegue atingir o mar e chegar à vida adulta. Da mesma forma, são impressionantes os ataques das orcas aos leões marinhos estacionados numa enseada.

Um recado ecológico também é dado em expressivas visões da poluição marinha, da caça e pesca no mar (boa parte, material encenado, mas, mesmo assim, eloquente) e, especialmente, numa visita feita pelo diretor Perrin e seu neto a um museu de história natural que reúne esqueletos de espécies extintas.

Toda a beleza reunida pelo filme revela-se, assim, como um lembrete da necessidade de que a espécie humana controle seus piores instintos e contribua mais e melhor para preservar esta magnífica diversidade que pulsa aqui bem perto de nós, dentro da imensidão aquática da Terra.

Na primeira parte do filme, a atenção é focalizada para a incrível e deslumbrante diversidade das espécies ocêanicas. O espectador de todas as idades fica boquiaberto com as imagens ao mesmo tempo singelas e surpreendentes. Peixes, répteis, aves, crustáceos, mamíferos, kelps (algas gigantes) e toda a sorte de organismos pelágicos são mostrados em cenas de fabulosa plasticidade de encher os olhos de encanto. Até mesmo nas cenas de predador/presa, o equilíbrio e as leis da natureza são inexoravelmente respeitadas.
 
Na segunda etapa da película, o maravilhoso se torna sombrio. Aparece a espécie mais evoluída do planeta Terra! E nunca um filme deixou um fato tão claro: a espécie de cérebro mais requintado, a espécie capaz de invenções inimagináveis, a espécie que está no topo da pirâmide é a que mais ameaça a intricada e delicada teia de interrelações biológicas neste pálido ponto azul. Mostra várias espécies extintas. Mostra todo o lixo e poluição que vai parar no mar.
 
A terceira parte é um contraponto à segunda, e uma volta às imagens fantásticas da primeira parte, agora com ênfase na reprodução, na esperança de continuidade. Quando as luzes se acendem, porém, as imagens que não saem da retina são aquelas que mostram a ação do belo e inteligente ser humano.

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OPERAÇÃO VALQUIRIA

Gravemente ferido em combate, o general alemão Claus von Stauffenberg retorna para a África para se juntar à resistência alemã e ajudar a criar a Operação Valkyrie, um complexo plano que irá permitir a substituição de Hitler no poder assim que ele estiver morto. O destino e as circunstâncias fazem com que Stauffenberg se torne uma peça central na missão. Ele não só tem que liderar o golpe e tomar o controle do governo de seu país, como fica encarregado de matar Hitler com as próprias mãos.

A operação falha: muitos são feridos mas a mesa de madeira acaba protegendo Hitler. Aofinal, todos são pegos e executados.

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NAS MONTANHAS DOS GORILAS

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Inspirada pelos escritos do naturalista e conservacionista George B. Schaller, decidiu estudar o gorila-das-montanhas em extinção na África.

Dian Fossey recebeu instrução em trabalho de campo com chimpanzés da especialista Jane Goodall, e começou a assistir e registrar o comportamento de gorilas-das-montanhas. O trabalho dela a levou para o então Zaire e depois para Ruanda onde abriu o centro de Pesquisa Karisoke.

Dian Fossey enfrentou desafios que teriam desestimulado muitas pessoas a realizar os trabalhos e avanços a respeito de gorilas por ela registrados e difundidos mundo afora. Resistências que surgiram desde o princípio, quando ainda fazia os contatos iniciais com o célebre e respeitado antropólogo Louis Leakey. Sendo uma jovem mulher norte-americana, com poucas e incipientes experiências na temática, apesar de sólida base acadêmica, Fossey foi olhada com desconfiança e poderia ser rejeitada caso não se mostrasse persistente.

Além desses percalços iniciais, a pesquisadora foi enviada a um outro país, de diferente cultura, para se estabelecer no meio de uma floresta e observar animais sobre os quais poucos registros e documentos já haviam sido produzidos e divulgados. Se não bastasse tudo isso, como todos os pesquisadores, tinha que conseguir financiadores dispostos a bancar suas pesquisas e lidar com autoridades governamentais que muitas vezes não pareciam interessadas em proteger e estimular seus projetos.

Dian Fossey conseguiu em seus anos de trabalho criar referências importantes para o trabalho com primatas. Seus conceitos e idéias continuam sendo lidos, estudados, repensados e atualizados. Há, no entanto, um pormenor de grandiosa importância na obra que nos foi legada por Fossey, ou seja, o seu envolvimento na defesa de espécies em extinção constituiu uma luta pioneira em prol do meio ambiente numa época em que os primeiros passos ainda estavam sendo dados nesse campo de atuação.

Após anos de observação paciente, os gorilas vieram a conhecer e confiar nela, e descobriu que podia sentar-se no meio de um grupo e até mesmo brincar com os jovens. Conheceu os animais como indivíduos e até mesmo lhes deu nomes.

Para uma mulher que chegou a assumir a pecha de bruxa a ela atribuída por nativos locais e que usufruiu das lendas que foram criadas a seu respeito para proteger os animais e também aprofundar estudos e garantir a continuidade das pesquisas, sua morte prematura é apenas uma demonstração dos vários riscos reais que ela corria.

Em 1980, foi para Inglaterra e ingressou na Universidade de Cambridge onde obteve um doutoramento em zoologia. Depois obteve uma posição como professora na Universidade de Cornell em Nova Iorque, onde escreveu sobre suas experiências no Ruanda. Em 1983, a obra foi publicada como Gorilas in the Mist (Gorilas na Bruma). No ano seguinte ela retornou ao Centro de pesquisa Karisoke para continuar sua pesquisa e trabalho de campo.

Quando seu gorila favorito, Digit, foi morto para obtenção de suas mãos (com a qual se faz cinzeiros), Fossey começou uma campanha contra a atividade. Seus discursos, infelizmente, tornaram-na um alvo da violência por parte dos caçadores furtivos e dos elementos corruptos do exército do Ruanda. Em 1985 Dian foi encontrada assassinada em sua cabana. Ninguém jamais achou o seu assassino, embora suspeitem que seja um caçador de gorilas.

Seus esforços não foram em vão. O trabalho que desenvolveu ganhou notoriedade a partir de Leakey e da National Geographic Society e todo o prestígio por ela angariado resultou no surgimento de uma fundação internacional que luta pela preservação dos gorilas das montanhas onde realizou suas jornadas e anotações.

Essa instituição se chama The Dian Fossey Gorilla Fund International e possui, inclusive, site na Internet (www.gorillafund.org). Sua história passou a ser mais conhecida mundo afora em virtude do filme de Michael Apted, estrelado por Sigourney Weaver e Bryan Brown, “Nas Montanhas dos Gorilas”, produção de 1988.

                                            O Filme
O doutor Louis Leakey precisava de um voluntário para realizar importante trabalho de pesquisa pelo período de seis meses em montanhas africanas. Esse projeto se relacionava ao estudo dos hábitos dos grandes primatas, os gorilas. Estávamos na segunda metade dos anos 1960 e, definitivamente não era fácil naquele tempo conseguir um auxílio tão prestimoso e especializado, mesmo nos Estados Unidos.

Depois de enviar algumas cartas se candidatando a vaga, Dian Fossey (Sigourney Weaver) resolveu conseguir o encargo indo pessoalmente atrás de Leakey. Encontrou com o antropólogo logo depois de uma de suas disputadas palestras e, em virtude de sua grande insistência, acabou conseguindo a vaga.

Embarcou em um avião algum tempo depois e foi ao encontro de Leakey na expectativa de realizarem o trabalho conjuntamente nas florestas da África. Foi surpreendida pelo fato do antropólogo recepcioná-la, orientá-la quanto aos trabalhos, auxiliá-la no que se referia aos documentos e aos nativos com os quais iria trabalhar e, depois de tudo isso, deixar-lhe para que executasse as pesquisas por sua própria conta e risco.

Isso parecia ser mais uma provocação e um desafio do renomado doutor. Dian Fossey se mostrou forte e encarou o desafio. Entrou no meio da selva carregando alguns livros sobre o assunto e tendo ao seu lado apenas alguns ajudantes, entre os quais o fiel Sembagare que a acompanhou durante toda a sua trajetória de trabalhos.

Seu primeiro encontro com os gorilas não podia ser mais desafiador. Apesar de saber que não deveriam correr se fossem atacados pelos primatas, Dian e Sembagare não resistiram e bateram em retirada. O resultado foram tombos e escoriações, felizmente nenhum osso quebrado.

A seqüência dos trabalhos foi aos poucos consolidando as idéias que referenciavam inicialmente sua pesquisa. A aproximação da pesquisadora com os símios se deu de forma gradual, consolidando as relações entre Fossey e os grupamentos em extinção, constantemente ameaçados pelos caçadores que buscavam as cabeças dos gorilas para enfeitar suas salas e as mãos desses animais para transformar em portentosos cinzeiros. Tinha uma relação especial com um dos gorilas apelidado de Digit, que era bastante solitário e vivia um pouco afastado de seu grupo. Com a morte de Digit, que veio seguida a outras, ela se revolta, põe fogo na aldeia dos caçadores e, posteriormente, acaba assassinada, não se sabe se por eles ou pelo homem que encomendava às autoridades gorilas para o zoológico, a quem ela também estava enfrentando frequentemente.

Inovadora e valente, Dian enfrentou a solidão, a distância da família e do país de origem, os caçadores de gorilas, a corrupção das autoridades e acabou ocasionando o surgimento de um trabalho importantíssimo para a compreensão desses animais e, principalmente, para a proteção desses símios em reservas ambientais. Não percam!

 

                                 Gorilas

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Os machos medem entre 1,65 e 2 metros de altura, e pesam entre 170 e 250 kg e as fêmeas a metade do peso dos machos, sendo considerado o maior dos primatas da atualidade. É capaz de levantar até 2 toneladas com os dois membros anteriores.

Os gorilas, geralmente, se locomovem em quatro patas. As suas extremidades anteriores são mais longas que as posteriores e semelhantes a braços, ainda são utilizadas também como ponto de apoio ao caminhar.

A estrutura facial do gorila é denominada de “mandíbula protuberante”, já que ela é muito maior que o maxilar.

A gestação dura oito meses e meio e normalmente a próxima gestação só ocorre três ou quatro anos depois o nascimento, tempo este que os filhotes convivem com a mãe. A maturidade sexual é atingida entre 10 e 12 anos pelas fêmeas e entre 11 e 13 anos pelos machos, podendo ser modificados estes anos com a vivência nos cativeiros. E a esperança de vida oscila entre os trinta e cinqüenta anos, o record nesta categoria está com um gorila dum zoológico da Filadélfia que morreu aos 54 anos.

Sua dieta alimentar é, em grande parte, herbívora, uma vez que alimentam-se de frutas, folhas, brotos, mas também os insectos compõem menos de 2% do seu cardápio.

Todos os gorilas compartilham o mesmo tipo sangüíneo, o tipo B, e assim como os humanos, cada um indivíduo possue uma impressão digital única, que é seu nariz.

A população de gorilas-das-montanhas, no Parque Nacional de Virunga, na República Democrática do Congo, aumentou 12,5% de agosto de 2007 até janeiro deste ano de 2009. Atualmente, nessa região, vivem 211 indivíduos, entre eles dez bebês espalhados pelas quatro famílias de gorilas que habitam o local e mais duas fêmeas ainda não identificadas, que migraram para a região e se juntaram ao grupo. Três gorilas que constavam na lista em 2007 não foram encontrados.

É boa a notícia, uma vez que só existem cerca de 720 gorilas-das-montanhas no mundo, todos na conflituosa região das Montanhas de Virunga, entre a República Democrática do Congo, Uganda e Ruanda. O censo realizado por guardas florestais é facilitado pelo fato de um gorila nunca ter o nariz igual ao de outro.

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CHE GUEVARA

 

VEJA Especial,30 Set

Che – Há quarenta anos morria o homem e nascia a farsa

“Não disparem. Sou Che. Valho mais vivo do que morto.” Há quarenta anos, no dia 8 de outubro de 1967, essa frase foi gritada por um guerrilheiro maltrapilho e sujo metido em uma grota nos confins da Bolívia. Nunca mais foi lembrada. Seu esquecimento deve-se ao fato de que o pedido de misericórdia,não combina com a aura mitológica criada em torno de tudo o que se refere à vida e à morte de Ernesto Guevara argentino, o Che, que antes, para os companheiros, era apenas “el chancho”, o porco, porque não gostava de banho e “tinha cheiro de rim fervido”.

Exceto na revolução cubana, sua vida foi uma seqüência de fracassos. Como guerrilheiro, foi derrotado no Congo e na Bolívia.

Essa é a realidade esquecida. No mito, sempre lembrado, ecoam as palavras ditas ao tenente boliviano Mário Terán, encarregado de sua execução, e que parecia hesitar em apertar o gatilho: “Você vai matar um homem”. Essas, sim, servem de corolário perfeito a um guerreiro disposto ao sacrifício em nome de ideais que valem mais que a própria vida. Ambas as frases foram relatadas por várias testemunhas e meticulosamente anotadas pelo capitão Gary Prado Salmón, do Exército boliviano, responsável pela captura de Che. Provenientes das mesmas fontes, merecem, portanto, idêntica credibilidade.O esquecimento de uma frase e a perpetuação da outra resumem o sucesso da máquina de propaganda marxista na elaboração de seu maior e até então intocado mito. Che tem um apelo que beira a lenda entre os jovens dos cinco continentes. Como homem de carne e osso, com suas fraquezas, sua maníaca necessidade de matar pessoas, sua crença inabalável na violência política e a busca incessante da morte gloriosa, foi um ser desprezível. “Ele era adepto do totalitarismo até o último pêlo do corpo”, escreveu sobre ele o jornalista francês Régis Debray, que por alguns meses conviveu com Che na Bolívia.

Por suas convicções ideológicas, Che tem seu lugar assegurado na mesma lata de lixo onde a história já arremessou há tempos outros teóricos e práticos do comunismo, como Lenin, Stalin, Trotsky, Mao e Fidel Castro. Entre a captura e a execução de Che na Bolívia, passaram-se 24 horas. Nesse período, o governo boliviano e os americanos da CIA que ajudaram na operação decidiram entre si o destino de Guevara. Execução sumária? Não para os padrões de Che. Centenas de homens que ele fuzilou em Cuba tiveram sua sorte selada em ritos sumários cujas deliberações muitas vezes não passavam de dez minutos.

VEJA conversou com historiadores, biógrafos, antigos companheiros de Che na guerrilha e no governo cubano na tentativa de entender como o rosto de um apologista da violência, voluntarioso e autoritário, foi parar no biquíni de Gisele Bündchen, no braço de Maradona, na barriga de Mike Tyson, em pôsteres e camisetas. Seu retrato clássico – feito pelo fotógrafo cubano Alberto Korda em 1960 – é a fotografia mais reproduzida de todos os tempos. O mito é particularmente enganoso por se sustentar no avesso do que o homem foi, pensou e realizou durante sua existência. Incapaz de compreender a vida em uma sociedade aberta e sempre disposto a eliminar a tiros os adversários – mesmo os que vestiam a mesma farda que ele –, Che é, paradoxalmente, visto como um símbolo da luta pela liberdade.

Guevara é responsável direto pela morte de 49 jovens inexperientes recrutas que faziam o serviço militar obrigatório na Bolívia. Eles foram mobilizados para defender a soberania de sua pátria e expulsar os invasores cubanos, sob cujo fogo pereceram. Tendo ajudado a estabelecer um sistema de penúria em Cuba, Che agora é apresentado como um símbolo de justiça social. Politicamente dogmático, aferrado com unhas e dentes à rigidez do marxismo-leninismo em sua vertente mais totalitária, passa por livre-pensador.

O regime policialesco de Fidel Castro não permite que aqueles que conviveram com Che e permanecem em Cuba possam ir além da cinzenta ladainha oficial. Por isso, apesar do rancor que pode apimentar suas lembranças, os exilados cubanos são vozes de maior credibilidade. O movimento que derrubou o ditador Fulgencio Batista, em 1959, não foi uma ação de comunistas, como pretende Fidel Castro. Boa parte da liderança revolucionária e dos comandantes guerrilheiros tinha por objetivo a instauração da democracia em Cuba. Mas foi surpreendida por um golpe comunista dentro da revolução. Acabaram presos, fuzilados ou deportados. Desde o início, Che representou a linha dura pró-soviética, ao lado do irmão de Fidel, Raul Castro. Na versão mitológica, Che era dono de um talento militar excepcional. Seus ex-companheiros, no entanto, lembram-se dele como um comandante imprudente, irascível, rápido em ordenar execuções e mais rápido ainda em liderar seus camaradas para a morte, em guerras sem futuro no Congo e na Bolívia.

Huber Matos, que lutou sob as ordens do argentino em Cuba, falou a VEJA sobre o fracasso de Che como comandante: “A luta foi difícil na primavera de 1958. A frente de comportamento mais desastroso foi a de Che. Mas isso não o afetou, porque era o favorito de Fidel, que nos impedia de discutir abertamente o trabalho pífio de seu protegido como guerrilheiro”. Pouco depois do triunfo da guerrilha, ao perceber os primeiros sinais de tirania, Huber renunciou a seu posto no governo revolucionário e informou que voltaria a ser professor. Preso dois dias depois, passou vinte anos na cadeia. Vive hoje em Miami. À moda soviética, sua imagem foi removida das fotos feitas durante a entrada solene em Havana, em que aparecia ao lado de Fidel e Camilo Cienfuegos, outro comandante não comunista desaparecido em circunstâncias misteriosas nos primórdios da revolução.

Nomeado comandante da fortaleza La Cabaña, para onde eram levados presos políticos, Che Guevara a converteu em campo de extermínio. Nos seis meses sob seu comando, duas centenas de desafetos foram fuzilados, sendo que apenas uma minoria era formada por torturadores e outros agentes violentos do regime de Batista. A maioria era apenas gente incômoda.

Napoleon Vilaboa, membro do Movimento 26 de Julho e assessor de Che em La Cabaña, conta agora ter levado ao gabinete do chefe um detido chamado José Castaño, oficial de inteligência do Exército de Batista. Sobre Castaño não pesava nenhuma acusação que pudesse produzir uma sentença de morte. Fidel chegou a ligar para Che para depor a favor de Castaño. Tarde demais. Enquanto dava voltas em torno de sua mesa e da cadeira onde estava o militar, Che sacou a pistola 45 e o matou ali mesmo com balaços na cabeça. Em outra ocasião, Che foi procurado por uma mãe desesperada, que implorou pela soltura do filho, um menino de 15 anos preso por pichar muros com inscrições contra Fidel. Um soldado informou a Che que o jovem seria fuzilado dali a alguns dias. O comandante, então, ordenou que fosse executado imediatamente, “para que a senhora não passasse pela angústia de uma espera mais longa”.

Em seu diário da campanha em Sierra Maestra, Che antecipa o seu comportamento em La Cabaña. Ele descreve com naturalidade como executou Eutímio Guerra, um rebelde acusado de colaborar com os soldados de Batista: “Acabei com o problema dando-lhe um tiro com uma pistola calibre 32 no lado direito do crânio, com o orifício de saída no lobo temporal direito. Ele arquejou um pouco e estava morto. Seus bens agora me pertenciam”. Em outro momento, Che decidiu executar dois guerrilheiros acusados de ser informantes de Batista. Ele disse: “Essa gente, como é colaboradora da ditadura, tem de ser castigada com a morte”. Como não havia provas contra a dupla, os outros rebeldes presentes se opuseram à decisão de Che. Sem lhes dar ouvidos, ele executou os dois com a própria pistola. Essa frieza e a crueldade sumiram atrás da moldura romântica que lhe emprestaram, construída pelos mesmos ideólogos que atribuíram a ele a frase famosa – “Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”. Frase criada pela propaganda esquerdista.

Como o jovem aventureiro que excursionou de motocicleta pelas Américas se tornou um assassino cruel e maníaco? O jornalista americano Jon Lee Anderson, autor da mais completa biografia de Che, escreveu que ele era um fatalista – e esse fatalismo aguçou-se depois que se juntou aos guerrilheiros cubanos. “Para ele, a realidade era apenas uma questão de preto e branco. Despertava toda manhã com a perspectiva de matar ou morrer pela causa”, afirma Anderson.

Ernesto Guevara Lynch de la Serna nasceu em 14 de maio de 1928, em uma família de esquerdistas ricos na Argentina. Sofreu de asma a vida inteira. Antes de se formar em medicina, profissão que nunca exerceu de fato, viajou pela América do Sul durante oito meses. Depois de terminada a faculdade, saiu da Argentina para nunca mais voltar. Encontrou-se com Fidel Castro no México, em 1955, onde aprendeu técnicas de guerrilha. No ano seguinte, participou do desembarque em Cuba do pequeno contingente de revolucionários. Depois de dois anos de combates na Sierra Maestra, Fidel tomou o poder em Havana. Che ocupou-se primeiro dos fuzilamentos e, depois, da economia, assunto do qual nada entendia. José Illan, que foi vice-ministro de Finanças antes de fugir de Cuba, contou a VEJA que o argentino “desprezava os técnicos e tratava a nós, os jovens cubanos, com prepotência”. No comando do Banco Central e depois do Ministério da Indústria, Che começou a nacionalizar a indústria e foi o principal defensor do controle estatal das fábricas. “Che era um utópico que acreditava que as coisas podiam ser feitas usando-se apenas a força de vontade”, diz o historiador Pedro Corzo, do Instituto da Memória Histórica Cubana, em Miami. Como resultado de sua “força de vontade”, a produção agrícola caiu pela metade e a indústria açucareira, o principal produto de exportação de Cuba, entrou em colapso. Em 1963, em estado de penúria, a ilha passou a viver da mesada enviada pela então União Soviética.

 Não havia mais o que Che pudesse fazer em Cuba. Era ministro da Indústria, mas divergia de Fidel em questões relativas ao desenvolvimento econômico. De maneira simplista, ele acreditava que incentivos morais tinham maiores probabilidades de estimular o trabalho. Che também se tornou crítico feroz da União Soviética, da qual o regime cubano dependia para sobreviver. Não por discordar do Kremlin, mas porque julgava os soviéticos tímidos na promoção da revolução armada no Terceiro Mundo. Para se livrar dele, Fidel o mandou como delegado à Assembléia-Geral das Nações Unidas em 1964. No ano seguinte, Che foi secretamente combater no Congo, à frente de soldados cubanos. Ali, paralisado por incompreensíveis rivalidades tribais, derrotado no campo de batalha e abatido pela diarréia, Che propôs a seus comandados lutar até a morte. Mas foi demovido do propósito pela soldadesca, que não aceitou o sacrifício numa guerra sem sentido.

Daí em diante o argentino tornou-se uma figura patética. Em Havana, Fidel divulgara a carta em que ele renunciava à cidadania cubana e anunciava sua disposição de levar a guerra revolucionária a outras plagas. Pego de surpresa pela leitura prematura do documento, Che ficou no limbo, sem ter para onde voltar. “Sua vida foi uma seqüência de fracassos”, disse a VEJA o historiador cubano Jaime Suchlicki, da Universidade de Miami. “Como médico, nunca exerceu a profissão. Como ministro e embaixador, não conseguiu o que queria. Como guerrilheiro, foi eficiente apenas em matar por causas sem futuro.” Na falta de opções, Che escolheu a Bolívia para sua nova aventura guerrilheira. Ele lutaria em território montanhoso e inóspito, imerso na selva, sem falar o dialeto indígena dos camponeses bolivianos. O plano original era adentrar, pela fronteira, a província argentina de Salta. Mas um contigente exploratório foi aniquilado rapidamente pelo exército daquele país. A missão boliviana era, de todos os pontos de vista, suicida. Ainda assim, Fidel a apoiou, a ponto de designar alguns soldados de seu exército para o destacamento guerrilheiro. O ditador cubano também equipou e financiou a expedição, com a qual manteve contato até que seu fracasso se tornou evidente.

Além da falta de apoio do povo boliviano, que tratou os cubanos chefiados por Che como um bando de salteadores, a expedição fracassou também pela traição do Partido Comunista Boliviano. VEJA perguntou a um de seus mais altos dirigentes dos anos 60, Juan Coronel Quiroga: “O PCB traiu Che Guevara?”. Resposta de Quiroga: “Sim”. A explicação? “Nosso partido era afinado com Moscou, onde a estratégia de abrir focos de guerrilha como a de Che estava há muito desacreditada.” Quiroga era amigo pessoal do então ministro da Defesa da Bolívia e conseguiu que as mãos do cadáver de Che Guevara fossem decepadas, mantidas em formol e entregues a ele. “Por anos guardei as mãos de Che debaixo da minha cama em um grande pote de vidro. Um dia meu filho deparou com aquilo e quase entrou em pânico”, conta Quiroga. Anos mais tarde, coube a Quiroga a missão de entregar o lúgubre pote com as mãos de Guevara à Embaixada de Cuba em Moscou.

A morte de Che foi central para a estabilização do regime cubano nos anos 60, de acordo com o polonês naturalizado americano Tad Szulc, na sua celebrada biografia de Fidel. O fim do guerrilheiro argentino ajudou o ditador a pacificar suas relações com Moscou e ainda lhe forneceu um ícone de aceitação mais ampla que a própria revolução. O esforço de construção do mito foi facilitado por vários fatores. Quando morreu, Che era uma celebridade internacional. Boa-pinta, saía ótimo nas fotografias. A foto do pôster que enfeita quartos de milhões de jovens foi tirada num funeral em Havana, ao qual compareceram o filósofo francês Jean-Paul Sartre – que exaltou Che como “o mais completo ser humano de nossa era” – e sua mulher, a escritora Simone de Beauvoir. A foto de 1960 só ganhou divulgação mundial sete anos depois, nas páginas da revista Paris Match. Dois meses mais tarde, Che foi morto na selva boliviana e Fidel fez um comício à frente de uma enorme reprodução da imagem, que preenchia toda a fachada de um prédio público cubano. Nascia o pôster.

Três fatos ajudaram a consolidar o mito. O primeiro foi a morte prematura de Che, que eternizou sua imagem jovem. Aos 39 anos, ele estava longe de ser um adolescente quando foi abatido, mas a pinta de galã lhe garantia um aspecto juvenil. O fim precoce também o salvou de ser associado à agonia do comunismo. A decadência física e política de Fidel Castro, desmoralizado pela responsabilidade no isolamento e no atraso econômico que afligem o povo cubano, dá uma idéia do que poderia ter acontecido com Che, que era apenas dois anos mais jovem que o ditador.

O segundo fato foi a ajuda involuntária de seus algozes. Preocupados em reunir provas convincentes de que o guerrilheiro célebre estava morto, os militares bolivianos mandaram lavar o corpo e aparar e pentear sua barba e seu cabelo. Também resolveram trocar sua roupa imunda. Tudo isso para poder tirar fotos em que ele fosse facilmente identificado. O resultado é um retrato com espantosa semelhança com as pinturas barrocas do Cristo morto de expressão beatificada. A terceira contribuição recebida pelos esquerdistas na construção do mito veio do contexto histórico. Che morreu às vésperas dos grandes protestos em defesa dos direitos civis, da agitação dos movimentos estudantis e da revolução de costumes da contracultura – turbulências que marcaram o ano de 1968. Era um personagem perfeito para ser símbolo da juventude de então, que se definia pela “determinação exacerbada e narcisista de conseguir tudo aqui e agora”, como escreveu o mexicano Jorge Castañeda, em sua biografia de Che. A história, no entanto, mostra que o homem era muito diferente do mito.

Se houve um ganhador da Guerra Fria, foi Che Guevara. Ele morreu e foi santificado antes que seu narcisismo suicida e os crimes que decorreram dele pudessem ser julgados com distanciamento, sob uma luz mais civilizada, que faria aflorar sua brutalidade com nitidez. Pobre Fidel Castro. Enquanto Che foi cristalizado na foto hipnótica de Alberto Korda, ele próprio, o supremo comandante, aparece cada dia mais roto.

Felix Rodríguez foi uma das últimas pessoas a conversar com Che Guevara. Mais do que isso, foi ele quem recebeu e transmitiu a ordem para que o guerrilheiro fosse executado. Cubano exilado nos Estados Unidos, ele era o operador de rádio enviado à Bolívia pela CIA para auxiliar na caçada e, também, para ajudar a identificar Guevara. Veterano da fracassada invasão da Baía dos Porcos, em 1961, Rodríguez vive hoje em Miami, aos 66 anos. Ele falou ao repórter Duda Teixeira.

COMO CHEGOU A ORDEM PARA MATAR CHE?
As instruções que recebi nos Estados Unidos eram para poupar sua vida. A CIA sabia da divergência de idéias entre Che e Fidel e acreditava que, a longo prazo, ele poderia cooperar com a agência. A ordem para sua execução veio por rádio, de uma alta autoridade boliviana. Era uma mensagem em código: “500, 600”. O primeiro número, 500, significava Guevara. O segundo, que ele deveria ser morto. Tentei em vão convencer os militares bolivianos a permitir que ele fosse levado para ser interrogado no Panamá. Eles negaram meu pedido e me deram um prazo. Eu deveria entregar o corpo de Guevara até as 2 horas da tarde. Perto das 11h30, uma senhora aproximou-se de mim e perguntou quando iríamos matá-lo, pois ouvira no rádio que Che havia morrido em combate. Naquele momento compreendi que a decisão de executá-lo era irrevogável.
 

COMO FOI SUA ÚLTIMA CONVERSA COM ELE?
Fui até o local de seu cativeiro e disse a ele que lamentava, mas eram ordens superiores. Che ficou branco como um papel. “É melhor assim. Eu nunca deveria ter sido capturado vivo”, falou. Tirou o cachimbo da boca e me pediu para que o desse a um dos soldados. Ofereci-me para transmitir mensagens à sua família. “Diga a Fidel que esse fracasso não significa o fim da revolução, que logo ela triunfará em alguma parte da América Latina”, ele falou em tom sarcástico. Aí lembrou da esposa. “Diga a minha senhora que se case outra vez e trate de ser feliz.” Foram suas últimas palavras. Apertou a minha mão e me deu um abraço, como se pensasse que eu seria o carrasco. Saí dali e avisei a um tenente armado com uma carabina M2, automática, que a ordem já tinha sido dada. Recomendei a ele que atirasse da barba para baixo, porque se supunha que Che havia morrido em combate. Eram 13h10 quando escutei o barulho de tiros. Che Guevara tinha sido morto.

COMO FOI O SEU PRIMEIRO CONTATO COM CHE GUEVARA?
Cheguei a La Higuera de helicóptero em 9 de outubro, um dia depois da captura de Che Guevara. Eu o encontrei com os pés e as mãos amarrados, ao lado dos corpos de dois cubanos. Sangrava de uma ferida na perna. Era um homem totalmente arrasado. Parecia um mendigo.

COMO FORAM AS RELAÇÕES DE CHE COM A POPULAÇÃO NA BOLÍVIA?
Para sobreviver, é essencial que uma força guerrilheira conte com o apoio da população local. A aventura de Che na Bolívia foi um caso único em que uma guerrilha não conseguiu recrutar um único morador da área onde atuou. Só um agricultor ganhou a confiança dos guerrilheiros, e mesmo esse acabou por passar informações que permitiram ao Exército armar uma emboscada. Os poucos bolivianos que participaram da guerrilha eram dissidentes do Partido Comunista. Nenhum camponês.

Limparam Che para a foto
No dia de sua morte, amarrado ao esqui de um helicóptero militar, Che Guevara foi levado do local da execução para um vilarejo chamado Vallegrande. A brasileira Helle Alves, repórter, e o fotógrafo Antonio Moura, então trabalhando para o Diário da Noite, de São Paulo, viram a chegada do corpo, que foi levado para a lavanderia do hospital local (acima). Ali, Moura foi o único jornalista a fotografar o corpo de Guevara ainda sujo, vestido de trapos e calçado com o que sobrou de uma botina artesanal de couro (abaixo). Moura conseguiu fotografar o corpo antes da limpeza e da arrumação. “Che usava um calço em um dos calcanhares, provavelmente para corrigir uma diferença de tamanho entre uma perna e outra”, lembra Helle. Ela contou pelo menos dez marcas de tiro no corpo do argentino. “Os moradores tinham raiva dele e invadiram a lavanderia, mas, quando viram o corpo, passaram a dizer que ele parecia Jesus Cristo.” Começara o mito.

 

O MITO

Nascido em 14 de junho de 1928 na cidade de Rosário, Guevara foi o primeiro dos cincos filhos do casal Ernesto Lynch e Celia de la Serna y Llosa. Sua mãe foi a principal responsável por sua formação porque, mesmo sendo católica, mantinha em casa um ambiente de esquerda e sempre estava cercada por mulheres politizadas.Desde pequeno, Ernestito – como era chamado – sofria ataques de asma e por essa razão, aos 12 anos, se mudou com a família para as serras de Córdoba, onde morou perto de uma favela. A discriminação para com os mais pobres era comum à classe média argentina, porém Che não se importava e fez várias amizades com os favelados. Estudou grande parte do ensino fundamental em casa com sua mãe. Na biblioteca de sua casa – que reunia cerca de 3000 livros – havia obras de Marx, Engels e Lenin, com os quais se familiarizou em sua adolescência.
Em 1947, Ernesto entra na Faculdade de Medicina da Universidade de Buenos Aires, motivado em primeiro lugar por sua própria doença, desenvolvendo logo um especial interesse pela lepra.
Em 1952, realiza uma longa jornada pela América do Sul com o melhor amigo, Alberto Granado, percorrendo 10.000 km em uma moto Norton 500, apelidada de ‘La Poderosa’. Observam, se interessam por tudo, analisam a realidade com olho crítico e pensamento profundo. Os oito meses dessa viagem marcam a ruptura de Guevara com os laços nacionalistas e dela se origina um diário. Aliás, escrever diários torna-se um hábito para o argentino, cultivado até a sua morte.
No Peru, trabalhou com leprosos e resolveu se tornar um especialista no tratamento da doença. Che saiu dessa viagem chocado com a pobreza e a injustiça social que encontrou ao longo do caminho e se identificou com a luta dos camponeses por uma vida melhor. Mais tarde voltou à Argentina onde completou seus estudos em medicina. Foi convocado para o exército, porém, no momento estava incompatibilizado com a ideologia peronista. Não admitia ter de defender um governo autoritário. Portanto, no dia da inspeção médica, tomou um banho gelado antes de sair de casa e na hora do exame teve um ataque de asma. Foi considerado inapto e dispensado.
Já envolvido com a política, em 1953 viajou para a Bolívia e depois seguiu para Guatemala com seu novo amigo Ricardo Rojo. Foi lá que Guevara conheceu sua futura esposa, a peruana Hilda Gadea Acosta e Ñico Lopez, que, futuramente, o apresentaria a Raúl Castro no México.

Na Guatemala, Arbenz Guzmán, o presidente esquerdista moderado, comandava uma ousada reforma agrária. Porém, os EUA, descontentes com tal ato que tiraria terras improdutivas de suas empresas concedendo-as aos famintos camponeses, planejou um golpe bem sucedido colocando no governo uma ditadura militar manipulada pelos yankees. Che ficou inconformado com a facilidade norte-americana de dominar o país e com a apatia dos guatemaltecos. A partir desse momento, se convenceu da necessidade de tomar a iniciativa contra o cruel imperialismo.

Com o clima tenso na Guatemala e perseguido pela ditadura, Che foi para o México. Alguns relatos dizem que corria risco de vida no território guatemalteco, mas essa ida ao México já estava planejada. Lá lecionava em uma universidade e trabalhava no Hospital Geral da Cidade do México, onde reencontrou Ñico Lopez, que o levou para conhecer Raúl Castro. Raúl, que se encontrava refugiado no México após a fracassada revolução em Cuba em 1953, se tornou rapidamente amigo de Che. Depois, Raúl apresentou Che a seu irmão mais velho Fidel que, do mesmo modo, tornou-se amigo instantaneamente. Tiveram a famosa conversa de uma noite inteira onde debateram sobre política mundial e, ao final, estava acertada a participação de Che no grupo revolucionário que tentaria tomar o poder em Cuba.

A partir desse momento começaram a treinar táticas de guerrilha e operações de fuga e ataque. Em 25 de novembro de 1956 os revolucionários desembarcam em Cuba e se refugiam na Sierra Maestra, de onde comandam o exército rebelde na bem-sucedida guerrilha que derrubou o governo de Fulgêncio Batista. Depois da vitória, em 1959, Che torna-se cidadão cubano e vira o segundo homem mais poderoso de Cuba. Marxista-leninista convicto, é apontado por especialistas como o responsável pela adesão de Fidel ao bloco soviético e pelo confronto do novo governo com os Estados Unidos.

Guevara queria levar o comunismo a toda a América Latina e acreditava apaixonadamente na necessidade do apoio cubano aos movimentos guerrilheiros da região e também da África. Da revolução em Cuba até sua morte, amargou três mal-sucedidas expedições guerrilheiras. A primeira na Argentina, em 1964, quando seu grupo foi descoberto e a maioria morta ou capturada. A segunda, um ano depois de fugir da Argentina, no antigo Congo Belga, mais tarde Zaire e atualmente República Democrática do Congo. E por fim na Bolívia, onde acabaria executado.

Sem a barba e a boina tradicionais, disfarçado de economista uruguaio, Che Guevara entrou na Bolívia em novembro de 1966. A ele se juntaram 50 guerrilheiros cubanos, bolivianos, argentinos e peruanos, numa base num deserto do Sudeste do país. Seu plano era treinar guerrilheiros de vários países para começar uma revolução continental.

Guevara foi capturado em 8 de outubro de 1967. Passou a noite numa escola de La Higuera, a 50 quilômetros de Vallegrande, e, no dia seguinte, por ordem do presidente da Bolívia, general René Barrientos, foi executado com nove tiros numa escola na aldeia de La Higuera, no centro-sul da Bolívia, no dia seguinte à sua captura pelos rangers do Exército boliviano, treinados pelos Estados Unidos.

Sua morte, no dia 9 de outubro de 1967, aos 39 anos, interrompeu o sonho de estender a Revolução Cubana à América Latina, mas não impediu que seus ideais continuassem a gozar de popularidade entre as esquerdas.

Os boatos que cercaram a execução de Che Guevara levantaram dúvidas sobre a identidade do guerrilheiro. A confusão culminou no desaparecimento dos seus restos mortais, encontrados apenas em 1997, quando o mundo recordava os trinta anos de sua morte, sob o terreno do aeroporto de Vallegrande. O corpo estava sem as mãos, amputadas para reconhecimento poucos dias depois da morte, e contrabandeadas para Cuba.

Em 17 de outubro de 1997, Che foi enterrado com pompas na cidade cubana de Santa Clara (onde liderou uma batalha decisiva para a derrubada de Batista), com a presença da família e de Fidel. Embora seus ideais sejam românticos aos olhos de um mundo globalizado, ele se transformou num ícone na história das revoluções do século XX e num exemplo de coerência política. Sua morte determinou o nascimento de um mito, até hoje símbolo de resistência para os países latino-americanos.
 
 
 
 

 

 

COMUNISMO

De forma geral, a maioria dos livros didáticos costuma atrelar o surgimento do comunismo em função da reflexão teórica apontada por Karl Marx e Friedrich Engels. Entretanto, essa idéia de que o comunismo seria fruto de uma mera reflexão de dois teóricos do século XIX pode ser vista sobre outro prisma. Basta compreendemos o comunismo enquanto experiência socialmente vivida e, ao mesmo tempo, buscarmos enxergar traços dessa mesma experiência na fala de outros pensadores.
O comunismo pode ser compreendido como certo tipo de ordenação social, política e econômica onde as desigualdades seriam sistematicamente abolidas. Por meio dessa premissa, a experiência comunista parte de um pressuposto comum onde a desigualdade social gera problemas que se desdobram em questões como a violência, a miséria e as guerras. A intenção de banir as diferenças entre os homens acaba fazendo com que muitos enxerguem o comunismo como uma utopia dificilmente alcançada.
 
 
 

 

 

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g_por20quem20os20sinos20dobram

A Guerra Civil Espanhola é um acontecimento histórico que não esteve muito presente nas telas norte-americanas. A chamada Guerra Civil Espanhola foi um conflito bélico deflagrado após um fracassado golpe de estado de um setor do exército contra o governo legal e democrático da Segunda República Espanhola. A guerra civil teve início em 17 de julho de 1936 e terminou em 1° de abril de 1939, com a vitória dos rebeldes e a instauração de um regime ditatorial de caráter fascista, liderado pelo general Francisco Franco.Talvez isso se deva ao fato de tanto vencedores como vencidos serem seus inimigos político-ideológicos, ao menos abertamente (falo dos fascistas, e anarquistas, soviéticos e socialistas, respectivamente). Ou talvez ao fato de terem ficado omissos diante de uma das maiores carnificinas da história do século XX. 

Gary Cooper é o autor que interpreta Robert Jordam, o americano que está em missão secreta para o SIM (Serviço de Inteligência Militar), designado pelo alto comando da República americana para explodir um trem e depois uma ponte sobre o desfiladeiro — único acesso do inimigo (os nacionalistas) para atacar os republicanos. Diante dessa possibilidade, ele procura um velho, de nome Anselmo, que o ajudará e o apresentará aos moradores da montanha, ciganos refugiados da Guerra que, por necessidade de sobrevivência, defendem os republicanos e por isso resolvem apoiar o americano. A partir daí, desenrola-se o enredo do filme. Após apresentação aos ciganos, Jordam conhece Maria (Ingrid Bergman), que, diferentemente dos ciganos, é ‘educada’ e tem ‘princípios’, visto que era filha de um prefeito republicano morto durante a Guerra. Ela havia sido presa e levada para Valladolid, onde cortaram seu cabelo e a torturaram; quando ia ser transportada para outro lugar, o trem que ela estava foi atacado pelo cigano Plablo e seu bando e ela resgatada, quando passou a morar na montanha. Pelos modos diferentes e pela sua beleza, Robert se apaixona por ela e vice-versa. E a Guerra passa a ser cenário do romance dos dois. Ao final, ele é ferido e manda que todos o deixem lutando e vão embora.

Cinematograficamente, não possui nada de extraordinário ou de original. Segue, em linhas gerais, o estilo dos filmes americanos do período. É extremamente monótono. Os americanos são mostrados como bons, inteligentes e justos, ao passo que os outros são ignorantes e brutos. No que se refere a abordagem da Guerra Civil, ele deixa muito a desejar. A temática histórica é apenas um pano de fundo para um drama simples e mal construído. Os acontecimentos não são resgatados com fidelidade; o diretor, por suas posições direitistas, adota o ponto de vista norte-americano oficial da Guerra. A Guerra é apresentada como estando relacionada diretamente com os americanos, com o seu patriotismo, como ela fosse uma questão ligada ao amor à pátria americana, o que reflete uma visão reducionista e limitada do diretor Sam Wood em relação aos acontecimentos que assolaram a Espanha nos anos 30.

O conflito tem origem na crise econômica espanhola, que, entre 1929 e 1936, impulsiona grande número de greves, manifestações e levantes de direita e de esquerda. Em 1931 a monarquia foi derrubada e foi proclamada a República, mas as reformas que ela promove não conseguem sanar a economia, deixando descontentes vários setores da sociedade. Durante todo esse tempo, explodem pelo país revoltas e manifestações antigovernamentais.

Os separatistas da Catalunha são cruelmente reprimidos. Crimes e violências envolvem a vida espanhola, numa onda que parece não ter fim. O parlamento é dissolvido e novas eleições são convocadas para 1936. Embora divididos, os partidos de esquerda conseguem agrupar-se e lançam Azaña y Dias como candidato à presidência, pela Frente Popular, que então sai vitorioso. Enquanto isso, crescem os esforços das correntes direitistas, organizadas na Falange, para se unirem contra a Frente Popular. Quando acontece, em julho de 1936, o assassinato do monarquista Calvo Sotelo, por oficiais da polícia, eclode o movimento armado para derrubar o governo.

O general Francisco Franco, à frente das divisões estacionadas no Marrocos, lidera a Frente Popular, entrando na Espanha e tomando Sevilha e Cádiz. Outra frente militar ataca as províncias do norte, chegando perto da capital. A Itália, dominada por Mussolini, e a Alemanha, por Hitler, apoiam as tropas de Franco, enviando milhares de voluntários e material bélico. A URSS dá auxílio financeiro e material bélico aos militantes comunistas.

Em abril, aviões alemães, em apoio aos nacionalistas, bombardearam a cidade basca de Guernica, palco da maior tragédia da guerra civil, numa demonstração de força que provocou revolta na opinião pública mundial. Franco avança até o Mediterrãneo, corta o contato entre Valença e Catalunha e obriga o governo republicano a transferir a capital para Barcelona. Em pouco tempo a Espanha se vê dominada pelos franquistas e, que entram em Barcelona, provocando a fuga em massa dos republicanos pela fronteira francesa.

Em fevereiro de 1939, o presidente Azaña renuncia, dando lugar ao governo ditatorial de Franco, que durou até sua morte, em 1975. A guerra civil espanhola custou mais de meio milhão de vidas somente em combate, sem contar os que morreram de fome, desnutrição e doenças provocadas pela guerra. Além disso, o conflito serviu de palco para testes de novas armas e técnicas nazi-fascistas, deixando na Europa uma situação preparatória para a segunda grande guerra que eclodiria em seguida.

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