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Archive for the ‘CULTURA GERAL’ Category

SALVADOR DALI

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  SALVADOR DALI (1904-1989) nasceu em 11 de maio de 1904, na cidade catalã de Figueras (Espanha), região que foi também uma espécie de pano de fundo para grande parte de sua obra. Tornou-se uma figura popular com aqueles bigodes enormes. Era artista e showman na divulgação da própria obra. Filho de um prestigioso tabelião, estudo escola pública (Colégio Salle).

Começou a estudar desenho quando tinha 13 anos. Em 1919 participa de uma exposição de pintura. Em 1922 obtém o reconhecimento da Associação Catalã de Arte e no mesmo ano matricula-se na Escola de Belas Artes de Madrid, onde fica até 1926 conhecendo Frederico Garcia Lorca.

Vinha de uma família sólida de classe média. Era rodeado por amigos ricos e cultos que incentivavam Dali e mantinham bem informado sobre os desenvolvimentos no mundo das artes.

 Foi estudar pintura em Madri (1921-1926) quando já possuía boa bagagem artística. Foi nessa época que fez amizade com o poeta Lorca. Sua primeira exposição individual aconteceu em 1925, na Galeria Dalmau (Barcelona). Foi chamado em 1927 para o serviço militar, cumprindo-o no Castelo de Sant Ferran (Figueres).

É cada vez mais atraído para o Surrealismo a partir de 1.929, e influenciada pelas teorias de Sigmund Freud. Casou-se com Gala Eluard que fora antes sua amante, que além de ser a musa inspiradora, foi uma grande colaboradora e organizadora de seus afazeres. Mas foi ela também que sua ganância incentivou Dalí a banalisar a sua arte.

Em 1938, fiel ao mesmo tipo de pintura, modificou sua orientação temática até chegar a quase mesmo mistricismo.

Sua melhor produção é considerada a que ocorreu entre os anos 29-39.Dalí pintou suas obras mais famosas. As pinturas desenvolviam interpretações e associações irracionais, dependendo do ponto de vista, de acordo com o método crítico-paranóico por ele criado. Conferiu à sua obra sempre uma aparência acadêmica com impecável precisão fotográfica. No final da década de 1930, Dalí estava começando a ser reconhecido nos Estados Unidos, onde as atitudes face às novidades artísticas eram menos conservadoras do que na Europa.

O início da Segunda Guerra Mundial e a vitória dos alemães sobre a França, em 1940, levaram Dalía fugir para os EUA, onde ficou oito anos.  A América também despertou seu lado exibicionista, tornou-se uma super-celebridade. Em 1962 cria grandes pinturas como a “Batalha de Tetuán”.Recebe em 1964 a Cruz de Isabel a Católica e un ano depois; realiza una grande exposição em Tókio. Em 1973 é inaugurado o Museu Dali.

Os últimos anos de Salvador Dalí foram obscurecidos por um distanciamento de Gala, que morreu em 1982. No mundo das artes crescia a preocupação com a quantidade de obras falsas que lhe eram atribuídas a Dalí.

O próprio Dali sabia de sua parcial culpa, pois que muitas vezes chegou a assinar centenas de folhas em branco que seriam obviamente usadas de forma ilícita. Em 1986 sofreu graves queimaduras por causa de um incêndio ocorrido em seu quarto.

A partir de então vive prostrado em uma cama na torre do Museu de Figueres. Faleceu em 20 de janeiro de 1989, anos 84 anos de idade. Seu corpo embalsamado está enterrado em uma tumba sob a cúpula do Museu de Figueres (Espanha).

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MEDIDA CERTA

 

Como num diário, Zeca e Renata recapitulam, semana a semana, toda a história do projeto, revelando o que não pôde ser captado pelas câmeras, como a ansiedade, a repercussão pública, a transformação interna gerada pelos novos hábitos e a surpresa de se sentir capaz de fazer coisas antes penosas. As observações pessoais dois sobre as diferentes etapas da aventura não ficam de fora: vão de surpresas com o grau de condicionamento físico a dicas para quem quer seguir o mesmo programa, com receitas de pratos e sugestões para a prática de exercícios físicos.

Alinhavando os depoimentos alternados de Zeca e Renata, o educador físico Marcio Atala – idealizador do programa e “guru” da reprogramação corporal da dupla – comenta sobre as necessidades e estilos de vida dos dois jornalistas, descrevendo em detalhes a metodologia dos 90 dias de reeducação corporal e ensina como qualquer pessoa pode conseguir os mesmos resultados de Zeca e Renata.

Torcida pela Saúde

No programa final da série foram anunciadas ao vivo as conquistas da dupla. Zeca perdeu mais de 12 quilos de gordura, ganhou outros 5 quilos em músculos e enxugou 11 centímetros da cintura. Renata eliminou 9,5 quilos de gordura, ganhou 3,6 quilos de massa muscular e afinou a cintura em 13 centímetros.

 

 

 

 

A Atividade física corresponde a 70%/80% do emagrecimento, enquanto a alimentação corresponde a 20%/30%.

No mínimo 150 min de aeróbico por semana e 2 dias de musculação. 

Se não deu pra fazer o exercício conforme programado, faça outra coisa. O necessário é não deixar de se mexer.

Nada de malhar em jejum.

É preciso sempre tirar o corpo da zona de conforto. Se o exercício ficou fácil, está na hora de variar.
 
Janela da oportunidade: 2 hs pós-treino. Alimentos que sejam boa fonte de energia. Ex: sanduíche de pão integral com queijo branco ou peito de peru, salada de frutas, suco, leite desnatado com achocolatado light.

Treino intervalado é o que mais queima gordura, principalmente a abdominal.

Exemplo de treino, para ser incorporado na rotina:
Aeróbico 6 dias semana. Alternar durante a semana para variar o estímulo, sendo 2 intervalados.
-corrida:30 min – 1 min correndo forte e 2 andando
-bicicleta:30 min-40 seg pedala forte com carga,descansa 1 min e anda 20)-freq card entre 135e145
-2 treinos de limiar – freq card entre 150 e 165
-pilates 2 vezes semana
-spinning pode substituir o intervalado se alternar musica forte/lenta, mas não o contínuo e longo

 

 

 

 

 

Cortar:  sal, açucar, gorduras
Aumentar: fibras, agua (mínimo 2 lt), comer fracionadamente (intervalos de no máximo 4 hs)

Fazer última refeição 3 hs antes de deitar

Grandes erros: exercício físico sem regularidade, comer rápido, horário das refeições bagunçado.

Nada é proibido, mas gorduras, doces e bebidas alcoólicas devem ser exceção, enquanto fibras, bons carboidratos, proteínas devem ser a regra.  O corpo pode e deve entender que se tem 22 dias saudáveis e 7 de exceções.

O corpo precisa de um tempo, de no mínimo 3 meses, para se adaptar à nova situação. E depois mais, no mínimo 3 meses, para a manutenção. Durante esse período, o organismo vai pedir alimentos calóricos. Por isso, pelos menos nesses 6 meses, é recomendada a prática de atividade física por 22 dias/mês ( ou seja, pelos menos 2 domingos tem que entrar)

Fazer dieta é perigoso. A restrição faz perder água e músculos. Quando se cai em tentação novamente, o organismo estoca em forma de gordura, para eventual falta.

Não se engane dizendo: vou dar só essa escapadinha, vou faltar só hoje no treino. Perceba que você faz isso sempre e, se continuar assim, nunca vai sair desse padrão. Imagine o resultado desses deslizes acumulados em anos.

Não tem salada??? A proposta é reprogramar o corpo fazendo as escolhas certas, sem deixar de viver por isso. Não se pode passar fome, deve-se comer equilibradamente, sem abrir mão do que gosta. Nos primeiros 90 dias é extremamente importante mandar mensagens para o cérebro de que seu comportamento mudou.

Gorduras do bem ou insaturadas são: azeite, nozes, amendoas, castanhas, linhaça, chocolate amargo, omega 3 e 6.

É mito que carboidrato à noite engorda. Em todas as refeições, metade do prato deve ser de carboidrato.

Deixar algumas peças de roupa que não servem para um teste futuro.

Se presentear a cada conquista.

O que comer nos intervalos: pão integral+queijo cottage/branco+presunto sem gordura/blanquet de peru
                                barra de cereal+2 polenghinhos+2 castanhas
                                leite desnatado com banana e aveia
                                iogurte com cereal
                                5 biscoitos agua e sal+requeijão light

 

Quarta semana – só agora o corpo começa a entender o que está acontecendo. Até então a perda pode ser lenta. Não prestar atenção à balança, principalmente as mulheres, pois o peso oscila muito durante o mês e, devido ao ganho de massa muscular, é mais confiável basear-se nas roupas. Como o mesmo peso de gordura e musculo tem volumes diferentes, a circunferência diminui mas o peso nem sempre acompanha.

 

 
CORTAR:

AÇUCAR
SAL
GORDURA
REFRIGERANTE
DIMINUIR:

FARINHA BRANCA

 

INCLUIR:

INTEGRAIS
PROTEINAS MAGRAS (ATUM, CLARA OVO, COTTAGE, PEITO PERU, FRANGO, IOGURTE DESNATADO)
SHAKE PROTEÍNA
EXERCÍCIOS:

4 DIAS DE AERÓBICO
2 DIAS DE MUSCULAÇÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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SERIAL KILLERS

 

Introdução

 

Selo HowStuffWorks  

O Assassino do Zodíaco. John Wayne Gacy. O Assassino BTK. Ted Bundy. Filho de Sam. Jeffrey Dahmer. Os nomes e pseudônimos destes assassinos estão gravados no consciente coletivo dos americanos, graças à cobertura em massa dos jornais, livros, filmes e documentários de TV. Muitos dos que foram capturados pareciam cidadãos medianos – atraentes, bem sucedidos, membros ativos da comunidade – até que seus crimes foram descobertos.

Este tipo de assassino não “enlouquece” simplesmente um dia e mata um monte de gente. Ele não mata por ganância ou ciúme. Mas então o que é que faz uma pessoa não só matar, mas matar várias pessoas em períodos alternados de dias, semanas, anos? Existe um nome especial para este tipo de assassino: serial killers (assassinos em série). Neste artigo, aprenderemos o que faz uma pessoa ser um serial killer.

dennis rader
Pool/AFP/ Getty Images
Dennis Rader, o Assassino BTK,
em julgamento em 2005

O termo “serial killer” foi criado em meados da década de 70 por Robert Ressler, ex-diretor do Programa de Prisão de Criminosos Violentos do FBI. Ele escolheu “serial” porque a polícia na Inglaterra chamava este tipo de assassinato de “crimes em série”, e por causa dos seriados que ele assistia quando criança. Antes disso, estes crimes eram às vezes conhecidos como assassinatos em massa ou crimes em que um estranho mata outro estranho.

O FBI define um serial killer como uma pessoa que mata três ou mais vítimas, com períodos de “calmaria” entre os assassinatos. Isto os separa dos assassinos em massa, que matam quatro pessoas ou mais ao mesmo tempo (ou em um curto período de tempo) no mesmo local, e dos assassinos turbulentos, que matam em vários locais e em curtos períodos de tempo, Os serial killers geralmente trabalham sozinhos, matam estranhos, e matam por matar (diferentemente dos crimes passionais).

Segundo um estudo recente do FBI, houve aproximadamente 400 serial killers nos Estados Unidos no último século, com cerca de 2.526 a 3.860 vítimas [fonte: Hickey]. No entanto, não há como saber de verdade quantos serial killers estão ativos em um dado momento – especialistas sugerem números entre 50 e 300, mas não há como provar.

Injustiças em série
A inabilidade da polícia em desvendar crimes cometidos por serial killers faz com que muitos inocentes sejam punidos. Um estudo inédito pode ajudar a mudar isso.
Leia mais em VEJA.com

Parece, também, que os assassinatos em série aumentaram nos últimos 30 anos. Oitenta por cento dos 400 assassinos em série do último século surgiram desde 1950 [fonte: Vronsky]. Por que isso aconteceu é uma pergunta em debate; não há resposta, da mesma maneira que não há uma resposta simples sobre por que algumas pessoas se tornam serial killers.

No próximo capítulo, veremos algumas classificações de serial killers usadas por pesquisadores criminais e especialistas em traçar perfil para que comecemos a entender este fenômeno.

 

Classificações de serial killers

 

ted bundy
Bill Frakes/Time & Life Pictures/Getty Images
O serial killer Ted Bundy
no seu julgamento, em 1979

Estudos na área de assassinatos em série resultaram em duas formas de classificar os serial killers: uma baseada no motivo, e outra baseada nos padrões organizacionais e sociais. O método do motivo é chamado de tipologia de Holmes, por causa de Ronald M. e Stephen T. Holmes, autores de vários livros sobre assassinatos em série e crimes violentos. Nem todos os serial killers são de um tipo só, e muitos apresentam características de mais de um tipo. Nenhuma destas classificações explica o que na realidade pode levar uma pessoa a se tornar um serial killer (falaremos mais sobre isso adiante). Também não há dados científicos suficientes sobre os quais basear estas classificações – são baseadas em dados de observação casual ou em entrevistas. Os críticos da tipologia de Holmes apontam esta como uma falha, mas muitos investigadores ainda acham este método útil ao estudar assassinatos em série.Segundo a tipologia de Holmes, os serial killers podem se concentrar no ato (aqueles que matam rápido), ou no processo (aqueles que matam vagarosamente). Para os assassinos que se concentram no ato, matar nada mais é do que o ato em si. Neste grupo há dois tipos diferentes: os visionários e os missionários. O visionário mata porque escuta vozes ou tem visões que o levam a fazer isso. O missionário mata porque acredita que deve acabar com um determinado grupo de pessoas.

Os assassinos seriais que se concentram no processo sentem prazer na tortura e morte lenta de suas vítimas. Neste grupo há três tipos diferentes de hedonistas – sexuais, que buscam emoção, e os que tiram proveito – e assassinos em busca de poder. Assassinos sexuais obtêm prazer sexual ao matar. Assassinos que buscam emoção se excitam com isso. Assassinos que tiram proveito matam porque acreditam que vão lucrar de alguma maneira. Assassinos que buscam o poder querem “brincar de Deus” ou ter controle da vida e da morte.

O primeiro serial killer dos Estados Unidos
H.H. Holmes, condenado por nove assassinatos, é geralmente considerado o primeiro serial killer dos Estados Unidos. Holmes confessou 27 assassinatos, e alguns investigadores acreditavam que ele poderia ter matado centenas de pessoas, na verdade. Ele começou matando convidados no hotel “castelo” que ele abriu para receber visitantes da World’s Fair, em 1893, em Chicago. Os crimes de Holmes foram descobertos em uma inspeção após um zelador dizer à polícia que ele não tinha autorização para limpar certos andares do hotel. Ele foi condenado e enforcado em 1896. O interesse pelo caso Holmes foi reavivado em 2003 com a publicação de “O Demônio na Cidade Branca”, livro que justapõe os assassinatos com a construção da World’s Fair.

O comportamento dos serial killers

Os serial killers também podem ser classificados por suas habilidades organizacionais e sociais. Podem ser organizados ou desorganizados (dependendo do tipo de cena do crime) e não-sociais ou anti-sociais (dependendo de são excluídos pela sociedade ou se excluem dela). O quadro abaixo ilustra comportamentos dos dois tipos mais comuns.

comportamento do serial killer

A maioria dos assassinos seriais identificados são organizados e não-sociais. Muitos deles também seguem alguns outros padrões básicos. Mais de 80% dos serial killers são homens brancos, na faixa dos 20 aos 30 anos [fonte: Hickey]. Serial killers são geralmente inteligentes, e matam com freqüência mulheres brancas. Não há como dizer que uma pessoa é um serial simplesmente por sua aparência – a maioria deles é de um sujeito comum. Ted Bundy, condenado por 30 assassinatos, era descrito como uma pessoa atraente, carismática e articulada. John Wayne Gacy era uma figura popular em sua comunidade e fazia performances como palhaço em festas do bairro. Ele conheceu a primeira-dama Rosalynn Carter quando foi chefe de seção eleitoral do Partido Democrata local. Também foi condenado pelo assassinato de 33 garotos e homens.

Geralmente os serial killers demonstram três comportamentos durante a infância, conhecidos como a tríade MacDonald: fazem xixi na cama, causam incêndios, e são cruéis com animais. É também provável que tenham vindo de lares desfeitos, e que tenham sofrido abuso ou negligência. Apesar de alguns serem tímidos e introvertidos, outros são sociáveis e expansivos, mas na verdade se sentem muito isolados.

Muitos teóricos apontam as infâncias conturbadas dos serial killers como uma possível razão para seus atos. Falaremos sobre isso e sobre outras teorias de por que eles matam no próximo capítulo.

aileen wuornos
Florida DOC/Getty Images

Exceções à regra
Já houve serial killers mulheres, serial killers que eram membros de minorias raciais e étnicas, serial killers que matavam pessoas de outras raças e serial killers que começaram a matar durante a infância.

  • Aileen Wuornos (acima), retratada no filme “Monster – Desejo Assassino” (2003), foi condenada por matar sete homens. Ela foi executada com injeção letal em 2002.
  • A maioria das vítimas de Jeffrey Dahmer e John Wayne Gacy – ambos brancos – foi de homens e garotos de minorias raciais ou étnicas.
  • Mary Bell tinha 10 anos de idade quando foi condenada pelo assassinato de dois meninos na Inglaterra em 1968. Depois de ser encarcerada em um reformatório para meninos e depois em uma prisão feminina, foi libertada aos 23 anos.

As motivações dos serial killers

 

jeffrey dahmer
Eugene Garcia/AFP/Getty Images
Jeffrey Dahmer em seu julgamento,
em 1991. Ele matou pelo menos
17 homens e garotos.

Um dos aspectos mais estudados dos assassinatos em série é “por quê?”. Várias teorias foram anunciadas como explicações em potencial. Mas “esclarecer como um serial killer é criado é como resolver um cubo mágico” [fonte: Vronsky]. Em outras palavras, não existe resposta. Vejamos então três teorias possíveis: negligência e abuso na infância, doença mental e danos cerebrais.Negligência e abuso
Uma teoria gira em torno da negligência e do abuso sofridos por muitos serial killers quando crianças. Robert Ressler e Tom Shachtman descrevem um estudo conduzido pelo FBI, que incluiu entrevistas com dezenas de assassinos (a maioria deles serial killers). Em cada caso, eles descobriram “padrões similares de negligência infantil grave” [fonte: Ressler & Shachtman]. Durante o desenvolvimento de uma criança, há períodos importantes durante os quais elas aprendem sobre o amor, a verdade, a empatia, e regras básicas para interagir com outros seres humanos. Se estes traços não são ensinados para a criança durante aquele período, pode ser que ela não os aprenda durante a vida.

Serial killers frequentemente sofreram abuso físico ou sexual quando crianças, ou testemunharam o abuso de membros da família. Este padrão de negligência e abuso, dizem alguns pesquisadores, leva serial killers a crescer sem a percepção de ninguém além deles mesmos. Mas ao mesmo tempo, muitas crianças crescem sofrendo negligência e abuso, mas não se tornam criminosos violentos ou serial killers.

Na próxima página falaremos sobre doenças mentais e danos cerebrais nos serial killers.

Alguns serial killers condenados

  • Gary Ridgway, o “Assassino de Green River”, confessou o assassinato de quatro mulheres, todas elas prostitutas. Ridgway foi um assassino missionário. Em sua contestação, disse: “Odeio a maioria das prostitutas” [fonte: CNN.com].
  • Muitos dos casos que receberam mais publicidade foram de assassinos sexuais, incluindo Jeffrey Dahmer, Ted Bundy e John Wayne Gacy. Os três obtiveram prazer sexual na tortura e assassinato de suas vítimas.
  • David Berkowitz, o “Filho de Sam”, era um assassino que buscava emoção e gostava da excitação de matar. Ele não tocou em nenhuma de suas 15 vítimas (seis das quais morreram, nove ficaram feridas), mas as seguiu e atirou nelas de longe.

As motivações dos serial killers

 

jeffrey dahmer
Eugene Garcia/AFP/Getty Images
Jeffrey Dahmer em seu julgamento,
em 1991. Ele matou pelo menos
17 homens e garotos.

Um dos aspectos mais estudados dos assassinatos em série é “por quê?”. Várias teorias foram anunciadas como explicações em potencial. Mas “esclarecer como um serial killer é criado é como resolver um cubo mágico” [fonte: Vronsky]. Em outras palavras, não existe resposta. Vejamos então três teorias possíveis: negligência e abuso na infância, doença mental e danos cerebrais.Negligência e abuso
Uma teoria gira em torno da negligência e do abuso sofridos por muitos serial killers quando crianças. Robert Ressler e Tom Shachtman descrevem um estudo conduzido pelo FBI, que incluiu entrevistas com dezenas de assassinos (a maioria deles serial killers). Em cada caso, eles descobriram “padrões similares de negligência infantil grave” [fonte: Ressler & Shachtman]. Durante o desenvolvimento de uma criança, há períodos importantes durante os quais elas aprendem sobre o amor, a verdade, a empatia, e regras básicas para interagir com outros seres humanos. Se estes traços não são ensinados para a criança durante aquele período, pode ser que ela não os aprenda durante a vida.

Serial killers frequentemente sofreram abuso físico ou sexual quando crianças, ou testemunharam o abuso de membros da família. Este padrão de negligência e abuso, dizem alguns pesquisadores, leva serial killers a crescer sem a percepção de ninguém além deles mesmos. Mas ao mesmo tempo, muitas crianças crescem sofrendo negligência e abuso, mas não se tornam criminosos violentos ou serial killers.

Na próxima página falaremos sobre doenças mentais e danos cerebrais nos serial killers.

Alguns serial killers condenados

  • Gary Ridgway, o “Assassino de Green River”, confessou o assassinato de quatro mulheres, todas elas prostitutas. Ridgway foi um assassino missionário. Em sua contestação, disse: “Odeio a maioria das prostitutas” [fonte: CNN.com].
  • Muitos dos casos que receberam mais publicidade foram de assassinos sexuais, incluindo Jeffrey Dahmer, Ted Bundy e John Wayne Gacy. Os três obtiveram prazer sexual na tortura e assassinato de suas vítimas.
  • David Berkowitz, o “Filho de Sam”, era um assassino que buscava emoção e gostava da excitação de matar. Ele não tocou em nenhuma de suas 15 vítimas (seis das quais morreram, nove ficaram feridas), mas as seguiu e atirou nelas de longe.

Como pegar um serial killer

Um serial killer continua matando até que uma das quatro coisas a seguir aconteça: ele é pego, morre, se mata, ou se cansa de matar. Obviamente, quando a polícia determina que uma corrente de assassinatos pode ser atribuída a uma pessoa, o objetivo é prendê-la o mais rápido possível. Mas como eles descobrem quem foi? E como os serial killers são pegos?

assassino de green river
Promotoria de King County/Getty Images
Investigadores procuram restos de uma vítima de
Gary Ridgway, o Assassino de Green River

Logo depois de qualquer homicídio, investigar a cena do crime e realizar uma autópsia fazem parte da rotina da polícia para tentar resolver o crime. Quando todas as informações são coletadas, podem ser adicionadas a um banco de dados nacional, mantido pelo FBI, como parte do ViCAP (Programa de Prisão de Criminosos Violentos). Este programa pode ajudar a determinar padrões, ou assinaturas, que ligam homicídios diferentes.

Segundo o especialista em perfis do FBI John Douglas, a assinatura “é um ritual, algo que o sujeito faz intencionalmente para obter satisfação emocional – algo que não é necessário para perpetuar o crime” [fonte: JohnDouglas.com]. Alguns serial killers colocam as vítimas em certas posições, ou as deixam em determinados locais depois de matá-las. Outra assinatura pode ser um método de tortura ou mutilação. É o que o assassino faz para satisfazer suas fantasias, e pode dizer muito aos investigadores sobre sua personalidade.

Os investigadores também observam o MO, ou modus operandi, do crime. O MO mostra o que o assassino teve de fazer para cometer o crime. Isto inclui tudo, desde seduzir e encarcerar sua vítima até a maneira como ele a mata. O MO de um serial killer pode mudar com o tempo. Basicamente, ele aprende com erros passados e melhora com o tempo.

Violência nos genes?
A maioria das pessoas tem dois cromossomos sexuais, XX (mulheres) ou XY (homens). Mas algumas pessoas têm um cromossomo Y a mais, e têm a síndrome de Klinefelter. Pessoas com esta doença são geralmente homens e têm níveis de testosterona mais baixos que homens XY. Alguns pesquisadores sugeriram que homens XYY são mais agressivos e têm mais chance de serem abusivos fisicamente. Descobriu-se que Arthur Shawcross era um homem XYY. A síndrome de Klinefelter ocorre em 1 entre 500 e 1 entre 1.000 nascimentos [fonte: Palomar College]. Portanto, ao passo em que pode ser um fator, certamente não pode ser o único fator determinante da constituição de um serial killer

Traçando o perfil de um serial killer

 

ed gein
Francis Miller/Time & Life Pictures/Getty ImagesEd Gein, inspiração para
a personagem de Buffalo Bill em
“O Silêncio dos Inocentes”

Determinar a assinatura e o MO são aspectos usados para se traçar o perfil. A unidade de Ciências Comportamentais do FBI desenvolveu o processo de traçar perfis nos anos 70, e Ted Bundy foi um dos primeiros serial killers a ter seu perfil traçado. Estudos de psicólogos e psiquiatras e informações reunidas de assassinatos em série do passado entram na criação do perfil, juntamente com informações da cena do crime e depoimentos de testemunhas. Por exemplo, se a vítima é branca, o assassino provavelmente é branco. Se a cena do crime mostra sinais de um planejamento cuidadoso, o assassino é provavelmente inteligente e mais velho. Se a vítima foi mutilada de maneira desorganizada, o assassino é provavelmente esquizofrênico (em inglês), e esquizofrênicos são geralmente muito magros e desleixados [fonte: Vronsky].Os perfis não são 100% exatos, mas geralmente chegam muito perto. Segundo Robert Keppell, detetive que tomou a confissão de Bundy, o perfil montado para os crimes de Bundy era perfeito, “chegando ao ponto em que previa que ele tinha um meio-irmão e ele tinha mesmo” [fonte: Bellamy].

Quando o perfil é finalizado, os investigadores conferem a lista de suspeitos e determinam qual deles provavelmente cometeu o crime e a melhor forma de capturá-lo. Alguns serial killers organizados, como Dennis Rader (o Assassino BTK), sentem a necessidade de insultar a polícia, o que às vezes leva à sua captura. Rader mandou para a polícia um disquete com meta-dados que foram rastreados e chegaram à sua igreja. Muitos serial killers, até mesmo aqueles incrivelmente organizados e metódicos, acabam dando uma escorregadela que leva à sua prisão. No caso de Jeffrey Dahmer, uma vítima escapou e levou a polícia ao apartamento de Dahmer. Algumas vítimas de John Wayne Gacy haviam trabalhado em sua construtora.

Mas nem todos os serial killers são pegos. Alguns são presos ou pegos por outros crimes, e evidências levam os investigadores aos assassinatos. Ted Bundy foi pego em uma operação de rotina da polícia no trânsito, e David Berkowitz, o “Filho de Sam”, foi pego por ficar vagando na rua, e acreditava-se que era testemunha dos crimes ao invés de o assassino.

Quando condenados, a maioria dos serial killers passa o resto da vida na prisão ou é executada se a pena de morte (em inglês) existir em seu estado. Ed Gein é uma exceção. Num primeiro momento, declarado incapaz para um julgamento, Gein foi mandado para uma instituição psiquiátrica. Seu psiquiatra então determinou que ele era capaz de ir a julgamento, e o juiz o considerou inocente por razão de insanidade. Gein morreu em 1984 de deficiência cardíaca.

Muitos pesquisadores concordam que não há uma maneira de “curar” um serial killer. Alguns serial killers que passaram um tempo em instituições psiquiátricas depois de cometer os crimes ou receberam tratamento psiquiátrico foram considerados “curados” e foram libertos. Mas mataram de novo. Peter Woodcock passou 35 anos em um hospital psiquiátrico para criminosos em Ontário, no Canadá, depois de matar três crianças. Poucas horas depois de ser solto, matou um colega paciente do hospital e foi imediatamente enviado de volta à instituição.

Até sabermos mais sobre como barrar serial killers antes que comecem a matar ou melhorarmos as maneiras de capturá-los antes de continuarem seu ciclo de assassinatos, eles continuarão sendo uma realidade, assim como os assassinatos em si.

Para mais informações sobre pesquisas online e assuntos relacionados, confira os links na próxima página.

Serial Killers na cultura pop
Um dos primeiros filmes a retratar um serial killer foi o suspense de Hitchcock “Psicose” (1960), baseado no livro homônimo de Robert Bloch e inspirado no assassino de verdade Ed Gein. Gein também inspirou o “Massacre da Serra Elétrica” e a personagem Buffalo Bill em “O Silêncio dos Inocentes”. O último filme também mostrou ao público como o FBI traça perfis e o sistema ViCAP. Há vários livros, romances, filmes e programas de TV sobre crimes de verdade que se dedicam ao fenômeno. Mas por que eles são tão populares? Talvez as pessoas fiquem fascinadas porque o que os serial killers fazem é extremamente horripilante. Elas gostam de sentir medo com filmes e livros sobre serial killers. Algumas pessoas levam esse fascínio além. Até pouco tempo atrás, uma busca no eBay por “lembranças de serial killers” trazia resultados de itens pessoais de serial killers condenados, incluindo roupas, pinturas e cartas. O eBay baniu a venda destas e outras “lembranças de assassinatos” depois de protestos de grupos de defesa dos direitos das vítimas. Um website vende bonecos, calendários e cartões colecionáveis de serial killers.
 

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CHE GUEVARA

 

VEJA Especial,30 Set

Che – Há quarenta anos morria o homem e nascia a farsa

“Não disparem. Sou Che. Valho mais vivo do que morto.” Há quarenta anos, no dia 8 de outubro de 1967, essa frase foi gritada por um guerrilheiro maltrapilho e sujo metido em uma grota nos confins da Bolívia. Nunca mais foi lembrada. Seu esquecimento deve-se ao fato de que o pedido de misericórdia,não combina com a aura mitológica criada em torno de tudo o que se refere à vida e à morte de Ernesto Guevara argentino, o Che, que antes, para os companheiros, era apenas “el chancho”, o porco, porque não gostava de banho e “tinha cheiro de rim fervido”.

Exceto na revolução cubana, sua vida foi uma seqüência de fracassos. Como guerrilheiro, foi derrotado no Congo e na Bolívia.

Essa é a realidade esquecida. No mito, sempre lembrado, ecoam as palavras ditas ao tenente boliviano Mário Terán, encarregado de sua execução, e que parecia hesitar em apertar o gatilho: “Você vai matar um homem”. Essas, sim, servem de corolário perfeito a um guerreiro disposto ao sacrifício em nome de ideais que valem mais que a própria vida. Ambas as frases foram relatadas por várias testemunhas e meticulosamente anotadas pelo capitão Gary Prado Salmón, do Exército boliviano, responsável pela captura de Che. Provenientes das mesmas fontes, merecem, portanto, idêntica credibilidade.O esquecimento de uma frase e a perpetuação da outra resumem o sucesso da máquina de propaganda marxista na elaboração de seu maior e até então intocado mito. Che tem um apelo que beira a lenda entre os jovens dos cinco continentes. Como homem de carne e osso, com suas fraquezas, sua maníaca necessidade de matar pessoas, sua crença inabalável na violência política e a busca incessante da morte gloriosa, foi um ser desprezível. “Ele era adepto do totalitarismo até o último pêlo do corpo”, escreveu sobre ele o jornalista francês Régis Debray, que por alguns meses conviveu com Che na Bolívia.

Por suas convicções ideológicas, Che tem seu lugar assegurado na mesma lata de lixo onde a história já arremessou há tempos outros teóricos e práticos do comunismo, como Lenin, Stalin, Trotsky, Mao e Fidel Castro. Entre a captura e a execução de Che na Bolívia, passaram-se 24 horas. Nesse período, o governo boliviano e os americanos da CIA que ajudaram na operação decidiram entre si o destino de Guevara. Execução sumária? Não para os padrões de Che. Centenas de homens que ele fuzilou em Cuba tiveram sua sorte selada em ritos sumários cujas deliberações muitas vezes não passavam de dez minutos.

VEJA conversou com historiadores, biógrafos, antigos companheiros de Che na guerrilha e no governo cubano na tentativa de entender como o rosto de um apologista da violência, voluntarioso e autoritário, foi parar no biquíni de Gisele Bündchen, no braço de Maradona, na barriga de Mike Tyson, em pôsteres e camisetas. Seu retrato clássico – feito pelo fotógrafo cubano Alberto Korda em 1960 – é a fotografia mais reproduzida de todos os tempos. O mito é particularmente enganoso por se sustentar no avesso do que o homem foi, pensou e realizou durante sua existência. Incapaz de compreender a vida em uma sociedade aberta e sempre disposto a eliminar a tiros os adversários – mesmo os que vestiam a mesma farda que ele –, Che é, paradoxalmente, visto como um símbolo da luta pela liberdade.

Guevara é responsável direto pela morte de 49 jovens inexperientes recrutas que faziam o serviço militar obrigatório na Bolívia. Eles foram mobilizados para defender a soberania de sua pátria e expulsar os invasores cubanos, sob cujo fogo pereceram. Tendo ajudado a estabelecer um sistema de penúria em Cuba, Che agora é apresentado como um símbolo de justiça social. Politicamente dogmático, aferrado com unhas e dentes à rigidez do marxismo-leninismo em sua vertente mais totalitária, passa por livre-pensador.

O regime policialesco de Fidel Castro não permite que aqueles que conviveram com Che e permanecem em Cuba possam ir além da cinzenta ladainha oficial. Por isso, apesar do rancor que pode apimentar suas lembranças, os exilados cubanos são vozes de maior credibilidade. O movimento que derrubou o ditador Fulgencio Batista, em 1959, não foi uma ação de comunistas, como pretende Fidel Castro. Boa parte da liderança revolucionária e dos comandantes guerrilheiros tinha por objetivo a instauração da democracia em Cuba. Mas foi surpreendida por um golpe comunista dentro da revolução. Acabaram presos, fuzilados ou deportados. Desde o início, Che representou a linha dura pró-soviética, ao lado do irmão de Fidel, Raul Castro. Na versão mitológica, Che era dono de um talento militar excepcional. Seus ex-companheiros, no entanto, lembram-se dele como um comandante imprudente, irascível, rápido em ordenar execuções e mais rápido ainda em liderar seus camaradas para a morte, em guerras sem futuro no Congo e na Bolívia.

Huber Matos, que lutou sob as ordens do argentino em Cuba, falou a VEJA sobre o fracasso de Che como comandante: “A luta foi difícil na primavera de 1958. A frente de comportamento mais desastroso foi a de Che. Mas isso não o afetou, porque era o favorito de Fidel, que nos impedia de discutir abertamente o trabalho pífio de seu protegido como guerrilheiro”. Pouco depois do triunfo da guerrilha, ao perceber os primeiros sinais de tirania, Huber renunciou a seu posto no governo revolucionário e informou que voltaria a ser professor. Preso dois dias depois, passou vinte anos na cadeia. Vive hoje em Miami. À moda soviética, sua imagem foi removida das fotos feitas durante a entrada solene em Havana, em que aparecia ao lado de Fidel e Camilo Cienfuegos, outro comandante não comunista desaparecido em circunstâncias misteriosas nos primórdios da revolução.

Nomeado comandante da fortaleza La Cabaña, para onde eram levados presos políticos, Che Guevara a converteu em campo de extermínio. Nos seis meses sob seu comando, duas centenas de desafetos foram fuzilados, sendo que apenas uma minoria era formada por torturadores e outros agentes violentos do regime de Batista. A maioria era apenas gente incômoda.

Napoleon Vilaboa, membro do Movimento 26 de Julho e assessor de Che em La Cabaña, conta agora ter levado ao gabinete do chefe um detido chamado José Castaño, oficial de inteligência do Exército de Batista. Sobre Castaño não pesava nenhuma acusação que pudesse produzir uma sentença de morte. Fidel chegou a ligar para Che para depor a favor de Castaño. Tarde demais. Enquanto dava voltas em torno de sua mesa e da cadeira onde estava o militar, Che sacou a pistola 45 e o matou ali mesmo com balaços na cabeça. Em outra ocasião, Che foi procurado por uma mãe desesperada, que implorou pela soltura do filho, um menino de 15 anos preso por pichar muros com inscrições contra Fidel. Um soldado informou a Che que o jovem seria fuzilado dali a alguns dias. O comandante, então, ordenou que fosse executado imediatamente, “para que a senhora não passasse pela angústia de uma espera mais longa”.

Em seu diário da campanha em Sierra Maestra, Che antecipa o seu comportamento em La Cabaña. Ele descreve com naturalidade como executou Eutímio Guerra, um rebelde acusado de colaborar com os soldados de Batista: “Acabei com o problema dando-lhe um tiro com uma pistola calibre 32 no lado direito do crânio, com o orifício de saída no lobo temporal direito. Ele arquejou um pouco e estava morto. Seus bens agora me pertenciam”. Em outro momento, Che decidiu executar dois guerrilheiros acusados de ser informantes de Batista. Ele disse: “Essa gente, como é colaboradora da ditadura, tem de ser castigada com a morte”. Como não havia provas contra a dupla, os outros rebeldes presentes se opuseram à decisão de Che. Sem lhes dar ouvidos, ele executou os dois com a própria pistola. Essa frieza e a crueldade sumiram atrás da moldura romântica que lhe emprestaram, construída pelos mesmos ideólogos que atribuíram a ele a frase famosa – “Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás”. Frase criada pela propaganda esquerdista.

Como o jovem aventureiro que excursionou de motocicleta pelas Américas se tornou um assassino cruel e maníaco? O jornalista americano Jon Lee Anderson, autor da mais completa biografia de Che, escreveu que ele era um fatalista – e esse fatalismo aguçou-se depois que se juntou aos guerrilheiros cubanos. “Para ele, a realidade era apenas uma questão de preto e branco. Despertava toda manhã com a perspectiva de matar ou morrer pela causa”, afirma Anderson.

Ernesto Guevara Lynch de la Serna nasceu em 14 de maio de 1928, em uma família de esquerdistas ricos na Argentina. Sofreu de asma a vida inteira. Antes de se formar em medicina, profissão que nunca exerceu de fato, viajou pela América do Sul durante oito meses. Depois de terminada a faculdade, saiu da Argentina para nunca mais voltar. Encontrou-se com Fidel Castro no México, em 1955, onde aprendeu técnicas de guerrilha. No ano seguinte, participou do desembarque em Cuba do pequeno contingente de revolucionários. Depois de dois anos de combates na Sierra Maestra, Fidel tomou o poder em Havana. Che ocupou-se primeiro dos fuzilamentos e, depois, da economia, assunto do qual nada entendia. José Illan, que foi vice-ministro de Finanças antes de fugir de Cuba, contou a VEJA que o argentino “desprezava os técnicos e tratava a nós, os jovens cubanos, com prepotência”. No comando do Banco Central e depois do Ministério da Indústria, Che começou a nacionalizar a indústria e foi o principal defensor do controle estatal das fábricas. “Che era um utópico que acreditava que as coisas podiam ser feitas usando-se apenas a força de vontade”, diz o historiador Pedro Corzo, do Instituto da Memória Histórica Cubana, em Miami. Como resultado de sua “força de vontade”, a produção agrícola caiu pela metade e a indústria açucareira, o principal produto de exportação de Cuba, entrou em colapso. Em 1963, em estado de penúria, a ilha passou a viver da mesada enviada pela então União Soviética.

 Não havia mais o que Che pudesse fazer em Cuba. Era ministro da Indústria, mas divergia de Fidel em questões relativas ao desenvolvimento econômico. De maneira simplista, ele acreditava que incentivos morais tinham maiores probabilidades de estimular o trabalho. Che também se tornou crítico feroz da União Soviética, da qual o regime cubano dependia para sobreviver. Não por discordar do Kremlin, mas porque julgava os soviéticos tímidos na promoção da revolução armada no Terceiro Mundo. Para se livrar dele, Fidel o mandou como delegado à Assembléia-Geral das Nações Unidas em 1964. No ano seguinte, Che foi secretamente combater no Congo, à frente de soldados cubanos. Ali, paralisado por incompreensíveis rivalidades tribais, derrotado no campo de batalha e abatido pela diarréia, Che propôs a seus comandados lutar até a morte. Mas foi demovido do propósito pela soldadesca, que não aceitou o sacrifício numa guerra sem sentido.

Daí em diante o argentino tornou-se uma figura patética. Em Havana, Fidel divulgara a carta em que ele renunciava à cidadania cubana e anunciava sua disposição de levar a guerra revolucionária a outras plagas. Pego de surpresa pela leitura prematura do documento, Che ficou no limbo, sem ter para onde voltar. “Sua vida foi uma seqüência de fracassos”, disse a VEJA o historiador cubano Jaime Suchlicki, da Universidade de Miami. “Como médico, nunca exerceu a profissão. Como ministro e embaixador, não conseguiu o que queria. Como guerrilheiro, foi eficiente apenas em matar por causas sem futuro.” Na falta de opções, Che escolheu a Bolívia para sua nova aventura guerrilheira. Ele lutaria em território montanhoso e inóspito, imerso na selva, sem falar o dialeto indígena dos camponeses bolivianos. O plano original era adentrar, pela fronteira, a província argentina de Salta. Mas um contigente exploratório foi aniquilado rapidamente pelo exército daquele país. A missão boliviana era, de todos os pontos de vista, suicida. Ainda assim, Fidel a apoiou, a ponto de designar alguns soldados de seu exército para o destacamento guerrilheiro. O ditador cubano também equipou e financiou a expedição, com a qual manteve contato até que seu fracasso se tornou evidente.

Além da falta de apoio do povo boliviano, que tratou os cubanos chefiados por Che como um bando de salteadores, a expedição fracassou também pela traição do Partido Comunista Boliviano. VEJA perguntou a um de seus mais altos dirigentes dos anos 60, Juan Coronel Quiroga: “O PCB traiu Che Guevara?”. Resposta de Quiroga: “Sim”. A explicação? “Nosso partido era afinado com Moscou, onde a estratégia de abrir focos de guerrilha como a de Che estava há muito desacreditada.” Quiroga era amigo pessoal do então ministro da Defesa da Bolívia e conseguiu que as mãos do cadáver de Che Guevara fossem decepadas, mantidas em formol e entregues a ele. “Por anos guardei as mãos de Che debaixo da minha cama em um grande pote de vidro. Um dia meu filho deparou com aquilo e quase entrou em pânico”, conta Quiroga. Anos mais tarde, coube a Quiroga a missão de entregar o lúgubre pote com as mãos de Guevara à Embaixada de Cuba em Moscou.

A morte de Che foi central para a estabilização do regime cubano nos anos 60, de acordo com o polonês naturalizado americano Tad Szulc, na sua celebrada biografia de Fidel. O fim do guerrilheiro argentino ajudou o ditador a pacificar suas relações com Moscou e ainda lhe forneceu um ícone de aceitação mais ampla que a própria revolução. O esforço de construção do mito foi facilitado por vários fatores. Quando morreu, Che era uma celebridade internacional. Boa-pinta, saía ótimo nas fotografias. A foto do pôster que enfeita quartos de milhões de jovens foi tirada num funeral em Havana, ao qual compareceram o filósofo francês Jean-Paul Sartre – que exaltou Che como “o mais completo ser humano de nossa era” – e sua mulher, a escritora Simone de Beauvoir. A foto de 1960 só ganhou divulgação mundial sete anos depois, nas páginas da revista Paris Match. Dois meses mais tarde, Che foi morto na selva boliviana e Fidel fez um comício à frente de uma enorme reprodução da imagem, que preenchia toda a fachada de um prédio público cubano. Nascia o pôster.

Três fatos ajudaram a consolidar o mito. O primeiro foi a morte prematura de Che, que eternizou sua imagem jovem. Aos 39 anos, ele estava longe de ser um adolescente quando foi abatido, mas a pinta de galã lhe garantia um aspecto juvenil. O fim precoce também o salvou de ser associado à agonia do comunismo. A decadência física e política de Fidel Castro, desmoralizado pela responsabilidade no isolamento e no atraso econômico que afligem o povo cubano, dá uma idéia do que poderia ter acontecido com Che, que era apenas dois anos mais jovem que o ditador.

O segundo fato foi a ajuda involuntária de seus algozes. Preocupados em reunir provas convincentes de que o guerrilheiro célebre estava morto, os militares bolivianos mandaram lavar o corpo e aparar e pentear sua barba e seu cabelo. Também resolveram trocar sua roupa imunda. Tudo isso para poder tirar fotos em que ele fosse facilmente identificado. O resultado é um retrato com espantosa semelhança com as pinturas barrocas do Cristo morto de expressão beatificada. A terceira contribuição recebida pelos esquerdistas na construção do mito veio do contexto histórico. Che morreu às vésperas dos grandes protestos em defesa dos direitos civis, da agitação dos movimentos estudantis e da revolução de costumes da contracultura – turbulências que marcaram o ano de 1968. Era um personagem perfeito para ser símbolo da juventude de então, que se definia pela “determinação exacerbada e narcisista de conseguir tudo aqui e agora”, como escreveu o mexicano Jorge Castañeda, em sua biografia de Che. A história, no entanto, mostra que o homem era muito diferente do mito.

Se houve um ganhador da Guerra Fria, foi Che Guevara. Ele morreu e foi santificado antes que seu narcisismo suicida e os crimes que decorreram dele pudessem ser julgados com distanciamento, sob uma luz mais civilizada, que faria aflorar sua brutalidade com nitidez. Pobre Fidel Castro. Enquanto Che foi cristalizado na foto hipnótica de Alberto Korda, ele próprio, o supremo comandante, aparece cada dia mais roto.

Felix Rodríguez foi uma das últimas pessoas a conversar com Che Guevara. Mais do que isso, foi ele quem recebeu e transmitiu a ordem para que o guerrilheiro fosse executado. Cubano exilado nos Estados Unidos, ele era o operador de rádio enviado à Bolívia pela CIA para auxiliar na caçada e, também, para ajudar a identificar Guevara. Veterano da fracassada invasão da Baía dos Porcos, em 1961, Rodríguez vive hoje em Miami, aos 66 anos. Ele falou ao repórter Duda Teixeira.

COMO CHEGOU A ORDEM PARA MATAR CHE?
As instruções que recebi nos Estados Unidos eram para poupar sua vida. A CIA sabia da divergência de idéias entre Che e Fidel e acreditava que, a longo prazo, ele poderia cooperar com a agência. A ordem para sua execução veio por rádio, de uma alta autoridade boliviana. Era uma mensagem em código: “500, 600”. O primeiro número, 500, significava Guevara. O segundo, que ele deveria ser morto. Tentei em vão convencer os militares bolivianos a permitir que ele fosse levado para ser interrogado no Panamá. Eles negaram meu pedido e me deram um prazo. Eu deveria entregar o corpo de Guevara até as 2 horas da tarde. Perto das 11h30, uma senhora aproximou-se de mim e perguntou quando iríamos matá-lo, pois ouvira no rádio que Che havia morrido em combate. Naquele momento compreendi que a decisão de executá-lo era irrevogável.
 

COMO FOI SUA ÚLTIMA CONVERSA COM ELE?
Fui até o local de seu cativeiro e disse a ele que lamentava, mas eram ordens superiores. Che ficou branco como um papel. “É melhor assim. Eu nunca deveria ter sido capturado vivo”, falou. Tirou o cachimbo da boca e me pediu para que o desse a um dos soldados. Ofereci-me para transmitir mensagens à sua família. “Diga a Fidel que esse fracasso não significa o fim da revolução, que logo ela triunfará em alguma parte da América Latina”, ele falou em tom sarcástico. Aí lembrou da esposa. “Diga a minha senhora que se case outra vez e trate de ser feliz.” Foram suas últimas palavras. Apertou a minha mão e me deu um abraço, como se pensasse que eu seria o carrasco. Saí dali e avisei a um tenente armado com uma carabina M2, automática, que a ordem já tinha sido dada. Recomendei a ele que atirasse da barba para baixo, porque se supunha que Che havia morrido em combate. Eram 13h10 quando escutei o barulho de tiros. Che Guevara tinha sido morto.

COMO FOI O SEU PRIMEIRO CONTATO COM CHE GUEVARA?
Cheguei a La Higuera de helicóptero em 9 de outubro, um dia depois da captura de Che Guevara. Eu o encontrei com os pés e as mãos amarrados, ao lado dos corpos de dois cubanos. Sangrava de uma ferida na perna. Era um homem totalmente arrasado. Parecia um mendigo.

COMO FORAM AS RELAÇÕES DE CHE COM A POPULAÇÃO NA BOLÍVIA?
Para sobreviver, é essencial que uma força guerrilheira conte com o apoio da população local. A aventura de Che na Bolívia foi um caso único em que uma guerrilha não conseguiu recrutar um único morador da área onde atuou. Só um agricultor ganhou a confiança dos guerrilheiros, e mesmo esse acabou por passar informações que permitiram ao Exército armar uma emboscada. Os poucos bolivianos que participaram da guerrilha eram dissidentes do Partido Comunista. Nenhum camponês.

Limparam Che para a foto
No dia de sua morte, amarrado ao esqui de um helicóptero militar, Che Guevara foi levado do local da execução para um vilarejo chamado Vallegrande. A brasileira Helle Alves, repórter, e o fotógrafo Antonio Moura, então trabalhando para o Diário da Noite, de São Paulo, viram a chegada do corpo, que foi levado para a lavanderia do hospital local (acima). Ali, Moura foi o único jornalista a fotografar o corpo de Guevara ainda sujo, vestido de trapos e calçado com o que sobrou de uma botina artesanal de couro (abaixo). Moura conseguiu fotografar o corpo antes da limpeza e da arrumação. “Che usava um calço em um dos calcanhares, provavelmente para corrigir uma diferença de tamanho entre uma perna e outra”, lembra Helle. Ela contou pelo menos dez marcas de tiro no corpo do argentino. “Os moradores tinham raiva dele e invadiram a lavanderia, mas, quando viram o corpo, passaram a dizer que ele parecia Jesus Cristo.” Começara o mito.

 

O MITO

Nascido em 14 de junho de 1928 na cidade de Rosário, Guevara foi o primeiro dos cincos filhos do casal Ernesto Lynch e Celia de la Serna y Llosa. Sua mãe foi a principal responsável por sua formação porque, mesmo sendo católica, mantinha em casa um ambiente de esquerda e sempre estava cercada por mulheres politizadas.Desde pequeno, Ernestito – como era chamado – sofria ataques de asma e por essa razão, aos 12 anos, se mudou com a família para as serras de Córdoba, onde morou perto de uma favela. A discriminação para com os mais pobres era comum à classe média argentina, porém Che não se importava e fez várias amizades com os favelados. Estudou grande parte do ensino fundamental em casa com sua mãe. Na biblioteca de sua casa – que reunia cerca de 3000 livros – havia obras de Marx, Engels e Lenin, com os quais se familiarizou em sua adolescência.
Em 1947, Ernesto entra na Faculdade de Medicina da Universidade de Buenos Aires, motivado em primeiro lugar por sua própria doença, desenvolvendo logo um especial interesse pela lepra.
Em 1952, realiza uma longa jornada pela América do Sul com o melhor amigo, Alberto Granado, percorrendo 10.000 km em uma moto Norton 500, apelidada de ‘La Poderosa’. Observam, se interessam por tudo, analisam a realidade com olho crítico e pensamento profundo. Os oito meses dessa viagem marcam a ruptura de Guevara com os laços nacionalistas e dela se origina um diário. Aliás, escrever diários torna-se um hábito para o argentino, cultivado até a sua morte.
No Peru, trabalhou com leprosos e resolveu se tornar um especialista no tratamento da doença. Che saiu dessa viagem chocado com a pobreza e a injustiça social que encontrou ao longo do caminho e se identificou com a luta dos camponeses por uma vida melhor. Mais tarde voltou à Argentina onde completou seus estudos em medicina. Foi convocado para o exército, porém, no momento estava incompatibilizado com a ideologia peronista. Não admitia ter de defender um governo autoritário. Portanto, no dia da inspeção médica, tomou um banho gelado antes de sair de casa e na hora do exame teve um ataque de asma. Foi considerado inapto e dispensado.
Já envolvido com a política, em 1953 viajou para a Bolívia e depois seguiu para Guatemala com seu novo amigo Ricardo Rojo. Foi lá que Guevara conheceu sua futura esposa, a peruana Hilda Gadea Acosta e Ñico Lopez, que, futuramente, o apresentaria a Raúl Castro no México.

Na Guatemala, Arbenz Guzmán, o presidente esquerdista moderado, comandava uma ousada reforma agrária. Porém, os EUA, descontentes com tal ato que tiraria terras improdutivas de suas empresas concedendo-as aos famintos camponeses, planejou um golpe bem sucedido colocando no governo uma ditadura militar manipulada pelos yankees. Che ficou inconformado com a facilidade norte-americana de dominar o país e com a apatia dos guatemaltecos. A partir desse momento, se convenceu da necessidade de tomar a iniciativa contra o cruel imperialismo.

Com o clima tenso na Guatemala e perseguido pela ditadura, Che foi para o México. Alguns relatos dizem que corria risco de vida no território guatemalteco, mas essa ida ao México já estava planejada. Lá lecionava em uma universidade e trabalhava no Hospital Geral da Cidade do México, onde reencontrou Ñico Lopez, que o levou para conhecer Raúl Castro. Raúl, que se encontrava refugiado no México após a fracassada revolução em Cuba em 1953, se tornou rapidamente amigo de Che. Depois, Raúl apresentou Che a seu irmão mais velho Fidel que, do mesmo modo, tornou-se amigo instantaneamente. Tiveram a famosa conversa de uma noite inteira onde debateram sobre política mundial e, ao final, estava acertada a participação de Che no grupo revolucionário que tentaria tomar o poder em Cuba.

A partir desse momento começaram a treinar táticas de guerrilha e operações de fuga e ataque. Em 25 de novembro de 1956 os revolucionários desembarcam em Cuba e se refugiam na Sierra Maestra, de onde comandam o exército rebelde na bem-sucedida guerrilha que derrubou o governo de Fulgêncio Batista. Depois da vitória, em 1959, Che torna-se cidadão cubano e vira o segundo homem mais poderoso de Cuba. Marxista-leninista convicto, é apontado por especialistas como o responsável pela adesão de Fidel ao bloco soviético e pelo confronto do novo governo com os Estados Unidos.

Guevara queria levar o comunismo a toda a América Latina e acreditava apaixonadamente na necessidade do apoio cubano aos movimentos guerrilheiros da região e também da África. Da revolução em Cuba até sua morte, amargou três mal-sucedidas expedições guerrilheiras. A primeira na Argentina, em 1964, quando seu grupo foi descoberto e a maioria morta ou capturada. A segunda, um ano depois de fugir da Argentina, no antigo Congo Belga, mais tarde Zaire e atualmente República Democrática do Congo. E por fim na Bolívia, onde acabaria executado.

Sem a barba e a boina tradicionais, disfarçado de economista uruguaio, Che Guevara entrou na Bolívia em novembro de 1966. A ele se juntaram 50 guerrilheiros cubanos, bolivianos, argentinos e peruanos, numa base num deserto do Sudeste do país. Seu plano era treinar guerrilheiros de vários países para começar uma revolução continental.

Guevara foi capturado em 8 de outubro de 1967. Passou a noite numa escola de La Higuera, a 50 quilômetros de Vallegrande, e, no dia seguinte, por ordem do presidente da Bolívia, general René Barrientos, foi executado com nove tiros numa escola na aldeia de La Higuera, no centro-sul da Bolívia, no dia seguinte à sua captura pelos rangers do Exército boliviano, treinados pelos Estados Unidos.

Sua morte, no dia 9 de outubro de 1967, aos 39 anos, interrompeu o sonho de estender a Revolução Cubana à América Latina, mas não impediu que seus ideais continuassem a gozar de popularidade entre as esquerdas.

Os boatos que cercaram a execução de Che Guevara levantaram dúvidas sobre a identidade do guerrilheiro. A confusão culminou no desaparecimento dos seus restos mortais, encontrados apenas em 1997, quando o mundo recordava os trinta anos de sua morte, sob o terreno do aeroporto de Vallegrande. O corpo estava sem as mãos, amputadas para reconhecimento poucos dias depois da morte, e contrabandeadas para Cuba.

Em 17 de outubro de 1997, Che foi enterrado com pompas na cidade cubana de Santa Clara (onde liderou uma batalha decisiva para a derrubada de Batista), com a presença da família e de Fidel. Embora seus ideais sejam românticos aos olhos de um mundo globalizado, ele se transformou num ícone na história das revoluções do século XX e num exemplo de coerência política. Sua morte determinou o nascimento de um mito, até hoje símbolo de resistência para os países latino-americanos.
 
 
 
 

 

 

COMUNISMO

De forma geral, a maioria dos livros didáticos costuma atrelar o surgimento do comunismo em função da reflexão teórica apontada por Karl Marx e Friedrich Engels. Entretanto, essa idéia de que o comunismo seria fruto de uma mera reflexão de dois teóricos do século XIX pode ser vista sobre outro prisma. Basta compreendemos o comunismo enquanto experiência socialmente vivida e, ao mesmo tempo, buscarmos enxergar traços dessa mesma experiência na fala de outros pensadores.
O comunismo pode ser compreendido como certo tipo de ordenação social, política e econômica onde as desigualdades seriam sistematicamente abolidas. Por meio dessa premissa, a experiência comunista parte de um pressuposto comum onde a desigualdade social gera problemas que se desdobram em questões como a violência, a miséria e as guerras. A intenção de banir as diferenças entre os homens acaba fazendo com que muitos enxerguem o comunismo como uma utopia dificilmente alcançada.
 
 
 

 

 

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FRIDA KAHLO – 1907/1954

VÍTIMA DE UM TERRÍVEL ACIDENTE QUE POR TODA A VIDA A PRENDEU SOB UM COLETE DE GESSO, A DOR MARCA TODA SUA OBRA UTILIZANDO UMA LINGUAGEM VISUAL PRÓPRIA E ORIGINAL.

 O cenário político em que nasceu

O México de 1910 era marcado por uma gigantesca desigualdade social. Enquanto alguns milionários proprietários de terra dominavam extensões de mais de um milhão de km2, a grande massa de camponeses não possuía o mínimo para sobreviver. Neste cenário, dois revolucionários, Francisco Villa e Emiliano Zapata, conduziram a sangrenta revolução popular, a primeira revolução do mundo moderno, que prenunciaria a revolução Russa. O que se seguiu foi o Renascimento Mexicano, o país estava fervilhante de arte, criação e novidades. Representava uma abertura para os povos oprimidos da América Latina. A terra devastada pela violenta guerra civil, exibia agora uma esperança de liberdade.

Foi nesta atmosfera que nasceu Frida Kahlo, em Coyacan, em 6 de julho de 1907. Filha de Wilhelm Kahlo, judeu alemão e Matilde, uma mestiça católica.

Aos 6 anos de idade, ela contraiu poliomielite, sendo esta a primeira de uma série de doenças, acidentes, lesões e operações que sofre ao longo de sua vida. A poliomielite deixa uma lesão em seu pé direito e com isso ganha um apelido “Peg-leg Frida” (Frida Perna Longa). A partir disso ela começa a usar calças, depois, longas e exóticas saias, que vieram a ser uma de suas marcas registradas.

 Seu desenvolvimento como pintora

Ao contrário de muitos artistas, Kahlo não começou a pintura em uma idade precoce, na verdade ela encarava o desenho como um passatempo, sua intenção era estudar para ser médica. Foi apenas em 1925, aos 18 anos, após sofrer um grave acidente de ônibus que ela começou a pintar. Um carro no qual viajava chocou-se com um comboio, acidente grave que fez a artista ter de usar um colete de gesso por muito tempo, teve sérias fraturas na coluna, na perna direita e na pélvis e teve que permanecer meses de cama. O acidente a deixou quase inválida e impossibilitada de ter filhos. Por causa deste último fez cerca de 35 cirurgias e ficou muito tempo presa em uma cama. Durante sua longa convalescência começa a pintar. Tendo estudado desenho por pouco tempo, ela teve que aprender pintura sozinha, pintando retratos dela mesma e de pessoas que conviviam com ela.

Em 1928 Frida Kahlo entrou no para o Partido Comunista Mexicano, onde conhece o muralista Diego Rivera. Já famoso na época, futuramente seria considerado por Leon Trotsky como o grande expoente artístico proveniente da Revolução Russa. Rivera se tornaria o grande amor da vida de Frida, com quem se casa no ano seguinte. Sob a influência da obra do marido, adotou o emprego de zonas de cor amplas e simples características da arte popular mexicana. Procurou na sua arte afirmar a identidade nacional de seu país, por isto adotava com muita freqüência temas do folclore e da arte popular do México.

Entre 1930 e 1933 passa a maior parte do tempo em Nova Iorque e Detroit com Rivera. Entre 1937 e 1939 Leon Trotski vive em sua casa de Coyoacan.

Ao lado de Diego, Frida foi adquirindo brilho próprio por seu trabalho possuir um estilo incomum para a época, principalmente para uma mulher. Dezenas de nomes do mundo artístico e intelectual estiveram ligados a Frida Kahlo durante este período: André Breton, Julián Levy, Leon Trotsky, Tina Modotti e David Alfaro Siqueiros. A primeira exposição da obra de Frida foi realizada em Nova York, em 1939, e em seguida viajou a Paris. Foi a primeira artista mexicana a expor no Museu do Louvre.

Em 1943 tornou-se professora de pintura em “La Esmeralda” em Coyacan, numa escola de artes vinculada ao Ministério da Educação. No México, sua primeira exposição foi acontecer apenas em 1953 quando já separada de Rivera, sua saúde foi se debilitando e levou à amputação de sua perna direita. Frida Kahlo morreu em 13 de julho de 1954, aos 47 anos.

 Sua arte revolucionária

Seus quadros tem como característica básica o fantástico, que freqüentemente é taxado de surrealista, uma terminologia imprecisa porque enquanto os surrealistas pintavam o subconsciente, o escondido, o sonho, o irreal; Frida pinta as emoções por que passou. Ela mesma declarou mais tarde: “Acreditavam que eu era surrealista, mas não o era. Nunca pintei meus sonhos. Pintei minha própria realidade”. Por meio dessas obras é possível identificar as diversas passagens de sua vida: o acidente, as dores na coluna, a poliomielite,os abortos, o desejo da maternidade que nunca realizou, as freqüentes internações. O fantástico em Frida é o real ,o consciente. A sua pintura é única, é a biografia de suas lutas e sua tragédia pessoal.

André Breton escreveu: “ A Arte de Frida Kahlo é um garrote em torno de uma bomba”. Frida impressiona! A sua frágil figura contrasta com a força de sua procura por liberdade, em sua tragédia, Frida transformou a pintura em um instrumento de libertação pessoal, algo que pode ser observado em uma das mais comoventes passagens de seu diário, abaixo de um desenho que fez da sua perna amputada até ao joelho ela escreve “Para que preciso de pés quando tenho asas para voar?

A característica revolucionária de sua obra reside no fato de ter sido umas das primeiras artistas a retratar de modo realista, agressivo e ainda sim erótico a feminilidade. Dentro de uma linguagem visual própria e original, ela pintou seus quadros com temas como a gravidez, o parto e o aborto; num de seus quadros mais típicos com essa temática, a perturbadora tela intitulada “Hospital Henry Ford”, pintada em 1932, quando Frida sofreu um aborto espontâneo, Kahlo pinta a si mesma deitada em uma cama de hospital depois de um aborto, nua, lençóis ensangüentados e uma lágrima cai de seu olho esquerdo. A cama flutua, rodeada por seis figuras relacionadas com o aborto, todas elas ligadas ao seu ventre através de cordões umbilicais.

Kahlo está hoje entre as mais importantes pintoras de arte moderna do século XX

 Bissexualidade de Frida Kahlo

Muitas obras sobre a vida e obras de Frida Kahlo evitam tocar no assunto de sua bisexualidade por este ser um assunto controverso. Nesta mesma linha, o filme de Julie Taymor também procura minimizar ao máximo o facto hoje bem estabelecido de que Frida Kahlo manteve várias relações íntimas e sexuais.

 Falecimento

Depois de algumas tentativas de suicídio, em 13 de julho de 1954, Frida Kahlo foi encontrada morta. Seu atestado de óbito registra embolia pulmonar como a causa da morte. Mas não se descarta que ela tenha morrido de overdose, que pode ter sido acidental ou não. A última anotação em seu diário que diz “Espero que minha partida seja feliz, e espero nunca mais regressar – Frida” permite aventar-se a hipótese de suicídio.

 Trabalhos

Alguns de seus primeiros trabalhos incluem o “Auto-retrato em um vestido de veludo” (1926), “retrato de Miguel N. Lira” (1927), “retrato de Alicia Galant” (1927) e “retrato de minha irmã Christina” (1928).

 Casa Azul, o museu

Quatro anos após a sua morte, sua casa familiar conhecida como “Casa Azul” transforma-se no Museu Frida Kahlo. Trata-se de uma exposição de Frida Kahlo. Frida Kahlo, reconhecida tanto por sua obra quanto por sua vida pessoal, ganha retrospectiva de suas obras, com objetos e documentos inéditos, além de fotografias, desenhos, vestidos e livros.

 Frida Kahlo, o filme

No ano de 2002, sob a direcção de Julie Taymor, é lançado o filme que narra a história da pintora, interpretada pela actriz Salma Hayek. A longa metragem conta ainda com a presença de Alfred Molina, interpretando Diego Rivera.

 

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Mais de três séculos depois de sua primeira apresentação, em 1672, As Eruditas, do dramaturgo francês Molière (1622-1673) continua ágil e pertinente. A Cia Limite 151 estréia temporada paulistana dia 10 de janeiro, sábado, às 21 horas, no Teatro do SESC Santana. No palco estão Jacqueline Laurence, Gláucia Rodrigues, Dayse Pozato, Mouhamed Harfouch, Helena Labri, Marcio Ricciardi, Vitória Furtado, Marcelo Sant´Anna, Henrique César e Roberto Lopes, com direção de José Henrique.

Com tradução de Millôr Fernandes, a peça conta a história de Henriqueta (Helena Labri) e Armanda (Dayse Pozato), duas filhas de Filomena (Jacqueline Laurence) e Crisaldo (Henrique César), um fidalgo da alta sociedade parisiense e muito frouxo, sem voz ativa com sua mulher. Filomena deslumbra-se com o mundo das letras e da filosofia a ponto de querer casar Henriqueta com Tremembó (Mouhamed Harfouch), um oportunista que visa a conseguir, através de seus versos, a mão e o dote de uma das moças. Mas Henriqueta – ao contrário de sua irmã – não se sensibiliza com os galanteios, preferindo para noivo Cristóvão (Marcio Ricciardi), um jovem preterido por Armanda devido à sua simplicidade intelectual. Com esta trama, Molière esmiúça a hipocrisia, a crueldade e outras fraquezas humanas.

Serviço:
TEATRO DO SESC SANTANA

A comédia também comemora os 15 anos do grupo teatral A Cia Limite 151 que iniciou sua trajetória com peças como Os Sete Gatinhos, de Nélson Rodrigues, e de lá pra cá enfrentou somente clássicos como A Moratória de Jorge de Andrade, Don Quixote de Cervantes, A Comédia dos Erros e O Mercador de Veneza de Shakespeare, À Margem da Vida de Tennessee Williams, e outros cinco textos Molière.

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MAIAS

 

O povo maia habitou a região das florestas tropicais das atuais Guatemala, Honduras e Península de Yucatán (região sul do atual México). Viveram nestas regiões desde cerca de 1000 anos a.c até cerca de 1697 (ultima resistência contra os espanhóis.

Nunca chegaram a formar um império unificado, fato que favoreceu a invasão e domínio de outros povos. As cidades formavam o núcleo político e religioso da civilização e eram governadas por um estado teocrático. O império maia era considerado um representante dos deuses na Terra. A zona urbana era habitada apenas pelos nobres (família real), sacerdotes (responsáveis pelos cultos e conhecimentos), chefes militares e administradores do império (cobradores de impostos). Os camponeses, que formavam a base da sociedade, artesão e trabalhadores urbanos faziam parte das camadas menos privilegiadas e tinham que pagar altos impostos.

A base da economia maia era a agricultura, principalmente de milho, feijão e tubérculos. Suas técnicas de irrigação eram muito avançadas. Praticavam o comércio de mercadorias com povos vizinhos e no interior do império.
Ergueram pirâmides, templos e palácios, demonstrando um grande avanço na arquitetura. O artesanato também se destacou: fiação de tecidos, uso de tintas em tecidos e roupas.
A religião deste povo era politeísta, pois acreditavam em vários deuses ligados à natureza. Elaboraram um eficiente e complexo  calendário que estabelecia com exatidão os 365 dias do ano.
Assim como os egípcios, usaram uma escrita baseada em símbolos e desenhos (hieróglifos). Registravam acontecimentos, datas, contagem de impostos e colheitas, guerras e outros dados importantes.
Desenvolveram muito a matemática, com destaque para a invenção das casas decimais e o valor zero.

  INCAS

Os incas viveram na região da Cordilheira dos Andes (América do Sul ) nos atuais Peru, Bolívia, Chile e Equador. Fundaram no século XIII a capital do império: a cidade sagrada de Cuzco. Dominados pelos espanhóis em 1532.

O imperador, conhecido por Sapa Inca era considerado um deus na Terra. A sociedade era hierarquizada e formada por: nobres (governantes, chefes militares, juízes e sacerdotes), camada média ( funcionários públicos e trabalhadores especializados) e classe mais baixa (artesãos e os camponeses). Esta última camada pagava altos tributos ao rei  em mercadorias ou com trabalhos em obras públicas.
Na arquitetura, desenvolveram várias construções com enormes blocos de  pedras encaixadas, como templos, casas e palácios. A cidade de Machu Picchu foi descoberta somente em 1911 e revelou toda a eficiente estrutura urbana desta sociedade. A agricultura era extremamente desenvolvida, pois plantavam nos chamados terraços (degraus formados nas costas das montanhas). Plantavam e colhiam feijão, milho (alimento sagrado) e batata. Construíram canais de irrigação, desviando o curso dos rios para as aldeias. A arte destacou-se pela qualidade dos objetos de ouro, prata, tecidos e jóias.
Domesticaram a lhama (animal da família do camelo) e utilizaram como meio de transporte, além de retirar a lã , carne e leite deste animal. Além da lhama, alpacas e vicunhas também eram criadas.
A religião tinha como principal deus o Sol (deus Inti). Porém, cultuavam também animais considerados sagrados como o condor e o jaguar. Acreditavam num criador antepassado chamado Viracocha (criador de tudo).
Criaram um interessante e eficiente sistema de contagem : o quipo. Este era um instrumento feito de cordões coloridos, onde cada cor representava a contagem de algo. Com o quipo, registravam e somavam as colheitas, habitantes e impostos. Mesmo com todo desenvolvimento, este povo não desenvolveu um sistema de escrita.

ASTECAS

Povo guerreiro, os astecas habitaram a região do atual México entre os séculos XIV e XVI. Fundaram no século XIV a importante cidade de Tenochtitlán (atual Cidade do México), numa região de pântanos, próxima do lago Texcoco.

A sociedade era hierarquizada e comandada por um imperador, chefe do exército. A nobreza era também formada por sacerdotes e chefes militares. Os camponeses, artesãos e trabalhadores urbanos compunham grande parte da população. Esta camada mais baixa da sociedade era obrigada a exercer um trabalho compulsório para o imperador, quando este os convocava para trabalhos em obras públicas (canais de irrigação, estradas, templos, pirâmides).
Durante o governo do imperador Montezuma II (início do século XVI), o império asteca chegou a ser formado por aproximadamente 500 cidades, que pagavam altos impostos para o imperador. O império começou a ser destruído em 1519 com as invasões espanholas. Os espanhóis dominaram os astecas e tomaram grande parte dos objetos de ouro desta civilização. Não satisfeitos, ainda escravizaram os astecas, forçando-os a trabalharem nas minas de ouro e prata da região.

Os astecas desenvolveram muito as técnicas agrícolas, construindo obras de drenagem e as chinampas (ilhas de cultivo), onde plantavam e colhiam milho, pimenta, tomate, cacau etc. As sementes de cacau, por exemplo, eram usadas como moedas por este povo.
O artesanato a era riquíssimo, destacando-se a confecção de tecidos, objetos de ouro e prata e artigos com pinturas. A religião era politeísta, pois cultuavam diversos deuses da natureza (deus Sol, Lua, Trovão, Chuva) e uma deusa representada por uma Serpente Emplumada. A escrita era representada por desenhos e símbolos. O calendário maia foi utilizado com modificações pelos astecas. Desenvolveram diversos conceitos matemáticos e de astronomia.
Na arquitetura, construíram enormes pirâmides utilizadas para cultos religiosos e sacrifícios humanos. Estes, eram realizados em datas específicas em homenagem aos deuses. Acreditavam, que com os sacrifícios, poderiam deixar os deuses mais calmos e felizes.

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