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Quéops, faraó egípcio (2638-2613 a.C.); o segundo rei da IV dinastia. A realização mais importante de seu reinado foi a construção da Grande Pirâmide de Gizé, perto do Cairo.

Quéfren, quarto faraó (2603-2578 a.C.) da IV Dinastia do Egito. Construiu uma das pirâmides de Gizé. Durante muito tempo, pensou-se que a Grande Esfinge próxima a ela era uma representação do rei. Quéfren foi sucedido por seu filho Miquerinos.

Tutmés I, faraó do Egito (1524-1518 a.C.) da XVIII dinastia, sucessor do seu cunhado Amenófis I (que reinou em 1551-1524 a.C.). Destacado militar, foi o primeiro faraó a ser enterrado no Vale dos Reis.

Tutmés II, faraó do Egito (1518-1504 a.C.), filho de Tutmés I e meio-irmão e marido da rainha Hatshepsut. Enviou uma expedição contra as tribos núbias rebeladas contra sua soberania e contra os beduínos, povo nômade dos desertos da Arábia e do Sinai.

Tutmés III, faraó do Egipto (1504-1450 a.C.). Era filho de Tutmés II e genro de Hatshepsut. Durante seu reinado, Tutmés III realizou 17 campanhas militares bem sucedidas, conquistando a Núbia e o Ludão. Conseguiu que os mais importantes estados lhe rendessem tributo: Creta, Chipre, Mitani, Hatti (o reino dos hititas), Assíria e Babilônia. Tutmés III afirmou a hegemonia egípcia em todo o Oriente Médio.

Tutmés IV, faraó do Egito (1419-1386 a.C.) da XVIII dinastia, filho de Amenófis II e neto de Tutmés III. Comandou expedições militares contra a Núbia e a Síria, e negociou alianças com a Babilônia e o Mitanni.

Amenófis III, faraó do Egito (1386-1349 a.C.), da XVIII Dinastia, responsável por grandes trabalhos arquitetônicos, entre os quais parte do templo de Luxor e o colosso de Mêmnón. Seu reinado foi de paz e prosperidade.

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Akhenaton ou Amenófis IV, faraó egípcio (1350 a.C.-1334 a.C.), também chamado Neferkheperure, Aknaton ou Amenhotep IV. Akhenaton era filho de Amenófis III e da imperatriz Tiy e marido de Nefertiti.

Quando criança foi escondido pelos pais, não se sabe se por ter algum defeito ou doença. Nunca aparecia em público ou nas esculturas reais. Isso talvez explique como foi estranhamente retratado quando faraó.

Akhenaton foi o último soberano da XVIII dinastia do Império Novo e se destacou por identificar-se com Aton, deus solar, aceitando-o como único criador do universo. Alguns eruditos consideram-no o primeiro monoteísta. Depois de instituir a nova religião, mudou seu nome de Amenófis IV para Akhenaton, que significa “Aton está satisfeito”. Mudou a capital de Tebas para Akhenaton, na atual localização de Tell al-Amama, dedicando-a a Aton, e ordenou a destruição de todos os resquícios da religião politeísta de seus ancestrais. Essa revolução religiosa determinou transformações no trabalho dos artistas egípcios e, também, no desenvolvimento de uma nova literatura religiosa. Entretanto, essas mudanças não continuaram após a morte de Akhenaton. Seu genro, Tutankhamen, restaurou a antiga religião politeísta e a arte egípcia uma vez mais foi sacralizada. 

A família real é representada em várias estelas em cena de intimidade familiar, com Nefertiti a amamentar uma filha ou com o casal a brincar com estas enquanto recebe os raios de Aton, que terminam em mãos com o símbolo do ankh. Trata-se de representações até então não presentes na arte egípcia.

Um aspecto que gera alguma perplexidade nestas representações são os crânios alongados dos membros da família real. Akhenaton, por exemplo, surge em estátuas e relevos como um homem muito diferente da norma e representado fora dos padrões rígidos da cultura milenar da época, exibindo femininos e andróginos, com uma cintura fina, porém com quadris largos e coxas decididamente femininas. Além disso, em várias obras os seus seios são aparentes. A sua face também aparece alongada e com lábios carnudos, femininos e sensuais. Para alguns estas características indicariam que a família sofreria de síndrome de Marfan, enquanto que outros consideram tratar-se de uma mera tendência estética exagerada, que visava criar novos padrões estéticos à semelhança do que tinha acontecido no campo da religião, segundo historiadores, Akhenaton queria mostrar nessas esculturas que somos muito mais que imagens, e pedia para ser retratado dessas formas para escandalizar os cidadãos, e também pelo fato de querer mostrar que ele era o “Grande esposo real” de Nefertiti, que assumiu a direção do Egito como co-regente, deixando Akhenaton livre para ser o sumo sacerdote de Aton. As únicas imagens reais de Akhenaton e Nefertiti foram esculpidas em suas tumbas mortuárias, onde mostram claramente que Nefertiti era a mulher mais bela da época e Akhenaton não tinha os traços dos egípcios conhecidos.

Com Kia, uma esposa secundária, Akhenaton teve dois filhos, Nebnefer, que morreu durante o surto de peste e Tutankhaton que depois que voltou á Tebas foi obrigado a mudar seu nome para Tuthankamon pois, depois da morte de Akhenaton, o Deus Aton foi proscrito por alguns anos.Kia teria morrido no parto de Tutankhamon, e a mesma serviu apenas para dar a Akhenaton dois filhos homens para continuar o reinado, visto que Nefertiti não conseguia gerar filhos varões.

Morreu no 17º ano de seu reinado, não se sabe de que. Acredita-se que foi enterrado por Nefertiti, que era sua co-regente e não só uma rainha. Tornou-se ela um faraó por direito.

Nefertiti (c. 1380 – 1345 a.C.) foi uma rainha da XVIII dinastia do Antigo Egipto, esposa principal do faraó Amen-hotep IV, mais conhecido como Akhenaton.

As origens familiares de Nefertiti são pouco claras, não se sabe se é estrangeira ou filha de um alto funcionário egípcio.

Acredita-se que cresceu no harém no palácio e foi escolhida pela mãe de Akenathon.

É a rainha mais importante do Egito. Ela e seu marido lideraram o êxodo de Tebas para uma cidade no meio do deserto. Para uns era uma traidora, uma fanática religiosa, invejosa, vingativa. Para outros, uma heroína que salvou o país.

Nefertiti acompanhou o seu marido lado a lado em seu reinado porém, a certa altura, no ano 12 do reinado de Amen-hotep ela esvanece e não é mais mencionada em qualquer obra comemorativa ou inscrições e parece ter sumido sem deixar quaisquer pistas.

Este desaparecimento foi interpretado inicialmente como uma queda da rainha, que teria deixado de ser a principal amada do faraó, preterida a favor de Kiya. Objetos da rainha encontrados num palácio situado no bairro norte de Amarna sustentam a visão de um afastamento. Hoje em dia considera-se que o mais provável foi o contrário: Kiya foi talvez afastada por uma Nefertiti ciumenta.

Uma hipótese que procura explicar o silêncio das fontes considera que Nefertiti mudou novamente de nome para Semenkharé e governou como faraó durante cerca de dois anos. Há ainda outra hipótese, como os sacerdotes de Amon não aceitavam o Deus Aton como único do Egito, eles teriam mandado assassinar Nefertiti pois a consideravam o braço direito de Akhenaton, sua morte teria desestabilizado o faraó que tinha em sua figura o apoio indiscutível para o Projeto do “Deus Único” representado por Aton. Cerca de dois anos depois, Akhenaton veio a falecer de forma misteriosa, assim, sua filha primogênita com Nefertiti – Meritaton, foi elevada ao estatuto de “grande esposa real”. O seu reinado foi curto, pois segundo historiadores, ela, seu marido e outros habitantes de Amarna na época foram assassinados e proscritos. Restando de sangue real apenas seu enteado Tuthankamon, então com 9 anos e sua outra filha Ankhesenamon com 11 anos.

Porém, muitos especialistas acreditam que esta pessoa foi um filho de Akhenaton. Já outros egiptólogos, como o professor David O’Oconnor da Universidade de Nova York (New York University), especulam: Poderia se tratar de amor entre iguais, entre dois homens, dadas as características singulares de Akhenaton?

Após morte do marido, herda reino à beira de um colapso.

Acredita-se que ela deixou Amarna e voltou para Tebas. Enterrou Akenathon de acordo com costumes antigos a fim de acalmar sacerdortes. Reabriu Karnak e reintegrou sacerdotes, apaziguando ânimos. Deve ter reinado em Tebas, até morrer, cerca de 1 ano depois. Não se sabe se foi assassinada. Todos os templos por eles coruídos foram destruídos, inclusive Amarna.

A alegada múmia de Nefertiti
Em Junho de 2003 a egiptóloga Joanne Fletcher da Universidade de York anunciou que ela e a sua equipe teriam identificado uma múmia como sendo a rainha Nefertiti.

Em 1898 o egiptólogo Victor Loret descobriu o túmulo do rei Amen-hotep II no Vale dos Reis. Como foi o trigésimo quinto túmulo a ser encontrado, este recebeu a designação de “KV35” na moderna egiptologia (King Valley´s 35). Para além da múmia deste rei, encontraram-se onze múmias numa câmara selada do túmulo. Três destas múmias foram deixadas no local, devido ao seu elevado estado de deterioração, tendo as restantes sido levadas para o Museu Egípcio. Duas múmias eram de mulheres e a terceira de um rapaz.

Uma peruca encontrada neste túmulo junto a uma das múmias chamou a atenção de Joanne Fletcher que a identificou com as perucas de estilo núbio utilizadas no tempo de Akhenaton. Para Fletcher, especialista em cabelos, esta peruca foi usada por Nefertiti. Para além disso, o lóbulo da orelha estava furado em dois pontos (uma marca da realeza), com impressões de uma tiara no crânio. A múmia não tinha cabelo o que corresponderia à necessidade de Nefertiti manter o cabelo raspado para poder utilizar a coroa azul e também para proteger-se contra piolhos e o calor do Egito na época retratada.

Seu rosto foi recriado em computador e ficou bem parecido com seu busto.

Contudo, a múmia estava identificada como sendo de uma mulher de vinte e cinco anos, o que torna pouco provável tratar-se de Nefertiti.

Tutankamon da XVIII Dinastia, também conhecido como o “Faraó Menino”, nasceu em 1336 a.C e morreu em 1327 a.C. Filho de Akhenaton. 

Vida e morte
Ainda existem muitas dúvidas sobre a vida de Tutankamon. Foi o último faraó da 18ª dinastia. Durante seu curto período de governo de 9 anos levou a capital do Egito para Memphis e retomou o politeísmo, que havia sido abandonado pelo pai Akhenaton.  Sabe-se que morreu de forma traumática ainda na adolescência. Alguns pesquisadores acreditam que ele tenha sido vítima de uma conspiração na corte e, possivelmente, tenha sido assassinado com um golpe na cabeça.

Tesouros de Tutankamon
A importância atribuída para este faraó está relacionada ao fato de sua tumba, situada numa pirâmide no Vale dos Reis, ter sido encontrada intacta. Nela, o arqueólogo inglês Howard Carter
(1874 a 1939) (financiado por Lorde Carnavon ) encontrou, em 1922, uma grande quantidade de tesouros. O corpo mumificado de Tutankamon também estava na tumba, dentro de um sarcófago, coberto com uma máscara mortuária de ouro. O caixão onde estava a múmia do faraó também é de ouro maciço.

Na tumba de Tutankamon foram encontradas mais de cinco mil peças (tesouros). Entre os objetos estavam jóias, objetos pessoais, ornamentos, vasos, esculturas, armas, etc.

A maldição de Tutankamon
      Durante a escavação da tumba de Tutankamon, alguns trabalhadores da equipe morreram de forma inesperada. Criou-se então a lenda da Maldição do Faraó. Na parede da pirâmide foi encontrada uma inscrição que dizia que morreria aquele que perturbasse o sono eterno do faraó. Porém, verificou-se depois que algumas pessoas haviam morrido após ter respirado fungos mortais que estavam concentrados dentro da pirâmide. Carnavon morreu pouco depois da descoberta por uma picada infeccionada, em abril de 1923,  no Egito, poucos meses depois da descoberta da tumba. Vitimado por uma infecção, provocada por uma picada de inseto ocorrida quando visitava o túmulo. Morreu no momento exato que um black-out inexplicável atingiu a cidade e que sua cachorrinha também morre. Pouco tempo depois seu irmão também morre e depois, a enfermeira que cuidava de Lorde Carnarvon…
      Começava aí, um rastro de morte e terror que se estendia para muito além das areias do Egito.

      Em sua desastrada autopsia, a fim de retirar as jóias do corpo, fungos foram liberados, e dois dos homens morreram.

     Carter, muito pressionado, um dia pôs todos para fora da tumba e a trancou com um portão de ferro. Os egípcios o expulsaram, ficando exilado por 1 ano. Depois voltou mas teve que renunciar ao direito que possuía sobre o tesouro. Passou o resto da vida catalogando todas as 5.000 peças encontradas. Morreu em 1939, de causas naturais.

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Seti I (reinou de 1312 a 1298 a.C.), faraó egípcio, segundo governante da XIX dinastia, filho e sucessor do faraó Ramsés I. Nos últimos anos de seu reinado, conquistou a Palestina, combateu os líbios na fronteira ocidental e lutou contra os hititas.

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Ramsés II (reinou em 1301-1235 a.C.), faraó egípcio, terceiro governante da XIX Dinastia, filho de Seti I. Governou por 67 anos e morreu com mais de 80 anos(média do egípcio 35/40 anos), teve inúmeras mulheres e centenas de filhos. Assumiu com 20. Já era casado com Nefertari.

Ramsés II foi o terceiro faraó da XIX dinastia egípcia, uma das dinastias que compõem o Império Novo. Reinou entre aproximadamente 1279 a.C. e 1213 a.C. O seu reinado foi possivelmente o mais prestigioso da história egípcia tanto no aspecto econômico, administrativo, cultural e militar.

Ramsés II era filho do faraó Seti I e da rainha Touya. A família de Ramsés não era de origem nobre: o seu avô, Ramsés I, era um general de Horemheb, o último rei da XVIII dinastia que este nomeou como seu sucessor.

Julga-se que pelo menos dez anos antes da morte do pai Ramsés já era casado com Nefertari e Isitnefert. A primeira seria a mais importante e célebre das várias esposas que Ramsés teve na sua vida, tendo sido a grande esposa real até à sua morte, no ano 24 do reinado de Ramsés. Nefertari, que possui o túmulo mais famoso do Vale das Rainhas, deu à luz o primeiro filho de Ramsés, Amenhotep, conhecendo-se pelo menos mais três filhos e duas filhas de ambos.

Ramsés foi também casado com a sua irmã mais nova Henutmiré (segundo alguns autores seria sua filha em vez de irmã) e com três das suas filhas. Além destas esposas, ainda tinha seu harém.

O Egito conseguiu continuar a exercer controle sobre a Palestina até a parte final da XX dinastia.

Segundo uma ideia feita, Ramsés teria sido o faraó que oprimiu os hebreus no Egipto, os quais teriam sido libertados por Moisés. Tal alegação não passa de especulação, não estando sequer atestada a história do Êxodo pela história ou arqueologia.

O túmulo de Ramsés foi construído no Vale dos Reis (KV7), necrópole de eleição dos faraós do Império Novo, tendo sido preparado pelo seu vizir do sul, Pasar. Embora seja maior que o túmulo do seu pai, o túmulo não é tão ricamente decorado e encontra-se hoje danificado. Do seu espólio funerário restam poucos objectos, que estão espalhados por vários museus do mundo.

A múmia do faraó foi encontrada num túmulo colectivo de Deir el-Bahari no ano de 1881. Em 1885 a múmia foi colocada no Museu Egípcio do Cairo onde permanece até hoje. Em 1976 a múmia de Ramsés realizou uma viagem até Paris onde fez parte de uma exposição dedicada ao faraó e onde foi sujeita a análises com raios X. Na capital francesa uma equipe composta por 110 cientistas foi responsável por tentar descobrir as razões pelas quais a múmia se degradava progressivamente. Os cientistas atribuíram esta degradação à ação de um cogumelo, o Daedela Biennis, que foi destruído com uma irradiação de gama de cobalto 60. As análises revelaram que Ramsés sofria de doença dentária e óssea.

Em seu reinado aconteceu a Batalha de Kadeshi, em que tinha o objetivo de expulsar os hiitas do norte da Síria. A realidade encontra-se distante do relato irreal a serviço da propaganda faraônica. Julga-se que os egípcios foram obrigados a recuar, não tendo tomando Kadesh, tendo os reforços chegado a tempo de o salvar.

Seus principais inimigos foram os hititas; com eles assinou um tratado, segundo o qual as terras em litígio se dividiam. Durante seu reinado construiu-se o templo de Abu Simbel e concluiu-se o grande vestíbulo hipostilo do templo de Amón, de Karnak.

Ramsés III (reinou de 1198 a 1176 a.C.), faraó egípcio da XX dinastia, grande líder militar que salvou o país de várias invasões. As vitórias de Ramsés III estão representadas nas paredes de seu templo mortuário em Madinat Habu, próximo à cidade de Luxor. O final de seu reinado foi marcado por revoltas e intrigas palacianas.

10.000 A.C.

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A presença da jovem atriz norte-americana Camilla Belle, filha de uma brasileira, fala português fluentemente e é uma das atrações da ficção histórica 10.000 A. C.. A direção e o roteiro são do cineasta Roland Emmerich (de Independence Day e O Dia Depois de Amanhã).

Camilla, que já atuou em O Mundo de Jack e Rose (2005) e Quando um Estranho Chama (2006), interpreta neste novo filme a heroína Evolet, moça de olhos azuis cujo destino está ligado ao futuro de uma tribo que a adotou, depois de um massacre que dizimou seu próprio povo.

10.000 A. C. se passa no final da era glacial, quando os habitantes de uma tribo de caçadores de mamutes começam a perceber que as mudanças climáticas irão levá-los a um novo estilo de vida.

Nesse contexto, nasce a primeira de uma série de profecias: durante a última caçada, será anunciado o grande líder que guiará o grupo a um novo futuro.

O escolhido será o jovem D’Leh (Steven Strait, de O Pacto). Armado apenas com uma lança feita com ossos, ele consegue matar o grande mamute e, assim, ser o importante líder e desposar Evolet. (Na verdade ele tinha ficado com a mão e a lança presas e renuncia ao título).

Um grupo de cavaleiros, chamados “demônios de quatro patas”, sequestra boa parte da tribo de D’Leh, incluindo sua noiva, Evolet. O rapaz, que escapou por pouco, dá início a sua jornada para resgatar seu povo e seu amor.

Depois de atravessar as montanhas geladas, D’Leh conhece outras tribos que não imaginava existir. Eles também foram vítimas dos cavaleiros e se unem à luta do jovem.

No entanto, o herói precisa mostrar valor para liderar seu pequeno novo exército. D’Leh ajuda um tigre dente-de-sabre a escapar de uma armadilha. Agradecido, o animal passa a socorrê-lo em momentos-chave da trama.

Como uma das tribos tem como profecia seguir o jovem que conversa com os animais, a relação do tigre e o rapaz é suficiente para reunir todos sob sua liderança.

O grupo escala geleiras, passa por florestas tropicais, cruza o semi-árido africano e chega a um imenso deserto de areia.

Uma imensa pirâmide está sendo construído com os sequestrado, que são feitos escravos. Consideram que quem tiver uma marca de constelação é sagrado. Evolet tem.

A aventura prossegue até o enfrentamento final, com o grupo de D’Leh contra os cavaleiros. D’Leh solta o mamute líder, que desce a rampa da pirâmide destruindo tudo.

O “todo-poderoso” manda que D’Leh vá embora para que ele liberte Evolet. D’Leh reivindica que ele liberte todos, o que é negado. D’Leh o mata com uma lança.

Começa a luta. Um deles está fugindo a cavalo com Evolet e ela própria lhe acerta com uma lança e vem m direção a D’Leh. Mas então este se levanta e acerta Evolet com a lança.

D’Leh o mata. Evolet morre. A anciã sente sua morte e a faz reviver.

A GUERRA DO FOGO

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A Guerra do Fogo (1981, FRA/CAN)

Dir.: Jean-Jacques Annaud. Com: Everett McGill, Rae Dawn Chong, Ron Perlman, Nameer El Kadi.

Filmado nas paisagens da Escócia, Islândia, Canadá e Quênia, recria o mundo como era há 80.000 anos.
O homem pré-histórico enfrentando tribos inimigas e feras dentro de um ambiente hostil, até o surgimento de seu primeiros sentimentos. A Guerra do Fogo é um filme inesquecível, aclamado no mundo inteiro como o mais fiel e emocionante registro dos primeiros passos da civilização.

 Um épico quase antropológico, com suspense, humor e algumas cenas de sexo e violência.

Com roteiro enxuto do francês Gérard Brach, apoio de diversos consultores renomados como Anthony Burgess(conhecido pelo livro Laranja Mecância, que foi adaptado para o cinema por Stanley Kubrick) para criar a linguagem verbal, Desmond Morris para criar a linguagem corporal, somado a obscuridade especulativa da Pré-História, o filme de Jean-Jacques Annaud se apresenta como um dos retratos mais fiéis da vida no Paleolítico. Dramaturgicamente é uma profusão de simbologias sobre o despertar da razão, das relações humanas e do amor.

INTRODUÇÃO

Narra a história de uma tribo Homo Sapiens, ou talvez Cro Magnon, que detêm o conhecimento de como manter o fogo aceso, mas não de como produzí-lo. Quando um ataque de uma tribo Homo Neanderthalensis rival extingue sua chama primordial, três membros saem em uma jornada para conseguir outra chama e realimentar seu fogo perdido.

Pelo caminho encontram lobos, tigres dentes-de-sabre, mamutes, ursos, tribos canibais e um grupo de humanos mais evoluído, que já domina a técnica de produção de fogo.

Durante a jornada, os três entram em contato com o Homo Sapiens Sapiens, ao salvar um espécime das mãos de uma tribo Homo Neanderthalensis antropófaga. Do contato com este espécime e com sua tribo, mais avançados tecnologicamente, são expostos a diversos conhecimentos novos, principalmente a arte de produzir fogo.

 Haviam diferentes tribos com diferentes hábitos de viver naquela vasta mata; estas tribos, na maioria das vezes eram rivais, já que eles não tinham a capacidade de coexistir. Digo coexistir me referindo à parte externa, ou seja, entre os grupos. Apesar que, mesmo entre os elementos do grupo, havia competição pelos alimentos por exemplo. Porém, as associações humanas não eram impossíveis naquela época entre grupos. Podemos observar que, em um certo momento do filme, um dos homens do grupo Ulam, ao decorrer dos fatos, explicitamente apaixona-se por uma mulher de outra tribo, a qual havia os acompanhado durante um tempo. Ele, no meio de sua trajetória, resolve voltar para reencontrar a moça. Ele acaba sendo capturado pelo grupo a qual a dita cuja pertence, passando então a conviver com estes indivíduos, adquirindo costumes da tribo.

 Depois, a mulher volta a conviver com o grupo Ulam, havendo uma nova uma associação humana.  É daí que surge a expressão de sentimento do homem. Eles descobrem a afetividade entre homem e mulher. E o fruto desta afetividade é uma criança, como percebemos no final do filme, onde esta mulher encontra-se grávida. Percebemos também que o homem naquela época começa a descobrir o prazer. Existem algumas cenas no filme onde há relações sexuais explicitas, e em algumas há também a demonstração do prazer. Visualizamos que ali surgiu a atração sexual entre o homem e a mulher, já que em alguns momentos, os homens olham a mulher e tentam atacá-la a força. O filme conseguiu também apagar uma grande curiosidade que existia em minha mente: Como era realmente a comunicação entre os homens naquela época? A linguagem entre eles era uma espécie de gritos e grunhidos quase na totalidade vocálicos. Essas são as primeiras manifestação de linguagem no homem, que é a expressão de suas paixões, como a dor e o prazer. Há grupos que parecem ter uma comunicação mais complexa, com maior número de sons articulados, como a tribo a qual pertencia a mulher já citada acima.

Utilizavam pedras e paus como armas, plantas como medicamentos e também faziam parte das ” cabanas ” que eles construíam; pedras como instrumento de pintura, varetas como instrumento para gerar o fogo, dentre outras situações em que eles agiam de acordo com a necessidade. Todos esses ” instrumentos ” eram, obviamente, oferecidos pela natureza. Era ela a ferramenta de exploração daqueles homens Tudo em volta deles pertencia à natureza. Era na natureza que eles obtinham o seu alimento, matavam a sua sede, residiam e morriam. Observamos no filme que a natureza oferece ao homem até uma espécie de armadilha para a captura de seus alimentos: a areia movediça. Homens desavisados, ao cair nesta areia, eram capturados por um grupo ali formado. Porém, a natureza não traz apenas benefícios para os homens que ali existem. Estes homens passam por sérias dificuldades, como os animais ferozes os quais os homens eram obrigados a combater, o rio gelado o qual os homens eram obrigados a caminhar, dentre outros. Naquela época, como os homens estavam ainda adquirindo uma certa experiência de como lhe dar com certos tipos de situações, como o combate com um animal por exemplo, eles eram extremamente vulneráveis ao ser considerado certos aspectos. No filme, a fragilidade deles fica explicita na cena em que três integrantes do grupo Ulam são perseguidos por dois leões. Eles sobem em uma árvore e ali permanecem durante um tempo, alimentando-se das folhas da própria árvore, chegando ao ponto de acabá-las por completo. Fica explicita também a fragilidade com relação aos aspectos climáticos daquela época. Houve um momento em que eles estavam sentado no meio da mata, alguns congelando de frio, chegando em alguns casos até a morte. Isso acontece também pela falta de controle com o fogo.

 

 

RESUMO MEU

A primeira imagem do filme define como era o mundo para aqueles homens naquela época. Uma paisagem de uma terra visivelmente inexplorada, com um pequeno foco de fogo em seu interior.

O filme mostra 3 grupos de homens pré-históricos: os menos desenvolvidos (neandher, os intemediários (cro-magnon) e os mais evoluídos (sapiens).

Um gupo de neandher ataca um grupo de cro-magnon em busca de fogo. Muitos morrem mas alguns cro-magnon conseguem escapar e se refugiam em uma ilhota em um lago gelado. Três deles decidem sair em busca de fogo. São atacados por tigres de dente de sabre, se refugiam em uma árvore.

Avistam uma fogueira e se aproximam; era um grupo canibal de neandher, que detinha alguns indivíduos do grupo sapiens dependurados como espetos, uma sem braço e eles comendo seu braço, e outra era a “menina”.

Dois deles despistam a tribo, enquanto o outro pega o fogo; as pessoas presas conseguem se libertar, entre eles a “menina”.

Fogem e ela vai atrás, tenta contato, curando a ferida de um deles. São quase atacados de novo, chegam vários mamutes, um cro-magnon dá comida a eles e os atacantes fogem. Um vai fazer sexo com a “menina”, loiro protege e faz ele próprio.

Depois de uns dias ela resolve voltar para sua tribo, o loiro vai atrás dela. Primeiro é atacado pela tribo, afunda na lama, é flechado, mas depois é aceito ( o forçam a transar com uma gorda e depois mostram como fazem o fogo).

Seus dois amigos chegam de noite, o levam desmaiado e roubam o fogo e algumas flechas. A menina os vê e vai atrás.

Transam papai-mamãe, depois se abraçam; Os outros dois se estranham.

Um deles é atacado por um urso. Os outros o carregam embora. Um homem parecido com eles os ataca. Os 3 o matam com as flechas.

Chegam de volta à ilhota. O fogo se apaga no lago. O loiro tenta fazer fogo, a menina ajuda.

Depois aparecem os dois sentados, abraçados, olhando a lua. Aparece a barriga dela, que está grávida, e ele a acaricia.

Acaba com a mesma cena do foco de fogo na paisagem.

Ficam como destaques inesquecíveis o comportamento muito peculiar dos tais guerreiros incumbidos na recuperação do fogo: há a cena em que um deles taca uma pesada pedra no outro e todos – inclusive o apedrejado, com a cabeça sangrando – têm um ataque de riso. É clássica ainda a cena em que algumas fêmeas ancestrais vão refrescar a garganta num riacho e uma delas, ali acocorada, é surpreendida sexualmente por um macho das cavernas. Bem, digo surpreendida por falta de palavra melhor, já que a tal fêmea não parece muito surpresa.

INÍCIO DA LINGUAGEM

O filme é uma interessante especulação a respeito da discussão sobre a naturalidade da linguagem falada e o que versa sobre a sua origem e ajuda a refletir sobre a questão.

O filme trata de dois grupos de hominídios pré-históricos: um que cultuava o fogo como algo sobrenatural e outro que dominava a tecnologia de fazer o fogo. Em termos de linguagem, o primeiro não está muito longe dos demais primatas, emitindo gritos e grunhidos quase na totalidade vocálicos (deixa perceber ao menos uma palavra que designava fogo – algo como ator). Esse tipo de comunicação assemelha-se ao que Rousseau considera, em seu Ensaio sobre a origem das línguas, como a primeira manifestação de linguagem no homem, que é a expressão de suas paixões, como a dor e o prazer. Já o segundo grupo parece ter uma comunicação mais complexa, com maior número de sons articulados. Há outros elementos culturais, como habitações e ritos, que denotam um maior grau de complexidade do segundo grupo com relação ao primeiro.

No que concerne apenas à questão da linguagem, uma possível interpretação seria a seguinte: em um determinado estágio de sua evolução biológica, o homem, já se locomovendo como bípede e tendo suas mãos livres, aprendeu a manipular instrumentos, a interferir no seu meio e a fazer, dentre outras coisas, o fogo. A necessidade de preservação desse conhecimento, dessa tecnologia, levou-o a sofisticar a sua capacidade de comunicação. A princípio, sua linguagem pode ter sido meramente gestual, mas ele descobriu que os sons também poderiam se prestar a essa função.

Assim como, ao tornar-se Homo Erectus viu-se com as mãos livres (antes usadas principalmente na locomoção) e descobriu que poderia usá-las para manipular as coisas; assim como, ao tornar-se Homo Sapiens descobriu que poderia usar essa capacidade de manipulação para interferir no seu meio; da mesma forma, descobriu que os órgãos utilizados para funções vitais como a respiração e a digestão, também serviam para emitir sons. A partir do momento em que aprendeu a diversificar os sons através das articulações, conseguiu aumentar as possibilidades de combinação entre eles. Uma vez estabelecidas determinadas convenções entre os seus semelhantes, possibilitou-se a troca de informações (como a tecnologia de fazer o fogo) de um indivíduo para o outro.

FÚRIA DE TITÃS

Há muitos e muitos anos atrás, os deuses Zeus (Liam Neeson), Poseidon (Danny Houston) e Hades (Ralph Fiennes) se uniram e destruíram seus pais, os Titãs, com a ajuda do Kraken, um monstro nascido da carne do próprio Hades. Em seguida, eles dividiram o Universo entre si: Zeus ficou com os céus, Poseidon ficou com os mares e Hades foi enganado por Zeus e forçado a governar o Submundo. Pouco depois, Zeus criou os humanos, cuja fé era o que dava poder aos Deuses. Porém, os humanos eventualmente se cansaram de serem manipulados pelos Deuses como peças de xadrez e começaram a questioná-los.

Muitos anos depois, um pescador chamado Spyros (Pete Postlethwaite) encontra um caixão flutuando na água e, dentro dele, uma mulher morta segurando um bebê, que ele e sua esposa adotam e batizam de Perseu (Sam Worthington). Anos depois, Perseu, agora adulto, e sua família estão pescando em alto-mar quando encontram soldados da cidade de Argo derrubando uma estátua de Zeus e declarando guerra aos Deuses.

Hades deixa o Submundo e convence Zeus a deixar que ele puna os humanos. Na Terra, Hades emerge das trevas, acompanhado de uma horda de Harpias, e mata não só os soldados como também a família de Perseu. O pescador é encontrado por Draco (Mads Mikkelsen), o líder da guarda real, e levado perante o Rei e Rainha de Argo, que comparam a beleza de sua filha, Andrômeda (Alexa Davalos) à de Afrodite. Momentos depois, Hades aparece e avisa que, como punição por esse comentário, Andrômeda deverá ser sacrificada ao Kraken em uma semana ou Argos será destruída. Ele também identifica Perseu como um semideus e o filho de Zeus.

Perseu é preso. Na cadeia, ele conhece Io (Gemma Arterton), que identifica-se como sua guia. Ela revela que foi amaldiçoada com a imortalidade após recusar-se a ser seduzida por um Deus e que Perseu é o único que pode derrotar o Kraken. O pescador concorda em ajudar para vingar-se de Hades e parte em busca das Bruxas Estígias ao lado de Draco e a guarda real. Ela também revela que Perseu é o filho de Zeus com Danäe, a esposa do Rei Acrísio) (Jason Flemyng), que foi punido com sua tentativa de renegar os Deuses com a queda de seu reino e sua transformação em um monstro.

O que eles não sabem é que Hades, que se alimenta do medo dos mortais, planeja usar o medo de Argos para ganhar poder e destronar Zeus, assumindo o comando do Olimpo. Hades encontra Acrísio, agora chamado Calibos, e lhe dá o poder para matar Perseu. Calibos ataca Perseu e seu grupo na floresta, pouco após Perseu receber de Zeus uma espada mágica que apenas ele pode usar e o cavalo alado Pégaso. Após um confronto, Calibos foge e, no processo, seu sangue traz à vida um exército de escorpiões gigantes que quase matam os heróis, que são salvos pelos Djinn, feiticeiros árabes que vivem no deserto e cujos corpos são feitos de madeira. Também querendo ver-se livres dos Deuses, os Djinn concordam em ajudar Perseu.

Eles encontram as Bruxas Estígias, que revelam que a única forma de destruir o Kraken é com a cabeça da górgona Medusa, que vive no Tártaro. Na saída, Perseu encontra-se com Zeus, que lhe entrega uma Dracma que ele usa para subornar Charron, o barqueiro do Submundo, a permitir que eles entrem no Tártaro sem estar mortos.

Após um violento confronto do qual apenas Perseu e Io emergem vivos, Perseu arranca a cabeça de Medusa. Na saída, ele é novamente atacado por Calibos, que mata Io. Perseu o destrói com a espada mágica de Zeus e parte para Argos em Pégaso para salvar Andrômeda, que já foi colocada à sacrifício pelo culto de Hades.

Após um confronto aéreo com as harpias de Hades, Perseu consegue usar a cabeça de Medusa para petrificar o Kraken, destruindo-o. Em seguida, ele usa a espada de Zeus, energizada por um relâmpago mágico, para expulsar Hades de volta para o Tártaro temporariamente.

Andrômeda é liberta e torna-se rainha de Argos. Ele oferece o trono de Rei a Perseu, mas ele recusa. Zeus o encontra novamente e o parabeniza por sua vitória. Pela ajuda que recebeu em reconectar humanos e Deuses e impedir Hades de dominar o Olimpo, Zeus revive Io, que reúne-se com Perseu.

 CHARLES DARWIN- 1809-1882 –  Influente cientista  britânico
O Naturalismo é a radicalização do Realismo. (1880) Essa nova escola literária baseava-se na observação fiel da realidade e na experiência, mostrando que o indivíduo é determinado pelo ambiente e pela hereditariedade. O Naturalismo esboçou os  primeiros passos do pensamento Teórico evolucionista. Exploravam temas como o homossexualismo, o incesto, o desequilíbrio que leva à loucura, criando personagens que eram dominados por seus instintos e desejos, pois viam no comportamento do ser humano traços de sua natureza animal.
No Brasil, a prosa naturalista foi influenciada por Eça de Queirós com as obras O crime do padre Amaro e O primo Basílio, publicados na década de 1870. Aluísio Azevedo com a obra O mulato, publicado em 1881, marcou o início do Naturalismo brasileiro, a obra O cortiço, também de sua autoria, marcou essa tendência. Em O cortiço a face completa do Naturalismo pode ser vista, pois o indivíduo é envolvido pelo meio, o cenário é promíscuo e insalubre e retrata o cruzamento das raças, a explosão da sexualidade, a violência e a exploração do homem.

1. O que Darwin descobriu? Charles Robert Darwin descobriu que todos os seres vivos, do mais sábio dos homens ao bacilo unicelular, podem ter sua linhagem ancestral traçada até o começo da vida sobre a Terra.

2. Por que isso foi tão explosivo no tempo de Darwin e por que ainda causa tanta polêmica?Antes de Darwin a ciência se retorcia em torno da crença religiosa segundo a qual todos os seres vivos tinham sido criados por Deus, cabendo aos homens apenas dar-lhes nomes. Nenhum cientista teve antes de Darwin argumentos e coragem intelectual de se opor à idéia religiosa da criação. As descobertas eram pateticamente adaptadas ao dogma religioso. Quando começaram a ser desenterrados ossos de dinossauros e outros animais extintos, o sábio francês Georges Cuvier ofereceu a mais extraordinária dessas adaptações: “São ossos de animais que não conseguiram embarcar na Arca de Noé e morreram no dilúvio bíblico”. Darwin quebrou esse paradigma e chocou-se de frente com a hierarquia religiosa protestante e católica. Ele o fez de maneira serena mas irrefutável colocando de pé uma doutrina que se assenta sobre cinco pontos.

3. Quais são as cinco teorias que sustentam Darwin até os dias atuais?
EVOLUÇÃO – O mundo vivo não foi criado nem se recicla perpetuamente. Os organismos estão em um lento mas constante processo de mutação.
O ANCESTRAL COMUM – Todo grupo de organismos descende de um ancestral comum. Os homens e os macacos atuais, por exemplo, divergiram de um mesmo ancestral, há cerca de 4 milhões de anos. Todos os seres vivos, em última instância, descendem de uma simples e primitiva forma de vida – a chamada “ameba original”.
MULTIPLICAÇÃO DAS ESPÉCIES – As espécies vivas tendem a se diferenciar com a passagem das eras. Darwin desenhou a primeira “árvore da vida” em que espécies “tronco” vão dando origem a outras que saem do veio principal como “galhos”.
GRADUALISMO – As populações se diferenciam gradualmente, de geração em geração, até que as espécies que seguiram por um “galho” da árvore da vida não mais pertençam à mesma espécie do “tronco” e de outros “galhos”.
SELEÇÃO NATURAL – É a teoria essencial do darwinismo. Ela se baseia no fato de que os seres vivos sofrem mutações genéticas e podem passá-las a seus descendentes. Cada nova geração tem sua herança genética colocada à prova pelas condições ambientais em que vive. A evolução é oportunista e randômica. O que é isso? Primeiro, o processo evolutivo seleciona (ou seja, mantém vivos e com mais chance de passar adiante seus genes) os animais e plantas cujas mutações são mais favorecidas pelo ambiente em que são obrigados a viver. Segundo, as mutações ocorrem ao acaso, e não com o objetivo de melhorar as chances de sobrevivência de quem as sofre. Um exemplo simples: os peixes primitivos não podiam tirar oxigênio diretamente da água. Alguns passaram por mutações que os dotaram dessa capacidade. Esses últimos se adaptaram melhor à vida aquática e hoje dominam os rios, lagos e oceanos.

4. A evolução é uma teoria ou uma lei natural? É uma teoria científica. Como tal, ela pode ser desmontada desde que surja uma única prova de que ela não funciona. Darwin disse que se alguém lhe apontasse um único ser vivo que não tivesse um ascendente sua teoria poderia ser jogada no lixo. Os neodarwinistas são ainda mais desafiadores: basta que se prove que um único órgão de um ser vivo (olhos, ouvidos, nadadeiras…) não teve origem em um proto-órgão (olhos, ouvidos, nadadeiras primitivas) e toda a teoria darwinista pode ser descartada.

5. Darwin fez tudo sozinho ou ele é mais um “filho do Iluminismo”, como ficaram conhecidos outros sábios que contestaram dogmas religiosos em seu tempo? O que Darwin fez como naturalista é quase miraculoso. Se ele não tivesse proposto a teoria da evolução, ainda assim seria lembrado como um dos gênios da humanidade. Seus trabalhos sobre botânica experimental, psicologia animal e classificação são obras que ainda hoje são leituras atuais e obrigatórias para os estudiosos. Muitos pré-darwinistas pavimentaram o caminho para Darwin, em especial no que diz respeito ao gradualismo. Sábios gregos e os chineses da Antiguidade admitiam que formas de vida podiam se transformar com o tempo ou mesmo desaparecer. Alfred Russel Wallace, contemporâneo de Darwin, desenvolveu de forma independente uma teoria da evolução. O que fez de Darwin único foi o rigor de seu método científico, sua capacidade multidisciplinar e o processo disciplinado de extrair conclusões com base em décadas de observação.

6. O que os chamados neodarwinistas acrescentaram ao trabalho original de Darwin?
Muita coisa. Depois do impacto original de suas idéias, Darwin caiu em um quase-esquecimento. As primeiras duas décadas da ciência genética no século XX pareciam minar o darwinismo. Se todas as mutações genéticas descobertas até então eram mutiladoras (retardamentos, membros atrofiados…), como as espécies podiam evoluir? Coube a três grandes neodarwinistas colocar ordem na casa. O primeiro deles foi o americano nascido na Alemanha, Ernst Mayr, que morreu em 2005, aos 100 anos. Mayr mostrou como funciona a seleção natural. Ele demonstrou que o isolamento era a chave da questão. Como ambientes isolados colocam pressões evolucionárias diferentes sobre uma mesma espécie, ela tende a mutar em diferentes direções até desgarrar totalmente do plantel original. O segundo foi George Gaylord Simpson, que desencavou os “ossos velhos”, os fósseis, que permitiram mostrar de maneira cristalina a evolução que produziu os cavalos atuais. O terceiro foi Theodosius Dobzhansky. Seu trabalho com moscas de frutas uniu os campos da genética com o darwinismo. Dobzhansky demonstrou que nem toda mutação é deletéria. O sucesso da mutação vai depender do ambiente onde o indivíduo vai viver.

7. Darwin disse que o homem descende do macaco? Não. Darwin escreveu que tanto os homens atuais quanto os macacos atuais tiveram antepassados primitivos. Mas essa tem sido a mais resistente falsidade sobre o darwinismo.

8. A briga da Igreja com Darwin vem do fato de ele ter tirado o homem da linhagem dos “anjos decaídos”? Sem dúvida. Darwin mostrou que a linhagem humana é fruto de pressões evolutivas em ação por milhões de anos tanto quanto qualquer outro ser vivo. Sob esse aspecto a humanidade nada tem de especial.

9. Darwin nunca foi desmentido em nada? Em edições posteriores de sua obra A Origem das Espécies…, Darwin sugeriu que os seres vivos poderiam passar características adquiridas para seus descendentes. Esse mecanismo, que ele tomou de empréstimo do francês Jean-Baptiste Lamarck (1744-1829), foi uma clara fraqueza de Darwin. Ele duvidou da seleção natural como único mecanismo de diferenciação. Ou seja, pelo menos por alguns anos Darwin acreditou na idéia, hoje absurda, de que a girafa tem pescoço comprido de tanto se esforçar para comer as folhas tenras do topo das árvores, as únicas que sobram em tempos de secas escaldantes. No fundo, Darwin sabia que primeiro o pescoço da girafa cresceu por mutação aleatória, e essa mutação se mostrou favorável nos períodos de seca inclemente, de forma que a natureza a selecionou para sobreviver até os dias de hoje.

Evolução da evolução

Uma idéia simples resolveu o mais complexo dos mistérios: o sentido da vida. Agora cientistas usam Darwin para desvendar mistérios maiores: da mente à origem do Universo. E o que eles encontraram é assustador

Texto Alexandre Versignassi e Rodrigo Rezende

 

E Charles Darwin criou o homem. Ou, pelo menos, inventou o que hoje nós conhecemos como homem. Antes dele, éramos o centro do Universo, a obra sublime da criação. Agora somos apenas mais uma entre milhões e milhões de espécies, um bicho de origem nada especial. Nada mesmo: a Teoria da Evolução deixou claro que todas as formas de vida que já pisaram na Terra são filhas da mesma tataravó – a história de como essa senhora, uma simples molécula, virou tudo o que existe hoje você vê no infográfico que começa aqui ao lado.

Assim, mostrando como a vida evolui, Darwin dispensou Deus do cargo de criador. E agora seus seguidores do século 21 querem fazer algo ainda mais chocante: mostrar que não passamos de escravos a serviço dos verdadeiros donos deste planeta. Ah, tem mais: a teoria de Darwin pode ter desvendado o segredo dos buracos negros. E mostrado não só que deve haver vida fora da Terra mas em universos paralelos também. Quer saber como? Então vamos embarcar no velho Beagle. Primeira escala: o inferno.

 

O inferno de Darwin

O solo repleto de lava negra estava coberto de lagartos e tartarugas mons­truosas. Caranguejos escarlates corriam por todos os lados. O calor era tão forte que atravessava as botas e queimava os pés. Cercado por uma vegetação composta de cactos de 3 metros de altura, girassóis do tamanho de árvores e arbustos desfolhados, Darwin escrevia em seu diário: “A superfície seca e crestada, aquecida pelo sol do meio-dia, deixava o ar abafado, quente como em um forno. Tínhamos a impressão de que até os arbustos cheiravam mal”.

“Esse lugar é o inferno!”, dizia Robert FitzRoy, capitão do navio de pesquisas Beagle, que levara o jovem Charles Dar­win às Galápagos, um arquipélago no oceano Pacífico. FitzRoy queria um cavalheiro a bordo para lhe fazer companhia. E o abonado Darwin, de 22 anos, acabou escolhido, principalmente porque estava estudando para virar padre – mas também porque FitzRoy gostou do formato do nariz dele, que “sinalizava profundidade de caráter”. O capitão tinha dois objetivos para a viagem. Um a serviço do Império Britânico: mapear a costa da Patagônia. Outro, pessoal: encontrar provas científicas de que o mundo tinha sido criado de acordo com o que está na Bíblia. Mal sabia ele que o assassino de Deus estava a bordo.

A paisagem infernal das Galápagos, onde aportaram em 15 de setembro de 1835, após quase 4 anos de expedição, era um paraíso para Darwin. Ele pintou e bordou com tudo o que pôde naquele lugar perdido no tempo. Pegou carona nas tartarugas (“Era difícil manter o equilíbrio.”), tirou onda com as iguanas (“Ela ficou olhando para mim como se quisesse dizer: Por que você puxou a minha cauda?”) e encheu o bucho de iguarias exóticas (“Tatu é um prato excelente quando assado em sua carapaça.”). De quebra tirou de lá a inspiração para a idéia mais importante e assustadora da história da ciência.

O gatilho para esse pensamento veio quando ele percebeu diferenças instigantes entre os bicos de uma espécie de passarinho das Galápagos, os tentilhões. Em uma ilha eles tinham bicos grossos, bons para quebrar nozes. Em outra, longos e finos, ideais para arranjar comida em frestas. Darwin imaginou que aquelas aves deviam ter se adaptado de algum jeito. Por mágica? Não: por um processo de seleção que levou gerações. Em ambas as ilhas teriam nascido pássaros de bico fino e de bico grosso. Naquela onde havia nozes para comer, só estes últimos teriam sobrevivido. A partir desse raciocínio simples, nascia um monstro.

De volta à Inglaterra, aos 27 anos, Dar­win estudou a fundo as 5 436 carcaças, peles e ossos que colecionara na viagem do Beagle e concluiu que TODAS as espécies do mundo tinham passado por processos de adaptação equivalentes ao dos tentilhões. Bem devagarzinho.

Imagine as asas dos pássaros, por exemplo. Pela lógica de Darwin, elas não nasceram prontas. Em algum ninho dos ancestrais dos pássaros, que não voavam, surgiu um mutante, um “patinho feio”, com uma pequena membrana que lhe permitia planar de vez em quando. Essa característica deu-lhe alguma vantagem na luta pela sobrevivência. E o bicho deixou mais descendentes que seus irmãos. A prole dele, que carregava a mesma mutação, também fez mais filhos, e por aí foi. Com o tempo, novos mutantes, novos patinhos feios, foram nascendo com asas cada vez melhores. E no fim das contas um novo tipo de animal se consolidava no planeta: os pássaros. Tudo às custas da extinção de outros bichos parecidos, só que menos adaptados à dureza da vida. “A produção de animais superiores é conseqüência da natureza, da fome e da morte”, escreveu Darwin.  

Nós mesmos, imaginou o inglês, não podíamos estar de fora. A diferença é que a evolução para a forma que temos hoje foi a partir de “macacos” (na verdade, animais parecidos com macacos) que foram desenvolvendo cérebros cada vez maiores, do mesmo jeito que os pássaros fizeram com as asas. E esses “macacos” vieram de outros bichos… Hoje sabemos de quem: de peixes mutantes que nasceram com a capacidade de respirar fora da água – nossos pulmões, por exemplo, vieram direto desses animais, que viviam em pântanos lamacentos.

Aí não tinha mais jeito. Darwin já sabia que não éramos “a imagem e semelhança de Deus”. Agora responda: o que você faria ao perceber que na sua cabeça existe uma idéia que pode abalar as crenças mais profundas de quase toda a humanidade? Darwin sentiu o peso, e ficou aterrorizado. Demorou mais de 30 anos para publicar a idéia em seu livro A Origem das Espécies, de 1859. E ainda assim o livro só saiu quando ele leu um artigo de Alfred Russel Wallace, um biólogo inglês. O texto continha uma teoria bem similar à da seleção natural, porém menos abrangente. Com medo de ser passado para trás, Darwin autorizou seu amigo Thomas Hux­ley a expor a Teoria da Evolução ao mundo científico, pois ele mesmo não teve coragem. “Foi como confessar um assassinato”, escreveu.

Por isso mesmo a teoria demorou para virar unanimidade entre os acadêmicos. Ela só foi aceita para valer quando outros cientistas, já no século 20, a refinaram com base na genética – a forma como os pais transmitem suas características aos filhos. Esse renascimento deu um gás novo à Teoria da Evolução. E na década de 1930 começava uma nova revolução: o neodarwinismo. Com ele, uma idéia aterradora começou a sair do forno: a de que você não passa de um robô. Era a Teoria do Gene Egoísta, que ganhou corpo nos anos 70. Para entendermos melhor essa história, vamos fazer outra viagem no tempo. Desta vez para uma época bem anterior à do Beagle. Mas com um destino igualmente infernal.  

 

Origem das espécies 2.0

Planeta Terra, 4 bilhões de anos atrás. Um mundo adolescente, infestado por vulcões, meteoritos e tempestades violentas. No mar desse inferno, moléculas de carbono encontraram um porto seguro. E começaram a se juntar, formando cadeias cada vez mais longas e complexas. Uma hora, como quem não quer nada, apareceu um estranho nesse ninho. Um acidente da natureza. Era uma molécula capaz de se replicar, de sugar matéria orgânica do ambiente e usar como matéria-prima para produzir cópias dela mesma. Motivo? Nenhum: ela fazia réplicas por fazer e pronto. Vai entender…

Essa aparição foi algo tão improvável quanto se esta revista (que também é feita de cadeias de carbono) comesse seus dedos agora e, a partir dos átomos da sua carne, pele e ossos, construísse uma cópia dela mesma. Improvável, mas foi exatamente o que aconteceu naquele dia. E não havia nada ali para conter o apetite da monstruosa molécula.

Ainda mais porque arranjar matéria-prima, ou seja, “comida”, nesse oceano primitivo era fácil: bastava “pescar” nutrientes na água. Assim ela cresceu e se multiplicou. Mas tinha um problema: nem sempre as réplicas saíam perfeitas. Às vezes acontecia um erro de cópia aqui, outro ali. Surgiam aberrações. “Um livro e tanto escreveria o capelão do Diabo sobre os trabalhos desastrados, esbanjadores, ineficientes e terrivelmente cruéis da natureza!”, escreveria Darwin sobre esse processo bilhões de anos depois.

Esses erros aconteciam bem de vez em quando: um a cada milhão de réplicas. Mas tempo é o que não falta nesse mundo. Então eles foram se acumulando mais e mais. Só que alguns não davam em aberrações. Muito pelo contrário. Algumas réplicas nasciam com uma mutação que as fazia se multiplicar mais em menos tempo. E não demorou para essas mutantes mais férteis dominarem o mar. Só isso já é um tipo de seleção natural. Mas a regra de Darwin só deu as caras para valer quando aconteceu o inevitável: o mundo ficou pequeno para tantos replicadores. Com a superpopulação, os ingredientes de que eles precisavam para fazer suas cópias rarearam. Era a primeira crise de fome no planeta.

A saída? Ir para a briga. Mas estamos falando de moléculas, que não têm lá muito poder de decisão. Foi aí que provavelmente surgiu uma mutação inédita, que permitia a algumas moléculas comer outros replicadores. Assim elas conseguiam eficiência total: arranjavam almoço e eliminavam rivais ao mesmo tempo. Mas o domínio não duraria para sempre. Com o tempo surgiram mutantes com capa protetora natural. Com essa armadura, dava para comer os rivais sem o risco de ser comido. Nasciam as primeiras células do mundo. “Os replicadores deixavam de meramente existir e começavam a fazer contêineres para eles, veículos para que pudessem continuar vivos. Os que sobreviveram foram os que construíram ‘máquinas de sobrevivência’ para si”, escreveu o mais notório dos neodarwinistas, o zoólogo Richard Dawkins, da Universidade de Oxford, na Inglaterra.

Não demorou para virem células mutantes ainda mais terríveis contra as rivais. Elas tinham o poder de juntar forças com outras células e atacar unidas. E de fazer cópias de si mesmas numa tacada só, como se todas fossem uma única molécula. Surgiam os primeiros seres multicelulares.

E eles ficaram cada vez mais complexos: suas células passaram a assumir funções distintas para operar sua máquina de sobrevivência. Faziam como soldados num tanque de guerra: umas ficavam a cargo da locomoção, na forma de nadadeiras; outras, dos “satélites” para encontrar comida (visão, olfato).

E o progresso nunca parou. Tanto que hoje boa parte dos replicadores vive em “robôs” imensos, feitos de milhares de trilhões de células. Agora os chamamos de genes, e eles estão dentro de nós. Somos sua máquina de sobrevivência.   

 

O sentido da vida

Genes mutantes e as pressões da seleção natural fizeram essa obra esplêndida que você vê no espelho todas as manhãs. Uma caminhada e tanto. Mas uma coisa não mudou desde os tempos da primeira molécula replicadora. Aquele objetivo irracional continua intacto: tudo o que os genes querem é fazer cópias de si mesmos. Foi para isso que eles criaram nosso corpo e nossa mente. E agora nos comandam lá de dentro, por controle remoto, para que trabalhemos em nome de sua preservação. A razão da existência? Lutar para que os genes façam cópias deles mesmos do melhor jeito possível.

E, para os neodarwinistas, esse egoísmo dos genes é a chave para descobrir como a nossa mente funciona. O próprio Darwin tinha escrito, no final de A Origem das Espécies: “Agora a psicologia se assentará sobre um novo alicerce”. Demorou, mas aconteceu. Uma nova ciência da mente ganhou terreno no final do século 20. Foi a psicologia evolucionista, que usa Darwin e a mecânica dos genes para entender o que se passa aí dentro da sua cabeça.

Premissa número 1 dessa ciência: a mente já nasce quase pronta. Ela não é uma folha em branco, em que qualquer coisa pode ser “escrita”, como muitos filósofos e cientistas sociais defendem. Do ponto de vista da psicologia evolucionista, não faz sentido dizer que a cultura molda o nosso comportamento. Ela afirma que sua mente foi forjada ao longo de toda a evolução. E que você vem ao mundo com todos os “softwares” instalados no “hardware” da sua cabeça. Seus desejos, sua personalidade e tudo o mais dependem desses programas mentais. Nossa margem de manobra é pequena. E tem outra: a mente humana ganhou os soft­wares que tem hoje nos últimos 200 000 anos, quando nossa espécie, o Homo sapiens, veio ao mundo. Passamos 97% desse tempo em bandos nômades, que viviam da caça e da coleta. Nossa mente, então, não passa de uma ferramenta da Idade da Pedra tentando se virar num mundo que não existe mais. Do ponto de vista dos nossos genes, ainda estamos no Paleolítico, uma época sem faculdade, carreira, dinheiro ou anticoncepcionais. Uma época em que só duas coisas realmente contavam:

 

Sexo e violência

Se ainda sobrou alguma coisa que você queria saber sobre sexo, mas não tinha coragem de perguntar, talvez a resposta dos evolucionistas sirva: ele é a forma que os genes arrumaram para melhorar as defesas da sua máquina de sobrevivência. Por exemplo: se você tem um sistema imunológico que não sabe se defender de algum vírus, e tudo o que você sabe fazer para se reproduzir são cópias de si mesmo, como aquelas primeiras células, seus rebentos vão ter esse problema. E o clã inteiro vai mor-rer no caso de um ataque.

Agora, se você combina seus genes com o de um ser imune ao tal vírus, a história é outra: teo-ricamente, só uma parte do clã morreria. E o resto continuaria passando seus genes adiante como se nada tivesse acontecido.     

Ao criar esse tipo inovador de reprodução, a seleção natural tratou de dividir o trabalho entre dois tipos de fun­cionários especializados. Um teria a função de tentar pôr seus genes em qualquer máquina de sobrevivência que cruzasse seu caminho. O outro selecionaria entre esses primeiros quais têm os melhores genes para compartilhar e cuidaria da cria que os dois tivessem juntos. Em outras palavras, o mundo se dividia entre machos e fêmeas (em algumas espécies, os papéis se invertem: os filhotes ficam a cargo dos machos, então eles é que são os mais paquerados).

Enfim, ao ganhar o poder de decidir quais machos terão filhos e quais ficarão na prateleira, as fêmeas assumiram o controle da evolução na maioria das espécies. E, para a psicologia evolutiva, é isso que determina aquilo que mais importa na vida: a propagação dos nossos genes, coisa também conhecida como vida afetiva e sexual.

O sexo, hoje, tem pouca relação com o ato de fazer filhos. Você sabe. Nenhum adolescente pensa em engravidar 10 meninas quando vai viajar para o Carnaval. Mas os genes dele não fazem idéia de que existem camisinhas e tudo o mais, então deixam o rapaz com vontade de transar com 10 garotas e pronto. Se tudo der certo, esses genes poderão instalar-se no útero de um monte de meninas e construir um monte de bebês (várias máquinas de sobrevivência novinhas em folha!).

Do ponto de vista das fêmeas a história é outra: transar com 10 sujeitos num feriado não vai “render” 10 filhos para os genes dela se instalarem. Vai dar é uma baita dor de cabeça. Os contraceptivos poderiam deixá-las livres para fazer sexo só pelo prazer com um monte de seres do sexo oposto, como qualquer homem faz (ou tenta fazer). Mas não. O cérebro delas evoluiu para selecionar os melhores parceiros, ter poucos (e bons) filhos, não para tentar a sorte com qualquer um. Sem falar que, do tempo dos nossos ancestrais caçadores-coletores até o século 20, sexo casual para elas era correr o risco de acabar com um bebê indesejado. Aí não tem ideologia liberal nem pílula que dê conta de superar esse “trauma” evolutivo.

Psicólogos da Universidade Stanford, nos EUA, checaram isso com uma experiência simples. Contrataram homens e mulheres atraentes para abordar estudantes e dizer: “Você gostaria de ir para a cama comigo hoje?” Nenhuma mulher aceitou. Já as garotas tiveram resultados melhores: 75% dos homens toparam no ato. Dos 25% restantes, a maioria pediu desculpas, explicando que tinha marcado de sair com a namorada. Pois é: do ponto de vista da seleção natural, uma bela fêmea disponível é um bem valioso demais para ser desperdiçado. Nenhum homem se surpreende com isso (o pessoal da obra não está só brincando quando diz “ô, lá em casa!”), mas para as mulheres a verdade da psicologia evolucionista pode soar assustadora: “O desejo de variedade sexual nos homens é insaciável. Quanto maior for o número de mulheres com quem um homem tiver relações, mais filhos ele terá [pelo menos é o que “pensam” os genes]. Então demais nunca é o bastante”, escreveu outro guru do neodarwinismo, o psicólogo Steven Pinker, da Universidade Harvard, nos EUA.

Esse apetite todo também ajuda a explicar as raízes de outro comportamento ancestral: a violência. Os despojos de guerra mais comuns nos conflitos tribais sempre foram as mulheres. Não é à toa que uma das lendas sobre a fundação de Roma, que aconteceu no século 8 a.C., celebra o dia em que os primeiros romanos atacaram uma tribo vizinha, a dos sabinos, e raptaram as mulheres deles para começar sua civilização. Não dá para não dizer que deu certo.

E esse é o ponto: às vezes a violência é, sim, o melhor jeito de conseguir alguma coisa. Então não há mistério para a psicologia evolucionista: como a violência funcionou ao longo da história, está impregnada nos nossos genes. “Os bebês só não matam uns aos outros porque não lhes damos acesso a facas e revólveres”, disse o pediatra e psicólogo Richard Tremblay, da Universidade de Montreal, em uma entrevista à revista americana Science. A grande questão, ele completa, não é como as crianças aprendem a agredir, mas como elas aprendem a não fazer isso.

Intrigante, mas o psicólogo evolucionista Eduardo Ottoni, da USP, tem a resposta na ponta da língua: “A coisa mais complicada na vida de um primata é a capacidade de se virar em sociedades complexas. E se dar bem socialmente não é dar bifa em todo mundo”. Então nada melhor que um pouco de altruísmo com alguns para ficar bonito na foto. Os morcegos que o digam: entre as espécies que se alimentam de sangue, a vida não é fácil. Nem sempre dá para voltar pra caverna com o almoço na barriga. Mas os que conseguiram sangue durante o dia dão uma força aos malsucedidos, oferecendo a eles o sangue que sobrou na boca. Mas não tem conversa: quem não retribuir a oferta quando a situação for inversa fica com a reputação manchada e é banido do almoço grátis.

Mas em alguns casos somos altruístas sem querer nada em troca, nem inconscientemente. Isso acontece quando se trata das nossas famílias. E é aí que, para os neodarwinistas, fica mais clara a forma como os genes nos dominam.

 

Sangue do meu sangue

Você é uma máquina de sobrevivência dos seus genes, que o usam para se reproduzir. Ok. Mas o que aconteceria se esses genes tivessem construído um cérebro capaz de detectar cópias deles em outro corpo? O seguinte: eles também lutariam pela sobrevivência desse corpo. Fariam você se sentir aliviado com bem-estar dele.

O fato é que os genes construíram esse sistema de detecção. Todos os cérebros têm isso em algum grau. E o altruísmo puro é exatamente o que acontece quando dois animais são parentes próximos.

Existe uma chance em duas de que qualquer um dos seus genes esteja no seu irmão ou no seu filho. E 1 em 8 de que esteja em um primo. Sendo assim, o que o neodarwinismo diz é: você não “ama” seus filhos e irmãos. São seus genes que vêem neles maneiras de se perpetuar. E é por isso que você os ajuda. O geneticista John Haldane (1892-1964), um dos pioneiros do neodarwinismo, quis deixar isso claro quando lhe perguntaram se ele daria a vida por um irmão. A resposta: “Não. Mas daria por 2 irmãos ou 8 primos”.

O mesmo vale para quando nos apaixonamos. Se você ama alguém, quer ter filhos com essa pessoa, quer colocar seus replicadores ali e se esfolar para cuidar dos rebentos. Aí, para o futuro dos genes, sua vida só faz sentido se aquela pessoa existir. E o sentimento é tão poderoso que parece eterno enquanto dura.

Outra coisa que determina a hierarquia entre parentes é a expectativa de que eles se reproduzam. Daí os pais se sacrificarem mais pelos filhos do que os filhos pelos pais. Responda rápido: se você tivesse que decidir entre a morte de 20 estranhos e a vida do seu filho, ficaria com qual opção? Ou melhor: existe algum número de pessoas que valha a vida de um filho? Para a psicologia evolucionista, não. Para o Zé Mané do boteco e a dona Cleide da quitanda também não. O egoísmo dos genes aí dentro é maior do que tudo o que tem do lado de fora.

 

A evolução do Universo

Falando em lado de fora, e o lado de fora? A evolução seria um fenômeno circunscrito à vida na Terra ou algo universal, como as leis da física? O físico Lee Smolin, do Perimeter Institute, no Canadá, fica com a opção número 2.

Smolin mandou as regras de Darwin para o espaço. Literalmente: criou uma teo­ria que aplica a seleção natural ao Universo inteiro. E foi além. Para ele (e outros físicos), nosso Universo é só mais um entre bilhões e bilhões. Todos juntos num Cosmos imensurável que podemos chamar de Multiverso. Nesse cenário, os universos são os indivíduos, os replicadores. Cada um lutando para fazer mais e mais cópias de si mesmo.

Bom, este Universo aqui começou quando toda matéria, tempo e espaço que conhecemos estavam espremidos em algo infinitamente pequeno. Esse pontinho explodiu no “dia” do big-bang, há 13,7 bilhões de anos, e agora estamos aqui. Mas tem uma coisa: existem alguns lugares no Universo em que tudo também está espremido desse jeito agora mesmo. São os buracos negros, que sugam tudo o que está à volta deles, inclusive tempo e espaço. Por isso, Smolin imagina que dentro de cada buraco negro há um big-bang acontecendo. E os buracos seriam como “gametas” cósmicos: dariam à luz novos universos, parecidos com o “pai”. Então Smolin considera que as “espécies” mais bem-sucedidas no Multiverso são justamente as que produzem mais buracos negros – a “prole” delas vai ser seguramente maior.

Lembre-se que buracos negros são estrelas mortas. E daí? Daí que, quanto maior for o número de estrelas, maior vai ser o de “gametas”. Mais: as nuvens de matéria onde as estrelas nascem precisam ser bem frias (por motivos que só teríamos como explicar com uma página inteira, e bem chata). Bom, e sabe que tipo de coisa é o que há de melhor para esfriar essas nuvens cósmicas? Moléculas de carbono. Elas mesmas, as que deram o pontapé inicial na vida por aqui. Quanto mais delas houver por aí, mais “filhos” um Universo vai gerar. E nós, os descendentes dessas moléculas, seríamos um mero subproduto da verdadeira seleção natural, a do Cosmos. Parece desolador, mas, se for isso mesmo, podemos nos orgulhar de saber que as leis de Darwin governam tudo isso.

Ou até mais do que isso. Baruch Spinoza, um filósofo holandês do século 17, defendia que Deus e Universo são apenas dois nomes para uma coisa só; que o Criador não é exatamente um criador, mas a grande regra que move o Cosmos. Se você gosta desse ponto de vista (Albert Einstein gostava) pode dizer tranqüilamente: Charles Darwin não matou Deus. Só descobriu onde ele estava.

 

Três fatos sexuais da evolução que nunca ensinam na escola:

1. Os macacos bonobos têm testículos gigantes. É que as fêmeas deles transam com todo mundo, então a competição acontece dentro dos testículos: quem faz mais espermatozóides consegue se reproduzir.

2. Os homens de todas as culturas preferem as mulheres com “corpo de violão”, também conhecidas como gostosas. É que quadris largos, cintura fina e seios generosos são sinais de que a moça é bem fértil.

3. Em algumas espécies de aves monogâmicas um terço dos filhotes nasce de casos extraconjugais – a fêmea busca os genes de machos mais fortes e faz o dedicado marido cuidar de rebentos que não são dele. Nota: isso também acontece com humanos. 

 

Aqui começa a história da vida na Terra. No centro, está o ancestral comum de todas os seres vivos, que viveu há 3,9 bilhões de anos. Foi uma mera molécula de carbono e suas 3 filhas que deram o pontapé inicial na jornada da vida.

 

1. Molécula mãe

No princípio, há uns 4 bilhões de anos, eram moléculas de carbono que aprenderam a fazer cópias de si mesmas. Cerca de 100 milhões de anos depois surgiam moléculas com uma armadura de proteína. Eram as primeiras células, que dariam origem a tudo o que existe de vivo hoje.

 

2. Pioneiras bem-sucedidas

Há 3,9 bilhões de anos, as células não passavam de um pacote de DNA protegido por uma capa – sem “órgãos internos”, como a mitocôndria. Até hoje há muitas bactérias assim. Muitas mesmo: se juntarmos só as que vivem hoje debaixo da terra, elas cobririam o planeta todo com uma camada de 15 metros de espessura.

 

3. Células 2.0

Num dia qualquer, há pouco mais de 2 bilhões de anos, uma célula bacteriana entrou em outra. Foi o princípio de um casamento duradouro e feliz. A invasora foi a mitocôndria, uma bactéria que passou a funcionar como um turbo para a célula invadida, fornecendo energia em quantidades colossais. Deu tão certo que até hoje elas vivem juntas: todas as células de plantas e animais (as chamadas eucariontes) são formada por esse par.

 

4. Herói da resistência

Há cerca de 3,5 bilhões de anos, surgiu um parente das bactérias: a arquea. Ela tem características corporais que garantem o título de campeã da resistência entre as formas de vida. Chega a morar até em lugares como gêiseres, onde suporta temperaturas superiores a 100 0C. 

 

Plantas e fungos separam-se de nós e seguem seu caminho. No reino animal, a variedade aumenta: surgem os primeiros animais com cérebro, olhos e exoesqueleto. Entre eles, nosso tataravo

 

1. Fábricas de oxigênio

Algumas células desenvolvem uma nova habilidade: passam a comer o carbono das moléculas de CO2. E o que sobra como “fezes” nesse processo é outro gás, o oxigênio. Era a fotossíntese das primeiras plantas da Terra, as algas, que encheria a atmosfera com o gás essencial para a vida.

 

2. Vida simples

As células eucariontes fundavam mais dois ramos: o dos fungos, que são parecidos com plantas, mas não fazem fotossíntese, e o dos protozoários, os animais unicelulares. Mas quem daria o que falar seria outro ramo, o do item 3.

 

3. Vida complexa

Depois de mais de 1 bilhão de anos com as algas produzindo oxigênio a rodo, as células, que usam o gás para produzir energia, ganham força e surgem seres complexos, multicelulares. É a explosão de vida que aconteceu entre os Períodos Vendiano e Cambriano. Surgiam ali os ancestrais diretos dos animais de hoje.

 

4. Escafederam-se

Mas a maior parte da exuberância surgida no Cambriano ficou por lá mesmo e não deu em nada. Uma grande extinção matou quase todos os bichinhos. Os poucos que sobraram deram origem a todos nós.

 

5. Primeiros olhos

Com as formas de vida ficando mais variadas, a natureza começa a fazer experiências que se consagrariam: as primeiras cabeças e olhos surgem em vermes como os platelmintos.

 

6. Seu tataravô

No meio dessa gangue de invertebrados apareceu um bichinho besta parecido com os girinos de hoje. Ele é seu ancestral direto. O rabinho atrás dele foi o que deu origem a nossa coluna vertebral. 

 

Frio destrói o planeta. Depois o calor faz a mesma coisa. Mesmo assim, a vida segue firme, com plantas e insetos gigantes. E chega o bisavô da gente, dos dinossauros e dos sapos

 

1. Resfriamento global

Uma extinção há cerca de 450 milhões de anos varreu 85% das espécies – sorte sua que nossos ancestrais se safaram. A provável causa é irônica para nós, que tememos o efeito estufa: um resfriamento global.

 

2. 3 peixes e 1 destino

Nosso ancestral sobrevivente é o peixe sem mandíbula, pai dos peixes comuns e dos que dariam origem a nós: os de nadadeiras grossas. Essas nadadeiras, por sinal, logo mostrariam a que tinham vido. Veja no item 5.

 

3. Ar anabolizado

No início do Carbonífero, o clima quente e úmido oferecia condições ideais para o crescimento de árvores gigantes, com mais de 30 metros. A fotossíntese delas fez o oxigênio compor 35% da atmosfera – hoje, por exemplo, esse nível é de apenas 20%.

 

4. Fuga para a terra

O mar estava superpopulado. Fugir para a terra firme virou a alternativa para alguns invertebrados. Deles viriam os insetos modernos.

 

5. Peixe fora d’água

Peixes que viviam em pântanos transformaram aquelas nadadeiras grossas em 4 patas. E originaram os vertebrados terrestres.

 

6. Invasão dos insetos

O ar cheio de oxigênio foi um baita negócio para os bichos mais energéticos, como os insetos: alguns chegaram a medir quase 1 metro.

 

7. Efeito estufa

Há 250 milhões veio a maior extinção da história: 95% das espécies. Motivo provável: erupções vulcânicas teriam aumentado a concentração de CO2 , elevando a temperatura além da conta. As maiores perdas foram no mar. 

 

Uma extinção abre caminho para os dinossauros dominarem a Terra. Outra os manda embora de uma vez só. Enquanto isso o mundo fica mais colorido e surge nosso avô, um “quase-ratinho”.

 

1. Rei morto, rei posto

Há 230 milhões de anos um grupo de répteis dominava a Terra. Dinossauros? Não: os terapsídios, ancestrais dos mamíferos. Mas uma extinção os varreu do planeta há 200 milhões de anos. E deixou o caminho livre para os dinos.

 

2. Era das flores

As florestas ficavam mais coloridas. As plantas com flores inventaram um novo método de reprodução: usar insetos para transportar seu gametas, em vez de atirá-los no ar. E logo elas dominariam 80% da vegetação.

 

3. Dinos aquáticos

O mar não estava só para peixe, estava também para plesiossauros e ictiossauros, os dinos aquáticos. Eles morreram milhões de anos antes dos terrestres. Suspeita-se que foi por falta de comida depois que um tipo de lula, seu prato favorito, extinguiu-se.

 

4. Come-quieto

Os primeiros mamíferos eram menores que ratos e viviam de comer insetos – embora alguns chegassem a 1 metro de comprimento. Mesmo assim, se esses pioneiros não tivessem se escondido dos dinos, você não estaria aqui.

 

5. Impacto profundo

Há 65,5 milhões de anos, um asteróide acertou a Terra. Resultado: tsunamis de 150 metros, terremotos colossais e uma onda de choque que ensurdeceu os sobreviventes. Mais de 70% dos animais pereceram. E não sobrou dino algum.

 

6. Casa nova

O meteoro que matou os dinossauros fez a alegria dos anfíbios. Ao destruir os dinos herbívoros, facilitou o crescimento de selvas, que serviram de lar para eles. Na época, as 5 espécies sobreviventes deram à luz 86% das espécies de sapos e 95% das de salamandras atuais. 

 

Tábula Rasa

Steven Pinker, Companhia das Letras, 2004.

 

O Relojoeiro Cego

Richard Dawkins, Companhia das Letras, 2001.

 

A Vida no Cosmos

Lee Smolin, Unisinos, 2004. 

 

Estima-se que haja 10 milhões de espécies hoje, embora só 1,4 milhão estejam catalogadas. Mesmo assim, é a ponta do iceberg: 99% das formas de vida que já passaram pela Terra não estão mais entre nós. E as extinções continuam.

 

1. Mundo mamífero

Com a Terra livre dos dinossauros, aqueles mamíferos do tamanho de ratinhos ficaram com o terreno livre para crescer e se multiplicar.

 

2. Quem dera ser um peixe

Não só os mamíferos se deram bem na época. Alguns peixes tiveram um upgrade, que lhes deu mais agilidade e força. Resultado: viraram o grupo dominante dos vertebrados, com 50% das espécies.

 

3. Nem macaco nem homem

Há 6 milhões de anos nascia o último ancestral comum de homens e chimpanzés, um ser ainda desconhecido do ramo dos primatas. Um milhão de anos depois ele evoluiria para o australopiteco. E dele para nós foi um pulo, pelo menos do ponto de vista do planeta.

 

4. E chega o homo sapiens

O australopiteco gerou o Homo erectus, que gerou o Homo heidelbergensis, que teve dois gêmeos há 200 000 anos: o Homo neanderthalensis e o Homo sapiens. Aí fizemos o que Caim fez com Abel na Bíblia: os matamos. E há 30 000 anos somos a única espécie humana na Terra.

 

5. Extinção artificial

Agora nós é que promovemos extinções em massa. Sete em cada 10 das principais espécies de peixes marinhos – que juntas somam 30% de tudo o que se pesca – já foram superexploradas. Quer dizer: se a predação humana continuar como está, elas devem se extinguir nas próximas décadas.

ÍNDICE HISTÓRICO

PERIODIZAÇÃO DA PRÉ-HISTÓRIA

Baseada numa visão evolucionista do processo histórico.

· Paleolítico

· Neolítico

· Idade dos Metais

PALEOLÍTICO OU IDADE DA PEDRA LASCADA –(2 milhões de anos até aprox 10.000 a.C)

              

Por viver da caça e da coleta o homem era nômade e vivia coletivamente.

Nessa época ocorreu uma importante evolução física no homem, surgiram os primeiros homens modernos, isto é, da espécie Homo sapiens, acompanhada de evolução cultural, que dura até os nossos dias.

– regime de comunidade primitiva

– atividades econômicas: caça, pesca e coleta de frutos, raízes e ovos.

– instrumentos rudimentares feitos de ossos, madeiras ou lascas de pedra (sílex): raspadores, furadores.

– nomadismo.

– habitação: cavernas, copa de árvores ou choças feitas de galhos.

– propriedade coletiva das terras, águas e bosques.

– pintura rupestre.

– sepultamento dos corpos.

– usa traje de pele para se abrigar do frio.

– usa o fogo para cozimento de alimentos e defesa contra animais

NEOLÍTICO OU IDADE DA PEDRA POLIDA-(Aprox 10.000 – 4.000 a.C)

          

 

Pode chamar de abraço eterno. Arqueólogos na Itália descobriram um casal enterrado entre 5.000 e 6.000 anos atrás, se abraçando. Quase certamente um homem e uma mulher, embora ainda não tenha sido confirmado, morreram jovens, porque suas arcadas dentárias estavam quase inteiramente intactas e não estavam gastas.

Ocorreram grandes transformações no clima e na vegetação. O continente europeu passou a contar com temperaturas mais amenas e observamos a formação do Deserto do Saara, na África.
As práticas da caça e da coleta se tornaram opções cada vez mais difíceis. A agricultura e o conseqüente processo de sedentarização do homem se estabeleceram gradualmente. Além disso, a domesticação animal se tornou uma prática usual. A estabilidade obtida por essas novas técnicas de domínio da natureza e dos animais também possibilitou a formação de grandes aglomerados populacionais.

– Melhoria nas habitações: o homem sai das cavernas e mora em casas (paliçadas e palafitas) construídas por ele, formando aldeias

– Utilizou o barro para fazer potes e jarros de cerâmica

– Fez jangadas, canoas e barcos e navegou pelos mares.

– Melhorou os trajes com os teares manuais que faziam roupas de fibras vegetais (linho) e lã.

– Fixou-se na terra e desenvolveu a agricultura, inclusive com o arado de tração animal. Muitas tarefas agrícolas ficaram ao cargo das mulheres, enquanto os homens se dedicavam à caça, à pesca e às tarefas pesadas.

– Dedicou-se à domesticação de animais para a alimentação e transporte.

– Com a invenção da roda apareceram carroças rudimentares.

– Manifestação de religião primitiva baseada nos fenômenos da natureza.

– Aparecem monumentos e construções com grandes pedras, provavelmente por motivos religiosos.

– Com a revolução agrária o homem tornou-se sedentário.

– Teve início a transição do coletivismo para o individualismo.

– Agrupados em comunidades, firmaram os rudimentos das trocas das propriedades e da urbanidade.

-Revolução Neolítica ou Agrícola: cultivo de plantas

– importância da mulher.

– aumento da população.

IDADE DOS METAIS -(aprox 5.500 a 3.500 a.C)

      

É o último período da Pré-História e compreende os 2 últimos milênios antes do surgimento da escrita, em 3.500 a.C. É caracterizada pela substituição das ferramentas de pedra por aquelas de metal. O 1º metal utilizado foi o cobre; posteriormente, através da mistura do cobre e do estanho, o homem obteve o bronze, utilizado para fazer armas mais poderosas; finalmente, passou a utilizar o ferro em 1500 a.C.

Através do domínio de técnicas de fundição, o homem teve condições de criar instrumentos mais eficazes para o cultivo agrícola, derrubada de florestas e a prática da caça. Além disso, o domínio sobre os metais teve influência nas disputas entre as comunidades que competiam pelo controle das melhores pastagens e áreas férteis. Assim, as primeiras guerras e o processo de dominação de uma comunidade sobre outra contou com o desenvolvimento de armas de metal.

– As aldeias agrícolas crescem e dão lugar aos centros urbanos com vários melhoramentos. Vão surgindo cidades-estados e pequenos reinos com poder centralizado, gerando aumento da população.

– Surgem novas armas, mais poderosas, o que permitiu a alguns reinos dominarem outros pela guerra, formando-se assim os primeiros impérios com a presença de escravos.

– As novas civilizações procuram-se desenvolver-se perto dos grandes rios e vales.

– agricultura tomou impulso com novas técnicas (drenagem, irrigação) e novos instrumentos.

– aparece o comércio (à base de trocas), a navegação progride com barcos a vela.

– aparecimento das classes sociais e da produção destinada a troca e não somente ao consumo pessoal.

– desigualdade social.

– propriedade privada.

– Estado.

– Civilização: sociedades baseadas no regime de servidão coletiva, de Estado absoluto (sociedades asiáticas: Egito e Mesopotâmia); e sociedades escravistas (Grécia e Roma).

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PERIODIZAÇÃO DA HISTÓRIA

A periodização tradicional ou cronológica da História, começou a ser utilizada no século XVIII, na Europa. Segundo essa visão, a História poderia ser dividida em Idades, marcadas pelos fatos históricos que determinam início e fim de cada uma. Vejamos:

– IDADE ANTIGA

     

Foi o período que se estendeu desde a invenção da escrita (4000 a.C. a 3500 a.C.) até a queda do Império Romano do Ocidente (476 d.C.) e início da Idade Média (século V). Neste período temporal verificamos que as chamadas civilizações antigas, que conhecem a escrita, coexistem com outras civilizações, escrevendo sobre elas (Proto-História).

Diversos povos se desenvolveram na Idade Antiga. As civilizações de regadio – ou civilizações hidráulicas – (Egito, Mesopotâmia, China), as civilizações clássicas (Grécia e Roma), os Persas (primeiros a constituir um grande império), os Hebreus (primeira civilização monoteísta), os Fenícios (senhores do mar  e do comércio), além dos Celtas, Etruscos, Eslavos, dos povos germanos (visigodos, ostrogodos, anglos, saxões, etc) e outros.

A Antiguidade foi uma era importantíssima, pois nessa época tivemos a formação de Estados organizados com certo grau de nacionalidade e territórios e organização mais complexas que as cidades que encontramos antes desse período da história.

Algumas religiões que ainda existem no mundo moderno tiveram origem nessa época, entre elas o cristianismo, o budismo, confucionismo e judaísmo.

O próprio estudo da história começou nesse período com Heródoto e Tucídides, gregos que começaram a questionar o mito, a lenda e a ficção do fato histórico, narrando as Guerras Médicas e a Guerra do Peloponeso respectivamente.

– IDADE MÉDIA

    

O período da Idade Média foi tradicionalmente delimitado com ênfase em eventos políticos. Nesses termos, ele teria se iniciado com a desintegração do Império Romano do Ocidente, no século V (476 d. C.), e terminado com o fim do Império Romano do Oriente, com a Queda de Constantinopla, no século XV (1453 d.C.).

 – IDADE MODERNA

    

É um período específico da História do Ocidente. Destaca-se das demais por ter sido um período de transição por excelência. Tradicionalmente aceita-se o início estabelecido pelos historiadores franceses, 1453 quando ocorreu a tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos, e o término com a Revolução Francesa, em 1789.

– IDADE CONTEMPORÂNEA

    

A idade contemporânea é o período específico atual da história do mundo ocidental, iniciado a partir da Revolução Francesa (1789 d.C.).

O seu início foi bastante marcado pela corrente filosófica iluminista, que elevava a importância da razão. Havia um sentimento de que as ciências iriam sempre descobrindo novas soluções para os problemas humanos e que a civilização humana progredia a cada ano com os novos conhecimentos adquiridos.

Com o evento das duas grandes guerras mundiais o ceticismo imperou no mundo, com a percepção que nações consideradas tão avançadas e instruídas eram capazes de cometer atrocidades dignas de bárbaros. Decorre daí o conceito de que a classificação de nações mais desenvolvidas e nações menos desenvolvidas tem limitações de aplicação.

Atualmente está havendo uma especulação a respeito de quando essa era irá acabar, e, por tabela, a respeito da eficiência atual do modelo europeu da divisão histórica.

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A Evolução Humana

As “Etapas da Evolução” são as fazes pelas quais o homem passou.

Primatas: Eles viveram ha cerca de 70 milhões de anos atrás. Eles habitavam árvores e se alimentavam de folhas e insetos.

Homonóides: Eram primatas que viveram aproximadamente entre 22 a 24 milhões de anos atrás. Eles tinham tamanho de um pequeno gorila, eles habitavam árvores e desciam ao solo. Eles eram quadrúpedes e, de vez em quando, caminhavam sobre duas patas.

Hominídeos: Eles viveram há cerca de 3 a 1 milhão de anos atrás. Ele já andava ereto (postura ereta) , e usava os longos braços para se pendurar em árvores, coletar frutos e para tacar pedras em animais.

Homo Habilis: Ele foi o primeiro hominídeo do gênero homo. Viveu por volta de 2 milhões a 1,4 milhão de anos. Ele fabricava ferramentas simples, e usava uma linguagem rudimentar.

Homo Erectus: Viveu entre 1,6 milhão a 150 mil anos atrás. Fabricava instrumentos de pedra mais complexos e cobria o corpo com peles de animais. Eles viviam em grupos que tinha mais ou menos 30 membros, usava uma linguagem mais sofisticada e foi ele quem descobriu o fogo.

Homem de Neandertal: Viveu entre 300 e 30 mil  anos atrás, era habilidoso. Enterrava os mortos em cavernas e deixavam comidas e objetos como oferendas. Conviveu com o Homo Sapiens Sapiens e desapareceu por motivos até hoje desconhecidos.

Homo Sapiens Sapiens (ou Cro-Magnon):  Surgiu há cerca de 150  mil anos. Espalhou-se por toda terra. Desenvolveu a pintura e a agricultura.

De acordo com pesquisas, a espécie Neanderthal evoluiu na Europa durante a Idade do Gelo e a Sapiens evoluiu na África antes de se disseminar pelo resto do mundo cerca de 40 mil anos atrás.

Para os estudiosos, se o cálculo estiver correto, o fato do Homem de Neanderthal ter sido extinto há cerca de 30 mil anos é a prova de que as duas espécies existiram simultaneamente na Europa e, provavelmente, interagido entre si.

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DINOSSAUROS – 250.00 A 65.000 milhões – asteróide
ERA DO GELO – 150.000 A 80.000 mil
NEANDERTHAL – 230.000 A 30.000 mil
CRO-MAGNON – seria o início do SAPIENS – 200.000 mil
80.000 – Recentes descobertas confirmam que toda a nossa raça se origina de um pequeno grupo de humanos que viviam há 80 mil anos no leste da África.
10.000 – Homo sapiens sapiens descobriu a agricultura e domesticou os animais. Tornou-se sedentário e criou as primeiras cidades.  A Terra já estava totalmente povoada.
  5.000 – Surgiram as primeiras civilizações e foi inventada a escrita. Era o fim da Pré-História e o início de uma nova aventura humana.

ERA DO GELO

É a designação dada ao período em que a Terra se encontra com uma atmosfera composta por uma quantidade muito elevada de água (umidade excessivamente elevada do ar), quando tem seus ajuntamentos de água bastante ampliados (chegando a atingir a própria atmosfera da Terra), mantendo assim uma temperatura muito baixa, diminuindo o nível dos oceanos e gerando condições de vida bastante inóspitas.
 Em torno de um milhão de anos atrás, a temperatura da Terra sofreu uma enorme queda.   
 Os únicos seres que conseguiram sobreviver a este período foram os animais com maior quantidade pêlos, como por exemplo, o rinoceronte lanoso, os primitivos antílopes e alguns mamutes. 
 Ainda hoje, é possível encontrar parte das calotas glaciais deste período. As que estão em grande parte da Groelândia são um exemplo disto 
 No total ocorreram quatro glaciações durante o Período Glacial. Na passagem de uma para outra, ocorreram períodos mais quentes, época em que o gelo era derretido, formando lagos nos vales. 
 A comprovação da existência desses períodos foi feita por geólogos através de longo tempo pesquisando as rochas e fósseis. Entretanto, ainda não se descobriu a razão que levou a resfriamento da crosta terrestre. Há cientistas que acreditam que estamos entre um desses períodos quentes, que se resfriará daqui alguns séculos.
Os indícios da existência dessa era são bastante evidentes até mesmo para as nossas épocas. A existência de fósseis de animais extintos, como dinossauros (animais répteis), e certas características em animais sobreviventes nos períodos atuais mostram fortemente os indícios da sua existência.
 Segundo levantamentos feitos por estudiosos, o fim do período da Era Glacial, é dado pela mudança da umidade atmosférica, fazendo com que se dê uma diminuição da quantidade de água existente no ar (queda da umidade relativa do ar), gerando assim uma maior acumulação nos oceanos e originando o aquecimento em nível global.
 Durante os últimos milhões de anos houve várias eras glaciares, ocorrendo com freqüências de 40.000 a 100.000 anos, sendo a última cerca de 150 mil anos
 De fato, estaríamos em vésperas de uma nova Era Glacial, já que em média o planeta experimenta 10.000 anos de era quente a cada 90.000 anos de Era de Gelo.
 O impacto da atual civilização sobre o planeta é bem menor que o impacto de um meteoro, como aquele que supostamente provocou a extinção dos grandes répteis.
 O ancestral humano deste período é denominado homem de Cro-Magnon, que convivia com espécies animais já extintas, como os mamutes, os leões das cavernas e os cervos gigantes, entre outros.
 Ao final da Era Glacial foram surgindo as florestas tropicais, as equatoriais e as savanas. Logo, surgiu a raça humana.

 EVOLUÇÃO DO HOMEM

As modernas análises por DNA já confirmaram: todos nós descendemos de alguns milhares de africanos – entre 2 mil e 6 mil, provavelmente – que viveram há 80 mil anos e partiram de seu lar na África Oriental numa única onda migratória, terminando por povoar todos os outros continentes. Segundo esses estudos, a migração foi rápida – nossos antepassados chegaram à Ásia 60 mil anos atrás, e a Europa foi ocupada há 40 mil anos.

Expansão rápida
A disseminação do Homo sapiens pela Terra se deu a partir de uma única onda migratória, que em apenas 10 mil anos levou a raça até a Austrália. Depois, a migração avançou para o norte.
 
Entre 60 mil e 80 mil anos atrás
Um grupo entre 2 mil e 6 mil humanos que habitavam a África Oriental desenvolveu habilidades mentais que o capacitaram a sobreviver melhor do que seus predecessores em condições difíceis. Essa população cresceu rapidamente e se espalhou pela África.
Entre 50 mil e 60 mil anos atrás
Usando a Península Arábica, esses humanos começaram a migrar para a Ásia. A ocupação foi feita seguindo a linha do litoral, chegando ao sudeste do continente. Alguns desses migrantes chegaram à Austrália.
Entre 40 mil e 50 mil anos atrás
A partir do litoral, esses povos foram para o norte, pelo Oriente Médio. Um grupo seguiu pelo sul da atual Rússia e dividiu-se – parte foi para a Europa, parte para a Ásia. Alguns entraram na Europa via Turquia; outros povoaram a costa mediterrânea da África.

 

O estímulo para a criatividade
Iniciada há cerca de 70 mil anos, a glaciação Wisconsin, última etapa da mais recente Era do Gelo, pode ter criado as condições climáticas que impulsionaram o Homo sapiens a empreender sua migração. Embora não tenha reduzido muito as temperaturas na África, ela diminuiu a evaporação dos oceanos, o que levou a uma queda nas precipitações pluviométricas e, no caso africano, a secas drásticas. Outro fato veio piorar a situação: a explosão do vulcão Toba, na Indonésia, há 74 mil anos. As nuvens de cinzas liberadas pelo vulcão tomaram a atmosfera terrestre, reduzindo a passagem da luz solar por vários anos e resfriando ainda mais a superfície do planeta.

Quem tinha mais chances de sobreviver nessas condições diferenciadas? Aqueles com maior capacidade cerebral, que podiam criar novas idéias, ferramentas, armas, invenções e artes. Esse estímulo forçado à criatividade dado pela natureza foi um fatorchave na ascensão do Homo sapiens a rei da Terra.

CURIOSAMENTE, NOSSOS antepassados não aproveitaram o vale do rio Nilo para chegar à costa do Mediterrâneo. Em vez disso, conforme estudos de DNA publicados em 2007 na revista Science, eles a atingiram entre 40 mil e 50 mil anos atrás, após passar pela Península Arábica, pelo Oriente Médio (onde parte deles seguiu rumo norte, dividindo-se entre a Europa Oriental e a China) e a partir daí na direção oeste, chegando à Europa pela atual Turquia e ao litoral norte da África através da Península do Sinai.

Todas essas rotas migratórias colocaram nossos antepassados em contato com as mais diversas condições ambientais – diferenças geográficas, climáticas, de fauna e de flora, por exemplo – e, em particular, com outras espécies humanas, estabelecidas naquelas regiões havia milhares de anos. Eles superaram todos os obstáculos e adaptaram-se a esses ecossistemas variados.

Descobertas recentes na Rússia e na Ucrânia, por exemplo, mostram que o Homo sapiens foi mais capaz de enfrentar climas rigorosos do que o homem de Neandertal. Os pesquisadores encontraram ali o mais antigo sinal de arte decorativa – um rosto semi-acabado gravado na presa de marfim de um mamute, datado em 45 mil anos. Os vestígios do homem de Neandertal na área vão até 115 mil anos atrás, com o início da Era do Gelo; depois disso, esse povo partiu para o sul e nunca mais voltou. Resistindo ao clima severo daquelas terras, o Homo sapiens já mostrava que vinha para ficar.

A pergunta que surge daí é inevitável: o que tornou nossos ancestrais aptos a – de repente, em termos arqueológicos – espalhar-se pelos continentes e conquistar o planeta? Só para relembrar, o crânio mais antigo de um Homo sapiens, encontrado em Omo (Etiópia), tem cerca de 195 mil anos de idade. O que, depois de uns 115 mil anos, lhes permitiu tomar a África e, em seguida, o mundo?

É bem provável que uma grande mudança tenha ocorrido então. Diversos pesquisadores falam de uma “explosão de criatividade”, um aumento na capacidade de processamento cerebral suficiente para permitir ao Homo sapiens a criação da primeira linguagem complexa, de novas estruturas sociais, de maneiras mais eficientes de produzir ferramentas, de padrões diferentes de arte – enfim, dos elementos que compõem uma cultura mais avançada. Arqueólogos também falam de indícios de que objetos eram transportados por longas distâncias, o que leva à suspeita de que já havia alguma forma rudimentar de economia, na qual itens como adornos, alimentos e ferramentas eram trocados.

Outro fator indicativo de que alguma coisa extraordinária aconteceu no cérebro do Homo sapiens foi a descoberta de esqueletos de homens anatomicamente modernos nas cavernas de Skhul e Qafzeh, em Israel, datados entre 90 mil e 100 mil anos. Nos dois locais foram encontrados itens com ocre e adornos, uma evidência de que ali se faziam ritos funerários com oferendas para os mortos. Tais características de uma consciência mais elevada, porém, não foram suficientes para fazer esses ancestrais se fixarem ali de vez: os restos de homens de Neandertal encontrados em camadas do solo mais antigas e mais recentes mostram que aquela passagem do Homo sapiens pelo Oriente Próximo foi efêmera.

A migração seguinte, entretanto, já não abriu mais espaços para os rivais. Em alguns milhares de anos, os homens de Neandertal – que ocuparam a Europa por pelo menos 300 mil anos – foram totalmente substituídos por nossos ancestrais. Em todos os outros lugares onde houve competição, a superioridade cerebral do Homo sapiens prevaleceu. O passo seguinte, e inevitável, veio na medida da ambição da raça: o próprio planeta.

A história segundo o DNA

A genética ofereceu um novo caminho para se estudar a história humana: o DNA, ou, mais precisamente, o cromossomo masculino (o “Y”), e a mitocôndria, a parte da célula que responde pela produção de energia. Como ambos não sofrem a mistura de genes do pai e da mãe durante a fecundação, as mutações que apresentam servem como verdadeiros “códigos de identificação” dos diversos povos.

Ao migrar para outro ambiente, um povo passa a acumular em seu código genético mutações diferentes daquelas pessoas que permaneceram no mesmo local. Depois de alguns milhares de anos, os migrantes dão origem a novas populações. Os geneticistas concluíram que a humanidade nasceu na África porque em nenhum outro continente há tanta diversidade genética. Já os europeus são os caçulas: têm “apenas” 40 mil anos de idade, ante 80 mil dos africanos e 50 mil dos asiáticos.

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