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Archive for the ‘HISTÓRIA’ Category

1979/1989 – Durante a invasão da Russia no Afeganistão, Osama começa a defender os afegãos. A guerra dura cerca de 10 anos e os russos saem perdedores.

1990 – Após o final da guerra, Sadam Hussein, do Iraque, começa uma guerra com o Irã. A guerra termina sem um vencedor claro. Osama desconfia que Sadam, que estava então totalmente endividado, fosse querer invadir a Arabia Saudita atrás de dinheiro.

1991 – Isso realmente aconteceu, com a invasão do Kwait. Osama novamente planeja o ataque, porém, o governo saudita convoca os americanos para tal fim, dando início à Guerra do Golfo. Osama, revoltado, começa a criticar a realeza saudita e acaba sendo expulso do país.

1991 – Vai com sua família para o Sudão. Continua com suas atividades, cada vez se tornando mais fanático e perigoso. Junto co o Al Qaeda, havia 2 outros grupos terroristas de amigos dele. Um deles planejou um ataque ao presidente do Egito, Hosni Mubarak. Os americanos e os egícios passaram então a pressionar o governo sudanês para expulsar Osama.

1996 – Bin Laden vai para o Afeganistão e passa a viver depois de uns meses nas montanhas de Tora Bora.

1998 – No dia 7 de agosto Osama lidera ataques a embaixadas dos EUA no Quenia e na Tanzania. Mullah Omar, líder do Talibã, grupo que dominava o Afeganistão, recusa pedido saudita pela extradição de Osama. No dia 20 de agosto os EUA retaliam, atirando contra os campos de treinamento da Al Qaeda.

1999 – Omar leva a mãe grávida para a Síria mas ela retorna no início de 2000. Só volta definitivamente à Siria entre os dias 7 e 9 de setembro.

2001 – No dia 11 de setembro ocorrem os ataques às Tores do World Trade Center.

2011 – No dia 01 de maio Osama é encontrado e morto no Paquistão.

                                           Najwa Bin Laden

ENTREVISTA COM OMAR BIN LADEN

Mesmo sendo uma das famílias mais ricas e influentes da Arábia Saudita, na casa dos Bin Laden era proibido ter televisão, geladeira, fogão elétrico e ar-condicionado –apesar de a temperatura na Arábia Saudita chegar a 45ºC no verão (com picos de 54ºC). As crianças não podiam ter brinquedos, tomar refrigerante nem rir, sob pena de serem castigadas. Eram obrigadas pelo pai, Osama, a fazer caminhadas no deserto de até 14 horas sem poder beber água. Algumas vezes no Sudão, os treinamentos incluíam passar a noite também. Cada um tinha que se deitar num buraco cavado no chão. Para espantar o frio, só havia terra para se cobrir.

 Histórias como essas são narradas por Omar, o quarto dos 20 filhos de Osama, e pela sua mãe, Najwa, primeira mulher de Osama, à escritora americana Jean Sasson no livro “Sob a sombra do terror”. Escolhido pelo seu pai para ser sucessor na Al Qaeda, grupo terrorista que organizou os ataques de 11 de setembro de 2001, Omar recusou seguir esse caminho. Depois de abandonar Osama no Afeganistão, tornou-se crítico das atividades do pai.

Confira a seguir a entrevista que Omar concedeu ao UOL Notícias por e-mail. UOL Notícias:

No livro, o sr. diz que “a vida era mais agradável quando seu pai estava longe, muito longe” e que o “mundo louco do seu pai” teve efeitos na vida da família. Como o comportamento dele afetou o senhor, seus irmãos e irmãs?

Omar bin Laden: Era difícil ter um pai que não ficava tanto em casa. E ele estava muito ocupado com o seu trabalho e lutando contra os russos no Afeganistão, algo que ele levava muito a sério. Havia uma seriedade incomum na nossa vida de crianças pequenas. Como consequência, nós não éramos muito felizes quando crianças.

UOL Notícias: Apesar de o sr. pertencer a uma das famílias mais ricas e influentes da Arábia Saudita, muitas coisas eram proibidas na sua vida, como o uso da geladeira, do ar-condicionado e de brinquedos, o consumo de refrigerantes e até remédios. Ironicamente, seu pai tinha os carros mais modernos e caros e armas. Quando olha para trás, como vê o seu pai? O sr. ainda o ama?

Omar bin Laden: Ele era meu pai e eu sempre o amei. Ele achava que o que ele estava fazendo era muito importante e então os filhos dele vinham em segundo plano em relação aos problemas mundiais. Eu gostaria que tivesse sido diferente. Eu gostaria que meu pai tivesse tido mais tempo com os seus filhos pequenos. Sim, eu amo meu pai como todo filho ama o seu pai. É um amor automático, sem pensar. 

UOL Notícias: O sr. deixou o seu pai no Afeganistão meses antes do ataque de 11 de Setembro. Por que decidiu esperar todo esse tempo para contar a sua história?

Omar bin Laden: A hora não era a certa. Era muito cedo depois de eventos grandes. Eu estava ocupado tentando colocar a minha vida em ordem. Então todo mundo estava escrevendo sobre a minha vida e a do meu pai, mas não sabiam do que estavam falando. Tudo o que eu lia estava errado. Até mesmo depois de eu ter revelado como era a vida do meu pai, jornalistas escrevem o que eles querem e, quando leio, balanço a minha cabeça sobre o quão errado eles estão. Até que chegou a hora em que decidi que seria bom contar ao mundo sobre a minha vida com o meu pai.

UOL Notícias: Por que escolheu uma escritora americana para escrever o livro? Foi uma tentativa de tornar a sua história mais convincente para o mundo ocidental?

Omar bin Laden: Eu escolhi a Jean Sasson porque ela era conhecida por escrever histórias sobre o Oriente Médio e mulheres muçulmanas. Ela morou na Arábia Saudita por 12 anos e eu ouvi de alguém próximo a mim que ela iria entender a minha mentalidade de árabe muçulmano melhor do que ninguém. E ela entende.

UOL Notícias: Ao ser levado, ainda adolescente, para a montanha de Tora Bora (Afeganistão), o sr. havia sido escolhido pelo seu pai como seu sucessor, aquele que deveria conduzir a Al Qaeda e continuar com a guerra santa. Como se sentiu sobre isso? E por que acha que seu pai o escolheu? Chegou em algum momento a considerar aceitar a posição?

Omar bin Laden: Meu pai disse que ele havia me escolhido porque eu era justo e calmo ao tomar decisões. Além disso, eu não sei outro motivo. Não, nunca considerei aceitar a escolha do meu pai de que eu deveria ser o seu sucessor. Eu não tenho violência no meu coração.

UOL Notícias: Quando o sr. abandonou o seu pai no Afeganistão, qual foi a sua reação? Com a sua recusa, por que seu pai não escolheu um irmão seu?

Omar bin Laden: Meu pai ficou calmo porque esse era o seu jeito. Posso dizer que ele ficou desapontado, mas calmo. Ele sabia que eu havia me tornado um homem e, uma vez que os anos da minha infância haviam passado, ele não podia forçar as suas escolhas sobre os filhos dele. Eu não sei por que meu pai não escolheu um dos meus irmãos.

UOL Notícias: Ayman al-Zawahiri (número dois na hierarquia da rede terrorista Al Qaeda) e o seu fervor revolucionário tiveram influência no seu pai. O sr. considera que, se não fosse por ele, talvez seu pai não tivesse se tornado terrorista?

Omar bin Laden: Eu sempre disse que meu pai foi influenciado por egípcios que estavam em guerra contra o seu próprio governo. Certamente, eles tornaram meu pai mais agressivo.

UOL Notícias: No livro, o sr. relata que acreditou que seu pai era o responsável pelo ataque às Torres Gêmeas, nos Estados Unidos, “somente muito depois, quando ele (Osama) assumiu pessoalmente a autoria”. Por que levou tanto tempo?

Omar bin Laden: É difícil para qualquer filho acreditar quando se olha para os eventos daquele dia.

UOL Notícias: O sr. considera que é possível haver mais ataques coordenados pela Al Qaeda?

Omar bin Laden: Pelo que eu leio no noticiário, parece que a Al Qaeda permanece ativa em várias partes do mundo, o que leva a crer que esteja coordenando mais ataques.

UOL Notícias: O livro mostra seu pai como um combatente muçulmano obstinado. O livro poderia influenciar as pessoas que pensam em lutar a Jihad (guerra santa)?

Omar bin Laden: Não. Eu acredito que qualquer um que esteja focado em se tornar um jihadista vai fazê-lo sem ler a história da minha vida e da vida do meu pai.

UOL Notícias: Tropas americanas continuam a atuar no Afeganistão, enquanto os Estados Unidos recuaram no Iraque. Considera que essa estratégia pode derrotar o Taleban?

Omar bin Laden: Pelo que eu vi do Taleban no Afeganistão, eles são bem obstinados e vão continuar a lutar contra qualquer um no país deles. A história provou que é impossível fazer alguma mudança no Afeganistão, portanto eu acho que ninguém consegue derrotá-los.

UOL Notícias: Desde o lançamento do livro na Europa e nos Estados Unidos no final de 2009, o sr. e a sua mãe tiveram notícias de parentes com quem haviam perdido o contato. O que eles disseram sobre o livro e sobre a descrição que fez do seu pai? O sr. mantém contato com eles?

Omar bin Laden: Prefiro não comentar o que meus irmãos disseram sobre a história ter sido contada ou sobre meu pai. Mantenho contato frequente com eles.

UOL Notícias: O sr. já manifestou seu desejo de conhecer o papa Bento 16 e visitar o Vaticano. Também disse que gostaria de virar embaixador da paz das Nações Unidas. O sr. tem planos de entrar na política ou na vida pública?

Omar bin Laden: Não tenho planos no momento. Estou muito ocupado com a minha vida privada. No entanto, a qualquer momento, estou disposto a ajudar a promover a paz, fico feliz em poder fazer isso.

UOL Notícias: Em julho passado, a imprensa britânica publicou que o sr. havia sido hospitalizado com o diagnóstico de esquizofrenia, após ter começado a ouvir a voz do seu pai na sua cabeça. Sua ex-mulher [a britânica Zaina] também mencionou que o sr. teria transtorno bipolar. O sr. negou e disse que havia recebido tratamento contra depressão. Poderia comentar isso?

Omar bin Laden: As pessoas dizem muitas coisas quando elas estão bravas. A minha ex-mulher estava brava. Eu não tenho esquizofrenia. Não ouço a voz do meu pai na minha cabeça. Eu sonho com frequência com meu pai. Sonhei que ele estava dirigindo um caminhão e eu me punha na frente para tentar parar o caminhão –o que isso significa eu não sei. Tive depressão no passado porque a minha vida foi difícil, mas agora raramente me sinto deprimido.

UOL Notícias: Com que frequência o sr. recebe notícias do seu pai? O que sente quando o vê na televisão ou ouve a sua voz gravada numa fita?

Omar bin Laden: Quando meu pai está no noticiário, eu ouço da mesma maneira que as outras pessoas que acompanham as notícias. Eu não faço esforço para assisti-lo (na TV), mas há momentos em que a Jean (Sasson, co-autora do livro) me pede para ouvir e dizer a ela se é ou não o meu pai. E eu faço isso pela Jean.

UOL Notícias: Certa vez, o sr. disse que não queria que seu pai fosse pego e julgado por um tribunal, que o sr. preferia que ele morresse antes que alguém pusesse as mãos nele. Ainda pensa da mesma maneira?

Omar bin Laden: Seria melhor para o meu pai e para o mundo evitar a sua captura. Mas o destino dele está nas mãos de Deus e eu não tenho o direito de dizer nem uma coisa nem outra.

UOL Notícias: Acredita que seu pai esteja vivo? Se tivesse a chance de falar com ele mais uma vez, o que diria?

Omar bin Laden: Sim, eu acredito que meu pai esteja vivo. Eu não tenha nada em mente que eu falaria para ele.

FONTE: http://www.noticia.uol.com.br

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ME LEVA MUNDÃO

Depois de percorrer o Brasil durante vários anos em busca de casos curiosos e personagens diferentes, todos apresentados em seu quadro semanal no Fantástico, o jornalista Maurício Kubrusly ampliou sua área de atuação e foi procurar relatos peculiares e impressões inusitadas fora das fronteiras nacionais. O resultado está no livro Me Leva Mundão, um saboroso conjunto de crônicas divertidas e temperadas pelo olhar bem brasileiro do experiente repórter.

Maurício Kubrusly no lançamento do seu novo livro "Me leva Mundão" pela Editora Globo. Imagem: Erik PzadoMaurício Kubrusly no lançamento do seu novo livro “Me leva Mundão” pela Editora Globo (Globo Livros). Imagem: Erik Pzado

Os cenários não poderiam ser mais díspares. A Itália mereceu capítulos específicos para a Sicília e a Toscana; Portugal e França garantem o gostinho das peculiaridades de uma Europa em transformação. Já a Polônia e os Emirados Árabes garantem a exploração de destinos menos conhecidos entre os leitores brasileiros – ao contrário dos Estados Unidos, país bastante familiar para nós, mas apresentado no livro sob uma ótica especial.

Em todos os lugares, a equipe de Kubrusly confirma o afiado faro para descobrir curiosidades: como é uma loja de lingeries numa cidade como Dubai? E uma academia de boxe feminino em Tóquio? E um lavatório de roupas coletivo na Índia? Um passeio por Trenchtown, favela mais famosa da Jamaica? E qual o significado de ser seguido dia e noite por estranhas e silenciosas figuras vestidas de roupas negras, que não se aproximam nem pronunciam uma palavra sequer? Quem lê os relatos de Kubrusly descobre que, em algumas partes de Portugal, os chamados “homens de preto” são profissionais contratados para perseguir e constranger quem deve dinheiro a alguém, em pleno século 21.

FONTE: www.jeguiando.com

ITALIA – SICÍLIA

Vovô biquini
Duas pecinhas
Paixão de pedra
Siciliana com dendê
Xô, pé de bode
Alegria do guerreiro
Na garganta do Etna
QUERIDOS DEFUNTOS – todos vestidos, deitados ou em pé, bem conservados e sem cheiro; algumas encenações…
Machezas
MANTO DE OURO – imagem St Rosalia coberta de ouro que as pessoas jogam e ninguém mexe
Lágrimas humanas
Bloquinho de notas
A trilha
Mãos cortadas
Delicadezas
Minietna
Boa escolha
Montalbano
DIQUINHA DERRADEIRA – não pedir frango na Sicília pois vai ouvir: Siciliano não come aves

DUBAI

Facô
Big brother
Langerri
Endoida-xeque
Dubai fashion week
Bobeou, dançou
NÃO NAMORO – pais escolhem noiva(o) e só vêem a pessoa pouco antes do casamento e agressão é comum
Praias dubaianas
Torre de vento
Festa cover
PERFUME COHEIRAL – perfume mais caro do mundo, aprovado pelo xeque, pois lembra seus estábulos
Viver no forno
Pó…pó

JAPÃO

IMPÉRIO DAS APARÊNCIAS – alugam um avô para o “dia do avô” ou qq outro parente de aluguel / acompanham enterro  por câmeras colocadas em frente ao túmulo / meninas que ficam de pegação (sem sexo) com os executivos e, se chegam em casa com uma bolsa de marca, todo mundo finge de morto
Mosaico
Esmagadinha
ENGRENA A RÉ – mulheres andam dois passos atrás dos maridos e ainda carregam as malas
OS INVISÍVEIS – prisão limpa, organizada e “muda”, trabalham, são remunerados, não sabem o que é visita íntima, mas…a reincidência é de 45%
Travesseiro de pau
Vida de modelo
Sim e não

INDIA

APERTEM OS CINTOS  – numa viagem de ônibus o motorista simplesmente abandonou o ônibus sem dizer nada e largou todos na mão
BEBÊ NO LIXO – bebês mulheres são jogadas no lixo, irmãos se casam com a mesma mulher; bebês de 2 anos são jogados de uma altura de 15 metros e os parentes ficam com uma colcha embaixo para pegá-los. Isso dá sorte
GALÁXIAS – são 23 idiomas; o trânsito é caótico e tem até placa de “por favor, buzine”, sem falar dos elefantes, vacas, dromedários no meio das bicicletas e carros
FLASH DENTISTA – dentista atendendo na calçada, com os objetos lavados em uma àgua imunda. Diz pra todos que é necessário arrancar todos os dentes e fazer uma dentadura
COMER – venda de leite de búfala: vários galões na calçada, o sol fritando e os compradores examinando o produto, enfiando a mão em cada galão e lambendo depois. Criam bodes dentro de casa como se fossem cachorros de estimação
Dançando no Taj
Pânico nos tanques
O superdalit
Capital do cinema
Viva a diferença

JAMAICA

Porção cabrita
Terror no fumacê
Perdido em Londres
Pesadelos

POLÔNIA

O LAMBE-SANTA – igreja feita de sal, está abaixo do nível do mar de 180 a 327 mts; no passado foi a maior mina de sal
Laguinho da morte
Semiescravidão 
Império do frio
URSO-POLAR – uma sauna de 60/90 graus negativos, a 2ª de 120 graus negativos – quando você entra o coração bombeia com força e tudo se contrai. Depois, quando você sai, todas as toxinas vão pro fígado. É um tipo de drenagem linfática express
Fator pinguim
MONOTONIA INTERNACIONAL – um mesmo dublador dubla todas as falas das novelas brasileiras, masc e fem
Bydgoszcz
FEMININO/MASCULINO – círculo = fem, triângulo = masc; a bola é harmoniosa, generosa, a mulher é bem resolvida, e não tem pontas
CHAVE DO COFRE – na saída da igreja as famílias jogam moedas nos noivos, eles se jogam no chão e, quem pegar mais moedas vai controlar as finanças do casal pra sempre
PAPEL REPOLHO – nada de pael higiênico e sim repolho
Super-homens
Saudades bélicas
Saudação à bandeira
Bolha erótica

FRANÇA

Intimidades
SETE PECADOS – não tomam banho, só lavam as partes e usam um desodorante que dura 7 dias, ouaté 14
Anticopa
Contrários
Poleiro
Zumbi
Supercrachá
Fenômeno

SUIÇA

Claro escuro
Primeiro salão
Tique-taque
VAGÃO SILÊNCIO – em um dos vagões é proibido fazer qualquer barulho

EUA

Sorvetão
Puro fumacê
Paga para apanhar
Só no sapatinho
Metamorfose
Fumacê
O Jesus que ri
Alegria, Jesus
Na boquinha

PORTUGAL

O FRAQUE DO TERROR – homens de preto grudam no devedor, sem dizer nada. Assim, todos sabem que é caloteiro
Perdida d’amores
PAPO CAIXÃO – o morto é enterrado em 2 caixões: 1º zinco, 2º madeira; recebem uma pá de cal para apressar a decomposição, permanecendo do lado de fora. O de madeira é fechado com chave, que fica em posse da viúva. Depois as mulheres vão lá, passam o dia, limpam o caixão, fazem tricô, conversam com o morto e até abrem o caixão
A receita
FRANCÊS A SECO – em tempos de guerra enterraram todos os vinhos, que hoje são chamados de Vinho dos Mortos
Luso Senhor o Bonfim
MUNDO CINZA – uma cidade toda de ardósia azul, pois é o mais achado por lá, só a capelinha é branca
PORTUGUÊS DE PORTUGAL – dar descarga = carregar no autoclismo; celular = telemóvel; banho chuveiro = banho de duche; toalha = lençol de banho; carpete = alcatifa; cafezinho = bica; calçadão = rua pedonal; xícara pequena = chávena; faixa de pedestres = passadeira de peões; canudinho para tomar suco = palinha para tomar sumo; quando alguém espirra: saúde = santinho; garoa = chuva molha-tolos. Queria um chá – Sim, mas o que deseja? Ah, QUERO um chá. Não pode anunciar nada no vidro do carro, mas pode por assim: Eu, van, procuro um novo dono.
O PÃO BENTO – é muuuito duro e muita gente vai pro dentista com algum dente quebrado
O DEMÔNIO DO AÇUCAR – no mosteiro de Alcobaça, sec XIII, não tinha essa de padre balofo. Terminado o jantar, os 999 monges tinham que sair por uma portinha pequena e, se ficasse atolado, já pro castigo

ITALIA – TOSCANA

Açucarada
Celebridades
Acarajé toscano
Moda praia
Contato direto
Tradições e traições
Tonel assassino
Sedução suína
Sra bisteca
Galinho esperto

CARNÊ DE VIAGENS

Concorrência
Cercham
MARES DO NORTE – na Noruega o controle de consumo de bebida é rigoroso, na Dinamarca…menos. Todos vão para lá no fds em um barco: a orgia rola solta e não é necessário nem saber o nome pois, no final do fds volta cada um pra sua, como se nada tivesse acontecido 
Falso alarme
Cuspe gigante
TROCA-TROCA – o cara custou pra conseguir comprar um terno legal: um Giorgio Armani. O dia em que usou pela 1ª vez foi um evento, até a mãe veio ver. Tempos depois um amigão pediu o terno emprestado. Uma semana depois nada de devolver. O cara ligou e o amigo disse que já ia devolver, tinha mandado lavar. Uma semana depois o amigo morre. Vai ao enterro todo triste e…surpresa: a mãe o tinha enterrado com o terno
Austrália
Corta pinto

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Expansão Marítima e a Chegada dos Portugueses ao Brasil – O Brasil Colonial (1500-1822)

Portugal não escapou à crise geral do Ocidente da Europa, mas enfrentou-a em condições políticas melhores do que as de outros reinos. Durante todo o século XV, Portugal foi um reino unificado e menos sujeito a convulsões e disputas, contrastando, nesse sentido, com a França, a Inglaterra, a Espanha e a Itália, todas envolvidas em guerras e complicações dinásticas. A monarquia portuguesa consolidou-se através de uma história que teve na revolução de 1383-1385 um de seus pontos mais significativos.

A partir de uma disputa em torno da sucessão ao trono português, a burguesia comercial de Lisboa se revoltou.  Seguiu-se uma grande sublevação popular, a “revolta do povo miúdo”, no dizer do cronista Fernão Lopes. A revolução era semelhante a outros acontecimentos que agitaram o Ocidente europeu na mesma época, mas teve um desfecho diferente das revoltas camponesas, esmagadas em outros países pelos grandes senhores. O problema da sucessão dinástica confundiu-se com uma guerra de independência quando o rei de Castela, apoiado pela grande nobreza lusa, entrou em Portugal para assumir a regência do trono. No confronto, firmaram-se, ao mesmo tempo, a independência portuguesa e a ascensão ao trono da figura central da revolução, Dom João, Mestre de Avis, filho bastardo do rei Predro I. descobrimento_do_brasil_001.jpg
Embora alguns historiadores considerem a revolução de 1383 como uma revolução burguesa, ela resultou, a partir da política posta em prática pelo Mestre de Avis, em reforço e centralização do poder monárquico. Em torno dele, reagruparam-se os vários setores sociais influentes da sociedade portuguesa. Este é um ponto fundamental na discussão sobre as razões da expansão portuguesa. Nas condições da época, era o Estado, mais propriamente a Coroa, quem podia se transformar em um grande empreendedor, se alcançasse as condições de força e estabilidade para tanto.  
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No começo do século XV, Portugal se afirmava no conjunto da Europa como um país autônomo, com tendência a voltar-se para fora. Os portugueses tinham já experiência acumulada ao longo dos séculos XIII e XIV no comércio de longa distância. A atração para o mar foi incentivada pela posição geográfica do país, próximo às ilhas do Atlântico e à costa da África. Lembremos que a expansão correspondia aos interesses das classes, grupos sociais e instituições que compunham a sociedade portuguesa. Não por acaso converteu-se em uma espécie de grande projeto nacional. Os impulsos para a aventura marítima não eram só comerciais, embora o interesse material prevalecesse. As chamadas regiões ignotas alimentavam a imaginação dos povos europeus, que vislumbravam reinos fantásticos. O ouro e as especiarias foram os bens mais buscados na expansão ultramarina portuguesa, cujo ponto de partida está ligado à conquista de Ceuta, no Norte da África, em 1415.
 
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As Eleições e a Nova Constituição

Pelo comparecimento aos comícios, parecia que a candidatura do brigadeiro Eduardo Gomes seguia em franca expansão, enquanto a de Dutra marcava passo. eduado-gomes.jpgA campanha do brigadeiro atraiu setores da classe média dos grandes centros urbanos em torno da bandeira da democracia e do liberalismo econômico. Dutra não entusiasmava ninguém, e chegou-se mesmo a pensar em substituir sua candidatura por outro nome que tivesse maior apelo eleitoral. Quase nas vésperas da eleição, Getúlio acabou por fazer uma declaração pública de apoio à candidatura Dutra. Mesmo assim, ressalvou que ficaria ao lado do povo contra o presidente se ele não cumprisse as promessas de candidato. 

   A oposição foi surpreendida pela nítida vitória de Dutra. Tomando-se como base de cálculo os votos dados aos candidatos, com exclusão dos nulos e brancos, o general venceu com 55% dos votos, contra 35% atribuídos ao brigadeiro. O resultado mostrou a força da máquina eleitoral montada pelo PSD a partir dos interventores e o prestígio de Getúlio entre os trabalhadores. Mostrou também o repúdio da grande massa ao antigetulismo, associado ao interesse dos ricos.

                    A votação do PCB, agora na legalidade, foi bastante expressiva. Lançando um candidato desconhecido, o engenheiro Yedo Fiuza, o PCB alcançou uma votação correspondente a 10% do total, com uma significativa concentração em eleitores das grandes cidades. Os comunistas se beneficiaram, internamente, do prestígio de Luís Carlos Prestes e, externamente, do prestígio da União Soviética.
                 Em 1945, foram realizadas também eleições legislativas para a Câmara e o Senado. A votação mostrou claramente como a máquina política montada pelo Estado Novo, com o objetivo de apoiar a ditadura, podia ser também muito eficiente para captar votos sob regime democrático. O PSD garantiu a maioria absoluta dos assentos, tanto na Câmara quanto no Senado, seguido pela UDN.
                  Dutra tomou posse em janeiro de 1946. Oito meses depois, era promulgada a nova Constituição brasileira, que se afastava da Carta de 1937, optando pelo figurino liberal-democrático. Em alguns pontos, entretanto, abria caminho para a continuidade do modelo corporativo. dutra2.jpgO Brasil foi definido como uma República federativa, com um sistema de governo presidencialista. O Poder Executivo seria exercido pelo presidente da República, eleito por voto direto e secreto para um período de cinco anos.
                  No capítulo referente à cidadania, o direito e a obrigação de votar foram conferidos aos brasileiros alfabetizados, maiores de 18 anos, de ambos os sexos. Completou-se, assim, no plano dos direitos políticos, a igualdade entre homens e mulheres. A Constituição de 1934 determinava a obrigatoriedade do voto apenas para as mulheres que exercessem função pública remunerada. O capítulo sobre a família é outro a ser destacado, pelos longos e acalorados debates entre partidários e adversários do divórcio. Prevaleceu, afinal, a pressão da Igreja Católica e a opinião dos mais conservadores. Ficou definido que a família se constituía pelo casamento, de vínculo indissolúvel.
                    A Constituição de 1946 suprimiu a representação profissional na Câmara dos Deputados prevista na Constituição de 1934, que trazia a marca do corporativismo de inspiração fascista. Os constituintes, porém, revelaram apego ao sistema corporativista do Estado Novo, na parte referente à organização dos trabalhadores. O direito de greve foi reconhecido em princípio, mas a legislação ordinária o tornou inoperante. E o imposto sindical não foi suprimido.
                  Começou no governo Dutra a repressão ao Partido Comunista. Ela derivou do peso das concepções conservadoras, do crescimento desse partido e da modificação das relações internacionais entre as grandes potências. O PCB surgia, em 1946, como o quarto partido do país, reunindo ente 180 mil e 200 mil militantes. Em maio de 1947, a partir de denúncias apresentadas por dois obscuros deputados, o STF decidiu cassar o registro do PCB.
                  No mesmo dia do fechamento do partido, o Ministério do Trabalho ordenou a intervenção em 14 sindicatos e fechou uma central sindical controlada pelos comunistas. Seguiram-se novas ações repressivas, a ponto de haver mais de 200 sindicatos sob intervenção no último ano do governo Dutra. Embora fosse real a influência dos comunistas em muitos sindicatos, era evidente que, em nome do combate ao comunismo, o governo tratava de quebrar a espinha das organizações de trabalhadores contrárias a sua orientação. Em janeiro de 1948, completaram-se as medidas que levaram o PCB à clandestinidade. Uma lei aprovada pelo Congresso Nacional determinou a cassação dos mandatos dos deputados, senadores e vereadores eleitos pela legenda do partido.
                     Do ponto de vista da política econômica, o governo Dutra começou seguindo um modelo liberal. A intervenção estatal foi condenada, e os controles estabelecidos pelo Estado Novo foram sendo abolidos. Acreditava-se que o desenvolvimento do país e o fim da inflação gerada nos últimos anos da guerra dependiam da liberdade dos mercados em geral e, principalmente, da livre importação de bens. No plano financeiro, a situação do Brasil era favorável, pois o país acumulara divisas no exterior, resultantes das exportações nos anos de guerra. Apesar disso, a política liberal acabou fracassando. A onda de importações de bens de toda espécie, favorecida pela valorização da moeda brasileira, levou praticamente ao esgotamento das divisas, sem trazer conseqüências positivas.
                   Como resposta, em junho de 1947, o governo mudou de orientação, estabelecendo um sistema de licenças para importar. Na prática, o critério das licenças favoreceu a importação de itens essenciais, como equipamento, maquinaria e combustíveis, e restringiu a importação de bens de consumo.
Levando-se em conta que a moeda brasileira foi mantida em níveis altos na sua relação com o dólar, houve um desestímulo às exportações e um estímulo à produção para o mercado interno. A nova política econômica surgiu, sobretudo, como resposta aos problemas do balanço de pagamentos e da inflação, mas acabou por favorecer o avanço da indústria.
                     Em seus últimos anos, o governo Dutra alcançou resultados expressivos. A partir de 1947, o crescimento começou a ser medido mais eficientemente através da apuração anual do Produto Interno Bruto (PIB). Tomando-se como base o ano de 1947, o PIB cresceu, em média, 8% ao ano entre 1948 e 1950. Em contrapartida, a repressão ao movimento sindical facilitou a imposição de uma redução dos salários reais.
                     As manobras para a sucessão presidencial começaram antes de Dutra completar a metade de seu mandato. Getúlio aparecia como um pólo de atração. Sua estratégia era clara: garantir a lealdade dos chefes da máquina política montada pelo PSD no campo e, ao mesmo tempo, construir uma base sólida de apoio.
                     Em São Paulo, surgia uma nova força. Nas eleições estaduais de 1947, apoiado pelos comunistas, Ademar de Barros elegeu-se governador. Ademar começou sua carreira no PRP, foi interventor em São Paulo ademar.jpgdurante o Estado Novo e soube adaptar-se aos novos tempos, em que o êxito político dependia da capacidade de captar votos de uma grande massa eleitoral. Ademar montou uma máquina partidária, o Partido Social Progressista (PSP), cuja razão de ser concentrava-se em sua pessoa.
                     Sem desenvolver um programa ideologicamente consistente, Ademar divulgou a imagem de uma suposta capacidade administrativa e de ausência de moralismo político. Odiado pelos partidários da UDN, que insistiam no tema da moralidade dos negócios públicos, ele atraiu elementos das camadas populares e parcelas da pequena e média burguesia da capital e, sobretudo, do interior de São Paulo. No começo dos anos 50, Ademar não tinha força para disputar a Presidência da República, mas podia valorizar seu apoio a um dos candidatos. Ao sustentar a candidatura em curso de Getúlio Vargas, engrossou a corrente getulista com uma importante base eleitoral em São Paulo, que começava a se estender pelo Distrito Federal.
                Dutra negou-se a apoiar a candidatura de Vargas, que não representaria uma continuidade da sua linha de governo. Manobrou o PSD, obtendo o lançamento de um político mineiro quase desconhecido, o advogado Cristiano Machado. Na realidade, a maioria dos grandes chefes do PSD abandonou essa candidatura. A UDN, por sua vez, voltou a apresentar o nome do brigadeiro Eduardo Gomes, que já não tinha o apelo de 1945. Ele obteve o apoio dos antigos integralistas. Seu grande erro foi ter a insensibilidade de defender a revogação da lei do salário mínimo.
               Getúlio baseou sua campanha na defesa da industrialização e na necessidade de ampliar a legislação trabalhista. Além de contar com o PTB e o PSP, teve o apoio aberto ou velado de uma parte do PSD e mesmo da UDN. getulio.jpgNas eleições realizadas a 3 de outubro de 1950, Vargas obteve uma grande vitória, alcançando 48,7% do total de votos. O brigadeiro não passou de 29,7%, enquanto Cristiano Machado estacionou nos 21,5%.   
 
 
 
 
 

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1822

 

1822, a independência feita no grito

reprodução
   D. Pedro compondo o Hino da Independência (tela de Augusto Bracet)

Dois episódios históricos muito próximos, o Dia do Fico e o Grito do Ipiranga, distantes apenas dez meses um do outro, ocorridos no ano de 1822, um em janeiro o outro em setembro, marcaram simbolicamente a emancipação brasileira do domínio lusitano, encerrando 322 anos de colonização portuguesa na América. A presença da família real dos Bragança no Brasil, desde 1808, e a permanência do herdeiro do trono depois da volta de dom João VI para Lisboa, em 1821, terminaram por amortecer um movimento separatista violento e desagregador como ocorreu no restante do continente. Isto permitiu que apenas com dois gritos, o do Fico, mais baixo, e o do Ipiranga, mais sonoro, o Brasil atingisse a tão desejada autonomia sem os tormentos de uma guerra de independência prolongada e sangrenta e sem ver-se dividido em dezenas de republiquetas.

 

As negaças do príncipe

 

Ele está melhor disposto para os brasileiros do que eu esperava – mas é necessário que algumas pessoas o influam mais, pois não está tão positivamente decidido quanto eu desejaria.
Major Schäffer, recrutador de colonos e próximo a dom Pedro, 1821
reprodução
   D. Pedro I (pintura anônima)

Por duas vezes seguidas as Cortes de Lisboa o chamaram. Queriam o príncipe dom Pedro, regente e capitão-general do Brasil, de volta a Portugal. Por duas vezes ele negou-se a ir. Na primeira vez, deu-se o “fico”, quando ele, no dia 9 de janeiro de 1822, na varanda do paço do Rio de Janeiro, acatou o manifesto com algumas milhares de assinaturas que o presidente do senado da câmara da capital, José Clemente Pereira apresentou-lhe implorando para que ele não partisse. Na segunda vez, no 7 de setembro do mesmo ano, deu-se a independência. Momento em que o príncipe, nas margens do Ipiranga, respondeu ao apelo de um outro manifesto, este colhido por José Bonifácio em toda a capitania de São Paulo, com oito mil nomes escritos, que pedia que ele rompesse definitivamente com a Metrópole. Um grito numa sacada, outro grito, mais alto, num riacho, insuflados pelas lojas maçônicas e pelo povo, fizeram o Brasil independente de Portugal. Os dois acontecimentos produziram quadros, um de Debret, esboçado ali mesmo no calor da hora, o outro de Pedro Américo, feito muito mais tarde, trabalho de estudo, obra de atelier.

http://educaterra.terra.com.br/voltaire/500br/1822.htm

Quem observasse o Brasil em 1822 teria razões de sobra para duvidar de sua viabilidade como país. Na véspera de sua independência, o Brasil tinha tudo para dar errado. De cada três brasileiros, dois eram escravos, negros forros, mulatos, índios ou mestiços. O medo de uma rebelião dos cativos assombrava a minoria branca como um pesadelo. Os analfabetos somavam 99% da população. Os ricos eram poucos e, com raras exceções, ignorantes. O isolamento e as rivalidades entre as diversas províncias prenunciavam uma guerra civil, que poderia resultar na fragmentação territorial, a exemplo do que já ocorria nas colônias espanholas vizinhas. Para piorar a situação, ao voltar a Portugal, no ano anterior, o rei D João VI, havia raspado os cofres nacionais. O novo país nascia falido. Faltavam dinheiro, soldados, navios, armas ou munições para sustentar uma guerra contra os portugueses, que se prenunciava longa e sangrenta. Nesta nova obra, o escritor Laurentino Gomes, autor do best-seller 1808, sobre a fuga da familia real portuguesa para o Rio de Janeiro, relata como o Brasil de 1822 acabou dando certo por uma notável combinação de sorte, improvisão, acasos e também de sabedoria dos homens responsáveis pelas condução dos destinos do novo país naquele momento de grandes sonhos e muitos perigos.

O Brasil de hoje deve sua existência à capacidade de vencer obstáculos que pareciam insuperáveis em 1822. E isso, por si só, é uma enorme vitória, mas de modo algum significa que os problemas foram resolvidos. Ao contrário. A Independência foi apenas o primeiro passo de um caminho que se revelaria difícil, longo e turbulento nos dois séculos seguintes. As dúvidas a respeito da viabilidade do Brasil como nação coesa e soberana, capaz de somar os esforços e o talento de todos os seus habitantes, aproveitar suas riquezas naturais e pavimentar seu futuro persistiram ainda muito tempo depois da Independência.

Convicções e projetos grandiosos, que ainda hoje fariam sentido na construção do país, deixaram de se realizar em 1822 por força das circunstâncias. José Bonifácio de Andrada e Silva, um homem sábio e experiente, defendia o fim do tráfico negreiro e a abolição da escravatura, reforma agrária pela distribuição de terras improdutivas e o estímulo à agricultura familiar, tolerância política e religiosa, educação para todos, proteção das florestas e tratamento respeitoso aos índios. Já naquele tempo achava ser necessária a transferência da capital do Rio de Janeiro para algum ponto da região Centro-Oeste, como forma de estimular a integração nacional. O próprio imperador Pedro I tinha ideias avançadas a respeito da forma de organizar e governar a sociedade brasileira. A constituição que outorgou em 1824 era uma das mais inovadoras da época, embora tivesse nascido de um gesto autoritário – a dissolução da assembleia constituinte no ano anterior. O imperador também era um abolicionista convicto, como mostra um documento de sua autoria hoje preservado no Museu Imperial de Petrópolis.

Nem todas essas dessas ideias saíram do papel, em especial aquelas que diziam respeito à melhor distribuição de renda e oportunidades em uma sociedade absolutamente desigual. O Brasil conseguiu se separar de Portugal sem romper a ordem social vigente. Viciada no tráfico negreiro durante os mais de três séculos da colonização, a economia brasileira dependia por completoda mão de obra cativa, de tal modo que a abolição da escravatura na Independência revelou-se impraticável. Defendida por homens poderosos como Bonifácio e o próprio D. Pedro I, só viria 66 anos mais tarde, já no finalzinho do Segundo Reinado. Em 1884, faltando cinco anos para a Proclamação da República, ainda havia no Brasil 1.240.806 escravos.

É curioso observar como todo o cenário da Independência brasileira foi construído pelos portugueses, justamente aqueles que mais tinham a perder com a autonomia da colônia. O Grito do Ipiranga foi consequência direta da fuga da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, em 1808. Ao transformar o Brasil de forma profunda e acelerada nos treze anos seguintes, D. João tornou a separação inevitável. Ao contrário do que se imagina, porém, a ruptura resultou menos vontade dos brasileiros do que divergências entre os próprios portugueses. Segundo uma tese do historiador Sérgio Buarque de Holanda, já mencionada de passagem nos capítulos finais do livro 1808, a Independência foi produto de “uma guerra civil entre portugueses”, desencadeada na Revolução Liberal do Porto de 1820 e cuja motivação teriam sido os ressentimentos acumulados na antiga metrópole pelas decisões favoráveis ao Brasil adotadas por D. João.
 
Até as vésperas do Grito do Ipiranga, eram raras as vozes entre os brasileiros que apoiavam a separação completa entre os dois países. A maioria defendia ainda a manutenção do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve, na forma criada por D. João em 1815. Foram o radicalismo e a falta de sensibilidade política das cortes constituintes portuguesas, pomposamente intituladas de “Congresso Soberano”, que precipitaram a ruptura. Portanto, os brasileiros apenas se aproveitaram das fissuras abertas na antiga metrópole para executar um projeto que, a rigor, ainda não estava maduro. De forma irônica e imprevista, Portugal completou o ciclo de sua criação nos trópicos: descoberto em 1500 graças ao espírito de aventura do povo lusitano, o Brasil foi transformado em 1808 em razão das fragilidades da coroa portuguesa, obrigada a abandonar sua metrópole para não cair refém de Napoleão Bonaparte; e, finalmente, tornado independente em 1822 pelas divergências entre os próprios portugueses.

Uma segunda tese de Sérgio Buarque de Holanda, aprofundada pela professora Maria Odila Leite da Silva Dias em A interiorização da metrópole e outros estudos, afirma que o sentimento de medo, fomentado pela constante ameaça de uma rebelião escrava, fez com que a elite colonial brasileira nas diversas províncias se mantivesse unida em torno da coroa. No Brasil de 1822 havia muitos grupos com opiniões diferentes a respeito da forma de organizar o jovem país independente, mas todos entravam em acordo diante do perigo de uma insurreição dos cativos – esta, sim, a grande preocupação que pairava no horizonte.

Dessa forma, o Brasil de 1822 triunfou mais pelas suas fragilidades do que pelas suas virtudes. Os riscos do processo de ruptura com Portugal eram tantos que a pequena elite brasileira, constituída por traficantes de escravos, fazendeiros, senhores de engenho, pecuaristas, charqueadores, comerciantes, padres e advogados, se congregou em torno do imperador Pedro I como forma de evitar o caos de uma guerra civil ou étnica que, em alguns momentos, parecia inevitável. Conseguiu, dessa forma, preservar os seus interesses e viabilizar um projeto único de país no continente americano. Cercado de repúblicas por todos os lados, o Brasil se manteve como monarquia por mais de meio século.

Como resultado, o país foi edificado de cima para baixo. Coube à pequena elite imperial, bem preparada em Coimbra e outros centros europeus de formação, conduzir o processo de construção nacional, de modo a evitar que a ampliação da participação para o restante da sociedade resultasse em caos e rupturas traumáticas. Alternativas democráticas, republicanas e federalistas, defendidas em 1822 por homens como Joaquim Gonçalves Ledo, Cipriano Barata e Frei Joaquim do Amor Divino Caneca, este líder e mártir da Confederação do Equador, foram reprimidas e adiadas de forma sistemática.

A Independência do Brasil é um acontecimento repleto de personagens fascinantes em que os papéis de heróis e vilões se confundem ou se sobrepõem o tempo todo – dependendo de quem os avalia. É o caso do escocês Alexander Thomas Cochrane. Fundador e primeiro almirante da marinha de guerra do Brasil, Lord Cochrane teve participação decisiva na Guerra da Independência ao expulsar as tropas portuguesas no Norte e Nordeste. De forma inescrupulosa, no entanto, saqueou os habitantes de São Luis do Maranhão e, por fim, roubou um navio do Império. Tudo isso o transformou em herói maldito da história brasileira. Outro exemplo é José Bonifácio, celebrado no sul como o Patriarca da Independência, mas às vezes apontado no Norte e no Nordeste como um homem autoritário e manipulador, que prejudicou essas regiões em favor das oligarquias paulista, fluminense e mineira, além de ter sufocado os sonhos democráticos e republicanos do período. De todos eles, no entanto, o mais controvertido é mesmo D. Pedro I. O príncipe romântico e aventureiro, que fez a independência do Brasil com apenas 23 anos, aparece em algumas obras como um herói marcial, sem vacilações ou defeitos. Em outras, como um homem inculto, mulherengo, boêmio e arbitrário. Seria possível traçar um perfil mais equilibrado do primeiro imperador brasileiro?

Laurentino Gomes

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1808

1808

         Portugal – uma das nações mais atrasadas da Europa em inícios do século XIX – encontrava-se freqüentemente diante da possibilidade concreta, estimulada e aconselhada por muitos a ter a sede de seu governo transferida para o Brasil, colônia da qual se tornara totalmente independente. A cada crise no Continente Europeu a idéia se renova, mas somente a partir dos ecos da Revolução Francesa, mais particularmente em seu período Napoleônico, a idéia ganhou força e premência. Com maior vigor a partir de 1801 a idéia freqüentemente era cogitada. No entanto o Príncipe Regente D. João era fraco demais – inclusive fisicamente – medroso demais e indeciso demais para adotar medida de tão graves monta e repercussão. 

         Somente quando pressionado pelo avanço das tropas napoleônicas do General Junot, em fins de 1807 e pressionado pela Inglaterra, a decisão foi tomada de maneira tão apressada e atabalhoada que muitos bens dos fugitivos para o Brasil ficaram empilhados no cais: bagagem, livros da Real Biblioteca, prataria saqueada de igrejas, etc. Além disso, as embarcações vieram todas apinhadas de gente, sem os cuidados técnicos necessários a uma tão longa travessia (levaria cerca de 3 meses para atravessar o Atlântico nas rústicas naus da época): pelo menos dois navios sequer conseguiram zarpar e o suprimento dos que zarparam no dia 29 de novembro de 1807 mal eram suficientes para 2 ou 3 semanas. Foi sem dúvida uma fuga apressada e, sem a escolta britânica a prover quase tudo o que faltava, a viagem estaria fadada a uma tragédia.
            Enfrentando a inclemência de uma viagem tão longa e complexa à época, com água e refeições racionadas, condições sanitárias precaríssimas, a Corte e seus inúmeros lacaios e bajuladores – de ministros a clérigos e oportunistas com suas numerosas famílias – penou 3 meses de céu e mar. O escorbuto (falta de vitamina C) e outras moléstias tomaram conta das pessoas, uma infestação de piolhos obrigou a todos a raspar a cabeça, uma tormenta provocou um desvio de rota que a muito custo foi retificada – sempre com o apoio logístico da Marinha Britânica – e finalmente, a 22 de janeiro de 1808 os navios aportaram em Salvador.        

            Um fato curioso é que a princesa Carlota, suas filhas e damas da corte desembarcaram com uns turbantes rústicos enrolados na cabeça para disfarçar a calva a que foram reduzidas pela infestação de piolhos. As damas da sociedade soteropolitana consideraram ser aquela uma moda européia e aderiram com tal entusiasmo que até hoje as Baianas usam a indumentária…
                 No dia 7 de março de 1808 a esquadra de D. João chega à Baía de Guanabara, mas o desembarque ocorre somente no dia seguinte. Os puxa-sacos que sempre cercam esse tipo de acontecimento no Brasil prepararam uma recepção retumbante, com muitos tiros de canhão, fogos de artifício e festas populares para saudar “a chegada do primeiro monarca Europeu a terras americanas”.         

           Casas foram requisitadas pela coroa portuguesa que nelas colava cartazes com as iniciais P.R. (casa requisitada pelo Príncipe Regente) que a irreverência carioca rapidamente entendeu como “Ponha-se na Rua!” Os impostos foram aumentados a níveis até então inusitados e, tal qual hoje, todos desconfiavam que os impostos não seriam empregados para o bem público e sim para o benefício privado dos dependentes do governo.
              Foi necessário ainda criar um órgão para cunhar a moeda que circularia por aqui: o Banco do Brasil. Como foi criado na base do compadrio e muita corrupção, teve vida efêmera. Em 1820 teve seus cofres saqueados pela Família Real de volta para Portugal.

……..

HISTÓRIA DO BRASIL EM RESUMO 

Descobrimento e Colonização

Descobrimentos Portugueses (1487 – 1497)

Nos séculos XV e XVI, Portugal era um reino ibérico com um milhão de habitantes, voltado para o Oceano Atlântico. Depois de anos de luta contra a ocupação moura, os portugueses voltaram sua atenção e energia para o mar e o que houvesse além mar. Enquanto os espanhóis partiram em busca de uma rota para o Oriente, viajando para oeste, os portugueses optaram pela chamada “Rota do Sul” ao longo da costa africana. Alcançado o Cabo da Boa Esperança em 1487, os portugueses foram guiados pelo navegador Vasco da Gama, através do Oceano Índico, para descobrir a rota marítima para o Oriente em 1497. Tinham conhecimento da existência de terras do outro lado do Atlântico e haviam feito algumas expedições a oeste, antes da descoberta das Antilhas, por Colombo, em 1492. Guardaram este conhecimento em segredo para evitar que a ambição da Espanha, Inglaterra e França prejudicasse os seus planos.

O Tratado de Tordesilhas (1494) definiu a questão da posse das novas terras entre Espanha e Portugal. Tratou-se de um acordo no qual os territórios compreendidos a leste do meridiano de Greenwich, até 370 léguas a oeste das Ilhas de Cabo Verde, pertenceriam a Portugal, enquanto as terras a oeste ficariam com a Espanha. Essa linha imaginária, de pólo a pólo, atravessou a parte oriental da América do Sul e constituiu a primeira fronteira do Brasil, embora a descoberta formal, por Pedro Álvares Cabral, só tenha acontecido seis anos mais tarde, em 1500.

As Primeiras Colônias (1530 – 1549)

A viagem de Cabral foi seguida por outras expedições portuguesas. A principal riqueza explorável encontrada pelos primeiros colonizadores foi um tipo de madeira, que produzia uma tintura vermelha e roxa, o pau-brasil, da qual deriva o nome do país.

A ocupação organizada só teve início em 1530, quando Portugal enviou os primeiros colonizadores, trazendo animais domésticos, plantas e sementes para o estabelecimento de colônias definitivas. As colônias implantadas no Nordeste foram consolidadas. São Vicente, no litoral do atual Estado de São Paulo, foi fundada em 1532, e a cidade de Salvador, mais tarde escolhida como sede da Governadoria Geral da colônia, foi fundada em 1549. O território era escassamente habitado por tribos indígenas, algumas pacíficas e outras, especialmente no interior, hostis e ameaçadoras.

À medida que se expandia a colonização, um sistema administrativo tornou-se necessário. Como primeiro passo, a Coroa Portuguesa criou as Capitanias Hereditárias. Quatorze dessas Capitanias – algumas maiores que Portugal – foram instaladas em meados do século XVI, sendo os beneficiários, chamados donatários, responsáveis pela sua defesa e desenvolvimento. O sistema de Capitanias influenciou significativamente sobre a configuração territorial e política do Brasil moderno.

O Período Colonial

O litoral úmido e fértil do que é hoje o Estado de Pernambuco era adequado para plantação de cana-de-açúcar. Além disso, a sua localização era conveniente como porto para embarcações que viajavam de Portugal para o oeste africano e para o oriente. A cana-de-açúcar e a técnica para seu cultivo chegaram ao Brasil provenientes da Ilha da Madeira. Um comércio triangular próspero logo se desenvolveu, com base na importação de trabalho escravo do oeste da África, para as plantações canavieiras. O açúcar era exportado para o mercado europeu, cuja demanda crescente começava a superar os suprimentos das fontes tradicionais.

A União da Espanha e Portugal (1580 – 1640)

Eventos ocorridos na Europa prejudicaram o desenvolvimento verificado na colônia. Quando o Rei Sebastião de Portugal morreu em 1578, Felipe II da Espanha o sucedeu no trono em Lisboa. De 1580 a 1640, os dois reinos peninsulares foram unidos sob a Coroa Espanhola. Durante esse período, pela união dos dois países, a América do Sul se tornou parte do mundo hispânico. Paradoxalmente, a união de Portugal e Espanha, por sessenta anos, conferiria vantagens inesperadas para a colônia transatlântica portuguesa. Na ausência de fronteiras, tanto portugueses como brasileiros começaram a penetrar pelo vasto interior do País.

O ponto inicial desta exploração foi a capitania de São Vicente, e foi de sua base em São Paulo que os pioneiros avançaram a fronteira no sentido do litoral para o interior.

Expedições (conhecidas como Bandeiras) à procura de escravos índios, abriram caminho por entre as florestas, subiram com dificuldade pelas serras e avançaram em direção ao interior. Os expedicionários (Bandeirantes) são conhecidos por terem trazido de volta com eles os índios capturados de missões jesuítas e dispersos pelo interior do País. Os Bandeirantes foram os responsáveis pela expansão dos limites do futuro Brasil independente.

Expansão Territorial (1600)

Em 1640, quando os portugueses, sob o domínio de D. João IV, recuperaram sua independência, recusaram-se a abandonar as terras ocupadas e colonizadas a oeste da linha original de Tordesilhas. Apoiando-se no que tinha sido desde então reconhecido pelas leis internacionais como o uti possidetis – o direito derivado não só do título, mas também da “posse pelo uso” – os portugueses se estabeleceram como os donos legais das terras que ocuparam. Na segunda metade do século XVII Portugal tornou-se livre do domínio espanhol; o Nordeste do Brasil foi liberado da ocupação de 24 anos, pelas forças holandesas; e enfraqueceu a economia brasileira, baseada na produção de açúcar. O declínio da produção de açúcar foi acompanhado por um movimento da população das regiões produtoras em direção aos territórios inexplorados.

A Descoberta do Ouro (1690 – 1800)

A mais importante conseqüência dessas expedições foi a descoberta do ouro. A corrida pelo ouro atraiu milhares de pessoas provenientes das plantações do litoral, além de novas levas de imigrações de Portugal. Outras conseqüências incluíram o crescimento da criação de gado no interior, para abastecer de carne e couro os centros de mineração, e o surgimento de novas cidades no que é hoje o Estado de Minas Gerais. Ao todo, aproximadamente 1.000 toneladas de ouro e 3 milhões de quilates de diamantes foram extraídos da região entre 1700 e 1800. A crescente extração de ouro no Brasil constituiu-se um ciclo de desenvolvimento importante, que influenciou o curso dos acontecimentos não só na colônia como na Europa.

Embora o ouro fosse controlado por Portugal e embarcado para Lisboa, ele não permanecia lá. A Inglaterra, de acordo com o Tratado de Methuen de 1703, supria Portugal com produtos têxteis, que eram pagos com o ouro das minas brasileiras. O ouro brasileiro que ia para Londres, ajudou a financiar a Revolução Industrial.

Os produtos ingleses dominaram o mercado brasileiro, acabando com qualquer chance de competição e desencorajando qualquer atividade industrial no Brasil.

Café

O sucesso da mineração de ouro e diamantes, assim como o do plantio da cana-de-açúcar, foi seguido pela ascensão de uma fonte de riqueza ainda mais importante – o café. Assim como a mineração provocou a migração de habitantes de Pernambuco e da Bahia rumo ao sul, para Minas Gerais, o crescimento das plantações de café fez avançar o povoamento de terras desabitadas mais para o sul. O café chegou pela primeira vez ao Brasil através da Guiana Francesa, no século XVIII. A primeiras plantações foram feitas em regiões bem providas de mão-de-obra escrava, no interior do Rio de Janeiro. No entanto, a abolição da escravatura e a imigração européia para o Estado de São Paulo, no final do século XIX, fizeram com que as plantações de café fossem cultivadas mais ao sul, em regiões que ofereciam condições de solo, clima e altitude mais satisfatórias. O ambiente favorável, por sua vez, fez do Brasil o maior produtor de café do mundo.

Outro acontecimento importante da metade do século XVIII foi a transferência da sede do Governo Colonial. Após permanecer por mais de 200 anos em Salvador, a capital foi transferida para o Rio de Janeiro, onde controlava a rota de acesso principal para Minas Gerais, e se localizava mais próximo dos centros populacionais em crescimento nas regiões do sul.

 


 

 

Independência

O Sentimento de Nacionalidade

O papel que coube a Portugal durante o período de seu domínio no Brasil foi o de intermediário entre a colônia produtora e os centros econômicos consumidores europeus. O fato de a Inglaterra ter permanecido como principal parceira comercial de Portugal durante este período é importante. Vários acordos comerciais foram assinados entre os dois Governos favorecendo sempre o desenvolvimento do mercantilismo inglês. Ao monopolizar toda negociação com o Brasil, Portugal reteve uma parte substancial dos lucros obtidos na colônia, o que levou a um crescente descontentamento entre os colonos. Desde as invasões holandesa e francesa na região Nordeste, no início do século XVII, um sentimento nacionalista vinha sendo desenvolvido, adquirido na luta para expulsar os invasores.

Os movimentos de inquietação provocados pelo ímpeto de garantir liberdade política começaram com seriedade no início do século XVIII. Embora o conceito de Independência fosse generalizado, alguns movimentos contra as autoridades portuguesas eram claramente de proporções regionais. A Conspiração de Minas (Conjuração Mineira), o mais significativo destes movimentos isolados, aconteceu no centro da região de mineração do ouro. Seu entusiasmado líder era o alferes de cavalaria, Joaquim José da Silva Xavier, apelidado “Tiradentes”. Tiradentes encontrou apoio principalmente entre os intelectuais imbuídos dos mesmos ideais de liberdade que inspiraram os Franceses e os líderes da Revolução Americana. A conspiração foi descoberta e seus líderes receberam sentenças cruéis. Tiradentes foi enforcado em praça pública no Rio de Janeiro. Outros movimentos, alguns dos quais com amplo apoio da população, ocorreram em Pernambuco e Bahia, onde o declínio da economia açucareira havia agravado os problemas criados pela subordinação a Portugal. Nenhum deles, entretanto, foi suficientemente importante para abalar o domínio mantido por Portugal na época.

Transferência da Corte Portuguesa para o Brasil (1808 – 1821)

Em 1808, quando as forças de Napoleão começaram a invadir Portugal, tomou-se a decisão de transferir o Monarca e sua Corte para o Rio de Janeiro, onde permaneceram até 1821. O Goveno Britânico envolveu-se diretamente nessa transferência. Providenciou os navios necessários para o transporte da Família Real, aproveitando-se da difícil situação de Portugal para obter ainda mais privilégios comerciais.

A abertura dos portos brasileiros às Nações Amigas, em 1808, logo após a chegada de D. João VI, reforçou a dominação inglesa. O acordo proporcionou à Inglaterra o monopólio em novos mercados, com direitos garantidos e preferências comerciais.

O estabelecimento da administração real na colônia, pelo período de 14 anos, acelerou a marcha em direção à Independência. A Coroa Portuguesa, conscientemente ou não, tomou certas medidas que amenizaram a transição para a Independência: a ascensão do Brasil, do status de colônia para o de Reino Unido com Portugal, ocorrida em 1815, e a decisão de D. João VI, de permanecer no Rio de Janeiro, mesmo depois de terminado o domínio de Napoleão na Europa. Seis anos mais tarde, em 1821, o Rei D. João VI foi obrigado a ceder às pressões políticas de Portugal. Retornou a Lisboa, mas deixou o Príncipe no Rio, com o título de Regente Vice-Rei. Na presença de membros da sociedade colonial, o Rei supostamente o teria advertido: “Pedro, meu filho, quando chegar a hora, coloque a coroa em sua cabeça, antes que um aventureiro o faça”.

Proclamação da Independência (1822)

A forte oposição dos políticos de Lisboa a essa situação, e a influência de conselheiros brasileiros sobre o príncipe, atraíram-no para a causa da Independência. Menos de um ano após o retorno do Rei para Portugal, em 7 de setembro de 1822, o Príncipe da Coroa proclamou a Independência do Brasil como um Império, fazendo-se coroar solenemente como Imperador Pedro I, em 1o de dezembro de 1822. O mentor intelectual da Independência brasileira foi José Bonifácio de Andrada e Silva, um destacado geólogo e escritor brasileiro, que se tornou o mais importante e confiável dos conselheiros do Príncipe. Enquanto os Vice-Reinos espanhóis na América tiveram que lutar duramente por sua Independência (tornando-se 18 repúblicas distintas), Portugal e Brasil resolveram a questão através da negociação, tendo a Grã-Bretanha como mediadora.

A dominação inglesa, já fortalecida pelas políticas de liberalismo econômico, tornou-se ainda mais completa após a Independência. Como condição para o reconhecimento da soberania brasileira, o Governo britânico obteve a revalidação e expansão dos privilégios de 1810, o que confirmaria a dependência da economia brasileira ao centro mundial do comércio. Após um conflito de duração relativamente curta (1822-1824), o Brasil tornou-se Império sob D. Pedro I que, entretanto, continuou a ser o sucessor ao trono português.

O Império

Pedro I (1822 – 1831)

O primeiro administrador do Brasil independente possuía personalidade forte e ofereceu contribuição importante para a evolução política e social do século XIX. Propiciou ao Brasil, em 1824, e a Portugal dois anos mais tarde, Constituições extremamente avançadas para a época, quebrando o tabu do direito divino dos Reis. Em 1826, com a morte de João VI, Dom Pedro herdou o Reinado de seu pai. Entretanto, abdicou ao trono de Portugal em favor de sua filha, ainda criança, Maria da Glória, que tornou-se a Rainha Maria II. Em 1831, abdicou ao Trono do Brasil em favor de seu filho, Dom Pedro II, que era ainda menor de idade. Esta decisão, impelida em parte por divergências com o parlamento brasileiro, foi motivada também por um espírito de aventura que o levou de volta a Portugal para destronar seu irmão, Miguel, que havia usurpado o trono da jovem Rainha Maria.

Pedro II (1831 – 1889)

D. Pedro II cresceu para se tornar um monarca rigoroso, sóbrio e preparado. Durante seu reinado de meio século, o Brasil alcançou maturidade política e cultural, e a unidade do vasto País foi firmemente assegurada. Instituições sociais e políticas se desenvolveram tranqüilamente e alcançaram estabilidade. Criou-se uma administração competente e a escravidão foi progressivamente eliminada, até sua completa abolição em 1888. Promoveu-se a imigração européia e planos de renda e de saúde foram implantados em escala nacional. A influência exercida pelo Imperador sobre o povo e instituições do País contribuiu para que a transição da Monarquia para República, ocorresse mais tarde, sem derramamento de sangue.

A República

Fim do Império: Abolição da Escravatura (1888)

A abolição da escravatura é frequentemente citada como a causa mais imediata para a queda da Monarquia. Com o imperador na Europa, sua filha, a Princesa Isabel, atuava como Regente. No dia 13 de maio de 1888, diante do colapso da escravatura como um sistema funcional, e cedendo a pressões dos abolicionistas, ela assinou a chamada “Lei Áurea”, que aboliu a escravatura no Brasil. A abolição foi, na realidade, resultado de antigas pressões da política britânica sobre o Governo brasileiro, para encerrar o comércio de escravos. A luta contra esse comércio ocorria em função dos planos de expansão da produção nas colônias britânicas (açúcar), que favoreciam o crescimento do capitalismo industrial britânico. Ao final do século XIX, a escravidão no Brasil declinou sob pressão dos trabalhadores imigrantes, cujos salários custavam menos do que a manutenção dos escravos. Entretanto, a “Lei Áurea” desencadeou forte reação dos donos de escravos, que erodiu as bases políticas da Monarquia. Após alguns meses de crise no Parlamento, o Imperador foi deposto no dia 15 de novembro de 1889, por um movimento militar, que proclamou o fim da Monarquia e o estabelecimento da República. A transformação institucional, embora profunda, ocorreu sem derramamento de sangue. Embora tratado com merecido respeito, o Imperador e sua família foram convidados a deixar o País. Acompanhados por alguns companheiros mais próximos, foram para o exílio na França. Lideranças de renome do País emprestaram seu apoio e colaboração ao novo regime, entre elas um dos maiores estadistas do Brasil, o Barão de Rio Branco. Sua sabedoria e habilidade diplomática capacitaram o Brasil a terminar, por tratados ou arbitragem, praticamente todas suas disputas de fronteiras.

Federação e Sistema Presidencial

A República recém criada adotou um sistema federativo, que mantém as mesmas características até os dias de hoje. Na federação, as províncias do Império foram transformadas em estado. O sistema parlamentarista foi substituído pelo presidencialista. Foi criado um Congresso bicameral, composto pela Câmara dos Deputados e Senado, assim como um Supremo Tribunal Federal independente. Em nível estadual, foi adotada a mesma estrutura. Os diversos presidentes, eleitos sob as leis do sistema constitucional vigente, governaram sucessivamente até 1930.

A Revolução de 1930 e o “Estado Novo” (1930 – 1937)

A chamada “República Velha” durou até 1930, quando, pela primeira vez, o Governo foi substituído em decorrência de um conflito. O principal objetivo do vitorioso movimento revolucionário encabeçado por Getúlio Vargas era a reforma de um sistema eleitoral e político que, na falta de partidos nacionais fortes, havia eleito presidentes apoiados pelos governadores dos estados líderes de São Paulo e Minas Gerais. Os governadores, por sua vez, asseguraram eleições de representantes no Congresso, empenhados em perpetuar a política do Governo central. Getúlio Vargas, que governou o Brasil durante os 15 anos seguintes, conquistou o poder numa época difícil. O País sentia os efeitos da recessão mundial que reduziu drasticamente o preço do café. A cena política interna se viu afetada pela crise financeira resultante desse fato e, também, à medida que a década avançava, por choques entre minorias militantes, inspiradas por idéias que chegavam ao País vindas da Alemanha nazista e Itália facista, ou pela ideologia comunista respaldada pela União Soviética.

Autoridade e Mudança

Em 1934, após a consolidação do regime de Vargas, uma nova Constituição foi promulgada, ampliando o direito de voto e permitindo o voto feminino. No final de 1937, antes das eleições presidenciais, o clima político exaltado e as atividades desagregadoras levaram o Presidente Vargas a declarar estado de emergência no país. À declaração seguiu-se a dissolução do Congresso, com Vargas asssumindo poderes extraordinários para governar por decreto, sob uma Constituição autoritária. Embora fossem tempos difíceis, algumas políticas importantes foram adotadas nesse período, como a introdução de uma legislação trabalhista e previdênciária avançada; a reforma do sistema educacional; e medidas que permitiram progresso substancial na industrialização, incluindo a construção da primeira usina de aço do Brasil (1942 – 1946).

Quando a Segunda Guerra Mundial começou, o governo de Vargas não podia ignorar a preferência espontânea da maioria dos brasileiros pela causa dos Aliados e contra a ideologia nazista. As pressões populares, aguçadas pelas ações hostis das embarcações alemãs em águas da costa brasileira, forçaram o Presidente a abandonar a neutralidade. Em agosto de 1942, Vargas declarou guerra às potências do Eixo. O Brasil equipou 25.000 homens da Força Expedicionária, que, juntamente com o 5o Exército Americano, combateu na Itália. O Brasil foi o único país latino-americano a enviar forças armadas para o campo de guerra europeu.

 


 Brasil Pós-Guerra

O Brasil Moderno

Com a guerra na Europa chegando a seu final, Vargas foi forçado a renunciar, tendo sido marcadas as eleições para a escolha de seu sucessor. O eleitorado, que foi às urnas pela primeira vez em 15 anos, deu a maioria dos votos ao General Eurico Gaspar Dutra, Ministro do Exército do Governo Vargas durante a guerra. Uma nova Constituição foi aprovada pela Assembléia Constituinte em 1946, mantendo-se em vigor até 1967. O mandato de Dutra vigorou até 1951. Durante esse período, Vargas, exilado em sua fazenda no Rio Grande do Sul, preparou-se para as eleições e veio a colher os frutos de suas medidas progressistas no campo do bem-estar social e legislação trabalhista. Ao final do mandato de Dutra, Vargas foi constitucionalmente eleito Presidente da República, mas veio a se suicidar em 1954, em meio a uma intensa crise política. O final do seu mandato foi exercido pelo então vice-presidente Café Filho.

Durante o Governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961), fundador de Brasília, o país viveu acelerada expansão econômica. Juscelino Kubitschek foi sucedido pelo Presidente Jânio Quadros, que renunciou com menos de um ano de mandato, assumindo o Governo o então Vice-Presidente João Goulart. Goulart prestou juramento como Presidente após o Congresso aprovar, em caráter de urgência, um sistema parlamentarista de governo, que reduzia drasticamente os poderes presidenciais. Em plebiscito convocado quatro meses depois, os eleitores restabeleceram o antigo sistema presidencialista. Uma inflação alta e a polarização política entre esquerda e direita levaram o país a um período de dois anos e meio de instabilidade social e política, acompanhada de uma crise econômica. Em 31 de março de 1964 os militares derrubaram João Goulart e tomaram o poder.

O Movimento de 1964

O período de 1964 a 1985 caracterizou-se pelo autoritarismo, amenizado a partir 1979, quando se procedeu à gradativa abertura política. Durante esse período o país foi governado por cinco presidentes, todos generais militares. O primeiro, Castello Branco, chegou ao poder com o apoio de grande parte da população, especialmente a classe média, que manifestava posições anti-comunistas. Seu principal desafio foi estabilizar a situação política e econômica do País. Com este objetivo o Governo conquistou poderes e mecanismos adicionais para exercê-los, através de emendas complementares à Constituição. Durante os 15 anos que se seguiram, de 1968 a 1983, o Governo baixou vários Atos Institucionais que se constituíam, na realidade, em decretos presidenciais. Muitos dos direitos coletivos e individuais foram suspensos. Medidas de austeridade afetaram a vida política e econômica da nação. As negociações coletivas foram eliminadas, extingüiu-se o direito de greve e manifestações da classe trabalhadora foram proibidas.

Por volta de 1968, durante Governo do Presidente Arthur da Costa e Silva, as estratégias econômicas pareciam estar dando certo. A inflação foi contida e firmas estrangeiras começaram a fazer novos investimentos no país, confiantes na estabilidade do Governo. Por outro lado, o sistema político tornava-se cada vez mais repressivo. O General Emílio Garrastazu Médici sucedeu o Presidente Costa e Silva, assumindo o Governo em 1969. Entre os anos de 1967 e 1974, o Brasil desfrutou de uma das maiores taxas de crescimento econômico no mundo, com o Produto Interno Bruto (PIB) alcançando 14% em 1973.

No campo político, a partir de meados da década de 70, o então Presidente Ernesto Geisel iniciou um processo de redemocratização, que viria gradativamente a se concretizar a partir de 1979, quando ocupava a Presidência da República o General João Batista Figueiredo. Iniciou-se então o processo de “abertura”, em que foram resgatados direitos políticos anteriormente revogados, e permitida a volta de exilados políticos ao País. Foi um período marcado também pelo aumento da pressão popular pela redemocratização. Em 1982, os governadores dos estados foram eleitos por voto direto, fato que não ocorria desde 1965.

Redemocratização (1985 – 1989)

Em 1984, aconteceram em todo o País, manifestações em favor do estabelecimento de eleições diretas para escolha do Presidente da República. Em janeiro de 1985, Tancredo de Almeida Neves foi escolhido Presidente por um Colégio Eleitoral. Sua eleição foi significativa não somente por ser o primeiro Presidente civil eleito em 21 anos, mas também porque foi o candidato de uma coalizão de oposição ao Governo. Na noite anterior à sua posse, que ocorreria no dia 14 de março de 1985, Tancredo Neves foi levado às pressas para o hospital em razão de grave enfermidade. Com o falecimento de Tancredo Neves, assumiu a Presidência o Vice-Presidente José Sarney, prometendo cumprir os compromissos assumidos por Tancredo Neves em seu programa de governo. Como prioridade, o Presidente José Sarney estabeleceu a convocação da Assembléia Nacional Constituinte para elaborar uma nova Contituição, que contou com forte participação popular, tendo sido promulgada 18 meses após o início dos trabalhos, em 5 de outubro de 1988.

O Governo Collor e o Processo de Impeachment (1989 – 1992)

Em novembro de 1989, Fernando Collor de Mello foi eleito Presidente da República, na primeira eleição direta convocada no País desde 1960. Em 29 de setembro de 1992, sob alegação de corrupção em seu governo, Collor teve o mandato suspenso pela Câmara dos Deputados, por um período de 180 dias. Foi em seguida removido definitivamente do cargo, através da aprovação de seu “impeachment” pelo Senado. No dia 29 de dezembro de 1992, minutos após ser formalmente acusado de corrupção, Collor renunciou. No entanto, a maioria do Senado decidiu, mesmo assim, pelo “impeachment”. Itamar Franco, o Vice-Presidente, cumpriu os dois anos restantes do mandato de cinco anos de Collor. O “impeachment” de Collor, aprovado pela Câmara dos Deputados; seu julgamento pelo Senado; e sua renúncia marcam um novo capítulo na história política do Brasil. A sociedade civil organizada, segmentos da classe média e estudantes desempenharam papel decisivo no processo de “impeachment”, o que trouxe novo ânimo à população quanto às perspectivas de moralização da política e da administração pública.

Itamar Franco assumiu a presidência após o Impeachment de Fernando Collor de Mello até 1992. O Brasil vivia um período difícil: recessão, inflação, desemprego, etc. Em meio a todos esses problemas e o recém Impeachment de Fernando Collor de Mello, os brasileiros se encontravam em uma situação de descrença.

Itamar procurou realizar uma gestão transparente. Em 1993, cumprindo com o previsto na Constituição, fez um plebiscito para a escolha da forma e do sistema de governo no Brasil. O povo decidiu manter tudo como estava: escolheu a República e o Presidencialismo.

No governo de Itamar Franco foi elaborado o mais bem-sucedido plano de controle inflacionário da Nova República: o Plano Real. Montado pelo seu Ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, o plano visava criar uma unidade real de valor (URV) para todos os produtos, desvinculada da moeda vigente, o Cruzeiro Real. Desta forma, cada URV correspondia a US$ 1. Posteriormente a URV veio a ser denominada “Real”, a nova moeda brasileira. O Plano Real foi eficiente, já que proporcionou o aumento do poder de compra dos brasileiros e o controle da inflação.

Mesmo tendo sofrido as conseqüências das investigações da CPI, em virtude de denúncias de irregularidades no desenvolvimento do Orçamento da União, Itamar Franco terminou seu mandato com um grande índice de popularidade. Uma prova disso foi o seu bem-sucedido apoio a Fernando Henrique Cardoso na sucessão presidencial.

 Presidente Fernando Henrique Cardoso – 1994/1998-1999/2002

Fernando Henrique Cardoso, foi eleito em primeiro turno de eleições diretas realizadas no dia 3 de outubro de 1994, tendo recebido mais de 34 milhões de votos. Sua campanha foi centrada no plano de estabilização da economia e seu programa de governo baseou-se numa série de providências que seriam tomadas em relação a cinco questões: saúde, educação, economia, infraestrutura e a questão agrícola. Comprometeu-se ainda com o fortalecimento do papel do Estado como coordenador, regulador e planejador do processo de desenvolvimento, e com a promoção de uma reforma no setor público.

Contando com significativo apoio da população, o presidente Fernando Henrique Cardoso logrou manter o controle da inflação, através do Plano Real e medidas que garantiram a estabilidade monetária e o aumento do poder de consumo da população de baixa renda.

Presidente Lula – 2002/2006

 No ano de 2002, as eleições presidenciais agitaram o contexto político nacional. Os primeiros problemas que cercavam o governo FHC abriram brechas para que Lula chegasse ao poder com a promessa de dar um outro rumo à política brasileira. O desenvolvimento econômico trazido pelo Plano Real tinha trazido grandes vantagens à população, entretanto, alguns problemas com o aumento do desemprego, o endividamento dos Estados e a distribuição de renda manchavam o bloco governista.

 Em 29 de outubro de 2006, Lula é reeleito no segundo turno, vencendo o ex-governador do Estado de São Paulo Geraldo Alckmin do PSDB, com mais de 60% dos votos válidos. Após esta eleição, Lula divulgou sua intenção de fazer um governo de coalizão, ampliando assim sua fraca base aliada. O PMDB passa à integrar a estrutura ministerial do governo.

 Foi nesse contexto que Lula buscou o apoio de diversos setores políticos para empreender uma chapa eleitoral capaz de agradar diferentes setores da sociedade brasileira. No primeiro turno, a vitória de Lula sobre os demais candidatos não foi suficiente para lhe dar o cargo. Na segunda rodada da disputa, o ex-operário e retirante nordestino conseguiu realizar um feito histórico na trajetória política do país.

Lula se tornou presidente do Brasil e sua trajetória de vida fazia com que diversas expectativas cercassem o seu governo. Seria a primeira vez que as esquerdas tomariam controle da nação. No entanto, seu governo não se resume a essa simples mudança. Entre as primeiras medidas tomadas, o Governo Lula anunciou um projeto social destinado à melhoria da alimentação das populações menos favorecidas. Estava lançada a campanha “Fome Zero”.

Essa seria um dos diversos programas sociais que marcaram o seu governo. A ação assistencialista do governo se justificava pela necessidade em sanar o problema da concentração de renda que assolava o país. Tal medida inovadora foi possível graças à continuidade dada às políticas econômicas traçadas durante a Era FHC. O combate à inflação, a ampliação das exportações e a contenção de despesas foram algumas das metas buscadas pelo governo.

A ação política de Lula conseguiu empreender um desenvolvimento historicamente reclamado por diversos setores sociais. No entanto, o crescimento econômico do Brasil não conseguiu se desvencilhar de práticas econômicas semelhantes às dos governos anteriores. A manutenção de determinadas ações políticas foram alvo de duras críticas. No ano de 2005, o governo foi denunciado por realizar a venda de propinas para conseguir a aprovação de determinadas medidas.

O esquema, que ficou conhecido como “Mensalão”, instaurou um acalorado debate político que questionava se existia algum tipo de oposição política no país. Em meio a esse clima de indefinição das posições políticas, o governo Lula conseguiu vencer uma segunda disputa eleitoral. O novo mandato de Lula é visto hoje mais como uma tendência continuísta a um quadro político estável, do que uma vitória dos setores de esquerda do Brasil.

Independente de ser um governo vitorioso ou fracassado, o Governo Lula foi uma importante etapa para a experiência democrática no país. De certa forma, o fato de um partido formalmente considerado de esquerda ascender ao poder nos insere em uma nova etapa do jogo democrático nacional. Mesmo ainda sofrendo com o problema da corrupção, a chegada de Lula pode dar fim a um pensamento político que excluía a chegada de novos grupos ao poder.

Presidente Dilma – 2010/2014

Apoiada por Lula, Dilma torna-se a 1ª presidente mulher do Brasil.

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Trecho de Uma Breve História do Mundo, de Geoffrey Blainey

capítulo 1

Vindos da África

Há 2 milhões de anos, eles viviam na África e eram poucos. Eram seres quase humanos, embora tendessem a ser menores que seus descendentes que hoje povoam o planeta. Andavam eretos e subiam montanhas com enorme habilidade.

Alimentavam-se principalmente de frutas, nozes, sementes e outras plantas comestíveis, mas começavam a consumir carne. Seus implementos eram primitivos. Se eram bem-sucedidos em dar forma a uma pedra, não iam muito longe com a modelagem. É provável que usassem um pedaço de pau para defesa ou ataque, ou até mesmo para escavar, caso surpreendessem um roedor escondendo-se em um buraco. Não se sabe se construíam abrigos feitos de arbustos e de pedaços de pau para se protegerem do vento frio no inverno. Não há dúvida de que alguns moravam em cavernas – quando podiam ser encontradas –, mas uma residência permanente teria restringido bastante a necessária mobilidade para encontrar alimento suficiente. Para viver do que a terra oferecia, precisavam fazer longas caminhadas a lugares onde sementes e frutas pudessem ser encontradas. Sua dieta era resultado de uma série de descobertas, feitas ao longo de centenas de milhares de anos. Uma das mais importantes estava em saber se uma planta, aparentemente comestível, não era venenosa; explorando novos lugares à procura de novos alimentos em tempos de seca e carestia, alguns devem ter morrido por envenenamento.

Há 2 milhões de anos, esses seres humanos, conhecidos como hominídeos, viviam principalmente nas regiões dos atuais Quênia, Tanzânia e Etiópia. Se dividirmos a África em três zonas horizontais, a raça humana ocupava a zona central, ou zona tropical, constituída principalmente de pastos. Uma mudança no clima, cerca de um ou dois milhões de anos antes, que fez com que em certas regiões os pastos tenham substituído boa parte das florestas, pode ter incentivado esses hominídeos a, gradualmente, descendo das árvores, deixar a companhia de seus parentes, os macacos, e passar mais tempo no chão.

Eles já acumulavam uma longa história, embora não tivessem nenhuma memória ou registro disso. Falamos hoje do grande espaço de tempo que se passou desde a construção das pirâmides do Egito, mas esse período representa um simples piscar de olhos se comparado à longa história que a raça humana já viveu. Na Tanzânia, descobriu-se um registro primitivo pelo qual se conclui que dois adultos e uma criança caminhavam sobre cinza vulcânica amolecida por uma chuva recente. A seguir, suas pegadas foram cozidas pelo sol e, aos poucos, foram cobertas por camadas de terra; as pegadas, definitivamente humanas, têm pelo menos 3,6 milhões de anos. Até mesmo isso é considerado um fato recente na história do mundo contemporâneo: os últimos dinossauros foram extintos há cerca de 64 milhões de anos.

No leste da África, os primeiros humanos costumavam acampar às margens dos lagos e dos leitos arenosos de rios ou em campinas: nesses locais, foram encontrados alguns restos deixados por eles. Conseguiam adaptar-se a climas mais frios e, na Etiópia, preferiam os planaltos abertos, a uma altitude de 1.600 ou 2.000 metros acima do nível do mar. Nas florestas sempre verdes das regiões montanhosas, também sentiam-se em casa; sua adaptabilidade era impressionante.

De modo geral, na impiedosa competição por sobreviver e multiplicar-se, os humanos tiveram sucesso. Nas regiões da África que habitavam, eram em número bem menor que as espécies de grandes animais, alguns deles agressivos; ainda assim, os humanos prosperaram. Talvez as populações tenham se tornado muito numerosas para os recursos dis poníveis na região ou tenha havido um longo período de seca, e isso os tenha levado para o norte. Há forte indício de que, em algum momento dos últimos dois milhões de anos, eles tenham começado a migrar mais para o norte. O maior deserto do mundo, que se estende do noroeste da África para além da Arábia, pode, por algum tempo, ter impedido seu avanço. A estreita faixa de terra entre a África e a Ásia Menor, contudo, podia ser facilmente atravessada.

Moviam-se em pequenos grupos: eram exploradores e colonizadores. Em cada região desconhecida, tinham de adaptar-se a novos alimentos e precaver-se contra animais selvagens, cobras e insetos venenosos. Os que abriam caminho conseguiam uma certa vantagem, pois os seres humanos, adversários implacáveis dos invasores de território, não estavam lá para atrapalhar seu caminho.

Era mais uma corrida de revezamento do que uma longa caminhada. É possível que um grupo de talvez 6 ou 12 pessoas avançasse uma pequena distância e decidisse se estabelecer naquele lugar. Outros vinham, passavam por cima delas ou impeliam-nas para outro lugar. O avanço pela Ásia pode ter levado de 10 mil a 200 mil anos. Montanhas tinham de ser escaladas; pântanos, vencidos. Rios largos, gelados e de forte correnteza tinham de ser atravessados. Será que eles atravessavam esses rios em seus pontos mais rasos, nas estações muito secas, ou nos pontos mais próximos às nascentes, antes que o leito se tornasse largo demais? Será que os exploradores sabiam nadar? Não sabemos as respostas. À noite, em terreno desconhecido, era preciso selecionar um abrigo ou um lugar com um mínimo de segurança. Sem a ajuda de cães de guarda, cabia a eles manter vigilância sobre animais selvagens que vinham caçar durante a noite.

No decorrer dessa longa e lenta migração, a primeira de muitas na história da raça humana, esses povos originários dos trópicos avançaram para territórios bem mais frios, jamais conhecidos por qualquer de seus ancestrais. Não se sabe ao certo se conseguiam aquecer-se ao fogo nas noites frias. É provável que quando um raio caía nas proximidades, ateando fogo à vegetação, eles apanhassem um galho em chamas e o transportassem para outro lugar. Quando o galho estava quase todo queimado e o fogo por se extinguir, juntavam-lhe outro galho. O fogo era tão valioso que, uma vez obtido, era tratado com desvelo; ainda assim, o fogo podia extinguir-se por descuido, apagar-se sob uma chuva forte ou por falta de madeira seca ou gravetos. Enquanto conseguiam manter o fogo, devem tê-lo levado em suas viagens como um objeto precioso, como faziam os primeiros nômades australianos.

A habilidade de produzir fogo, em vez de obtê-lo ao acaso, veio bem mais tarde na história humana. Com o tempo, os humanos conseguiram produzir uma chama através do atrito e do calor provocados ao esfregarem-se dois pedaços de madeira seca. Podiam, também, triscar um pedaço de pirita ou outra rocha adequada e, assim, provocar uma faísca. Em ambos os processos, eram necessários gravetos muito secos e o domínio da arte de soprar delicadamente sobre os gravetos em chamas

O emprego habilidoso do fogo, resultado de muitas idéias e experiências durante milhares de anos, é uma das conquistas da raça humana. A genialidade da maneira com que era empregado pode ser vista na forma de vida que sobreviveu até o século 20, em algumas regiões remotas da Austrália. Nas planícies desanuviadas do interior, os aborígines acendiam pequenas fogueiras para enviar sinais de fumaça, uma forma inteligente de telégrafo. Usavam o fogo também para cozinhar, para se aquecer e para forçar os animais a sair das tocas (enchendo-as de fumaça). O fogo era a única iluminação à noite, exceto quando uma lua cheia lhes dava luz para suas cerimônias de dança. Era usado para endurecer os pedaços de pau usados para cavar, para modelar madeira com a qual eram feitas as lanças e para cremar os mortos. Era usado, ainda, para gravar marcas cerimoniais na pele humana e para afastar as cobras do capim perto dos acampamentos. Era um eficaz repelente de insetos e era usado por caçadores para queimar o capim em sistema de mosaicos em certas ocasiões do ano e, assim, incentivar novo crescimento, quando viessem as chuvas. Eram tão numerosos os usos do fogo que, até recentemente, foi a ferramenta de maior utilidade da raça humana.

 

 

 

Sobre a rebelião na China na metade dos anos de 1800

 

As duas guerras mais mortais durante o longo período de relativa paz entre 1815 e 1914 ocorreram dentro das nações, e não entre nações. Além disso, aconteceram em nações importantes e, consequentemente, o resultado final teve fortes efeitos sobre o equilibrio do poder mundial. Enquanto a guerra civil americana é bastante conhecida, já que a televisão e os filmes mantiveram viva sua memória, a outra guerra, a Rebelião de Taiping, é pouco conhecida fora da China. Os mortos na guerra civil americana excederam os 600 mil, mas, na guerra chinesa, talvez tenham passado dos 20 milhões, tornando-a mais mortal que a Primeira Guerra Mundial.

Sobre a Segunda Guerra Mundial
A nova guerra começou em 1939 com a invasão de Hitler à Polônia. A União Soviética uniu-se à invasão; a Polônia foi esmagada antes que a França e a Inglaterrda pudessem dar-lhe a ajuda que haviam prometido. Nos anos de 1940 e 1941, Hitler tomou quase toda a parte central e ocidental da Europa, exceto a Itália e a Romênia, que eram aliadas, e Espanha, Portual, Turquia, Suécia e Suiça, que eram neutras. Pegou Stalin de supresa, inavadiu a Rússia e, no final de 1941, sua vanguarda chegou às adjacências de Moscou. A Segunda Guerra Mundial consistia de duas guerras distintas: uma travada principalmente na Europa e a outra travada principalmente no leste da Ásia. A guerra na Ásia aconteceu mais cedo; começou quando o Japão invadiu a Manchúria em 1932 e tornou-se mais intensa em 1937, quando o Japão começou a ocupar a parte leste da China. A impressionante vitória de Hitler na Europa Ocidental, em 1940, expôs a fraqueza das colônias inglesas, holandesas e francesas no Sudeste Asiático bem comodas bases americanas nas antigas Filipinas espanholas. O Japão aproveitou-se dessa fraqueza e, em Dezembro de 1941, atacou repentinamente os territórios e as bases que iam desde a Birmânia e Hong Kong até Pearl Harbor. Imediatamente, as duas guerras – a européia e a asiática – se transformaram em uma só, com a Alemanha e o Japão lutando de um lado, e os Estados Unidos, a Inglaterra, a China e a maioria das outras nações do mundo, do outro.

Depois do ataque a Pearl Harbor, os Estados Unidos quiseram vingança, e conseguiram. Segundo o livro, em 6 de Agosto de 1945, em pesado bombardeio americano voou das Ilhas Marianas em direção ao Japão, e a bomba foi então lançada. A maior parte de Hiroshima virou praticamente um alto-forno, e aproximadamente 90 mil japoneses foram mortos. Na vizinha Tóquio, não havia nenhum sinal de rendição. Três dias depois, uma segunda bomba atômica, a última desse tipo no arsenal americano, foi lançada sobre a cidade de Nagasaki. Cinco dias depois, o imperador do Japãi pessoalmente anunciou no rádio que sua nação havia se rendido.

A Alemanha também saiu derrotada da Segunda Guerra Mundial.

Tammbém achei muito interessante a idéia de Blainey sobre a separação das estações do ano e do dia e noite. Segundo ele, no passado essa diferença era intensa e moldava de forma decisiva a vida das pessoas. Hoje em dia, com invenções como a luz elétrica e a abundância de alimentos (em relação ao passado), e também, com o transporte atual, alimentos de épocas distintas são consumidos em todo o mundo. O livro também conta o porque que o primeiro de Maio é o dia do Trabalhador. Segundo o livro, na Europa, o primeiro dia de Maio homanageava o limite entre frio e calor, entre fome a fartura. A meia-noite da véspera do dia 1º de Maio era recebida com o toque de mastros enfileirados…

Por fim, no último parágrafo do livro, é citada a possibilidade da criação de um governo mundial, segundo o autor, hoje, como nunca antes, é possível a uma nação forte controlar o mundo inteiro. Nos próximos dois séculos, à medida que o mundo continue se encolhendo, e suas distâncias, diminuindo, pode-se tentar, com consentimento ou à força, se instalar um governo mundial. Na história da humanidade, quasee nada pode ser predeterminado.

 

                                                       PARTE I

64milh

4milh

2 milh

11,8 milh

75/60 mil

52 mil

dinossauros

macaco

hominídeos

 

 

 

 

 

África

(Qu,Tz,Et)

 

China

  /sul Asia

 

Nova Guiné

 / Austrália

Tanzânia-sul

Pólo Sul

 

muda clima

1º centro

2º norte

10/200 mil – Asia

 

 

explosão cultural

grupo hum + neand

crença vida pós morte

adornos ao morto

casas

caça

religião

semi-nômades-20

línguas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

* Tanzânia – pegadas de 2 adultos e 1 criança em cinza vulcânica amolecida pela chuva

** Indonésia – em uma ilha a 19 km – talvez a 1ª travessia longa (como ter ido à Lua)

*** Rússia – 28 mil anos – homem morreu aos 60 anos e teve o corpo adornado por mais de 2000 fragmentos

**** cérebro – 1º 500 cm, homo erectus 900 cm, últimos 500 a 200 mil anos – aumentou muito mais, acredita-se que devido ao maior consumo de carne (ácidos graxos solidificaram o cérebro) 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

24 mil

22 mil

17 mil

14/11 mil

12 mil

10/9 mil

1ºs humanos

vindos de um

espaço entre

Sibéria/Alaska

 

depois México

Eur,Af,As,Am

95%

 

Aust/NG

5%

 

só zonas

trop e temp

Lenta mudança

clima -degelo

 

verão/inv

Degelo acelerou

 

Pop Am aumenta

 

Pelo istmo Panamá chegam à Am do Sul

Lago Vitória

corre p/ Nilo

tornando-o +

longo mundo

 

Am separa resto

entre Alaska/Asia

formando E. Bering

Tânzania vira

ilha

 

Revolução Verde-Jericó

-casa tijolo

-trigo,cevada

-rebanhos

gado,ovelha,cabra

-tensão c/nômade

 

chovia 3x+ Saara=lago/pânt

nível mar=hoje

explosão pop

 

 *Um dos trabalhos de cerâmica + antigos, 5.000 ac – Amazônia

** 2.000 ac, pela produção alimentos, Japão era o + povoado, 200 mil pessoas

***População época das colheitas: 10milh, 2.000 ac-90milh, época de Cristo-300milh

***Um homem da era do cobre foi achado, em carne e osso, e com várias tatuagens.

 EGITO

Se um viajante tivesse vivido no Oriente Médio em 4000 ac nada teria encontrado. Porém, 1500 mais tarde, teria visões deslumbrantes.

Os grandes rios atravessavam planícies secas cujo solo era enriquecido pelas enchentes anuais.

Grupos de trabalhadores colhiam o junco para fazer os telhados de casas de sapê. A extremidade pontiaguda do junga servia também como caneta, com a qual entalha-se em placas de barro úmico, mais tarde trocado pelo papiro, em 2700 ac.

Talvez tenham sido os 1ºs a tratar cães e gatos como animais domésticos. Os gatos eram mumificados e velados pelas famílias, que demonstravam sofrimento raspando a sobrancelha. Já em 2 ac criava-se um cão chamado de galgo, para o esporte de caça à lebre.

Possivelmente foram os 1ºs a usar ataduras e talas. Em suas curas, usavam a gordura de ratos e cobras, ervas e vegetais.

Em 2600 ac, foram os 1ºs padeiros a fazer um tipo de pão com fermento que mais parecia uma omelete fina. Outra invenção foi o forno de assar.

A 1ª pirâmide é de 2700 ac. A grande é de 200 anos mais tarde, 146m=prédio 50 andares, 100 mil trabalhadores, incluindo escravos e agricultores sem trabalho. A população da época era de 1 milhão. Enormes blocos de calcário e granito eram cortados nas pedreiras e transportados sem ajuda de roldanas.

Sua continuidade na língua e cultura é impressionante.

Sua monarquia durou cerca de 3000 anos, uma das instituições de maior duração da história.

 MESOPOTÂMIA

Em 3700 ac surge o 1º estado do mundo, entre dois rios, Tigre e Eufrates.

Parte da cevada era fermentada e transformada na 1ª cerveja do mundo

A roda sólida, de madeira foi inventada ali; mais tarde, uma roda mais leve, com aros, levou ao uso de carroças.

As artes da leitura e escrita surgiram ali por voltade 3400 ac, embora o Egito também seja candidato a essa honra.

A arte de contar trouxe 2 sistemas numéricos: base de 60 (ficou nos segs e mins) e de 10 (prevalesceu).

Os assírios capturaram os babilônios e testaram conquistar o Egito.  Na Assíria, as ciências, principalmente astronomia e artes visuais, floresceram com a engenharia. Canais foram projetados para levar água até as cidades. havia belos palácios e templos. Ali surgiram os primeiros vidreiros, por volta de 1500 ac. Acreditavam que o céu afetava profundamente os fenômenos humanos.  Tornaram-se mestres no terror: assassinavam, torturavam e mutiavam as pessoas em guerra.

VALE DO INDO

Egito e Mesopotâmia vinham florescendo há 1000 anos quando surgiu o Vale do Indo, banhado por rios que desciam do Himalaia e deslizavam para o mar das Arábias. Fica hoje dentro do Paquistão.

Começaram a criar uma civilização única, que deu início a grandes cidades. Uma das cidades tinha 40 mil pessoas, sendo uma das maiores do mundo. Eram bem drenadase até as casas eram providas de banheiros com chão de tijolos.

Cultivavam trigo e cevada, ervilha, sementes de gergelim e d emostarda, tâmaras e melancias. Provável também algodão e cana-de-açucar. Entre os animais porcos, ovelhas, cabras, camelos, asnos e animais com corcovas.

A vida no Indo foi mais curta que a do Nilo ou dos rios da Mesopotâmia. Em 1000 ac estava começando a decair, o clima se tornava cada vez mais seco.

A Babilônia não era menos avançada em astronomia. Seu calendário era baseado na Lua, havendo também o deus Sol.

A Lua determinava: calendário, início mês, ano de 354 dias + 13º mês a cada 3 anos.

Com o tempo e o mau uso pelo homem, a terra começou a sofrer erosão. Lagos doces tornaram-se salgados. Nos 12 séculos seguintes após 2000 ac, a população começou a diminuir.

MEDITERRÂNEO

Mediterrâneo foi o mais influente na ascensão do mundo. Unia Africa, Asia e Europa. As vantagens de um mar calmo e seus golfos profundos eram que uma grande potência militar poderia comandar uma grande área. Fenícios, gregos, cartagineses e romanos fizeram uso dele e ali foi visto o 1º barco à vela (1º registro num vaso egípcio de 3100 ac)

A região mediterrânea se tornou o centro dopoder graças ao advento do ferro barato( 1º-única fonte eram os meteoritos, 2º rochas, 3º aprendeu-se a fundir o minério de ferro)

GRÉCIA

Atenas – População passava dos 300 mil, sendo o mais influente até então. Depois de ter sido queimada e saqueada por invasores persas em 480 ac, seus moradores revidaram e venceram o inimigo. A derrota lhes deram incentivo. O Parthenon, iniciado em 447 ac e terminado 10 anos depois, abrigava a estátua de Atena.

Possivelmente o período nas artes mais fértil goi entre 520 e 420 ac.

Gregos foram os primeiros nos jogos olímpicos, começando em 776 ac, sendo a cada 4 anos. Primeiro usavam roupas, depois passaram a competir nus.

As cidades fervilhavam de energia intelectual. Platão é considerado o mais talentosod e todos os filósofos, enquanto Aristóteles é reverenciado na ciência política.  A Grécia também se destacava na física, linguística, biologia, matemática, teatro, engenharia.

Uma nova cidade do Egito, Alexandria, acabou se tornando a principal herdeira da tradição ateniense. Fundada em 331 ac, a cidade tronou-se a máquina intelectual do mundo ocidental. Uma notável biblioteca e museu foram construídos.

CHINA

Ganges – Após 2000 ac, começou-se a domesticar o cavalo, que até então era caçado só pela carne. Depois de 700 ac passou-se a montar cavalos para guerra.

China e Japão- atrasados na política, metais, escrita, agricultura e astronomia, mas avançada em fabricação de cerâmica.

Nos 500 anos ac a China foi o povo mais criativo: metalurgia, irrigação, tear. Governantes vIviam no luxo. Na morte de um rei, até 40 pessoas podiam ser enterradas com ele. Em 221 ac a China estava unificada.

 Confúcio, nascido em 551 ac, na China, morreu aos 73 anos. Nenhum outro pensador exerceu tanta influência, que soma hoje 2500 anos.

A muralha, de 214 ac, nunca foi finalizada e se estende por 6300 km.

Antes de 500 ac, o arroz atravessou da China para a Coréia e o Japão e começou a transformar as refeições diárias.

INDIA

Único rival da China na Asia. Era praticamente uma ilha, isolada pelo Himalaia. Ficava mais próxima do Oriente Méido que da China, a maioria de seus invasores veio da Europa.

Depois de 1000 ac, a região do Ganges substituiu a do Indo como a parte populosa do subcontinente indiano. Antes de 400 ac a India provavelmente já tinha 30 milhões de pessoas. Nessa época, é provável que India e China juntas tivessem 1/3 da população mundial.

Enquanto o talento da China era a tecnologia, o da India era a religião (hinduísmo).

Buda, morreu aos 80 anos em 486 ac, nascido na China. Era entretido por mulheres e vivia com relalias. Casou-se com a prima e teve um filho. Buscou a salvação e tornou-se o Iluminado.

ROMA

A ascensão começou por volta de 500 a.c e estava mais ou menos no ápice por volta de 200 a.c.

Todos os caminhos levavam à Roma e cresceram em uma proporção quase incontrolável. Provavelmente foi a 1ª cidade do mundo. As ruas, pavimentadas com pedra, ficavam abarrotadas de veículos de roda e de gente. Tinha cerca de 800 balneários públicos. Muitos dos navios eram maiores do que os que seriam construídos no mundo ocidental nos 1000 anos seguintes.

O Egito, na época, era uma colônia romana.

Roma começou como uma república. Com o aumento do número de eleitores, iniciou-se o uso da urna secreta. O distante impéiro de Roma, em constante expansão, não era fácil de liderar. Em constante tensão, começa-se a pensar em um imperador.

Em 63 a.c. Augusto torna-se o primeiro. Cada imperador nomeava seu sucessor.

O governo de Roma se estendia desde o Mar Negro até o norte da Inglaterra.

ISRAEL

Hebreus ou israelitas ou judeus( = andarilhos) – escravizados no Egito, eles acabaram escapando com seu líder, Moisés, em direção a uma terra que acreditavam ter-lhes sido prometida por Deus, onde hoje é Israel. Eles foram quase capturados por seus seguidores na margem oeste do Mar Vermelho, então o mar se abriu.

 

Sobre o episódio de Moisés e o Mar Vermelho que se abriu

O fenônemo parece milagroso, mas talvez não tenha sido; o nome inicial do Mar Vermelho era Mar dos Juncos ou Mar Pantanoso e, em muitos lugares, era bastante raso. O formato da costa é tal que marés incomuns podem acorrer. De fato, em 1993, um grupo de oceonógrafos observou que, quando um vento muito forte sopra a 70 quilômetros por hora por dez horas contínuas, o mar praticamente recua. É possível imaginar, que os hebreus, com os egípcios não muito atrás, tenha atravessado o mar num desses dias atípicos; em seguida, o mar subiu, afogando os perseguidores egípcios.

Por volta de 1000 a.c. os hebreus, sob o comando de Davi, tiveram seus anos de glória, pois ele havia tomado jerusalém. Seu filho e sucessor, o rei Salomão, construiu um magnífico templo no topo da colina e, nesse prédio, seu povo adorava a Deus.  Após a morte do rei Salomão, em 935 a.c., seu reino foi dividido em 2 estados, Israel e Judá (que deu nome aos judeus). Em 587 a.c., os soldados do Imperio babilônico saquearam e destruíram o templo de Jerusalém, e os líderes judeus partiram para o exílio por quase um século. Ao voltarem para casa, viveram sob uma sucessão de governantes estrangeiros: os persas, Alexandre o Grande, os selêucidas (de origem grega). Durante boa parte do tempo, a vida espiritual dos judeus floresceu: ouviam-se os profetas, estudiosos da teologia, e criou raiz a idéia de vida espiritual após a morte. Jesus nasceu por volta de 6 a.c (????). Cresceu num vilarejo e seguiu os passos do pai carpinteiro, um bom padrão para a época. Sabia ler e escrever, o que era para poucos.

Com pouco mais de 30 anos deixou o vilarejo e começou a pregar. Era chamado Nazareno (simplesmente o que era nascido em Nazaré).  Hoje, poderíamos dizer que curava pela fé.

As seitas judias não tinham certeza de como julgá-lo: uns se sentiam ameaçados porque adquiria mais seguidores; outros alarmados porque contestava a rigidez dos ensinamentos.

Resolveu vir a Jerusalém numa época santa do ano. Celebrou a última ceia. Foi preso por exigência dos inimigos, condenado por blasfêmia, sentenciados pelos romanos, chicoteado e pregado a uma cruz.

Nada contribuiu mais para sua vida se tornar tão importante do que o fato de sua ascensão aos céus. Lá, diziam, esperaria até o dia do julgamento, quando apareceria na Terra para punir os maus e recompensar os justos.

DEPOIS DE CRISTO

Se a mensagem de Cristo deveria permanecer viva, só poderia acontecer com a ajuda dos judeus, povo disperso.

As sinagogas tornaram-se ponto de disseminação do Cristinaismo.

São Paulo foi o 1º convertido de maior nome. Mais ou menos 14 anos depois da morte de Cristo, começou a remodelar a igreja.  Possuía qualidades pouco comuns: sentia-se em casa dentro de uma sinagoga, tinha cidadania romana e falava grego.

Embora os judeus tenha sido os primeiros a se converter ao cristianismo, outros foram atraídos.

Muitos judeo-cristãos faziam objeçãos aos que vinham de fora, pois viam o cristianismo como uma simples ramificação de sua religião.  A questão foi resolvida em desfavor deles. A igreja começou a se dividir.

Aqueles que conheciam cristo foram os primeiros líderes e eram os judeus. Em Roma e nas cidades mais afastadas os cristãos eram severamente atacados. A lista de mártires crescia cada vez mais.
Quando o imperador Constantino tornou-se cristão em 321, declarou o domingo como dia de adoração. Ele ofereceu tolerância cívica e devolveu terras aos cristãos. Pela 1ª vez havia mais pessoas na igreja que nas sinagogas.  Os padrinhos do cristianismo foram declarados ilegìtimos.

Em 285 o Império Romano foi dividido em dois: o do ocidente e o do oriente.

Constantino morreu em 337 e foi enterrado em Constantinopla. O auge de Roma havia passado  e perdido supremacia para essa cidade.

Por que o Imperio Romano decaiu? Envenenamento por chumpo na capital, exaustão do solo no interior, ascensão do cristianismo, invasões? Mas o mais interessante é entender como durou tanto tempo. Trazendo para os dias de hoje, seria um governo desde Colombo até o  presidente Bush.

Constantinopla foi a 1ª cidade projetada para proporcionar locais para igrejas cristãs.  O grego era a língua do oriente e o latim do ocidente. No decorrer de muitos séculos separaram-se em sua teologia e organização.  Assim, o cristianismo perde sua unidade, o que foi sua força, pois pode ser adaptada a novos povos e culturas, assim como seu rival, o Islã.

ISLÃ

Maomé, fundador do Islã, nasceu em Meca, em 570. Quando jovem, perdeu pai e mãe. Era inteligente e impressionou sua rica e empregadora, uma viúva.

Em 610, ele viveu um despertar religioso, durante o qual recebeu a mensagem de que só havia um deus, raro fato para a época.

Meca era uma cidade de peregrinos. Maomé criticava a idolatria. Maomé fugiu então para Medina. O dia de sua chegada, 24/09/622 veio a se tornar o 1º dia do novo calendário islâmico.

A Guerra Santa – a crença de Maomé tomou forma rápido. Suas regras eram simples: orar 5 x ao dia, dia sagrado ás sextas, fazer peregrinação a Meca ao menos 1 x na vida, dar aos pobres, jejuar do nascer ao pôr do sol durante o mês lunar, Ramadã, mulheres usando véus em público, homens mais ricos podiam ter 4 esposas. As pregações de maomé foram reunidas no Alcorão.

BUDISMO

Em seu 1º milênio como religião, o budismo alcançou terras mais distantes do seu local original do que o cristianismo, em um mesmo espaço de tempo.

As 3 religiões universais a terem cruzado fronteiras, capazes de converter uma variedade de terras e povos, nasceram durante uma fase especial da história humana. Buda, Cristo e maomé surgiram num espaço de tempo pouco superior a 1000 anos. a 1ª crença, o budismo, apareceu por volta do 1º século a.c, e a última, o Islã, emergiu no 7º século d.c. Desde então, nenhuma nova versão de uma religião universal atingiu tamanho sucesso.

Por volta do ano 900, as 3 religiões universais tinham alcançado, entre si, a maior parte do mundo conhecido.  Dessas 3 religiões, a mais jovem era talvez a mais vigorosa. Por outro lado, a mais antiga delas, o budismo, estava influenciando o maior número de vidas por causa de sua força na populosa China, Coréia, Japão e Indochina. O Cristianismo era agora a menos viva das três.

POLINÉSIA

Ás vezes, o abismo era transposto e esses passos tinham consequências fundamentais para a raça humana. Em toda a história humana, houve somente 3 grandes momentos em que se cruzaram os mares para povoar grandes terras desabitadas: 1ª – migração há mais de 50.000 anos, da Ásia para a Nova Guiné e Austrália; 2º – da Àsia para o Alaska, há mais de 20.000 anos; 3º – em tempos recentes, povos da Polinésia para uma extensa faixa de ilhas desabitadas dos Oceanos Pacífico e Índico. Umas das marcas de que essa migração é recente é que ela aconteceu na era cristã, embora os migrantes mesmo nunca tivessem ouvido falar de Cristo.

Madagascar e Nova Zelândia foram as últimas de tamanho considerável a serem descobertas e colonizadas.

Terra dos Moas – do mar, os vilarejos fortificados dos 1ºs maoris devem ter sido facilmente avistados. Alguns ocupavam promontórios estreitos e, portanto, eram rodeados por 3 lados pelo mar.

Um prêmio esperava pelos 1ºs colonizadores: a carne existia em abundãncia. nas ilhas do norte e do sul, o enorme pássaro moa, capaz de correr com grande velocidade, mas incapaz de voar, era uma presa fácil dos caçadores maoris. chegando a uma altura de 3 metros, com pernas fortes para correr, mas com cabeça que não podia ferir facilmente os caçadores, o moa parecia um carinhoso animal de carga. Se domesticado, poderia carregar 4 ou + crianças.

Os maoris caçaram o moa com tanto vigoe que, por volta de 1400 ou 1500, a espécie estava praticamente extinta.

Os europeus que conheceram o modo de vida dos polinésios, prestes a mudar, ficaram impressionados com sua coragem. Eles notaram também a violência desse povo: os sacrifícios humanos e o canibalismo. O instinto guerreiro dos maoris era indiscusível, tanto assim que, na década de 1780, quando o governo britânico teve de decidir se instalava uma colônia na Austrália ou na Nova Zelândia, a escolhida foi Austrália. Os maoris pareciam destemidos e eram guerreiros comprovados. Foi sensato tê-los deixado em paz.

                                                       PARTE II

                                                       PARTE III

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Anne Frank

12/06/1929, Frankfurt (Alemanha)
?/02/1945, Campo de Concentração de Bergen-Belsen

 
 
 
O anexo secreto fica na Rua Prinsengracht, 263, em Amsterdã (Holanda). Eram cômodos escondidos nos fundos de uma fábrica, onde Annelies Frank escreveu a maior parte de seu diário, um dos símbolos da perseguição aos judeus durante o regime de Hitler.

Chamada pelos pais de Anne, a filha do comerciante judeu Otto Frank emigrara com a família para Amsterdã em 1933, após a ascensão dos nazistas ao poder na Alemanha.

Quando Anne completou 13 anos de idade, ela ganhou um caderno para diário, encapado com tecido xadrez vermelho e verde e fechado por um fecho simples, sem chave. Nesse mesmo dia ela escreveu: “Espero poder contar tudo a você, como nunca pude contar a ninguém, e espero que você seja uma grande fonte de conforto e ajuda.” (12 de junho de 1942).

No dia 14 de junho de 1942, ela começou a escrever sobre a ocupação na Holanda. Um mês após seu aniversário, para evitar a prisão pela polícia nazista, a família se mudou para o anexo secreto onde Anne escreveu grande parte de seu diário.

Assim começou o cotidiano do esconderijo onde vivia com os pais, a irmã e mais quatro pessoas. Foram 25 meses de medo. A tensão era enorme para manter o silêncio absoluto durante o dia. A fábrica funcionava normalmente, e somente alguns empregados sabiam do anexo. Por isso, as pessoas só podiam andar de cócoras descalças, ficar sentadas e sussurrar. Apenas uma escada e uma estante as separavam do resto do armazém.

A entrada na clandestinidade foi planejada por Otto Frank e alguns empregados. Miep Gies, Johannes Kleiman, Victor Krugler e Bep Voskuijl alimentaram os Frank, os Van Pels e Fritz Pfeffer. “Não poder sair me deixa mais chateada do que posso dizer, e me sinto aterrorizada com a possibilidade de nosso esconderijo ser descoberto e sermos mortos a tiros”, escreveu Anne.

Mas ela não perdia a esperança. Queria ser escritora. Por isso, em 1944, reescreveu o começo do diário, para uma futura publicação como cartas a uma amiga imaginária, Kitty. Como qualquer adolescente, ela descobria sua sexualidade em um breve idílio com Peter, outro garoto escondido no anexo. Ninguém no esconderijo sabia do diário.

O esconderijo, porém, foi descoberto na manhã do dia 4 de agosto de 1944, e os clandestinos ficaram numa prisão em Amsterdã até o dia 8, quando foram transferidos para Westerbork, campo de triagem para judeus no norte da Holanda. Em 3 de setembro, foram deportados para Auschwitz (Polônia).

Anne e Margot, sua irmã, foram separadas dos pais e transferidas para o campo de concentração de Bergen-Belsen, perto de Hannover (Alemanha), onde morreram de tifo. O único sobrevivente foi Otto Frank, libertado pelo exército russo e repatriado para Amsterdã, onde recebeu o diário, protegido por Mep Gies. Ele dedicou-se a espalhar as mensagens de sua filha até morrer em agosto de 1980.

“Cerca de dez anos depois do fim da guerra, vai parecer esquisito quando se disser como nós judeus vivemos, comemos e conversamos aqui. (…) Não quero ter vivido inutilmente, como a maioria das pessoas. Quero ser de utilidade e alegria para as pessoas que vivem à minha volta e para as que não me conhecem”, escreveu Anne em seu diário, de certa forma profeticamente.

“Anne gostava de mandar”

livros2 Nanette hoje e
na adolescência,
antes de ser presa:
“Em Bergen-Belsen,
chegava a ficar
36 horas de pé.
Saí com 32 quilos”
   

livros3

A holandesa Nanette Blitz Konig lembra-se muito bem da festinha de aniversário de 13 anos de Anne Frank, quando ela ganhou do pai um caderno vermelho e verde, com fecho de metal. Em poucos dias, o presente iria transformar-se em seu diário. Nanette foi colega de Anne numa escola de Amsterdã destinada apenas a alunos judeus e freqüentava sua casa. Mais tarde, já prisioneiras dos nazistas, as duas encontraram-se no campo de concentração de Bergen-Belsen, no qual Anne morreu. Nanette conseguiu sobreviver, foi libertada pelas tropas inglesas em abril de 1945 e fixou-se na Inglaterra. Lá, conheceu o engenheiro húngaro John Frederik Konig, que estava de mudança para o Brasil. Depois de dois anos de correspondência, eles se casaram e foram morar em São Paulo, onde estão até hoje. John Frederik fez carreira executiva em firmas como a Pfizer e a Johnson & Johnson, até se aposentar. Nanette não teme remexer nas lembranças da guerra e foi uma das fontes de informação de Melissa Müller, autora da biografia de Anne Frank. Na semana passada, Nanette deu a seguinte entrevista a VEJA:

Veja A senhora era amiga íntima de Anne Frank?

Nanette — Para entender nossa relação, é preciso levar em conta as circunstâncias em que nos conhecemos. Nenhuma de nós teve adolescência, passamos diretamente de crianças a adultas. Na verdade não tínhamos afinidade porque ela gostava de mandar em todas as suas amigas e comigo não conseguia. Anne era rebelde, muito crítica, principalmente com as pessoas fora de seu grupo e com aquelas que não queriam fazer parte dele. Éramos amigas, mas desconfio que no fundo não gostava de mim.

Veja Como a encontrou no campo de concentração de Bergen-Belsen?

Nanette — O campo era dividido em vários setores e eu a vi pela primeira vez através do arame farpado. Ela já havia passado um tempo em Auschwitz, estava careca e muito debilitada. Anne também deve ter ficado horrorizada com a minha aparência. Nós nos reconhecemos, por assim dizer. Certo dia, tiraram o arame que dividia nossos setores, mas aí nós duas já estávamos muito fracas para conversar.

Veja Ela chegou a lhe falar do diário que havia escrito?

Nanette — Sim, quando ainda tínhamos forças ela me contou que havia ficado escondida por dois anos e que escrevera o diário. Disse que queria publicá-lo em forma de livro, contando o que os nazistas fizeram, relatando a sua história.

Veja Antes de O Diário ser publicado pela primeira vez, a senhora soube que o pai dela, Otto Frank, havia suprimido várias páginas nas quais Anne dirigia ataques à mãe e falava de sua sexualidade?

Nanette — Sim, Otto Frank chegou a me consultar sobre o assunto, se deveria ou não suprimir as páginas. Disse-me que sua mãe, avó de Anne, ficaria muito constrangida com o seu conteúdo. Eu opinei pela supressão das páginas. Naquela época o sexo não era debatido abertamente como hoje, e os ataques de Anne à mãe são típicos de uma adolescente, não interessavam no contexto de um livro sobre a ação dos nazistas contra os judeus.

Veja A senhora mantinha um contato freqüente com Otto Frank?

Nanette — Falávamo-nos por telefone e ele dizia sempre: “Venha me ver um dia”. Mas meus filhos já haviam nascido… Não sei, nunca tive coragem.

Veja As lembranças de quem foi para um campo de concentração esmaecem com o tempo?

Nanette — Não. Desci ao nível mais baixo a que um ser humano pode chegar. Minha alimentação consistia em tomar sopa de casca de batata ou em comer uma espécie de beterraba branca que é usada como ração de animais. O trabalho era forçado, não havia instalações sanitárias nem proteção contra o frio intenso. Certas vezes, era obrigada a ficar 36 horas de pé. A esqualidez é tanta que a libido desaparece e a menstruação se interrompe porque o corpo perde a capacidade de reproduzir. E havia a chamada Besta de Belsen, um oficial que fazia abajures com a pele de quem portava tatuagens bonitas. Ultrapassado certo limite, a pessoa nem liga mais, fica indiferente ao sofrimento. Quando os ingleses chegaram para libertar o campo, deram comida aos judeus, e muitos de nós morreram depois de comer — o estômago e os intestinos estavam degenerados demais para processar alimentos. Saí de lá pesando 32 quilos.

Veja Como conviver com essas lembranças?

Nanette — É um aprendizado. Hoje penso que o pior vem depois. O trauma se perpetua na família. Meus netos sofrem por associação, eles sabem o que aconteceu comigo. Quando tinha cerca de 7 anos, um deles me perguntou: “Vovó, é verdade que uma vez os alemães deram pedaços de sabão aos judeus dizendo que era para tomar banho, mas na verdade era para fazê-los entrar na câmara de gás?” O que dizer nessa hora? Que a estupidez humana não tem limites? Na hora fiquei muda. O horror é isso.

Veja A senhora assistiu ao filme A Lista de Schindler, de Steven Spielberg, sobre o holocausto?

Nanette — Sim. É um filme fantástico, mas quando vi aquelas mulheres na câmara de gás com bumbum e seios… Ninguém no campo de concentração tinha mais bumbum e seios. Paciência: o que o Spielberg podia fazer — pegar gente de Biafra e pintar de branco? Esse é apenas um detalhe que só quem esteve lá pôde notar.

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