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300

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O rei Leônidas (Gerard Butler) e seus 300 guerreiros de Esparta lutam até a morte contra o numeroso exército do rei Xerxes (Rodrigo Santoro). O sacrifício e a dedicação destes homens uniu a Grécia no combate contra o inimigo persa.

A Batalha das Termópilas, na II Guerra Médica, decorreu no Verão de 480 a.C., no desfiladeiro das Termópilas, na Grécia Central. Ali, de acordo com a tradição veiculada pelo historiador Heródoto de Halicarnasso, 300 Espartanos, sob o comando do seu rei Leónidas I, acompanhados por não mais de 7 000 aliados de outras cidades-Estado helénicas, enfrentaram milhões de Persas (na verdade, talvez apenas um quarto de milhão de homens) liderados por Xerxes, filho de Dario I.

Não obstante o exagero, a grande disparidade numérica levou a que a batalha terminasse com uma aparentemente retumbante vitória persa, muito embora os Gregos tenham conseguido inflingir um elevado número de baixas e retardar consideralvemente o avanço dos Persas pela Grécia. A intervenção dos Gregos, para além de os levar a morrer como homens livres, e não como escravos persas, foi de tal modo decisiva para o futuro do conflito, que bem podem ser também considerados vencedores.

De fato, não vence uma batalha apenas aquele que destrói o exército inimigo, mas sim aquele que cumpre seu objectivo – e os Espartanos, ao deterem durante dias os Persas nas Termópilas, permitiram a salvação de Atenas e, por conseguinte, das bases da futura Civilização Ocidental. Esta foi, pois, uma batalha decisiva sob todos os aspectos.

Prólogo – Eram tempos de guerra, as Cidades-Estado gregas estavam á frente de uma ameaça Persa, que vinha invadindo território helênico., sob o Comando de Xerxes, que continuava uma guerra já começada por seu pai, Dário I. No ano de 484 a.C , Xerxes chega com seu exército e marinha nas terras da Ásia Menor e, de acordo com o filósofo Heródoto de Halicarnassus, ele possuía mais de 5 milhões de homens, mas hoje em dia especula-se que o número está em torno de 250 Mil soldados, o que não deixa de ser uma gigantesca ameaça, que com certeza conferia uma vantagem numérica vertiginosa em relação aos Gregos.

Preparação – Uma aliança foi logo forjada entre as Cidades-Estado gregas, comandada pela militarista Esparta. Leônidas, rei e general espartano estudou muito bem o terreno e escolheu Termópilas como o lugar ideal pra um combate deste calibre, onde a superioridade numérica Persa não poderia ser usufruída, devida a pequena passagem que existe em Termópilas. A idéia é simples, e pode ser facilmente exemplificada, pensando num corredor de uma escola, onde somente 10 alunos podem passar lado á lado, sendo o resto limitado á velocidade em que andam os primeiros 10 alunos, por limitações físicas do local. Aplicado em batalha, os milhares de persas não poderia entrar todos em combate ao mesmo tempo devido ao limite físico do terreno, sendo assim um combate não de números, mas de qualidade e valor militar.

Distribuição – As tropas Gregas constituíam-se de 300 Hoplitas Espartanos, a elite da elite guerreira helênica, e mais 7000 aliados de outras cidades gregas. As tropas gregas eram mestras no uso da formação de falange (Phalanx), ou seja, uma massa de soldados, alinhados em linha e colunas coesas, protegidos por um grande escudo e lanças apontadas para frente, tornando-se uma barreira virtualmente intransponível quando combatida frente á frente.
Dentre as tropas de Xerxes, encontravam-se os famosos Immortais, a tropa de elite do Rei, que prometia causar o terror nas tropas inimigas quando requisitadas pra combate.

A Batalha – Batedores Persas informaram á Xerxes que, os espartanos estavam aguardando, com uma força militar infinitamente menor, porém, ainda assim pareciam despreocupados pois penteavam seus cabelos, passavam óleo no corpo, sem aparente ansiedade. Esperando que os gregos se rendessem, Xerxes esperou 4 dias e, quando viu que ninguém estava disposto a sair de lá sem antes lutar ou morrer, ordenou um ataque no quinto dia.

Como citado acima, os gregos se dispuseram em Falanges, formando uma muralha de lança e escudos de ponta a ponta da passagem de Termópilas. Os persas, com roupas leves, lanças leves e flechas não conseguiam passar pela muralha grega, que lutava bravamente, onde não podiam ser flanqueados ou cercados devido ao terreno, portanto reduzindo brutalmente a vantagem dos números nitidamente maiores do exército Persa.

Xerxes não estava satisfeito com o resultado, e disse que iria fazer um chuva de flechas tão grande, que cobriria a luz do sol, sendo a resposta de um dos soldados Gregos : “Muito bem, lutaremos na sombra”.

No Segundo dia de batalha, os persas estavam sendo aniquilados assim como no primeiro dia e Xerxes ordenou o ataque da sua elite, os Immortais, pensando assim quebrar a formação Grega, porém, foi um ledo engano, e a falange espartana infligiu pesadíssimas baixas na elite persa, forçando-os á bater em retirada.
Ainda nesse segundo dia, Ephialtes, um dos gregos, desertou para o lado Persa e informou Xerxes de uma passagem alternativa por Termópilas, que resultaria num flanqueamento das tropas gregas. Alguns gregos, em torno de 100, guardavam essa passagem, porém foram atacados de surpresa pelo contingente persa, que passou e iniciou o começo do fim para os gregos.

O Revés – Estava nítido que a derrota era certa e Leônidas dispensou os Gregos não-espartanos e não-tebanos, mas ainda assim, 600 outros soldados se recusaram a abandonar a batalha e decidiram morrer lutando para retardar o avanço persa.

O combate foi brutal e os gregos foram empurrados para uma pequena montanha, enquanto seus números iam diminuindo cada vez mais. Os Espartanos eram soldados de elite, treinados desde de criança para dar suas vidas por Esparta e assim iriam fazer. Após um tempo de violentíssimo combate, Leônidas, o rei Espartano, é morto e batalha, o que normalmente iria desmoralizar sua tropa, mas o contrário aconteceu, os espartanos lutaram bravamente para proteger seu corpo. É dito que, quando suas lanças quebraram, os Espartanos lutaram com suas espadas (xiphos) e quando estas quebraram, o combate foi com as próprias mãos e dentes. Até que o ultimo soldado espartano foi derrubado à flechadas.

As Conseqüências – Os gregos conseguiram causar um grande impacto sob as tropas de Xerxes, matando dois de seus irmãos e enfraquecendo enormemente a força invasora Persa, onde em posteriores batalhas, os persas foram facilmente derrotados, inclusive no mar, forçando o fim da campanha invasora Persa.
Além de um grande feito, essa batalha mostrou como o terreno e a qualidade de tropas influencia num combate, sendo que até hoje ela é lembrada e estudada pois é mais que uma batalha, é um marco da história.

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A outra Esparta

Ela era mais democrática do que se imagina e tão heróica quanto as lendas contam. Conheça a verdade da cidade mais controversa da Grécia antiga

Texto Reinaldo José Lopes

 

Mesmo para os turistas do Império Romano, gente mais do que acostumada a espetáculos sangrentos, aquela era uma atração especial. O sucesso era tanto que, por volta do ano 200 da nossa era, até a construção de um anfiteatro em volta do templo foi autorizada, para que os visitantes pudessem acompanhar cada detalhe do ritual. Um adolescente nu tentava apanhar o queijo depositado sobre o altar da deusa Ártemis, enquanto um dos sacerdotes o chicoteava sem dó, fazendo o sangue espirrar no altar. O jovem que agüentasse mais era saudado como campeão – isso quando tinha a sorte de sobreviver à cerimônia. Os estrangeiros provavelmente deixavam o anfiteatro romano muito satisfeitos: tinham testemunhado um legítimo costume da lendária cidade-Estado de Esparta.

Para muita gente, a imagem de um adolescente torturado resume à perfeição o significado de Esparta para a história. Na escola, aprendemos que, entre as cidades gregas de 2500 anos atrás, Atenas foi o berço da democracia e da liberdade de pensar e criar que valorizamos tanto, enquanto os espartanos viviam sob um regime totalitário, cuja única preocupação era a guerra, e submetiam os jovens ao treinamento militar mais desumano do planeta. Desse ponto de vista, passar de superpotência grega a parque temático sadomasoquista teria sido um destino mais do que merecido.

Acontece que, assim como a visão dourada de Atenas, essa imagem dos espartanos não passa de caricatura. Embora também esteja repleto de erros históricos (leia a seguir), o filme 300, que acaba de chegar aos cinemas, acerta em cheio ao mostrar que, sem a liderança dos espartanos, a Grécia e talvez boa parte da Europa teriam virado mera província do Império Persa, com conseqüências imprevisíveis para o mundo de hoje. Em 4 grandes batalhas contra os persas, os espartanos ajudaram a proteger o que seria a origem do mundo ocidental. Por mais estranho que isso soe agora, Esparta esteve entre as primeiras cidades gregas a criar um governo constitucional, onde todo cidadão era igual diante da lei, e seus exércitos foram vistos como libertadores perto da ambição de Atenas. Por tudo isso, vale a pena tentar enxergar através das distorções que cercam a cidade mais controversa da Grécia.

 

Conquistadores

Mito e arqueologia concordam num ponto: Esparta é um produto do primeiro grande desastre da história grega. Até por volta do ano 1200 a.C., o Peloponeso (como é conhecida a região do extremo sul da Grécia, onde fica a cidade) estava cheio de pequenos reinos. Inscrições e objetos achados nos palácios do Peloponeso mostram que seus habitantes já falavam uma forma primitiva de grego e levavam uma vida de luxo, comerciando cerâmica, metais preciosos e marfim com o Egito, a Palestina e a atual Turquia.

Uma onda de invasões e saques, porém, acabou com essa vida mansa. Boa parte dos grandes palácios do Peloponeso foi queimada, e a região voltou a ter um estilo de vida rústico e rural durante cerca de um século. É então que, pouco antes do ano 1000 a.C., como sugerem mudanças na cerâmica e em outros objetos do dia-a-dia, chegou ali um novo povo: os dórios, ancestrais dos espartanos.

Na mitologia grega, a chegada dos dórios ficou conhecida como “o retorno dos filhos de Héracles”. Os descendentes desse herói (conhecido entre nós como Hércules) seriam os legítimos herdeiros dos reinos do Peloponeso, expulsos injustamente de lá. Mas os filhos de Héracles reuniram um exército, formado por 3 tribos do norte da Grécia, e recuperaram no braço o que era seu. A parte da herança é claramente invenção para legitimar a invasão, mas os dó­rios realmente tinham uma origem étnica comum e falavam um dialeto nortista.

Parte dos recém-chegados ocupou a Lacônia, o vale fértil do rio Eurotas, e fundou 4 vilarejos perto de um assentamento da época dos palácios. Por volta do ano 900 a.C., as 4 aldeias se uniram politicamente para formar Esparta. Unificada, a cidade partiu para uma expansão das mais respeitáveis. Toda a Lacônia caiu nas mãos de Esparta: alguns habitantes (provavelmente os que resistiram aos ataques) engrossaram as fileiras dos servos, chamados de “hilotas”, enquanto outras aldeias conseguiram manter a autonomia interna, desde que reconhecessem a soberania espartana. Os moradores desses lugares ficaram conhecidos como periecos (“os que habitam em volta”). A expansão foi até por volta do ano 700 a.C., quando a cidade, sozinha, dominava dois quintos do Peloponeso.

 

Democráticos

Tantas conquistas, claro, trouxeram prosperidade. “Historiadores como o francês Claude Mossé consideram que, já no século 7 a.C., Esparta tem uma aristocracia amante das artes e desenvolve atividades comerciais marítimas”, diz a historiadora Maria Aparecida de Oliveira Silva, autora do livro Plutarco Historiador. Os poetas e músicos de Esparta ficaram conhecidos na Grécia inteira, e sua elite levava uma vida luxuosa, com finos objetos de bronze e metais preciosos fabricados localmente ou importados da Ásia. No entanto, há indícios de que só alguns espartanos se beneficiaram de verdade com as vitórias, virando senhores do grosso das novas terras, enquanto outros empobreciam. Em outras palavras: tensão social – que veio acompanhada por problemas militares para conter as constantes rebeliões.

A tradição espartana, que chegou até nós por relatos de historiadores como Heródoto, Xenofonte e Plutarco, diz que a solução para esses problemas foi bolada pelo sábio Licurgo, tio e tutor de um dos reis da cidade. Ele teria implantado uma reforma política profunda. Todos os cidadãos – ou seja, todos os homens livres de Esparta – passaram a eleger os 28 membros da Gerúsia, o Conselho dos Anciãos, encarregado de elaborar as leis da cidade. Os reis continuaram a ter uma série de privilégios simbólicos (o mais bizarro era o direito de ficar com a pele e o lombo de todos os animais sacrificados aos deuses), mas, na prática, viraram simples generais hereditários. O poder de decisão final ficava nas mãos do damos – o povo, versão dória da palavra que é uma das raízes do termo “democracia”.

Reunidos em assembléia, os homens de Esparta podiam aprovar ou vetar as propostas da Gerúsia, usando um método que parece ter saído de um programa de auditório – o “sim” ou o “não” ganhava dependendo da quantidade de barulho produzida de cada lado. Houve também uma reforma agrária: cada espartano recebeu um lote de terra suficiente para sustentar sua família. A reforma se completou mais tarde com o surgimento dos éforos, 5 magistrados eleitos anualmente por todos os espartanos que, na prática, passaram a deter a maior parte do poder de executar as leis.

Na época em que foi criado, esse sistema era revolucionário. O Oriente Médio ainda era dominado por monarcas absolutos, considerados semideuses. Atenas, futuro símbolo da democracia, estava nas mãos de um grupo minúsculo de famílias nobres e ricas, assim como outras cidades gregas. Esparta parece ter inventado a idéia de que mesmo um plebeu pobre tinha o direito de eleger seus representantes e ser eleito, e de que ninguém, nem mesmo os reis, estava acima da lei. Não é só conversa: a história espartana está cheia de relatos sobre soberanos que pisaram na bola e foram presos ou exilados. Os hilotas e periecos, é verdade, continuavam sem direitos políticos – mas o mesmo valia para a massa de escravos em todas as outras cidades gregas.

A partir daí, numa sociedade quase democrática, começou a se criar a futura fama de Esparta como potência militar. Também por volta do século 7 a.C., os gregos passavam por uma revolução na arte da guerra. Antes, o costume era que só os nobres e sua guarda pessoal lutassem, e os combates não passavam de expedições pequenas para roubar o gado ou as mulheres da vila vizinha. Mas a população e a riqueza da Grécia tinham crescido, e os conflitos cresciam na mesma proporção. O ideal era juntar o máximo possível de soldados no campo de batalha. Os exércitos das cidades-Estado passaram a agir como grandes unidades: os guerreiros, usando pesadas armaduras de bronze e lanças, só eram eficazes lutando em conjunto. O escudo protegia só o lado esquerdo de quem o carregava: o outro lado do corpo era resguardado pelo escudo do soldado ao lado. Se alguém fraquejasse, todos eram prejudicados. Ora, se a massa dos cidadãos passa a ser importante na guerra, a cidade não tem como se defender sem eles. Isso coloca um poder considerável nas mãos do damos de Esparta: o povo ganha força para exigir direito de voto ou uma fazenda nos arredores.

O sucesso das reformas foi indiscutível. Enquanto a Grécia inteira passou do século 7 a.C. ao 5 a.C. sofrendo com ditadores e revoluções, Esparta virou um oásis de estabilidade.

 

Guerreiros

Para manter as conquistas e o sistema político, todo cidadão de Esparta passou a ser preparado desde pequeno para ser um supersoldado. O treinamento era conhecido simplesmente como agogué (“criação”, em grego). “A única descrição da agogué que temos é do ateniense Xenofonte, que escreve tarde, por volta do ano 400 a.C.”, afirma o historiador Paul Cartledge, da Universidade de Cambridge (Rei­no Unido). Segundo Xenofonte, os testes começavam no nascimento: os bebês eram lavados com vinho e levados aos anciãos de seu clã para inspeção. Os disformes ou fracos demais eram abandonados para morrer. (Até aí, nada de mais: todos os gregos praticavam o infanticídio em situações parecidas.) Os meninos ficavam até os 6 anos com a mãe; depois, passavam a ser criados em pequenos grupos por um supervisor, dormindo em barracões, aprendendo a cantar, dançar (exercícios adequados para se acostumar ao ritmo da marcha militar), ler e escrever.

Quando chegava a adolescência, o cabelo dos garotos era raspado. Eram obrigados a usar apenas um manto leve, fizesse chuva ou sol, e a andar descalços o tempo todo. Recebiam pouca comida; podiam complementar a dieta roubando, mas, se fossem apanhados, levavam uma surra terrível. As chibatadas às vezes vinham em rituais religiosos, como o descrito no começo desta reportagem.

Aprendiam a falar só o essencial – daí a expressão “laconismo”, derivada da Lacônia, o vale fértil onde Esparta foi fundada. “Seria mais fácil ouvir as vozes de estátuas de pedra do que as daqueles rapazes”, afirma Xenofonte. Os jovens praticavam a dança e o canto, em cerimônias elaboradas que simulavam os movimentos da guerra. Relacionamentos amorosos entre adolescentes e rapazes mais velhos eram comuns e até incentivados – os adultos eram considerados mentores dos mais novos.

Aos 19 anos, o rapaz se tornava soldado pleno, mas ainda não era considerado cidadão. Deixava crescer o cabelo – todos os espartanos adultos tinham longas madeixas, que enfeitavam com flores. Podia se casar, mas ainda não tinha permissão de passar a noite com a mulher. Isso – junto com os outros privilégios da cidadania, como votar – só era possível quando ele fazia 30 anos. Uma última obrigação o acompanhava pelo resto da vida: fazer diariamente as refeições com sua unidade de combate, geralmente formada por 15 guerreiros espartanos. O prato principal costumava ser a intragável sopa negra, feita com cevada, sangue e carne de porco.

Esse sistema tornava os espartanos resistentes e corajosos, mas sua principal função era criar espírito de equipe. A lenda de que os soldados de Esparta nunca se rendiam ou recuavam é balela: não havia vergonha nenhuma em baixar as armas se essa fosse a ordem do rei ou do general. Abandonar os companheiros é que era considerado intolerável, porque um escudo a menos na formação significava expor todo mundo ao risco de morte.

Não havia glória maior do que tombar na linha da frente, morrendo lado a lado com os companheiros: essa, para os espartanos (e para a maioria dos outros gregos) era a “bela morte” (leia boxe na página 70). Mas eles só agiam como camicases quando não havia outra escolha. Uma frase registrada pelo historiador grego Tucídides é emblemática. Perguntaram a um espartano capturado se os colegas mortos tinham sido mais valentes que ele. “As flechas seriam muito espertas se conseguissem distinguir os valentes dos covardes”, retrucou o guerreiro. “Es­sa é uma coisa na qual o filme 300 acerta: ele mostra esse humor negro com o qual os espartanos enfrentavam a guerra”, diz Paul Cartledge.

Outro ponto que sempre se omite sobre Esparta é a condição das mulheres. Elas levaram uma vida bem melhor que as do resto da Grécia. Eram incentivadas a praticar exercícios físicos e a ficar ao ar livre, ao contrário das atenienses, quase sempre trancadas em casa. Também podiam herdar terras. “No entanto, isso não quer dizer necessariamente que as mulheres de Esparta fossem vistas pelos homens de forma diferente das outras gregas”, diz Isabel Romeo, historiadora da UFRJ que estuda o tema. “Para os gregos, a função da mulher era sempre ter filhos saudáveis. A diferença é que os espartanos achavam que, para desempenhar, ela precisava ter uma vida ativa”, afirma.

 

Defensores

O engraçado é que, embora o Exército espartano fosse mais poderoso do que nunca, a expansão direta da cidade parou. “Esparta temia que as cidades vizinhas apoiassem as revoltas dos servos e procurou alguma forma de convivência pacífica com elas”, diz Robin Osborne, da Universidade de Cambridge. Os espartanos forjaram uma aliança que acabaria englobando todo o Peloponeso. As cidades-Estado tinham voz nas decisões, mas era Esparta a cidade líder, que tinha mais peso na hora de ditar a política externa do bloco e decidir como e quando guerrear.

Essa liderança relativamente democrática acabou sendo providencial para a Grécia. Enquanto as cidades-Estado continuavam brigando entre si, o Império Persa nascia e virava um gigante no Oriente, o grande inimigo dos gregos. Por volta de 540 a.C., as cidades gregas da Ásia caíram nas mãos dos persas. O novo império trouxe paz e estabilidade à região, mas também sufocou os desejos gregos de uma política mais democrática (os persas apoiaram ditadores fantoches por ali). O bolso grego também foi afetado, porque a Pérsia cobrava impostos ferozes e mutilava o comércio. Os gregos da Ásia se revoltaram, com o apoio de Atenas, mas levaram uma sova. A ajuda ateniense era a desculpa perfeita para a Grécia européia ser incluída no alvo das invasões. Assim pensou o rei persa Dario, cujo exército desembarcou perto de Atenas no ano 490 a.C.

Nas primeiras batalhas, os persas foram totalmente derrotados. Mas a coisa não ia ficar por isso mesmo. Xerxes, filho e sucessor de Dario, jurou vingança e preparou o maior exército que o mundo já tinha visto (talvez 120mil soldados) e a maior marinha (cerca de 1000 barcos) para invadir a Grécia. Nenhum dos súditos do rei tinha muita escolha nessa história: todas as regiões do império tinham de contribuir com sua cota de homens, e a palavra de Xerxes era lei sagrada. Atenas e Esparta (que tinha apoiado os atenienses na primeira invasão) estavam no topo da lista negra de Xerxes. A lenda, reproduzida no filme 300, conta que as duas cidades tinham atirado dentro de um poço os mensageiros do rei, que pediam terra e água como sinal de submissão, dizendo: “Aí tendes terra e água”.

Além de enfrentar o reino mais poderoso da época, a Grécia tinha que lidar com a desunião interna. Na primavera de 480 a.C., quando a segunda onda de invasões persas começou, poucas cidades gregas queriam saber de aliança. “De 700 cidades-Estado que poderiam ter se unido à resistência, só cerca de 30 o fizeram”, diz Cartledge. Dessas poucas cidades corajosas, metade integrava o grupo dos “lacedemônios”, como eram chamados os espartanos e aliados, grupo que hoje nós chamamos de Liga do Peloponeso. “A resistência simplesmente não teria sido possível sem a Liga do Peloponeso”, diz o historiador de Cambridge. A ela se juntaram Atenas e pequenas cidades, como Plataia.

O comando supremo, tanto na terra quanto no mar, ficou nas mãos de Esparta, já que ela era a líder do bloco que formava o coração da resistência. Mais do que o comando, porém, os aliados tinham do seu lado os soldados espartanos, “a infantaria pesada mais bem treinada da Grécia – na verdade, a única infantaria profissional de que os gregos dispunham”.

Os líderes espartanos nem sempre estiveram à altura de seus guerreiros. Há sinais de que a cidade e os outros membros da liga queriam se arriscar o mínimo possível fora do Peloponeso. Essa é uma das explicações (além da coincidência de um festival religioso, durante o qual Esparta normalmente não guerreava) para o fato de que o rei Leô­nidas tenha levado consigo só 300 espartanos para o desfiladeiro das Termópilas, no centro-norte da Grécia (veja na página 65). A missão dos 300, ao lado de cerca de 7 mil aliados gregos, era tentar impedir o avanço de Xerxes em terra, enquanto a frota grega adotava a mesma estratégia no mar, no estreito de Artemísio.

Por 3 dias, Leônidas e os 300 – que foram vistos penteando os longos cabelos com toda a calma quando os primeiros persas surgiram – detiveram forças imensamente superiores e mataram dois irmãos de Xerxes. Mas sua retaguarda não estava bem coberta. Graças a um grego traidor, Leônidas acabou cercado e lutou até a morte com seus homens e mais 1000 voluntários aliados, ganhando tempo para que o resto do exército fugisse. Xerxes mandou decapitar o rei e crucificar seu corpo.

A sorte grega deu uma guinada cerca de um mês depois, quando a frota aliada destroçou as trirremes persas na ilha de Salamina, perto de Atenas. O próprio Xerxes decidiu voltar para a Ásia e, no ano seguinte, suas forças terrestres foram esmagadas pelo sobrinho de Leônidas. Os persas jamais pisariam outra vez na Grécia européia.

Xerxes, ao contrário do que se diz em 300, não era a versão metrossexual do capeta. Em parte, o governo do Irã tem razão em ficar fulo da vida com o filme, como afirmou em nota ofical no começo de março. O domínio persa poderia até ter posto um fim nas eternas briguinhas fúteis entre cidades, que eram a praga da vida grega (pelo menos em termos de progresso econômico). Ao mesmo tempo, porém, ele teria encerrado o primeiro grande experimento de liberdade política e de pensamento da história, forçando os gregos a se curvar a um Grande Rei todo-poderoso. Democrática ou não, Esparta jamais aceitaria o domínio de um só homem que estivesse acima da lei – e se dispôs a lutar para que a Grécia não sofresse esse destino.

 

Personagens

Depois de botar os estrangeiros para fora, a Grécia pôde viver seu esplendor. Em Atenas, um ano depois de os persas darem no pé, nasceu Sócrates, um dos grandes alicerces da filosofia ocidental, seguido por Platão e Aristóteles. Com os invasores contidos, a obra deles e de pensadores anteriores, como Tales de Mileto e Pitágoras, pôde sobreviver até hoje. Em 438 a.C., no lugar de um antigo templo destruído pelos persas, Atenas construiu o Partenon, símbolo máximo do período clássico grego.

No entanto, já que derramar sangue era como um passatempo para os gregos, as guerras não pararam por ali. As cidades voltariam a lutar entre si: Atenas, poderosa demais depois de vencer os persas, se tornou um império maldoso demais para as cidades conquistadas. Aliados de Atenas mandavam mensagens secretas para os espartanos, suplicando que eles “libertassem a Grécia”. O conflito era só uma questão de tempo – e as alianças passaram as 3 últimas décadas do século 5 a.C. afundadas nele. A guerra terminou com a vitória de Esparta, financiada por ouro persa.

A influência espartana agora dominava a Grécia inteira. Mas, sem o menor tato, os espartanos instalavam governadores militares impopulares ou apoiavam oligarcas que perseguiam os opositores políticos. O resultado? Mais guerra, dessa vez promovida por um novo poder: a cidade de Tebas, ao norte de Atenas. O confronto decisivo entre a desafiante e a campeã aconteceu na Batalha de Leuctra, em 371 a.C. A derrota de Esparta foi completa. A cidade virou ruínas. Tornou-se irrelevante e foi absorvida pelo Império Romano, junto com o resto da Grécia, em 146 a.C.

Diante da arte e do pensamento ateniense, pode parecer que Esparta só teve importância militar. Mas não é de mais voltar a 480 a.C. e ao punhado de homens que ousou se colocar no caminho dos persas. Heródoto diz que um rei espartano exilado, Damárato, acompanhava Xerxes nas Termópilas. O rei persa teria perguntado se os espartanos, sendo tão poucos, ousariam enfrentá-lo. “Rei”, respondeu Damárato, “embora sejam livres, eles não são livres em tudo. Acima deles está a lei, um senhor a quem eles temem muito mais do que os teus servos têm medo de ti. Eles fazem o que a lei ordena, e a sua ordem é esta: não fugir diante de nenhuma multidão de homens, mas ficar em seus postos.” Poucas idéias foram tão capazes de mudar o mundo. 

 

Por que os gregos gostavam tanto de sangue? A Batalha de Termópilas mostra que os jovens da Grécia antiga sonhavam morrer como heróis das lutas. Todo cidadão de respeito, de políticos como Péricles a poetas como Sófocles, participava de batalhas. São muito diferentes, por exemplo, do cristão que tenta levar uma vida pacífica, sem pecar. Mas a razão de os gregos adorarem brigar é muito parecida com a do religioso que não falta a nenhuma missa. Os dois querem atingir a salvação.

No jeito cristão de pensar, a pessoa se salva da morte tendo uma vida baseada no amor e na compaixão. Se viver corretamente, seguirá existindo numa boa na eterna colônia de férias chamada céu. Um motivo e tanto para viver cheio de culpa por qualquer errinho. Mas os gregos viveram antes do cristianismo. Como não acreditavam que alguém, uma pessoa onisciente, tinha criado o Universo, não deviam explicações ou culpa para ninguém maior que eles. E não tinham nenhuma esperança de que se dariam bem depois da morte. O jeito que encontravam para eternizar a vida era pela fama, praticando atos heróicos que ficassem para sempre na história.

“Morrer de forma gloriosa era muito mais importante que ter uma vida longa e pacífica”, diz o filósofo Roberto Bolzani Filho, da USP. Os guerreiros odiavam ser designados para cargos leves, como mensageiro, e competiam para saber qual seria eternizado nos escritos dos poetas. “A glória valia mais que a vida”, diz Fernando Santoro, professor de filosofia antiga da UFRJ.

Já hoje, quando cada vez mais gente acredita que a morte é só um apagar de células, procuramos nos agarrar à vida. Talvez seja por isso que, bem ao contrário dos gregos, fazemos de tudo para fugir do serviço militar, comemos salada e praticamos esporte para viver. Mas claro que ainda temos a noção de pecado dos medievais. E o enorme fascínio dos gregos por heróis. 

SIDARTA, de Hermann Hesse

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Na concepção indiana, bem antes de alcançar a pureza – totalmente contrária à cristã – , de rejeitar-se os prazeres da vida, a sensualidade, a luxúria ou a gula, o homem precisa prová-las. Como poderia alguém valorizar as delícias de ter pouco se anteriormente nunca teve nada? Como afastar-se dos temperos fortes se nunca sentiu o seu gosto, como saber dos males da bebida se dela nunca provou?

Capítulo 1- O Filho do brâname
Sidarta é um jovem promissor que vive num povoado brâmane. Talentoso, esbelto, ávido pelo saber, Sidarta era adorado por todos. Estava avançado nos ensinamentos brâmanes e todos viam nele um futuro brilhante. Pressentia-se nele um sábio, um sacerdote, um príncipe entre os brâmanes. E quem mais o adorava era seu amigo Govinda. Mas para si mesmo, Sidarta não dava alegria. Para si mesmo não era fonte de prazer. Abrigava em suas entranhas o descontentamento. Sentia que o amor que recebia de todos nem sempre teria força para alegrá-lo. Também sentia que já tinha absorvido os principais ensinamentos brâmanes, mas não eram o suficiente. Questionava a validade dos rituais: “As abluções, por proveitosas que fossem, eram apenas água; não tiravam dele o pecado; não curavam a sede do espírito; não aliviavam a angústia do coração. Excelentes eram os sacrifícios e as invocações dos deuses- mas que lhe adiantava tudo isso? Propiciavam os sacrifícios a felicidade? E quanto aos deuses: foi realmente Prajapati quem criou o mundo? E não o Átman? Ele, o único, o indivisível?”…”Quem merecia imolações e reverência, senão Ele, o único, o Átman? E onde se podia encontrar o Átman, onde morava ele… a não ser no próprio eu, naquele âmago indestrutível que cada um trazia em si?” Insatisfeito com isso, resolveu unir-se a um grupo de samanas (sábios mendigos nômades) que passavam pela cidade, para encontrar sua felicidade e o seu caminho. Depois de receber a permissão de seu pai (que tristemente a concedeu), partiu para os samanas junto com Govinda.

Capítulo 2- Com os samanas
Com os samanas, Sidarta aprendeu a jejuar. “A carne sumia-lhe das pernas e da face”. Passando pelas cidades, olhava a vida nela com desprezo. “… nada disso era digno de ser olhado. Tudo era mentira, tudo fedor; tudo recendia a falsidade, tudo criava a ilusão de significado, felicidade, beleza e, todavia, não passava de putrefação oculta. Amargo era o sabor do mundo. A vida era um tormento”. O objetivo de Sidarta era tornar-se vazio, vazio de sede, vazio de desejos, vazio de alegria e de pesar. “Exterminar-se, distanciando-se de si mesmo; cessar de ser um eu”.

Esse era o objetivo e a filosofia de vida dos samanas. Assim, meditavam, jejuavam, transferiam sua alma para garças e viviam a vida das garças, transferiam sua alma para chacais mortos e vivenciavam a auto-decomposição. Encarnavam pedras, troncos, folhas e árvores.

Os dois passam três anos na companhia dos Samanas. Sidarta notou que o modo de vida samana é uma forma de fugir da vida e do eu, e resolve parar de segui-los, fator catalisado pelo surgimento de Buda, que estava arrebanhando vários discípulos e que havia alcançado a Iluminação. Há um diálogo interessante entre Sidarta e Govinda em que Sidarta diz: “O que é a meditação? O que é o abandono do corpo? Que significa jejum? E a suspensão do fôlego? São modos de fugirmos de nós mesmos. São momentos durante os quais o homem escapa à tortura de seu eu. Fazem-nos esquecer, passageiramente, o sofrimento e a insensatez da vida”. Sidarta também nota que nenhuma doutrina é capaz de fazer a pessoa atingir a iluminação, apenas a vivência tem essa capacidade. E os dois vão ao encontro de Buda.

Capítulo 3- Gotama
Nesse capítulo os dois amigos encontram Buda e ouvem sua doutrina. Govinda resolve unir-se aos discípulos de Buda, enquanto, Sidarta confirma sua teoria de que nenhuma doutrina, somente a vivência, pode levar e iluminação.

Ouvindo Buda, Siddharta não manifestou muito interesse em sua doutrina, mas observou atentamente sua silhueta, seus gestos, sua voz, os ombros, os pés. “Parecia-lhe que as falanges de cada dedo eram doutrina, falavam, respiravam, exalavam aroma, derramavam o brilho da verdade”.

Em um diálogo entre Buda e Siddharta, Siddharta manifestou seu apreço pela doutrina, e disse que não seria seu discípulo, pois a iluminação não pode ser ensinada por doutrinas, só por vivência, e que Buda não contara como foi sua experiência na hora da iluminação, porque isso era impossível de ser descrito. Portanto, seguiria o seu próprio caminho sem nenhuma doutrina e nenhum mestre, até alcançar seu destino ou morrer. Buda disse que o desígnio de sua doutrina é a redenção do sofrimento, nada mais. Nesse diálogo, há um trecho muito interessante em que Sidarta diz: “… Nós, os samanas, procuramos a redenção do eu, ó Augusto. Ora, seu eu fosse um dos teus discípulos, ó Venerável, poderia acontecer-me… Assim receio… que meu eu só aparentemente, falazmente, obtivesse sossego e redenção, mas na realidade continuasse a viver e a crescer, uma vez que eu teria então a tua doutrina, teria o fato de ser teu adepto, teria meu amor a ti, teria a comunidade dos monges e faria de tudo isso meu eu”. Govinda viu nas palavras de Buda um ideal de vida. Já Siddharta viu em Buda um modelo, um exemplo a ser seguido.

Capítulo 4- Despertar
Despertar é um capítulo curto e denso, no qual Siddharta reavalia toda sua vida passada e a abandona, sentindo-se incomparavelmente só, pois não pertenceria a mais nenhum grupo, seria apenas Sidarta. Antes fora brâname, samana… agora, apenas ele mesmo “… lhe parecia que o verdadeiro pensar consistia no reconhecimento das causas e que, desse modo, o sentir se convertia em saber, o qual, em vez de dissipar-se, criaria forma concreta e irradiaria seu teor”.

“Mas que desejaste aprender dos teus mestres e extrair dos seus preceitos? Que será aquilo que eles, que tanto te ensinaram, não conseguiram propiciar-te?”… “Era meu desejo conhecer o sentido e a essência do eu, para desprender-me dele e superá-lo. Apenas logrei iludi-lo. Consegui, sim, fugir dele e furtar-me às suas vistas. Realmente, nada neste mundo preocupou-me tanto quanto esse eu, esse mistério de estar vivo, de ser um indivíduo, de achar-me separado e isolado de todos os demais, de ser Sidarta! E de coisa alguma sei menos do que sei quanto a mim, Siddharta!”

“O fato de eu não saber nada a meu próprio respeito, o fato de Sidarta ter permanecido para mim um ser estranho, desconhecido, tem sua explicação numa única causa: tive medo de mim; fugi de mim mesmo! Procurei o Átman, procurei o Brama, sempre disposto a fraturar e a pelar o meu eu, a fim de encontrar no seu âmago ignoto o núcleo de todas as cascas. Mas, enquanto fazia isso, perdi-me a mim mesmo”.

“Olhou para o mundo a seu redor, como se o enxergasse pela primeira vez. Belo era o mundo! Era variado, era surpreendente e enigmático! Lá, o azul; acolá, o amarelo! O céu a flutuar e o rio a correr, o mato a eriçar-se e a serra também! Tudo lindo, tudo misterioso e mágico! E no centro disso tudo se achava Siddharta, a caminho de si próprio…” “Não havia mais aquela multiplicidade absurda, casual, do mundo dos fenômenos, desprezada pelos profundos pensadores brânames, que rejeitam a multiplicidade e esforçam-se por achar a unidade…” “… O sentido e a essência das coisas não se achavam em algum lugar atrás das coisas, senão no seu interior”.

“… “andei deveras surdo e insensível”…”Quem puser a decifrar um manuscrito, cujo significado lhe interessar, tampouco menosprezará os sinais e as letras, qualificando-os de ilusão… senão os lerá, estudá-los-á, amá-los-á, letra por letra. Eu, porém, que almejava ler o livro do mundo e o livro da minha própria existência, despreze os sinais e as letras, em prol de um significado que lhes atribuía de antemão. Chamei de ilusão o mundo dos fenômenos. Considerei meus olhos e minha língua apenas aparentes, casuais, desprovidas de valor. Ora, isso passou. Despertei. Despertei de fato. Nasci somente hoje.” ”

Capítulo 5- Kamala
Nesse capítulo, Siddharta observa mais atentamente o mundo ao seu redor. Observava-o ingenuamente, sem procurar nele o essencial. Refletia enquanto isso, pensando que não era importante somente pensar… e sim também sentir. Pensou que, doravante, que obedeceria unicamente sua voz íntima. Atraído pela beleza da cortesã Kamala, entra numa cidade e pede que ela lhe ensine a arte dos prazeres. Como era preciso ter riquezas para poder usufruir dos “lábios de figo recém-cortado” de Kamala, Sidarta, que sabia ler e escrever, tenta arranjar um emprego com o comerciante mais rico da cidade.

Capítulo 6- Entre os homens tolos
Siddharta emprega-se com o comerciante, consegue dinheiro e tem aulas de beijos e outras coisas com Kamala. Come somente o necessário, não toma vinho. Vê a vida dos “homens tolos” como engraçada, zomba da vida deles. Acha engraçado quando o comerciante fica irritado quando perde dinheiro. Fazia amizades e viajava. Torna-se sócio do comerciante. Contudo, às vezes sente que tudo que fazia não passava de uma brincadeira, que a verdadeira vida estava longe disso.

Capítulo 7- Sansara
Siddharta enriquecera. Lentamente, começou a adquirir asco e rancor pela vida. Comia mais que o necessário, tomava vinho. Adquiriu o hábito de jogar jogos valendo dinheiro. Como gostava de apostar quantias bastante altas, para provar que nada daquilo lhe importava, tornou-se mais severo com seus devedores para poder apostar mais vezes. Irritava-se quando perdia dinheiro. Notou que faltava alguma coisa a ele em relação aos demais, nunca poderia apegar-se às pessoas e as coisas como os demais, era incapaz de amar.

Recém estava na casa dos quarenta, mas já notava alguns fios de cabelo branco. Também não ouvia mais sua voz interior.

Uma noite bebera bastante. Tentava dormir, mas não conseguia. “Por longas horas procurava em vão conciliar o sono, com o coração a transbordar de mágoas que lhe pareciam insuportáveis, de náuseas que o transiam como o gosto fastidioso, repugnante, do vinho…” “…mas, muito mais do que todo o resto, causavam-lhe asco a sua própria pessoa, os cabelos perfumados, o bafo de vinho que sua boca exalava, a flacidez e o mal-estar de sua pele.”

“Siddharta, nessa noite de insônia, desejava lançar para fora de si, num imenso jato de enjôo, aqueles prazeres, aqueles hábitos, aquela vida absurda e livrar-se de si mesmo…” “…foi nesse instante que teve um sonho. Numa gaiola de ouro, Kamala guardava um passarinho canoro, muito raro. O pássaro, que normalmente cantava nas primeiras horas do dia, parecia mudo. Como esse fato lhe chamasse atenção, ele aproximou-se da gaiola e viu que o passarinho jazia no chão, morto, enrijecido. Retirou-o e atirou-o na calçada da rua. Mas logo assustou-se terrivelmente. O coração doía-lhe como se ele houvesse jogado fora não só o cadáver da ave, como também tudo quanto fosse bom e tivesse valor.” Despertou bruscamente, sentindo profunda tristeza. “Atormentava-o a impressão de ter levado uma existência vil, miserável, insensata”. Sentou-se embaixo de sua mangueira no seu jardim e começou a pensar e a reavaliar sua existência. Passou todo dia refletindo, até que pensou: “ “…Aqui estou, ao pé da minha mangueira, no meu jardim”… E esboçou um leve sorriso, ao ponderar se tudo isso era necessário , importante e certo, e não apenas um brinquedo tolo, possuir uma mangueira e um jardim?” Resolutamente, resolveu dar fim a esse estado das coisas, saindo da cidade e nunca mais voltando.

Capítulo 8- A Beira do Rio
Nesse capítulo Siddharta vagueia pela floresta, triste e desiludido consigo mesmo. Sentia nojo de si próprio. Subiu no tronco de uma árvore e planejou suicidar-se, se jogando num rio. Porém, quando viu o rio, proferiu a palavra Om, e dormiu. Depois de um longo sono, acordou proferindo Om novamente. Era como tivesse rejuvenescido, renascido. Era como se sua vida passada fosse uma outra reencarnação. Encontrou Govinda vigiando o seu sono, observando-o, notou que o amava, e que “… a grave doença de que sofrerá até poucas horas antes manifestara-se precisamente na incapacidade de amar nada e ninguém.”

“ Que bom- assim pensou- provar tudo quanto se necessita conhecer! Em criança, já aprendi que a riqueza e os prazeres mundanos não nos trazem nenhum proveito. Há muito tempo sabia disso, mas somente agora cheguei a assimilar essa sabedoria. Hoje me compenetrei dela. Possuo-a não só na memória, senão nos olhos, no coração, no estômago. É uma benção ter essa certeza” “Ouviste o canto do pássaro no fundo do teu coração e obedeceste a ele!” “Sempre se pavoneara com altivez; sempre quisera ser o mais inteligente, o mais zeloso… nesse sacerdócio, nessa altivez, nessa erudição infiltrava-se o seu eu; ali se arraigara, crescera, enquanto ele, Siddharta, cria tê-lo aniquilado por meio de jejuns e mortificações”

Cap 9 – O Balseiro
Neste capítulo, Sidarta reencontra o balseiro que tinha feito a travessia do rio com ele no começo de sua jornada, quando Sidarta procurava Gotama. Sidarta pede pra ser discípulo de Vasudeva, que aceita o seu pedido e o convida a morar com ele, já que sua esposa faleceu a muitos anos e ele ficara sozinho desde então. Sidarta começa a aprender a escutar o rio e assimilar seus conselhos. Kamala ressurge como o filho de Sidarta e ao ser picada por uma serpente, vem a falecer após apresentar Sidarta ao seu filho.

Cap 10 – O Filho
Sidarta passa a viver com seu filho na casa de Vasudeva. Sidarta tenta sem aproximar de seu filho, mas não obtém sucesso. Sidarta (filho) foge para a cidade e Sidarta (pai) vai em sua procura, mesmo Vasudeva o aconselhando a não fazer isso.Após muito meditar, Sidarta aceita o conselho de Vasudeva e desiste da busca por seu filho.

 Cap 11 – Om
Sidarta continua a pensar no seu filho, principalmente quando faz a travessia de balsa, já que Vasudeva já não tem idade e nem força para fazê-lo, de pais com seus filhos. Ao perceber que Sidarta havia assimilado o conhecimento que o rio queria passar, Vasudeva parte em uma jornada pela selva.

Cap 12 – Govinda
No capítulo final Govinda recebe uma noticia sobre um balseiro que é considerado sábio e vai conhecê-lo pessoalmente. Após algum tempo de conversa com balseiro Govinda percebe que é seu velho amigo Sidarta e que ele havia encontrado o que ele tanto procurava, pois mostrava em seu rosto serenidade e paz.
” Quando alguém procura muito, pode facilmente acontecer que seus olhos se concentrem exclusivamente no objeto procurado e que ele fique incapaz de achar o que quer que seja, tornando-se inacessível a tudo, porque só pensa no objeto e torna-se cego pela meta. Procurar significa ter uma meta. Achar significa estar livre para tudo”.

O PEQUENO BUDA

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Um monge budista, Lama Norbu (Ruocheng Ying) se desloca a Seattle, nos EUA, em busca de Jesse Conrad (Alex Wiesendanger), um jovem americano que ele acredita ser a reencarnação do seu mestre, Lama Dorje, recentemente falecido.

Apesar do inesperado e da total desconfiança que o monge lhes passa, os pais de Jesse, Dean (o excepcional cantor Chris Isaak, que foi bastante criticado na época, indicado inclusive ao Framboesa de Ouro) e Lisa Conrad (Bridget Fonda) aceitam viajar com o filho até o Butão, no Himalaia. Lá, Jesse conhece o Raju, outra criança que veio do Nepal, e Gita, uma menina indiana, também possíveis reencarnações do Lama Dorje. Enquanto são submetidos aos últimos testes de reconhecimento, os três jovens descobrem a fascinante trajetória de Sidharta (Keanu Reeves), o jovem que há mais de 2.500 anos se transformou no venerado Buda.

Então se descobre que os três, juntamente, são a reencarnação de Buda ( O budismo nasceu na Índia, por volta do século VI a.C. (525 a.C.). Foi criado por um rico príncipe, chamado Siddharta Gautama, que viveu isolado em seu palácio com sua esposa a princesa Yasodharo e seu filho Radula, até os 29 anos.

Certo um dia o príncipe Siddharta saiu do palácio para um passeio e em seu caminho ele encontrou um velho, um doente e viu um cadáver, esse foi seu primeiro contato com o mundo e com as aflições humanas, seu último encontro foi com um eremita com um semblante sereno que lhe revelou a paz, e então ele decide renunciar tudo o que possuía e sua família.

Foi pra uma floresta e durante 6 anos permaneceu em profunda meditação, ele compreendeu que deveria praticar o ´Caminho do Meio´ (que um dia houve um professor em um barco que passava dizendo a seus aluno: “Se esticar demais a corda ela arrebenta e se deixá-la frouxa demais ela não funciona – O melhor caminho é o do meio”).

Com 35 anos Siddharta – Buda (o desperto, o iluminado) sentado em baixo de uma figueira numa noite, alcançou a sabedoria máxima e compreendeu a verdade suprema com a visão dos caminhos da vida humana.

Os budistas chamam essa compreensão de “iluminação”. A partir de então, ele passou a ser chamado de Buda.

Durante 45 anos ele pregou sua doutrina pela Índia. Reis, nobres e príncipes seguiram seus ensinamentos.

Buda fez seus últimos ensinamentos aos 80 anos, quanto atinge sua libertação total, uma semana depois de sua morte seu corpo foi cremado e suas relíquias divididas. )
 

BUDA

É um título dado na filosofia budista àqueles que despertaram plenamente para a verdadeira natureza dos fenômenos e se puseram a divulgar tal redescoberta aos demais seres. “A verdadeira natureza dos fenômenos”, aqui, quer dizer o entendimento de que todos os fenômenos são impermanentes, insatisfatórios e impessoais. Tornando-se consciente dessas características da realidade, seria possível viver de maneira plena, livre dos condicionamentos mentais que causam a insatisfação, o descontentamento, o sofrimento.

Do ponto de vista da doutrina budista clássica, a palavra “Buda” denota não apenas um mestre religioso que viveu em uma época em particular, mas toda uma categoria de seres iluminados que alcançaram tal realização espiritual. Pode-se fazer uma analogia com a designação “Presidente da República” que refere-se não apenas a um homem, mas a todos aqueles que sucessivamente ocuparam o cargo. As escrituras budistas tradicionais mencionam pelo menos 24 Budas que surgiram no passado, em épocas diferentes.

Atualmente, as referências ao Buda referem-se em geral a Siddhartha Gautama, mestre religioso e fundador do Budismo no século VI antes de Cristo. Ele seria, portanto, o último Buda de uma linhagem de antecessores cuja história perdeu-se no tempo. Conta a história que ele atingiu a iluminação durante uma meditação sob a árvore Bodhi, quando mudou seu nome para Buda, que quer dizer “iluminado”

Com isso ele rejeitava qualquer possibilidade de ser tomado como um Deus, mas reafirmava a característica transcendente da sua vivência espiritual e do caminho de libertação que oferecia para os demais seres. Nesse sentido, o Buda exerceu um papel importante de democratização da religião que, até então, estava sujeita ao arbítrio da casta dos brâmanes.

Para Sidarta Gautama não há intermediário entre a humanidade e o divino; deuses distantes também estão sujeitos ao carma em seus paraísos impermanentes. O Buda é apenas um exemplo, guia e mestre para os seres sencientes que devem trilhar o caminho por si próprios.

Dentre as religiões mundiais, a maioria das quais proclama a existência de um Deus criador, o budismo é considerado incomum por ser uma religião não-teísta. Para o Buda, a chave para a libertação é a pureza mental e a compreensão correta, e por esse motivo ele rejeitou a noção de que se conquista a salvação implorando para uma deidade distante.

De acordo com o Buda Gautama, a felicidade Desperta do Nirvana que ele atingiu está ao alcance de todos os seres.

Os ensinamentos do Budismo estão fundamentados em quatro nobres verdades:1. Existência do sofrimento2. A causa do sofrimento: os apegos humanos,
como a cobiça, raiva, etc3. A extinção do sofrimento: desapego4. O caminho que leva a extinção do sofrimento: pratica do óctuplo
  O caminho do óctuplo é um guia para alcançar o objetivo final do budismo, a liberdade e felicidade:1. Visão correta
2. Pensamento correto
3. Fala correta
4. Ação correta
5. Meio de vida correto
6. Esforço correto
7. Atenção correta
8. Meditação correta

 

 

 

 

TRÓIA

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 A guerra de Tróia pode ter sido um grande conflito bélico entre gregos e troianos, possivelmente ocorrido entre 1300 a.C. e 1200 a.C. (fim da Idade do Bronze no Mediterrâneo). Segundo o poeta-épico, Homero, a guerra foi motivada pelo rapto de Helena (grega), rainha de Esparta, por Páris, príncipe de Tróia.

Causa da guerra
Gregos e troianos entraram em guerra por causa do rapto da princesa Helena de Tróia (esposa do rei lendário Menelau), por Páris (filho do rei Príamo de Tróia). Isto ocorreu quando o príncipe troiano foi à Esparta, em missão diplomática, e acabou apaixonando-se por Helena. O rapto deixou Menelau enfurecido, fazendo com que este organiza-se um poderoso exército. O general Agamenon foi designado para comandar o ataque aos troianos. Usando o mar Egeu como rota, mais de mil navios foram enviados para Tróia.

A Guerra
O cerco grego à Tróia durou cerca de 10 anos. aquiles mata o príncipe de Tróia. Vários soldados foram mortos, entre eles os heróis gregos Heitor e Aquiles (morto após ser atingido em seu ponto fraco, o calcanhar).
A guerra terminou após a execução do grande plano do guerreiro grego Odisseu. Sua idéia foi presentear os troianos com um grande cavalo de madeira. Disseram aos inimigos que estavam desistindo da guerra e que o cavalo era um presente de paz. Os troianos aceitaram e deixaram o enorme presente ser conduzido para dentro de seus muros protetores. Após uma noite de muita comemoração, os troianos foram dormir exaustos. Neste momento, abriram-se portas no cavalo de madeira e saíram centenas de soldados gregos. Estes abriram as portas da cidade para que os gregos entrassem e atacassem a cidade de Tróia até sua destruição.

Os eventos finais da guerra são contados na obra Ilíada de Homero. Sua outra obra poética, Odisséia, conta o retorno do guerreiro Odisseu e seus soldados à ilha de Ítaca.

Helena é resgatada pelo marido.  Tróia é incendiada.

Mito ou fato histórico?
Durante muitos séculos, acreditava-se que a Guerra de Tróia fosse apenas mais um dos mitos da mitologia grega. Porém, com a descoberta e estudo de um sítio arqueológico na Turquia, pode-se comprovar que este importante fato histórico da antiguidade realmente ocorreu. Porém, muitos aspectos entre mitologia e história ainda não foram identificados e se confundem. Mas o que se sabe é que esta guerra ocorreu de fato.

HEINRICH SCHILEMANN

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Tróia parece ter sido o primeiro foco de sua atenção em termos de arqueologia clássica, em 1862. Naquela época, como até recentemente, a própria existência da cidade era questionada. Talvez sua atenção tenha sido chamada ao visitar as escavações do arqueólogo britânico Frank Calvert, a quem encontrou em 1868 em sua primeira viagem ao sítio de Hissarlik, Turquia. Ele acaba se tornando seu sócio e colaborador. Logo ele publica um artigo sobre afirmando que o sítio realmente era a Tróia de Homero.

Ele procura uma esposa, de preferência com sólidos conhecimentos em cultura grega. Até coloca um anuncio em um jornal de Atenas, mas acaba se casando com a sobrinha de 17 anos do arcebispo de Atenas, Sophia Engastromenos, com a qual logo tem dois filhos.

Em 1871, ele está pronto para escavar a Tróia homérica, que acredita estar no estrato mais profundo do sítio de Hissarlik. Ele cava sem descanso até atingir fortificações que acredita ser o que procura. Calvert entra em conflito com ele por causa do método destrutivo de escavação que ele utiliza, deixando-o furioso com um artigo que publica, no qual afirma que o estrato referente a Guerra de Tróia foi destruído, inferindo que Schliemann o destruiu com seu método intempestivo. Talvez para confirmar o seu método, em 1873, subitamente, foi encontrado o assim chamado Tesouro de Priamo nas escavações. De acordo com o seu relato, ele viu o brilho do ouro na terra e dispensou os trabalhadores de tal forma que ele e Sophia o pudessem escavar pessoalmente e o esconder no xale dela. Mais tarde ela foi fotografada usando algumas das peças encontradas.

Toda a publicidade que se seguiu atraiu a atenção das autoridades turcas, que acabaram por revogar a sua licença para escavar e passaram a exigir parte dos achados. Schliemann com o auxílio de Calvert contrabandeou grande parte das peças para fora da Turquia, maculando a sua imagem internacionalmente e se tornando proscrito no país. Essas peças estão em litígio até hoje.

Em 1875, escava o Tesouro de Minyas em Orchomenos. No ano seguinte, descobre um grupo de tumbas em Micenas, cujos esqueletos eram adornados com muitas peças de ouro, como a famosa Máscara de Agamenão, que o eloqüente Schliemann atribui a ninguém menos que um dos mais importantes reis gregos de todos os tempos.

O MUNDO DE SOFIA

O filme O Mundo de Sofia é uma adaptação da famosa obra homônima de Jostein Gaarder, que já vendeu mais de 20 milhões de livros ao redor do mundo e foi traduzido para mais de 40 idiomas. Assim como o livro, o filme pode muito bem servir de iniciação à filosofia para as pessoas que se sentem desafiadas pela vasta literatura filosófica.

Às vésperas de seu aniversário de quinze anos, Sofia Amundsen começa a receber bilhetes e cartões postais bastante estranhos. Os bilhetes são anônimos, e perguntam a Sofia quem é ela e de onde vem o mundo em que vivemos. Os postais foram mandados do Líbano, por um desconhecido chamado Albert Knag, para uma tal de Hilde Knag, jovem que Sofia igualmente desconhece.

A partir dessas mensagens, Sofia ela se torna aluna do misterioso Alberto Knox, que a acompanha em uma fascinante jornada pela história da Filosofia. Ele começa totalmente anônimo, mas conforme a história continua ele revela cada vez mais sobre si mesmo.

Juntos, os dois percorrem o desenvolvimento do pensamento filosófico, desde Sócrates até os filósofos dos dias atuais, passando pela Idade Média, pelo Iluminismo, pela Revolução Francesa e pela Revolução Russa.

E enquanto percorrem esta caminhada, eles descobrem que são apenas personagens fictícios criados pela imaginação de um escritor, e começam a elaborar um plano para escapar para a realidade.

O filme O Mundo de Sofia é uma introdução inteligente e bastante eficiente à história da Filosofia e aos seus principais fundamentos, sendo recomendado a todos que têm paixão pelo conhecimento.

GRÉCIA ANTIGA

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Sociedade da Grécia Antiga 

A economia dos gregos baseava-se no cultivo de oliveiras, trigo e vinhedos. O artesanato grego, com destaque para a cerâmica, teve grande a aceitação no Mar Mediterrâneo. As ânforas gregas transportavam vinhos, azeites e perfumes para os quatro cantos da península. Com o comércio marítimo os gregos alcançaram grande desenvolvimento, chegando até mesmo a cunhar moedas de metal. Os escravos, devedores ou prisioneiros de guerras foram utilizados como mão-de-obra na Grécia. Cada cidade-estado tinha sua própria forma político-administrativa, organização social e deuses protetores.

Cultura e religião 

Foi na Grécia Antiga, na cidade de Olímpia, que surgiram os Jogos Olímpicos em homenagem aos deuses. Os gregos também desenvolveram uma rica mitologia. Até os dias de hoje a mitologia grega é referência para estudos e livros. A filosofia também atingiu um desenvolvimento surpreendente, principalmente em Atenas, no século V ( Período Clássico da Grécia). Platão, Aristóteles e Sócrates são os filósofos mais conhecidos deste período.

A dramaturgia grega também pode ser destacada. Quase todas as cidades gregas possuíam anfiteatros, onde os atores apresentavam peças dramáticas ou comédias, usando máscaras. Poesia, a história , artes plásticas e a arquitetura foram muito importantes na cultura grega.

A religião politeísta grega era marcada por uma forte marca humanista. Os deuses possuíam características humanas e de deuses. Os heróis gregos (semi-deuses) eram os filhos de deuses com mortais. Zeus, deus dos deuses, comandava todos os demais do topo do monte Olimpo. Podemos destacar outros deuses gregos : Atena (deusa das artes), Apolo (deus do Sol), Ártemis (deusa da caça e protetora das cidades), Afrodite (deusa do amor, do sexo e da beleza corporal), Démeter (deusa das colheitas), Hermes (mensageiro dos deuses) entre outros. A mitologia grega também era muito importante na vida desta civilização, pois através dos mitos e lendas os gregos transmitiam mensagens e ensinamentos importantes.

Os gregos costumavam também consultar os deuses no oráculo de Delfos. Acreditavam que neste local sagrado, os deuses ficavam orientando sobre questões importantes da vida cotidiana e desvendando os fatos que poderiam acontecer no futuro.

Na arquitetura, os gregos ergueram palácios, templos e acrópoles de mármore no topo de montanhas. As decisões políticas, principalmente em Atenas, cidade onde surgiu a democracia grega, eram tomadas na Ágora (espaço público de debate político).