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Archive for the ‘FILMES’ Category

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O romance é contado como se fosse o relato de Chiyo ao biógrafo, em primeira pessoa, desde a época em que era menina, filha de pescador que andava suja e descalça quando foi enviada a Kioto com a irmã mais velha. Por causa da cor dos olhos teve a sorte de ser aceita num okiya, enquanto a irmã foi entregue a um prostíbulo. A partir daí o autor conta a trajetória da garota até ela tornar-se uma das gueixas mais populares, superando a sua mestra Mameha e sua nêmesis Hatsumomo, adotando o nome Saiyuri. Outro enredo dentro da trajetória de Saiyuri conta a história de amor entre a gueixa e o presidente de uma indústria, que atravessou décadas.

            Sayuri morava na casa bêbada, com sua irmã e seus pais idosos.
            Um peixeiro rico da cidade, percebendo a morte iminente de sua mãe e a pobreza em que viviam, combina com seu pai a venda das filhas para um okiya para futuramente tornarem-se gueixas.
            Quando lá chegam, as donas, que as tratavam muito mal, só ficam com Sayuri, sua irmã acaba virando prostituta.
           A menina passa a ter aulas de artes para futuramente tornar-se aprendiz de gueixa.
           Um dia as irmãs se reencontram e combinam de fugir.
           Hatsumoto se encontrava com um rapaz, em um dos quartos da casa e Sayuri os encontra um dia por acaso. Ela fica brava e monta uma armadilha, dizendo que havia roubado seu broche e colocando dinheiro em seus bolsos e falando que ela pretendia fugir. Sayuri, por sua vez, conta do encontro amoroso. A mama confere a excitação de Hatsumoto e a proíbe de ver o rapaz, além de bater muito em Sayuri.
           Mais à noite a menina tenta fugir pelo telhado e cai. Como punição, ela deixa de ter aulas de artes e passará a ser uma simples criada.
           Abóbora, que era da mesma idade de Sayuri, passa a ter o status de irmã mais nova e vai seguir todos os passos de Hatsumoto.
           Um dia chega ao okiya Mameha (uma gueixa rival cujo kimono havia sido destruído por Hatsumoto) e pede para ser a irmã mais velha de Sayuri. Passam a ir juntas a todos os eventos. Em um deles encontram o presidente e Nobu, que logo se interesse pela novata.
           Hasumoto começa a tentar difamar a menina, perseguindo-as a todos os lugares.
           Chega o momento do misuage de Sayuri. Mameha prepara um plano para elevar seu preço. Simula um corte na perna para ela conheça um médico, além de fazer a oferta, entregando um bolinho (erótico) a Nobu. Porém, de uma hora pra outra o médico fica agressivo. Depois elas descobrem que é porque Hatsumoto havia lhe contado uma mentira de que a novata não seria mais virgem. Conseguindo tirar de Abóbora os fatos, esclarecem tudo. O maior lance é do Dr Carangueijo e ela bate o recorde de todas as outras gueixas. Isso abre os olhos de mama para ela.
 A partir de então resolve adotá-la. Ela passa a ocupar o lugar de Hatsumoto e Abóbora e as duas vão para seu quarto menor.
            Tempos depois passam a procurar por um danna. Acabam aceitando o General. Nobu fica ofendidíssimo, pois estava apaixonado por ela e a queria.
            Um dia, Hatsumoto encontra seu diário e a ameaça. Sayuri vai até seu quarto, encontra o broche que ela a havia ameaçado de roubar e toma o diário de volta. Conta tudo à mama, que expulsa Hatsumoto do okiya.
           Vem a guerra e os soldados fecham todos os okiyas. Nobu, apesar de tudo, consegue um abrigo para Sayuri. Seu danna já não estava mais com ela. Passa momentos muito difíceis.
           Anos depois, Nobu vai buscá-la e ela novamente se torna gueixa. Ela reecontra Abóbora e a convida para o evento da noite. Nobu lhe dá a entender que logo vai se tornar seu danna. Sayuri então planeja transar com um dos convidados e pedir a Abóbora que chame Nobu até o local para flagrá-la, só assim ele desistiria dela. Porém, quem Abóbora leva é o Presidente.
            Sayuri fica atordoada e pergunta por que ela havia feito aquilo. Abóbora diz que foi para se vingar pelo dia em que ela deixou de ser a adotada do okiya para dar lugar à Sayuri.
            Dias depois Nobu marca encontro com a menina. Ela, desesperada, pensa que ele nada ficara sabendo e que a informaria de que seria seu danna a partir de então. Porém, quem chega no local é o Presidente. Ele lhe diz que quando a flagrou, percebeu que seu destino não era com Nobu. Contou a ele o que tinha visto, que ficou furioso e disse nunca mais querer vê-la. Foi quando então ele decidiu procurá-la e declarar-se. Contou-lhe que fora ele que pedira a Mameha para torná-la gueixa, que sempre fora apaixonado por ela mas não podia dizer nada porque devia muito a seu amigo Nobu e sabia que ele estava apaixonado.
           Como o Presidente era casada mas só havia tido filhas, queria casar uma delas e fazer de seu genro seu sucessor nas empresas. Porém, Sayuri tinha tido um filho seu. O genro, imaginando que mais tarde poderia perder a sucessão para esse filho, desistiu de se casar.
            Como o Presidente e Sayuri viajavam bastante para os EUA, ela lhe deu a sugestão de permanecer morando lá, definitivamente, e abrir uma casa de chá. Assim, o caminho ficaria livre para seu genro. E assim, passou a ter uma casa de bastante sucesso em Nova Iorque.

– Os kimonos são decotados atrás para mostrar o pescoço, que para eles é como o bumbum para nós. Um trecho do pescoço é deixado propositalmente à mostra da maquiagem. Um truque que garante que efeito de sensualidade máxima aos olhos nipônicos
– O cabelo é repartido ao meio dando um formato de pêssego, que com um pedacinho de laço vermelho aparecendo, se tornava bem erótico.
– A única parte do corpo que mostram é o pulso, que ao oferecer o chá, acaba por se tornar bastante sensual
– A palavra gueixa significa artista. Elas não são prostitutas, mas também não são santas. Podemos compará-las àquelas mulheres que tem um namorado ou marido bem mais velho, somente para sustentá-las e dar vida boa. Não deixa de ser uma forma de se prostituir, mas não é escancarado. Assim, elas vendiam a virgindade (misuage), tinham um danna com quem deveriam transar se essa fosse a vontade dele, nadavam nuas à noite em uma piscina lotada de gueixas e homens e, eventualmente, poderiam transar com um ou outro por dinheiro.
– Lavam o cabelo uma vez por semana, pela dificuldade e sofrimento do penteado. Dormem com um aparador para a cabeça para não desarrumar os cabelos. Têm uma pessoa só para vesti-las, de tão complicado que é colocar o kimono.
– Calçam um altíssimo par de guetás (sandálias de madeira), em forma de trapézio, de 20 centímetros de altura. Devido ao formato, a área da sandália que toca o chão acaba sendo a metade da do pé, o que certamente obriga a maiko-san a um exercício constante de equilíbrio naqueles tronquinhos.
–  No início do século, havia cerca de 80 mil gueixas no Japão. Hoje, estima-se que sejam apenas dois mil. Ironicamente, a influência do Ocidente (que tanto fascínio tem pelas gueixas) é apontada como uma das causas do crescente desinteresse dos japoneses pelas suas antigas tradições.
– A  gueixa que deu a entrevista ao autor o está processando porque diz que haviam combinado de ele nunca revelar seu nome e só publicar a história depois de sua morte e de todos os homens citados. Porém, ele a cita nos agradecimentos. Ela diz também que ele não contou a verdadeira história e deu a entender que eram prostitutas. Ela lançou um livro contanto sua versão: Minha vida como gueixa.
– As gueixas não ciceroneiam apenas homens. Não é comum, mas há casos de famílias que as contratam para entreter crianças, ou como no meu caso, uma parente que veio de muito longe. Patrocinar a educação de uma gueixa é algo que confere status de “protetor das artes” entre os japoneses. Os que o fazem são constantemente cumprimentados com grande respeito, e vistas como pessoas ricas e cultas.

 

**A única característica da arte Kabuki, e talvez a mais significativa na conservação do invulgar espírito Kabuki é o fato de que não utiliza, absolutamente, qualquer atriz. Todos os papéis femininos são representados por elementos masculinos conhecidos como “onnagata”. Como foi mencionado acima, os atores do drama Kabuki, em seu estado primitivo, eram principalmente mulheres, e a maioria dos espectadores naquela época estava realmente mais interessada na beleza das atrizes do que nas suas representações no palco. Com a crescente popularidade do Kabuki, muitas das atrizes começaram a despertar atenção indevida dos admiradores masculinos. As autoridades compreenderam que tal situação acabaria com uma séria desmoralização do público e em 1629 foi oficialmente proibida a apresentação de mulheres em palcos teatrais.
           O filme é bem fiel.
           Muda a cena em que Hatsumoto lê o diário de Sayuri, o leva para seu quarto e Sayuri vai atrás, a ameaça e o consegue de volta. No filme ela encontra o lenço do presidente e põe fogo no okiya.
           O livro acaba com ela em Nova Iorque. O filme acaba quando o Presidente se declara, após flagrá-la com o Ministro.

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Editora JBC lança o livro Minha vida como gueixa – A Verdadeira História de Mineko Iwasaki, a gueixa mais famosa do Japão
“As gueixas não são prostitutas. Não vendem seu corpo, mas sua arte.” Esse é o principal recado que Mineko Iwasaki, a gueixa mais famosa do Japão, dá ao mundo. Sentindo-se ofendida pelo modo como seu universo foi retratado em Memórias de uma Gueixa, primeiramente no livro e agora com o filme, ela resolveu ir aos tribunais norte-americanos processar Arthur Golden, autor da história, por difamação, quebra de contrato e violação de direitos autorais. E mais: resolveu dar sua própria versão para os fatos, escrevendo como realmente vive uma gueixa. O resultado é “Minha vida como gueixa – a verdadeira história de Mineko Iwasaki”, pela Editora JBC. Além do texto rico em descrições detalhadas, o livro traz várias fotos históricas do universo das gueixas.

Tudo começou quando Arthur Golden pediu entrevistas a Iwasaki para escrever seu livro. Ela topou revelar um pedaço do misterioso e inacessível mundo das gueixas, com a condição de não ter a identidade revelada. Um menção ao seu primeiro nome nas páginas de agradecimento e as distorções de seu depoimento, no entanto, levaram Iwasaki a decidir contar sua própria história.

“Em três séculos de história das gueixas, jamais uma mulher veio a público contar detalhes de sua vida. Nós somos compelidas por regras implícitas a não fazê-lo em hipótese alguma”, conta Iwasaki, que foi muito criticada no Japão por revelar o universo das gueixas e sua intrincada relação com a elite da sociedade japonesa.

Em “Minha vida como uma gueixa”, Iwasaki revela desde o rigoroso treinamento das gueixas – que, no seu caso, incluiu até a sua adoção por um estabelecimento comercial, o que a tirou de sua família aos 3 anos -, até elas decidirem se aposentar. Durante sua carreira, Mineko conviveu com os homens mais ricos e poderosos do Japão e também personalidades mundiais como a rainha Elizabeth, o príncipe Charles, o diretor de cinema Elia Kazan, entre muitos outros nomes famosos que ela entreteu nas noites de Kyoto.

Mais que a biografia de uma gueixa, este livro é uma verdadeira aula sobre a cultura japonesa.

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GUEIXA

O recente sucesso do romance best seller “Memórias de uma Gueixa” de Arthur Golden e do filme baseado no livro causou muitos pedidos em nosso site por informações a respeito do assunto. Cristiane A. Sato, consultora do CULTURA JAPONESA, apresenta a seguir uma introdução a um dos aspectos mais fascinantes da sociedade japonesa: a gueixa.

GUEIXA, MUSA DO MUNDO FLUTUANTE

Muito se fala e se discute, principalmente no ocidente, sobre a figura e o papel da gueixa na sociedade japonesa. Na prática, poucos ocidentais, e mesmo japoneses, têm efetivamente contato com uma gueixa. Em público, elas só aparecem em poucas ocasiões, como no Jidai Matsuri (Festival das Eras), e na temporada de danças tradicionais Kamogawa Odori (Danças do Rio Kamo) que ocorrem em outubro, em Kyoto. Fora tais ocasiões, alguns sortudos turistas conseguem vê-las andando pelas ruas, nas raras ocasiões em que elas saem para ter aulas de dança, shamisen (cítara de três cordas tradicional) ou ikebana (arranjo floral), ou a caminho de um restaurante para entreter algum empresário ansioso em impressionar seus convidados. Ser servido ou entretido por uma gueixa, mesmo entre os japoneses, é privilégio de poucos.

Em 1904, o compositor italiano Giacomo Puccini criou a ópera “Madame Butterfly”. Inspirada num caso verídico, a ópera conta a trágica história de uma gueixa que se apaixona por um oficial americano em missão no Japão. Acreditando ser esposa de Pinkerton, ela tem um filho mestiço e passa a sofrer o preconceito dos japoneses. Ele é chamado de volta aos Estados Unidos, e acreditando nos democráticos valores com que seu amado descrevia o ocidente, Cho-cho aguarda seu regresso ao Japão na esperança de ir viver com ele e seu filho na América. Mas Pinkerton volta casado com uma americana e deixa Cho-cho, que acaba se matando. Até hoje extremamente popular, “Madame Butterfly” não apenas tornou Cho-cho a gueixa ficcional mais famosa do mundo, como também serviu de inspiração para filmes e outra peça de sucesso.

A ficção e diferenças culturais fizeram com que a idéia que o ocidente tem das gueixas seja distorcida, pouco correspondendo com a realidade. Muitos, principalmente os incultos, acham que uma gueixa nada mais é do que uma exótica prostituta de luxo – algo que choca os japoneses, que as consideram refinadas guardiãs das artes tradicionais. Para os japoneses, achar ou tratar uma gueixa como se ela fosse uma mera garota de programa é uma atitude que revela não só falta de critério, mas de cultura e “berço” de quem assim age. Na sociedade japonesa, a gueixa é objeto de admiração e respeito. Elas dão status aos lugares que vão e às pessoas com quem se relacionam – um status que é mais ligado à tradição que à moda.

Entender o que é, ou o que faz uma gueixa ser uma gueixa, é difícil para os que pouco conhecem o Japão, a história, a cultura e a sociedade do país. A existência da gueixa só pode ser compreendida no contexto japonês, assim como ela é produto do que o Japão foi e é.

DEFININDO O ESPAÇO DA GUEIXA

Em 1779, a gueixa foi reconhecida como praticante de uma profissão distinta da prostituição e foi criado o kenban, um tipo de cartório específico para registrar gueixas e fiscalizar o cumprimento das regras que a partir de então passaram a reger a profissão. Apenas gueixas registradas no kenban eram reconhecidas e tinham autorização para trabalhar. Algumas regras que as gueixas passaram a ter que seguir eram parecidas com as das prostitutas, como a obrigatoriedade de viver nas okiyas (casas de gueixas). Mas outras as diferenciaram das prostitutas. É importante observar que as prostitutas tinham prioridade em relação às gueixas na sociedade japonesa da época, pois a função e situação delas já estava definida há tempos. Assim, muitas das regras do kenban visavam limitar o que as gueixas podiam fazer.

Como artista, a gueixa tem a obrigatoriedade de ser versada em música, dança, canto e literatura – a prostituta não. A prostituta vestia-se com os quimonos mais brilhantes, estampados e extravagantes que tivesse – a gueixa foi proibida de usar tais quimonos e obrigada a ter um visual mais discreto. As prostitutas usavam até uma dúzia de kanzashis (grandes espetos decorativos para o cabelo, considerados jóias) e até três pentes de casco de tartaruga na cabeça – a gueixa foi limitada a três kanzashis e um pente. As gueixas foram proibidas de usar o obi amarrado na frente, que se tornou característico das prostitutas (como a prostituta vestia-se e despia-se várias vezes ao dia, era mais rápido e prático amarrar o obi na frente do que atrás). E as gueixas foram proibidas de dormir com os clientes das prostitutas.

Se uma prostituta acusasse uma gueixa de roubar seu cliente, o kenban fazia uma investigação, e se a gueixa fosse considerada culpada, ela podia ser suspensa ou expulsa da profissão. Para evitar que uma gueixa fugisse da casa de gueixas, ou caísse na tentação de dormir com um cliente das prostitutas, elas foram obrigadas a andar com a escolta de um homem de confiança da responsável pela okiya onde ela vivia.

As restrições do kenban moldaram não só a aparência, mas o que efetivamente a gueixa se tornou e é atualmente. Para ter condição de artista, as gueixas passaram a dedicar enorme tempo ao estudo e treinamento em artes, e passaram a ser valorizadas e remuneradas como entertainers. Proibidas de ter a aparência rica mas aperuada das prostitutas, as gueixas tornaram-se mestras da elegância, da beleza discreta e da sensualidade insinuada. Atrair os homens era, como ainda é, básico para elas formarem uma clientela, mas sexo não era, como ainda não é, a finalidade pela qual os japoneses contratavam uma gueixa – para isso existem as prostitutas. Diferentemente das prostitutas, gueixas podiam se recusar a ter sexo com um cliente, mas não se podia evitar que gueixas tivessem relacionamentos sexuais com seus próprios clientes (desde que não fosse cliente de uma prostituta, tudo bem). Com o tempo, a figura do homem de escolta foi substituída pelo camareiro – um profissional especializado em vestir gueixas.

Por volta de 1780 ainda haviam otoko-geisha, embora as mulheres fossem esmagadora maioria na profissão. No início do século XIX, gueixa era invariavelmente uma mulher.

GUEIXAS CHEGAM À MESA

Tocar, cantar, dançar e contar histórias para entreter os comensais num banquete. Essa era a principal atividade exercida pelas gueixas. Sentar-se à mesa e fazer companhia para os homens era algo que só as prostitutas faziam – mesmo porque elas queriam garantir que seus clientes quisessem sua companhia após o jantar. Mas aos poucos, os próprios clientes passaram a pedir que as gueixas também se sentassem à mesa. Educadas e cultas, as gueixas tornavam a conversação mais agradável e o tempo fluía mais rápido. Com as gueixas, os clientes conseguiam um tipo de relacionamento que não conseguiam ter com suas esposas, ou mesmo com as prostitutas. E nem sempre os homens que íam aos banquetes queriam fazer sexo depois de comer. Percebendo que muitos queriam apenas distrair-se, ou quando muito flertar, as gueixas descobriram seu público.

Para formar clientela própria, as gueixas passaram a evitar os bordéis e concentraram suas atividades em restaurantes e casas de chá, ou abriam suas próprias casas de chá. Por volta de 1840, uma gueixa chamada Haizen decidiu aprender um pequeno ofício que era executado até então somente por homens: servir saquê à mesa. Haizen passou fazer o mesmo, bem como fazer companhia à mesa aos convivas. Ela rapidamente tornou-se a gueixa mais requisitada de Kyoto e todas passaram a fazer o mesmo. Desde então, as gueixas vêm desempenhando o papel de anfitriãs em banquetes, servindo bebidas e conversando com as pessoas, além de dançar, cantar, contar histórias e fazer jogos de salão.

PRESTÍGIO E INFORTÚNIOS

As gueixas tornaram-se símbolo de uma invejável independência, que as demais mulheres no Japão de então não tinham. A partir da Restauração Meiji elas passaram a desfrutar de prestígio, tendo contato com os políticos mais influentes e os empresários mais bem-sucedidos, e de um estilo de vida glamuroso. O que elas usavam virava moda e eram imitadas por outras mulheres – o que fez com que os quimonos continuassem sendo usados pelas mulheres por mais tempo que os homens, que rapidamente adotaram o vestuário ocidental.

Gueixas viviam com luxo, freqüentavam festas, não faziam trabalhos domésticos nem cozinhavam, dedicavam-se à dança e à música, podiam ter vida sexual e não precisavam se casar. Aliás, o karyukai, o mundo da gueixa, era, como é até hoje, um mundo dominado pelas mulheres numa sociedade machista. Gueixas eram as “supermodels” da época. Tarõ Katsura, Primeiro-ministro do Japão de 1908 a 1911, assumiu uma gueixa, Okoi, como amante. O oligarca Kido Kõin casou-se com uma gueixa de Gion, Ikumatsu. Outro importante membro do governo foi mais além: o Ministro das Relações Exteriores, Barão Mutsu, casou-se duas vezes, e em ambas com gueixas. Ter uma gueixa como amante ou esposa tornou-se símbolo de status.

Se ter um rico e influente japonês como danna(“patrono”, amante de uma gueixa) ou marido assegurava à gueixa uma vida de conforto e prestígio, há entre as gueixas a idéia de que unir-se a um estrangeiro dá no oposto, podendo até terminar em tragédia. Tal crença é baseada na vida de algumas gueixas, que tornaram-se famosas por suas tristes histórias. A mais conhecida é a de Okichi, gueixa designada pelo xogunato para servir Townsend Harris, primeiro diplomata americano enviado ao Japão em 1856. Aparentemente ocorreu que Harris levou Okichi para sua casa em Shimoda, e com isso a gueixa entendeu que Harris a assumira como esposa, conforme os costumes japoneses da época. Harris, entretanto, sendo ocidental, sempre considerou Okichi uma mera cortesã, e mesmo tendo vivido anos com ela, sequer a mencionou em seus diários. Em 1862, Harris demitiu-se de seu posto e voltou para os Estados Unidos, abandonando Okichi, que cometeu suicídio. Até hoje, as gueixas de Shimoda prestam homenagem a Okichi, visitando seu túmulo. A história de Harris e Okichi inspirou Puccini a criar a ópera “Madame Butterfly”, e teve uma versão romanceada numa produção de Hollywood em 1958, “O Bárbaro e a Gueixa”, com John Wayne no papel de Harris.                          

BONS ANOS E TEMPOS DIFÍCEIS

Nas décadas de 1920 e 1930, o Japão passou por um período de grande prosperidade econômica. Políticos, industriais, banqueiros, empresários e a ascendente classe dos militares de alta patente tornaram-se assíduos e generosos clientes de gueixas, formando uma elite vista pela sociedade japonesa como mecenas das artes. O status que a gueixa tinha e dava aos clientes inspirava muitas mulheres a seguir a profissão, embora poucas efetivamente conseguissem entrar para o reservado mundo do karyukai. Mesmo assim, em 1920, haviam 80 mil gueixas registradas ainda nos moldes do kenban no Japão. Foi o auge da população de gueixas no país.

A demanda por gueixas era tão alta, que gerou práticas perversas. Casas de gueixas administradas por okaasans (“mães”, modo pelo qual as gueixas mais velhas administradoras das casas são chamadas)  gananciosas e interesseiras, tornaram-se senzalas douradas para meninas e adolescentes. Sempre lembradas do enorme investimento que representavam para a okiya, como se tivessem assinado uma dívida pelo resto da vida, as maikos eram exploradas pelas okaasans, que para sugar ao máximo seus ricos clientes criaram os chamados “leilões de virgindade”. Quando uma maiko chegava aos 16 anos, a okaasan contatava seus clientes e lhes oferecia a gueixa pela melhor oferta. Pouco interessava se a jovem concordava ou não com a transação, e fugir de nada adiantava. A deserção de uma gueixa era vista pela sociedade como um ato de traição à okiya – até os pais das gueixas as delatavam ou as mandavam de volta. Sabe-se que nos anos 30 a virgindade de uma maiko chegou ao valor recorde de 850 mil dólares. Mesmo criticados pela imprensa, por reduzir a nobre profissão da gueixa à condição da mera prostituição, os “leilões de virgindade” continuaram sendo cínicamente praticados até a 2ª Guerra Mundial. Com a ocupação americana, tal prática passou a ser considerada abusiva, e as okaasans, temendo o fechamento de suas casas, imediatamente aboliram os ditos “leilões”.

Se durante a Era Meiji as gueixas estavam na vanguarda da moda japonesa, a partir da década de 20 elas passaram a sofrer concorrência com o constante aumento da ocidentalização dos costumes no país. Em plena Era do Jazz e das melindrosas, bares à ocidental tornaram-se extremamente populares pelo Japão e surgiram as jokyûs (garotas de cafés): moças que vestiam kimonos de uso cotidiano com aventais ou à ocidental, e que serviam de garçonetes e de acompanhantes para os clientes – as precursoras das atuais “bar hostesses”. Para se distinguir das jokyûs, as gueixas decidiram não se “modernizar”, e assumiram definitivamente o papel de praticantes do tradicional. Desde então, modismos ocidentalizados passaram a ser desprezados pelas gueixas. A imagem de personificações da tradição fez a atividade das gueixas prosperar nas décadas de 20 e 30, período em que o nacionalismo exacerbado foi extremamente alimentado pelo governo no Japão, e tudo aquilo que representava “tradição” era valorizado.

Nos anos 40, à medida em que o Japão mergulhava na 2ª Guerra e aumentava a escassez de produtos básicos e alimentos, as gueixas continuavam com seu trabalho e estilo de vida glamuroso – as okiyas mais prósperas eram justo as que tinham como clientes empresários ligados ao governo e membros dos altos escalões militares. Isto certamente contrastava com a austeridade e os sacrifícios impostos ao resto da população civil, conclamada ao esforço de guerra “pela pátria e pelo Imperador”. De súbito, em 1944, o governo determinou o fechamento de casas de chá e de bares, e proibiu as gueixas de trabalhar como gueixas. Todas as mulheres – inclusive as gueixas – tiveram que ir trabalhar nas fábricas pelo esforço de guerra. Esta situação durou até outubro de 1945, quando o governo de ocupação americano autorizou a reabertura das casas de gueixas.

O período do governo de ocupação americano (1945 – 1952) trouxe uma série de novos desafios para a gueixa. A derrota na guerra causou, além da falência das instituições, a falência de boa parte dos clientes das gueixas. Uma nova clientela teve de ser conquistada, e elas procuraram os oficiais americanos. Se antes as gueixas desprezavam tudo que representava o ocidente, agora elas procuravam aprender inglês e músicas americanas. O choque de culturas foi inevitável, e chegou a ser objeto de filmes produzidos em Hollywood nos anos 50, como “A Casa de Chá do Luar de Agosto”. Mas o problema maior ocorreu entre os soldados e militares de baixa patente. Ao saber que gueixas compareciam às recepções e jantares dos oficiais, sem presenciar ou entender o que as gueixas exatamente faziam em tais ocasiões, soldados americanos passaram a achar que “gueixa” significava “prostituta” em japonês, e quando saíam à procura de mulheres – que nada mais eram que moças comuns famintas tentando sobreviver no caos do pós-guerra – perguntavam se elas eram uma “guíxa” (a pronúncia que usavam para “geisha“). Como normalmente a resposta era um aceno afirmativo com a cabeça, os soldados passaram a acreditar que as garotas que arranjavam eram “guíxas”, e com isso tornou-se popular no ocidente a idéia de que gueixas eram simples prostitutas com aparência exótica.

Embora o governo de ocupação tivesse promulgado uma nova Constituição para o Japão em 1947, os americanos mantiveram em vigor as antigas regras da prostituição legalizada, com bordéis oficiais para os soldados. Embora tais estabelecimentos nada tivessem a ver com as okiyas e as casas de chá, os soldados logo as apelidaram de “guíxa houses”. A prostituição no Japão deixou de ser legalizada em 1952, ao final do governo de ocupação. A atividade da gueixa quase se extinguiu neste período difícil, mas sobreviveu. Sua imagem, entretanto, foi manchada pelo choque cultural. Se no passado as prostitutas no Japão se esforçaram para não ser confundidas com as gueixas, desde o período da ocupação as prostitutas passaram a querer ser confundidas com gueixas.

Uma nova fase de prosperidade se iniciou no Japão a partir de 1953, que culminou na atual condição de 2ª maior economia do mundo. Cultivando tradições, a gueixa se permitiu algumas modernidades, como falar inglês e entreter estrangeiros. E para desfazer a equivocada imagem que o ocidente tinha das gueixas, o governo passou a chamá-las para ciceronear e entreter personalidades estrangeiras em visitas oficiais ao Japão, como a Rainha Elizabeth II e o Príncipe Charles da Inglaterra, o Rei Hussein e a Rainha Aliya da Jordânia e o Presidente Gerald Ford – o primeiro presidente americano a visitar o Japão após a 2ª Guerra.

A GUEIXA MODERNA

Ser uma gueixa é mais do que uma mera profissão. É um estilo de vida que exige total e absoluta dedicação. É aceitar acima de tudo que será uma vida de servidão, que eventualmente terá grandes recompensas. Como tudo no Japão, ser gueixa é também um caminho a ser percorrido pelo resto da vida.

Há poucas décadas atrás, era comum meninas de 8 a 14 anos serem adotadas por okiyas – até mesmo vendidas pelas famílias às casas, prática que foi proibida após a 2ª Guerra. Uma lei determinando que o segundo grau completo é requisito obrigatório para os que se candidatam a uma profissão no Japão, fez com que as casas de gueixa passassem a aceitar meninas só a partir dos 17 anos de idade. Se por um lado pegar crianças para treinar como gueixas tem o benefício de dispor de mais tempo para uma educação mais cuidadosa, por outro lado é óbvio que uma criança não tem como escolher se aquilo que ela está sendo educada para fazer é aquilo que ela efetivamente quer fazer pelo resto da vida. Com tantas oportunidades que existem para a mulher na moderna sociedade japonesa, a deserção de gueixas de okiyas que investiram em seu treinamento e sustento tornou-se relativamente freqüente. Cada gueixa que deserta deixa um prejuízo considerável para a casa que a recebeu (calcula-se que o valor mínimo gasto com a educação e quiminos de uma gueixa é de 500 mil dólares). Jovens um pouco mais maduras, que decidem tornar-se gueixas por opção, tornaram-se mais interessantes para as casas.

O treinamento básico de uma jovem gueixa dura no mínimo 5 anos. As jovens gueixas aprendizes são chamadas maiko (mulher da dança). Enquanto aprendizes elas dedicarão seus dias a aulas de dança, canto, música, literatura, e na prática de uma etiqueta que mudará seus modos, gestos, até a linguagem corporal, para alcançar o padrão de elegância que se espera de uma gueixa. À noite, ela irá a festas e banquetes para entreter os convidados e observar atentamente as gueixas experientes, para aprender como agir e se portar vendo o exemplo delas. A esta prática dá-se o nome de minarai (aprender vendo). Em média, paga-se de 500 a mil dólares por hora por gueixa, sendo que nunca uma gueixa vai sozinha. Quando se “contrata uma gueixa”, contrata-se no mínimo duas.

Ter namorados ou relacionamento sexual com clientes nesta fase está fora de questão. No passado, em tempos em que as gueixas eram virtuais escravas da casa, houve até a iniciação sexual de maikos através de “leilões de virgindade”, praticados por okaasans tiranas e gananciosas. Tal prática foi abolida após a 2ª Guerra. Hoje, com direitos garantidos e várias opções de carreira profissional para as mulheres, nenhuma gueixa pode ser obrigada a permanecer numa okiya ou numa atividade contra sua vontade. Para evitar prejuízos com uma desistência e garantir a continuidade de suas okiyas, as atuais okaasans procuram tratar bem suas maikos e geikos. Sinal dos tempos.

Duas cerimônias marcam a passagem de gueixa adolescente para gueixa mulher. Por volta dos 18 anos ocorre a cerimônia do mizu-age (subida das águas), no qual uma maiko muda de penteado 5 vezes e, se quiser, perde a virgindade com um de seus clientes. Trata-se de um rito de passagem pelo qual a jovem gueixa passa a ser reconhecida como mulher, e ela passa a receber tanto propostas de casamento de clientes (sendo que ao se casar ela deixa de ser gueixa), como propostas para tornar-se amante de um deles (caso no qual ela pode tornar-se independente da casa à qual pertence mas continuar trabalhando como gueixa). Ser virgem aos 18 anos em tempos como os de hoje, nos quais adolescentes de 15 têm mais experiência no assunto que as maikos, é algo que deixa admirados os que têm na mente a idéia estereotipada da gueixa como uma expert no “Kama Sutra”.

Quando suas habilidades já são consideradas suficientemente maduras, a jovem gueixa ganha o status de geiko (mulher da arte), o que atualmente ocorre entre 20 e 23 anos de idade. Enquanto maiko, a gueixa usa quimonos com cauda e obi largo em cascata nas costas, sempre com colarinho estampado ou colorido, maquiagem ultra-branca e o grande penteado com pente de casco de tartaruga, flores e pingentes metálicos. Ao se tornar uma geiko, ela passa a usar colarinho branco, quimonos mais discretos e penteados mais simples, ganhando uma aparência mais adulta e mais elegante. A cerimônia na qual uma gueixa aprendiz passa a ser considerada uma gueixa experiente chama-se erikae (mudança de colarinho). Isso também implica em novas responsabilidades para a geiko em relação à okiya, bem como manter-se um exemplo para as demais gueixas e auxiliar as mais jovens em seu aprendizado. As aulas de literatura, etiqueta, música, canto, dança e arranjo floral, entretanto, continuam até os 40 anos de idade. Atualmente, aulas de inglês também fazem parte do currículo.

Esta foi uma breve descrição de como são formadas as gueixas mais refinadas e caras do Japão, como as das casas de gueixas de Gion e Pontochõ em Kyoto, e de Akasaka em Tóquio. Existem também as onsen geisha (gueixas de termas), que apesar do nome são prostitutas que adotam só a aparência e se valem da fama das gueixas. São falsas gueixas que se apresentam durante o dia em teatros baratos nas cidades turísticas onde há termas, e fazem de programas com turistas à noite sua principal fonte de renda. Usam perucas e quimonos teatrais, bons o suficiente para iludir os que nunca viram uma gueixa de verdade (que são muitos, mesmo entre os japoneses), mas nada possuem da postura e das maneiras elegantes características da verdadeira gueixa. Não se pode esperar de uma onsen geisha, portanto, a capacidade de guardar segredos ou de ser discreta, como fazem as verdadeiras gueixas.

Que o diga o ex-Primeiro-ministro Sõsuke Unõ. Em junho de 1989, ao alcançar o posto máximo que um político pode almejar na carreira no Japão, Unõ tornou-se centro de um escândalo quando sua amante gueixa foi à mídia para revelar o caso e acusá-lo de avareza e arrogância. Tamanha foi a repercussão negativa, que Unõ teve que se demitir após somente dois meses no cargo. Por ter quebrado a regra nº 1 das gueixas – o voto de segredo – a comunidade das gueixas entendeu que a amante de Unõ sequer fosse uma gueixa. Quando muito, uma prostituta que se passava por gueixa. Gueixa ou não, o caso Unõ demonstrou que houve uma grande mudança de valores sociais no Japão, pois a relação extra-conjugal de um político com uma gueixa, algo que há muito tempo era aceito com naturalidade, deixou de sê-lo. As esposas japonesas, que hoje são também eleitoras, deixaram de ser tão complacentes e tolerantes com as amantes de seus maridos. A opinião pública masculina, por sua vez, achou que Unõ errou ao querer ter uma amante gueixa sem ter condições financeiras para tanto, ou seja, queria aparentar um status que não tinha condições de manter.  

FUTURO INCERTO

Gueixas podem se casar, mas ao se casar deixam de ser gueixas. É comum elas se casarem com filhos ou netos de seus clientes – os próprios clientes normalmente se propõem a arranjar tais uniões. Mas via de regra, o marido japonês prefere que sua esposa não trabalhe fora, dedicando-se exclusivamente ao lar. Para uma mulher criada para dançar, tocar música, e acostumada a um estilo de vida de festas e quimonos caros, o papel de esposa confinada em casa é difícil de assimilar. Por isso, ao invés do casamento, muitas gueixas preferem permanecer solteiras e viver na okiya, dedicando-se ao karyukai até a morte. Ou, com sorte, arranjar um bom e rico danna.

Danna em japonês significa “patrono”, mas no meio das gueixas designa um cliente que decide assumir uma gueixa como amante exclusiva. Normalmente os clientes de gueixas costumam ser bem mais velhos que elas – na meia-idade ou já na terceira idade, pois é em tal faixa etária que os homens alcançam o sucesso pessoal e financeiro. Quando um deles quer que uma determinada gueixa seja sua amante, ele deve negociar isso com a okaasan. Além de uma quantia a título de compensação à okiya pela educação e hospedagem da gueixa (algo que envolve algumas dezenas de milhares de dólares), a okaasan faz algumas exigências pela gueixa, para garantir que ela tenha um padrão de vida condizente com o que está acostumada, como uma casa ou apartamento próprio e uma mesada. Se o danna concordar com as exigências, e a gueixa aceitá-lo e estiver satisfeita com as condições, a gueixa torna-se independente. Mamika, famosa e refinada gueixa de Gion nos anos 90, revelou em entrevista para um documentário da tevê norte-americana que além de um confortável apartamento em Kyoto e uma mesada de 8 mil dólares, seu danna ainda lhe deu um título de sócia de um exclusivo clube de golfe e permitiu que ela continuasse atuando como gueixa. Mas quem é o seu danna, ela não revelou e nem deu pistas.

Manter segredo sobre seu danna e fidelidade a ele são considerados deveres da gueixa. Se ela faltar com tais deveres, a comunidade a isolará, o que tornará impossível que ela continue trabalhando como gueixa. Há, obviamente, muitas vantagens em ter um danna, mas o lado obscuro disso é que a gueixa pode ficar para sempre presa a alguém que não ama.

Talvez esteja neste ponto o valor da gueixa, e o que fará ela sobreviver: a raridade, a exclusividade, e a personificação daquilo que há de belo na alma do Japão. Dificuldades existem, mas certamente há futuro para a tradição da gueixa.

PARA SABER MAIS SOBRE GUEIXAS

O site Cultura Japonesa recomenda o livro GEISHA, de Liza Dalby. Em 1975, quando era estudante de antropologia, Dalby conseguiu o que nenhuma outra ocidental conseguiu até hoje: foi aceita como aprendiz em uma das mais tradicionais casas de gueixas de Pontochõ, um dos também tradicionais bairros de gueixas de Kyoto. Durante um ano, ela viveu entre gueixas como uma gueixa, para conhecer a fundo e compreender um mundo do qual o segredo é parte do estilo de vida.

Outro ótimo livro é MinhVida como Gueixa, de Mineko Iwasaki. A autora, ainda criança foi adotada pela renomada e tradicional casa de gueixas Iwasaki do bairro de Gion em Kyoto, e educada para ser a atatori – a gueixa herdeira e sucessora da casa. Rebatizada de Mineko Iwasaki, nos anos 70 ela alcançou fama e reconhecimento como a mais talentosa gueixa de sua geração, chocando a comunidade ao decidir aposentar-se no auge da carreira, aos 29 anos, para ter sua própria vida. Memórias de uma gueixa da vida real, Iwasaki escreveu esta auto-biografia em 2002.

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Esta é a história de uma família que se lançou no mar em 1984, com laços bem apertados pelo amor, pela confiança e pelo respeito a seus filhos e a sua tripulação. Em vinte anos de vida no mar, a família navegou mais de 118 mil milhas náuticas em duas circunavegações, conhecendo 54 países diferentes.

Vilfredo e Heloísa Schürmann deixaram o escritório, a casa, a escola e, no auge de uma vida bem-sucedida como empresários, embarcaram com seus filhos para realizar um sonho – dar a volta ao mundo em um veleiro. Foram dez anos de trabalho para realizar os seus sonhos. A idéia era passar dois ou, no máximo, três anos no mar. No entanto, a vontade de conhecer e conviver com culturas diferentes fez com que os Schürmann ficassem dez anos a bordo do veleiro Aysso. Nessa 1ª vez, o filho mais velho ficou com eles cerca de 3 anos e depois foi estudar Administração nos EUA. O do meio ficou 7 anos e resolveu estudar Cinema na Nova Zelândia. Só o mais novo ficou os 10 anos.

De volta ao Brasil em 1994, a família se preparou para mais uma aventura – repetir a rota do navegador português Fernão de Magalhães, a primeira expedição que deu a volta ao mundo.  Nessa só o filho do meio participou, fazendo as filmagens para depois lançar um filme.

Em 2004, a família realizou uma navegação pela costa brasileira para comemorar os 20 anos no mar e reencontrou pessoas e famílias que fizeram parte dessa história. Este livro leva o leitor a viajar ao lado da família.

Kat era neozelandesa e seus pais conheceram a família Schurman em sua passagem por lá. Tempos depois, já de volta ao Brasil, receberam a visita apenas do pai, dizendo que a mãe tinha morrido em um acidente de carro e que ele, que trabalhava numa plataforma de petróleo, não estava conseguindo cuidar da menina direito. Pediu que a família a adotasse. Eles, então, conviveram com ela dos 5 aos quase 14 anos, quando então ela, que era soropositiva assim como sua mãe, morreu de complicações de uma pneumonia. Criaram um instituto que leva seu nome. A entidade tem o objetivo de contribuir para a manutenção da qualidade sócio-ambiental dos ambientes marinho e costeiro. Consolida suas ações através do desenvolvimento de pesquisas e da implementação de programas de educação ambiental.

Com base no roteiro de Bolognesi, o cotidiano da Família Schürmann na 2ª viagem a bordo do veleiro é narrado, de forma alternada, pelo casal – Vilfredo e Heloisa – que viaja acompanhado da filha adotiva Kate, então com sete anos de idade, a quem o filme é dedicado, além de uma equipe de técnicos, que sofre algumas alterações durante o percurso, o qual, acompanhando a rota de Magalhães, é de 60.481 km navegados.
O filme mostra imagens belíssimas, captadas por meio de competente trabalho com câmara Super 16 mm, de trinta países, quatro continentes e três oceanos. A primeira tormenta que o veleiro dos Schürmann enfrenta é em Puerto Deseado, no sul da Argentina, que coincide com um motim a bordo dos veleiros sob o comando de Fernão de Magalhães então pressionado por seus homens, os quais já não acreditam mais em sua promessa de encontrar uma saída para o Oceano Pacífico.

Passada a tormenta , o veleiro dos Schürmann vence, em 43 dias, o esperado percurso do Estreito de Magalhães, encontrando, logo em seguida, a paisagem magnífica das águas do Oceano Pacífico congeladas sobre as quais torna-se possível a caminhada dos navegadores diante de poderosas montanhas de gelo. Dali a família decide visitar amigos chilenos que trocaram as aventuras no mar, nas quais se conheceram nove anos atrás, pelas de uma fazenda, dedicada ao que parece à criação de gado bovino e ovino. Além da acolhida calorosa do amigo Gorronho, os navegadores catarinenses se encantam com a paisagem do sul do Chile, mas se mostram, por outro lado, ansiosos para deixar o continente e enfrentar o mar aberto.
Sempre seguindo a rota de Magalhães, o primeiro ponto em mar aberto encontrado pelos navegantes é o da famosa Ilha de Páscoa, que fica a 3.700 km de distância da costa oeste do Chile. É famosa principalmente pelas enormes estátuas de pedra que não se sabe como os antigos habitantes da ilha conseguiram transportar para a grande murada onde se encontram em frente ao mar. Enquanto nas animações Magalhães enfrenta novos problemas e sofre novas baixas, tendo de afundar um veleiro por falta de marinheiros para conduzi-lo, os Schürmann renovam o prazer de chegar a uma das paisagens mais dionisíacas do mundo, a da Polinésia Ocidental, onde a água do mar é transparente e os costumes são pra lá de liberais. É numa das ilhas da Polinésia que a família reencontra Nite, uma nativa, casada com um brasileiro, a qual mostra ao casal a beleza de sua terra.

Mas nem tudo são flores nessa visita à Polinésia porque o choque cultural acaba por importunar Heloisa, que se queixa de uma nativa, a qual lhe pede de empréstimo o marido, Valfredo por onze dias, pois quer ter um filho claro igual aos do casal. Como no Brasil se permite tudo, tudo, menos empréstimo de marido, ainda mais por onze dias, Heloisa diz para a nativa: “Não, não e não. Ora essa!” A nativa, convidada de Nite, sai da festa aos prantos. Preocupado, Valfredo quer saber o motivo pelo qual a nativa, que o acariciara, saíra da festa tão chorosa. Mas ele só vai saber da proposta dela bem distante da aprazível Polinésia, em alto mar, onde Heloisa se diz mais segura e gosta de mais tempo ficar. Não é pra menos!…
Mas o choque cultural também causa certo amargor a Valfredo ao ver, nas Filipinas, único país católico da região, nas comemorações da Semana Santa, um indivíduo ser sacrificado, como o Cristo, tendo pés e mãos cravados com longos pregos na cruz. A cena é realmente brutal. Ao ser retirado, o crucificado tem de ser levado às pressas em maca para o hospital. É também nas Filipinas que, pelas animações, se observam os maiores reveses sofridos por Magalhães, que acaba sendo ali assassinado. Não há no lugar nenhuma homenagem a ele. Só existe uma grande estátua do chefe da tribo que o matou.
Os marinheiros que restam da expedição do grande navegador português – em número apenas de dezoito dos duzentos e sessenta que partiram – retornam então à Espanha e, ao chegarem a Sevilha, pedem velas para serem acesas nas igrejas em homenagem ao seu Comandante e aos bravos, heróicos companheiros. Da mesma forma, a chegada dos Schürmann a Sevilha, num dia magnífico, depois de passarem pela Austrália, circundarem a costa sul da África e dobrarem o Cabo da Boa Esperança, é apoteótica.

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   Tirando as partes sobre os integrantes da Sapo, que achei um tanto longa, era um tal de “fulano” se formou em tal ano, em tal profissão, foi promovido em tal epóca, era subordinado direto de “beltrano”, e mandava diretamente em “ciclano” e no outro “ciclano”…
 
   O livro começa no exato momento em que o anterior termina, é como se realmente fossem um livro só, então é bastante interessante começar a ler um na sequência do outro.
 
   Lisbeth quase morta é levada ao hospital, operada, sobrevive e aguarda melhoras para ser levada a prissão, onde irá responder por uma lista imensa de delitos.

   Alexander Zalachenko também está hospitalizado e jura inocência, colocando toda a culpa pelos crimes em Niedermann, e acusando Lisbeth de tentar matá-lo.

   Mikael corre contra o tempo para reunir provas que ajude a inocentar Lisbeth, durante este processo mais crimes continuam a acontecer, um assassinato, um suícídio bastante suspeito, roubos, escultas telefônicas e outras coisinhas mais.
  
   Lisbeth mesmo confinada em um hospital consegue através de seus talentos (lembram que ela é uma hacker?) ajudar Mikael a encontrar provas contra os verdadeiros culpados.
 
   O julgamento de Lisbeth chega e é simplesmente fantástica a forma com que o autor preparou o desenrolar dos fatos. Todos acham que Lisbeth é realmente uma maluca de carteirinha (por causa da forma como ela se apresenta vestida no tribunal e pelo fato de responder apenas às perguntas que lhe convem e da forma que bem entende), e que sua advogada Anita (irmã de Mikael) é um fracasso.
 
   O que eles não imaginavam era a carta que elas tinham na manga, e quando chega o momento do depoimento do escroto do psiquiatra Peter Teleborian tudo começa a mudar de figura. Este momento é um dos melhores do livro.    Lisbeth é considerada livre, tanto dos crimes quanto da tutela.
     
   Zala foi assassinado no começo do livro, dentro do hospital. Depois da sentença, quando Lisbeth recebe a herança de seu pai, diz que não a quer, mas fica curiosa a respeito de um prédio dele. Vai até lá e descobre que se parecia com o porão do serial killer do 1º livro. Havia mulheres mortas em um tanque lá. Quando menos espera se depara com seu irmão, o gigante loiro. Ele tenta matá-la mas, milagrosamente, ela consegue se safar com um pregador (prega seus pés). Pensa em matá-lo mas desiste. Sai e  liga para a Sapo. Sabe que eles têm interesse em matá-lo, e o fazem. Liga para a polícia e diz que eles estão matando-o. A polícia chega e prende todos. Ele está morto.
  
   Lisbeth percebe que não sente mais nada por Mikael e que o quer como amigo. Vai atrás de Miriam Wu.
  
   Para aqueles que esperam por um final onde Mikael descobre estar loucamente apaixonada por Lisbeth, se declarar e os dois viverem felizes para sempre, esquece. Stieg Larson é muito melhor que isso, fomos brindados com um final que ao meu ver não poderia ser melhor. Recomendo a leitura sem sombra de dúvidas, e quando chegarem as partes meio chatas sobre a Sapo, lembrem-se que é um mal necessário e que valerá a pena.
 

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   Lisbeth parece uma garota frágil, mas é uma mulher determinada, ardilosa, perita tanto nas artimanhas da ciberpirataria quanto nas táticas do pugilismo. Mikael Blomkvist pode parecer apenas um jornalista em busca de um furo, mas no fundo é um investigador obstinado em desenterrar os crimes obscuros da sociedade sueca, sejam os cometidos por repórteres sensacionalistas, sejam os praticados por magistrados corruptos ou ainda aqueles perpetrados por lobos em pele de cordeiro.

   Um destes, o tutor de Lisbeth, foi morto a tiros. Na mesma noite, contudo, dois cordeiros também foram assassinados – um jornalista e uma criminologista que estavam prestes a denunciar uma rede de tráfico de mulheres. A arma usada nos crimes não só foi a mesma como nela foram encontradas as impressões digitais de Lisbeth.

   Procurada por triplo homicídio, a moça desaparece. Mikael sabe que ela apenas está esperando o momento certo para provar que não é culpada e fazer justiça a seu modo. Mas ele também sabe que precisa encontrá-la o mais rapidamente possível, pois mesmo uma jovem tão talentosa pode deparar-se com inimigos muito mais formidáveis, e que, se a polícia ou os bandidos a acharem primeiro, o resultado pode ser funesto, para ambos os lados.

   No decorrer do livro sempre surge o nome de Zala, uma figura misteriosa que parece estar por trás de tudo.

   A verdade é que Zala é o pai de Lisbeth. Ele é um refugiado da URSS, envolvido no tráfico de mulheres. Quando adolescente, ele batia muito em sua mãe e certo dia Lisbeth tentou matá-lo. Jogou àlcool no carro em que ele estava, deixando-o todo queimado e com uma perna amputada.

   Após o incidente, o serviço secreto sueco (SAPO) a interna como se fosse louca, com medo de que ela entregasse o segredo nacional da presença do gangster Zala em seu país.

   O assassino das 3 pessoas foi Zala. Tudo começou quando Nils Bjurman, tutor de Lisbeth Salander e advogado corrupto que prestava serviços à SAPO, pediu ajuda à Zala para dar fim à Lisbeth, visto que ela o estava ameaçando com o vídeo da tentativa de estupro dela.

   Zala manda que o gigante loiro o mate. Na hora em que estavam no apartamento, Dag Svensson liga para Nils (visto que este estava envolvido no comércio de putas), e então Zala descobre que Dag sabe da ligação dos dois e manda matá-lo e à Mia também.

   Lisbeth descobre por Zala que o gigante loiro é seu irmão. Seguindo a pista do carro alugado por este último, Lisbeth  chega à fazenda onde vivem. Começa uma luta em que Lisbeth leva dois tiros e depois é enterrada viva. Consegue se safar e vai atrás dos dois.  O gigante, que apesar de tudo era bastante medroso e assustado com coisas do além, quando a vê, sai correndo desesperado.  Quando chega á estrada  Mikael está passando de carro e o reconhece. Pára e o domina com uma arma, amarrando-o a uma placa de trânsito.

   Enquanto isso, Lisbeth encontra Zala e o acerta  com um machado.

   O livro acaba com todos vivos, mas bastante feridos.

Personagens

Lisbeth Salander: uma hacker experiente, tem um estilo punk e é aparentemente bissexual. Uma garota diferente que teve uma adolescência conturbada, agora está na mira da polícia de Estocolmo.

Mikael Blomkvist: jornalista famoso que trabalha na Revista Millennium. É um homem de meia-idade, honesto e íntegro. Amigo de Lisbeth, vai ajudá-la seguindo as pistas de um triplo assassinato.

Erika Berger: diretora da revista Millennium.

Malu Eriksson: trabalha na Millennium e ajuda Michael com suas investigações.

Nils Bjurman: tutor de Lisbeth Salander, um advogado corrupto que foi misteriosamente assassinado.

Dag Svensson: um jovem jornalista que antes de ser assassinado preparava um livro denunciando uma rede de tráfico internacional de mulheres, o qual seria publicado pela Millennium.

Mia Bergman: esposa de Dag, escreveu um artigo sobre tráfico de mulheres. Também foi morta.

Jan Bublanski: trabalha na polícia, agora engajado na caça a Lisbeth Salander e na busca de soluções para os crimes.

Sonja Modig: uma competente policial, ajuda Bublanski.

Miriam Wu: amiga de Lisbeth e sua companheira sexual casual.

Paolo Roberto: amigo de Lisbeth, lutador de boxe.

Alexander Zalachenko (Zala): o antagonista da história, é um refugiado da URSS e que comanda um esquema de tráfico de mulheres.

Ronald Niedermann: apelidado de “gigante loiro”, trabalha para Zalachenko.

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Acusado injustamente de caluniar um corrupto magnata numa reportagem, Blomqvist é obrigado a sair de cena. Mas não por muito tempo. O industrial Henrik Vanger logo o contrata para uma missão que a princípio parecia impossível ou mesmo inútil: descobrir o que aconteceu com uma sobrinha desaparecida há 40 anos. Vanger acredita que ela foi assassinada por um dos membros da família, a qual detesta, mas não há pista alguma – a própria polícia arquivou o caso.

Blomqvist muda-se para a ilha onde vive a disfuncional dinastia Vanger, cujos integrantes parecem saídos de um quadro de Goya, e começa a investigar sem muito empenho. Inesperadamente, ganha a ajuda da jovem e surpreendente Lisbeth Salander, uma hacker franzina com pinta de punk, um passado infernal e uma inteligência fora do comum, ainda que beirando o autismo.

Juntos, os simpáticos e heterodoxos detetives chegam perto de solucionar o mistério, até que um gato esquartejado amanhece em frente à cabana em que estavam hospedados. Daí em diante o livro ganha contornos tétricos e violentos, em que sexo e crueldade se misturam, e as mulheres, como o título indica, são as maiores vítimas.

Mikael entra na casa de Martin, o irmão de Henriet, e descobre um show de horrores em seu porão, percebendo que ele era um assassino em série.

Tudo começou com seu pai, que também era um serial. Além de estuprar o garoto, ele o obrigava a participar dos crimes.

Com sua morte, Martin seguiu seus passos, continuando a matar mulheres e levá-las para seu porão. Além disso, ameaçava estuprar sua irmã.

No dia do sumiço dela, ela o avistou e decidiu fugir dele para acabar com aquela agonia. Teve a ajuda de uma prima, que a colocou no porta-malar do carro e depois a levou para outro país. Tempos depois Henriet conheceu um fazendeiro e se casou. Depois de uns anos ficou viúva e passou a administrar o negocio da família.

Quando Mikael descobriu o porão de Martin, este o amarrou e colocou uma corda em seu pescoço, quase não dando pé e sufocando-o aos poucos. Sua sorte é que Lisbeth deduziu o que poderia estar acontecendo e chegou a tempo. Desferiu alguns golpes no psicopata e soltou Mikael.

Martin saiu de carro e bateu em um caminhão, morrendo.

Mikael contou tudo a Henrik, Henriet veio rever a família e passou a tomar conta dos negócios.

Lisbeth investigou a vida do magnata que havia processado Mikael no início do livro, descobriu vários negócios sujos e fez várias manobras para incriminá-lo. Como resultado, este foi preso e Mikael voltou a ter sua imagem respeitada.

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O CAÇADOR DE PIPAS

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Introdução
O caçador de pipas conta a história de Amir, um garoto rico de Cabul, no Afeganistão, que é atormentado pela culpa de ter traído seu criado e melhor amigo, Hassan, filho de Ali, também empregado do seu pai. A história tem como cenário uma série de acontecimentos políticos tumultuosos, que começa com a queda da monarquia do Afeganistão decorrente da invasão soviética, a massa de emigrantes refugiados para o Paquistão e para os EUA e a implantação do regime Militar pelo Talibã
Sinopse
Amir era um garoto problemático que cresceu no Afeganistão. Sua mãe morreu durante o seu parto, sua relação com seu pai, Baba, é formal demais e seu melhor amigo é Hassan, um garoto hazara de lábio leporino, filho do empregado da família, Ali. Amir não entendia o afeto que seu pai demonstrava ter por Hassan, afeto esse que resultou numa plástica, paga por Baba, para corrigir o defeito de nascença do garoto, quando este fez doze anos.

O amigo de Amir é um dos destaques do anual campeonato de pipas, que marca o início do inverno em Cabul.

Amir é campeão na competição e Hassan é um talentoso caçador de pipas, alguém que apanha as pipas caídas para exibi-las como troféus.

Em seus doze anos, Amir finalmente ganha a estima do seu pai por ter vencido a competição. Infelizmente, quando Hassan corre para apanhar a última pipa, ele encontra Assef. Amir vai a procura do seu amigo e acaba testemunhando Hassan sendo brutalmente violentado por Assef. Falta, a Amir, coragem para intervir e ele prefere manter seu conhecimento sobre o fato em segredo. No entanto, a culpa que ele passou a sentir perante à sua inatividade naquele momento, envenenava lentamente o seu relacionamento com Hassan.

No seu aniversário de treze anos, Amir recebe diversos presentes do seu pai e dos amigos deste. Entretanto, um deles é particularmente especial: um carderno em branco que ganhara do amigo e sócio do seu pai, Rahim Khan, para que ele escrevesse suas histórias.

Não podendo mais tolerar a presença de Hassan em sua casa, Amir prepara uma armadilha para seu amigo, escondendo dinheiro e um relógio de pulso sob o colchão de Hassan para incriminá-lo. Apesar de ser inocente, Hassan prefere confessar o roubo a complicar seu amigo. Ali se sente forçado a deixar a família, a qual serviu durante muitos anos, e se mudar para a remota Hazarajat, apesar dos protestos e lágrimas de Baba. Ainda que Amir nunca mais tivesse visto Hassan novamente, ele se vê constantemente atormentado por tê-lo traído.

Em 1980, Amir e seu pai deixam o Afeganistão, vão para Peshawar, no Paquistão, e, em seguida, para os EUA, escapando do novo regime soviético.

Em 1984, Amir e Baba estão morando em Fremont, Califórnia, EUA. Baba trabalha em um posto de gasolina e ganha um dinheiro extra vendendo sucatas em uma feira aos domingos, almejando pôr seu filho numa faculdade. Baba é diagnosticado com um câncer no pulmão. Amir conhece Soraya Taheri, com quem se casa mais tarde. Eles têm um casamento tradicional. Soraya se muda para a casa de Amir e cuida de Baba até ele morrer.

Os anos se passam. Amir embarca em uma bem-sucedida carreira como romancista. Ele e Soraya não podem ter filhos e relutam em adotar uma criança.

Em 1999, quinze anos depois da morte de Baba, Amir recebe um telefonema de Rahim Khan, que vivia em Peshawar. Amir viaja para o Paquistão para encontrá-lo. Rahim revela a Amir tudo o que aconteceu no Afeganistão depois da guerra civil.

Rahim se mudou para o antigo casarão de Baba, levando consigo Hassan, a mulher e o filho de Hassan, Sohrab. Dez anos depois, ele deixa Cabul e vai para o Paquistão. Hassan e sua mulher foram assassinados por um soldado taliban. Seu filho foi levado para um orfanato.

Rahim Khan pede a Amir que ele retorne ao Afeganistão para resgatar Sohrab. Para persuadi-lo, Rahim revela um segredo de família: Ali era estéril e Baba era o verdadeiro pai de Hassan, fazendo com que Amir e Hassan fossem meio-irmãos e Sohrab fosse meio-sobrinho de Amir.

Após relutar muito, Amir retorna a uma Cabul controlada pelo Taliban para procurar por seu sobrinho. Ele localiza o orfanato e é informado que o garoto fora levado por um oficial Taliban, que o usa como escravo sexual. Amir acha o oficial e pergunta por Sohrab, no entanto, o oficial é Assef. Eles brigam na frente do garoto e, se não fosse Sohrab ameaçando atirar no olho esquerdo de Assef com um estinligue e cumprido sua ameaça, Amir teria morrido.

Amir e Sohrab fogem para o Paquistão, onde ele decide adotar o garoto, mas encontra a oposição das autoridades americanas locais. Amir conta a Sohrab que talvez tenha de colocá-lo em um orfanato temporariamente. Com medo de receber o mesmo tratamento cruel que recebera no Afeganistão, Sohrab tenta o suicídio ao cortar seus pulsos. Amir descobre Sohrab a tempo, quando corre para contá-lo que sua mulher, nos EUA, encontrou uma forma de levar o garoto para a América.

O livro acaba com Amir e Sohrab de volta aos EUA. Sohrab está emocionalmente abalado e procura não falar. O dia de ano novo afegão é celebrado com uma competição de pipas, e Amir compra uma. Ele usa uma das antigas manhas de Hassan para derrubar uma pipa adversária. Nesse momento, um pequeno sorriso de Sohrab enche Amir de alegria: uma pipa voando foi o começo do descogelamento das emoções de Sohrab, e Amir, finalmente, se sente libertado da culpa que carregara consigo desde a infância.

O filme é bem fiel, só não mostra a parte em que o garoto tenta o suicídio.
Depois daquele dia em que ele sumiu e foi rezar na mesquita, Amir o encontra e diz que vai levá-lo para os EUA, prometendo nunca abandoná-lo. No filme passa disso já para a chegada nos EUA, porém, sem o menino conversar com ninguém, o que fica meio sem sentido, já que foi pulada a conversa da dificuldade na imigração e a possibilidade dele ter que ficar no orfanato um tempo até que ele conseguisse resolver tudo, partindo daí o desespero e a revolta do garoto, que o levaram a tentar se matar e a parar de falar por perder a confiança em Amir.

 

O que é o Talibã?

Grupo já governou o Afeganistão e hoje luta contra a ocupação norte-americana

O Talibã é um grupo político que atua no Afeganistão e no Paquistão. A milícia tem origem nas tribos que vivem na fronteira entre esses dois países e se formou em 1994, após a ocupação soviética do Afeganistão (que durou de 1979 a 1989) e durante o governo dos também rebeldes mujahedins. Apesar de islâmico, esse governo era considerado muito liberal, deixando descontentes os muçulmanos mais extremistas. Assim, a milícia invadiu a capital Cabul e tomou o poder, governando o país de 1996 até a invasão americana, em 2001. Apesar de ter sido destituído do governo formal, o grupo continuou sendo influente. “Hoje, o objetivo do Talibã no Afeganistão é recuperar seu território e expulsar os invasores dos Estados Unidos e da OTAN”, explica Reginaldo Nasser, coordenador do curso de Relações Internacionais da PUC-SP. Para tentar desestabilizar o inimigo, o grupo utiliza táticas de guerrilha e ataques de homem-bomba. Uma hipótese é que o dinheiro para financiar as ações venha de tributos cobrados dos plantadores de ópio. Mas a característica principal do grupo é ter uma interpretação muito rígida dos textos islâmicos, incluindo proibição à cultura ocidental e a obrigação ao uso da burka pelas mulheres.

Um dos maiores erros que o ocidente comete em relação ao Talibã é confundi-lo com os terroristas da Al Qaeda. “O Talibã é provincial, age apenas na sua região e não tem nada a ver com os ataques a países do ocidente”, explica Nasser. Outra diferença entre as milícias é que a Al Qaeda é composta por árabes, enquanto o Talibã congrega indivíduos das tribos afegãs, a maioria deles da etnia pashtun. Porém, apesar das ideologias distintas, os dois grupos são aliados e se ajudam nas questões de logística, armas e dinheiro. Além disso, quando expulso de vários países, Osama Bin Laden, um dos fundadores da Al Qaeda, foi acolhido pelo Talibã no Afeganistão.

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A Ilha Misteriosa‘ começa quando Sean capta uma mensagem codificada vinda de uma ilha misteriosa localizada em umponto onde não deveria haver nada. Um lugar com formas de vida estranhas, montanhas de ouro, vulcões mortais e diversos segredos surpreendentes. Sem conseguir impedi-lo de ir, o novo padrasto de Sean parte com ele na viagem.Junto ao piloto do helicóptero e de sua linda e determinada filha, eles partem em busca da ilha para resgatar seu único habitante e escapar antes que ondassísmicas levem a ilha para o fundo do oceano, enterrando seus tesouros para sempre.

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